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Os homens ocos

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Mavericco, 16 Jun 2011.

  1. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    [size=xx-small]A diagramação do texto não é a que eu realmente pretendia; mas esta, (talvez) mero orgasmo editorial, é coisa secundária.

    P.S.: ditongo oral 666 posts =D[/size]

    1.

    Nós somos os homens ocos
    Os homens empalhados
    Um nos outros amparados
    O elmo cheio de nada. Ai de nós!
    Nossas vozes dessecadas,
    Quando juntos sussurramos,
    São quietas e inexpressas
    Como o vento na relva seca
    Ou pés de ratos sobre cacos
    Em nossa adega evaporada

    Fôrma sem forma, sombra sem cor
    Força paralisada, gesto sem vigor

    Aqueles que atravessaram
    De olhos retos, para o outro reino da morte
    Nos recordam – se o fazem – não como violentas
    Almas danadas, mas apenas
    Como os homens ocos
    Os homens empalhados.

    (Repetirdes.)

    Nós somos os homens poucos
    Os homens empalhados
    Um nos outros amputados
    O bolso cheio de nada. Ai de Nós!
    Nossas vozes secadas,
    Quando juntos bradamos,
    São quietas e inexpressas
    Como o vento na terra seca
    Ou pés de ratos sobre cactos
    Em nossa adaga enamorada

    (Fôrma sem forma, sombra sem cor
    Força paralisada, gesto sem vigor)

    Aqueles que atravessaram
    De olhos retos || para o outro || reino da morte
    Nos recordam – se o fazem – não como violetas
    Almas malamadas, mas apenas
    Como os homens poucos
    Os homens empalhaçados.

    (Rep.)

    2.

    (Patrão Patrão Patrão, patrono patrão, serve a guariba):
    Os olhos que temo encontrar em sonho.
    (Agradece o alimento):
    Estes não aparecem, terreno livre, ó!: Luison.
    (Todos começam a comer):
    No reino do sonho da morte:
    A cantina Redonda:
    Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas.
    (A refeição termina):
    Como o vento se comporta
    Nem mais um passo
    (Grande fila. Expectativa. Todos em seus trajes desgastados, fidedignos, com expressões variadas e mui bem executadas. Sugerimos que potencializem seus binóculos, senhoras e senhores):
    Não este encontro derradeiro
    No reino da morte do sonho.

    3.

    Esta é a terra horizontal
    Onde os pombais alçam voo
    Aqui não vemos asas
    (IAPI em piruetas)
    Apenas as súplicas da mão dum morto
    Sob o lampejo fosco (Cruls Credo) da cidade da esperança

    (Berço chafurdado, lençol furado, mamadeira seca, brinquedo arranhado, prato em vácuo, literatura de invisível, cachola sem orla, escavadeira tosca, picareta ajambrada, imensidão de nada, estrada desamparada, véu sem céu, universo ao inverso, eu que morreu, águia em poste, águia em dois postes, prato virado, espinhos da sorte, rio perene, fala e envenene, faixa que abaixa, corvo e estorvo, rachadura na pintura: inelutável retorno.)

    E nisto consiste
    Nossa fauna agonizante
    (GEB, B?G)
    (De pedras quebradas) Despertando sozinha
    E indo embora, trêmula de morte.

    4.

    Aqui os olhos não brilham (+)
    Neste vale de estrelas tíbias (-)
    Valorizado vale em ruínas de reinos perdidos,
    ]perdidos![

    Ah, túrgido rio: imaculada ilha da paz...
    A única esperança de homens vazios (cheque!)
    (Por minhas mãos multifoliadas)

    Neste último sítio de encontros
    Juntos tateamos:
    "Respondes tu que negaste
    Se for possível fazê-lo,
    Que arregacemos o traste
    Com pode poder podê-lo"
    "De rixa de homens"
    "Canta-me"

    ...Da Bobagem: cinquenta toniquinhos

    Ah, sim, sim, então vai ser:
    Espíritos Supervalorizados: e vassouras:
    [sétimo]

    Estrela perpétua (x10)
    Estrela perpétua (x10)
    Estrela perpétua (x10)
    Estrela perpétua (x10)
    Estrela perpétua (x10)

    Guarda tua mão pra orla,
    E estrela calado céu,
    Donde tão mísero parla,
    E perpetua o véu.

    5.

    As armas e os barões assinalados,
    Que da ocidental praia Lusitana,
    Por mares nunca de antes navegados,
    Passaram ainda além da Taprobana,
    Em perigos e guerras esforçados,
    Mais do que prometia a força humana,
    E entre gente remota edificaram
    Novo Reino, que tanto sublimaram;

    Entre a fal(c)a
    E a fá(bula)
    Entre o movimento
    E a b(m)ala
    Tomba a pomba
    Manter, defender e cumprir

    Entre a (pro)mess(ia)a
    E a mentira
    Entre o ter(n)no
    E afligira
    Tomba a pomba
    observar as leis, promover o bem

    Entre o cacto
    E o p(r)( r )ac( c )(c)to
    Entre a fa(vela)
    E a ma(zela)
    Entre a esper(d)anças
    E (h)a crianças
    Tomba a pomba
    sustentar a união, a integridade (e a independência)

    Pera servir-vos, braço às armas feito,
    Pera cantar-vos, mente às Musas dada;
    Só me falece ser a vós aceito,
    De quem virtude deve ser prezada.
    Se me isto o Céu concede, e o vosso peito
    Dina empresa tomar de ser cantada,
    Como a pres(s)aga mente vaticina
    Olhando a vossa inclinação divina,

    Assim expira o mundo:
    Não com uma explosão, mas com um ronco do avião
     
  2. Haleth

    Haleth There's no such a thing as a mere mortal

    Ui, garoto. Vc me arrebenta.

    A primeira parte está arrebatadora. Muito bom o paralelismo das estrofes, a construção de imagem que você fez, a escolha das palavras. Sério, gostei com força e queria ter eu sido a escrever isso, haha. =)
    Mas preciso reler as outras partes, porque fiquei muito empolgada com o começo e galopei o resto querendo chegar logo no fim, e acabei me embananando no meio.

    Homo oco
    Ecce homo

    =P
     
  3. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Obrigado :sim:
    Mas não posso ter todas as honras, quando na verdade o poema é uma paródia de "The Hollow Men" do T.S. Eliot:

    http://www.culturapara.art.br/opoema/tseliot/tseliot.htm
     
  4. Haleth

    Haleth There's no such a thing as a mere mortal

    Ah, então não é vc que me arrebenta... A única coisa que sei de Eliot é o nome, mais nada. =)
     

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