1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

O príncipe maldito - Parte II

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por JLM, 1 Fev 2009.

  1. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    [size=x-large]O PRÍNCIPE MALDITO - PARTE II[/size]
    de Jefferson Luiz Maleski

    [align=justify]Ágata nasceu cega, nunca viu nada em sua vida além da escuridão.

    Mas ao crescer, mostrou-se extremamente atenta às coisas ao seu redor. A sua atenção e percepção eram tamanhas, que chegavam assustar a sua mãe e as amas. Ah, Ágata era uma princesa, a filha caçula do rei Leopoldo. Era mais querida talvez por ser a mais cuidada, ou a mais cuidada talvez por ser a mais querida. As suas duas irmãs não eram malvadas para com ela, até porque costumavam compensar a inveja que tinham dos mimos dos pais para com Ágata fazendo coisas que ela não conseguia fazer. Ágata nunca brincava com as outras crianças. Nunca saia para cavalgar. Nunca freqüentava as festas da corte. Nunca flertava com os rapazes. As irmãs julgavam-se mais felizes do que ela, pois não percebiam que alguém que nunca conhecera um certo prazer não poderia ficar triste por não desfrutá-lo. Ágata acostumou-se a viver no castelo tão bem que não precisava de guia para os seus movimentos. Mas Ágata tinha um segredo e que só ela a sua mãe conheciam. A princesa cega, de tão atenta aos barulhos, movimentos e outras sensações que somente os cegos conseguiriam perceber, aperfeiçoou o ouvido com uma acurácia tão perfeita, que passou a perceber os menores ruídos cada vez mais nítidos. Às vezes, encostava-se à janela do castelo que dava para o portão principal e brincava de ouvir os sons lá embaixo. Aprendeu a separar e isolar um som em meio a milhares, e muitas vezes à distâncias em que uma pessoa normal julgaria impossível ouvir. De fato, o seu ouvido ficou tão sensível e treinado, que certo dia, a princesa Ágata passou a ouvir os pensamentos daqueles que a rodeavam. De início, assustou a sua mãe ao responder uma pergunta que esta não lhe fizera, apenas pensara. Assim, ambas descobriram a estranha habilidade que a princesa adquirira. A rainha, mãe de Ágata, julgava o dom da filha uma dádiva fornecida para compensar a cegueira, mas receosa de que os religiosos da corte julgassem mal a filha, fez ela prometer que não contaria a ninguém, nem mesmo ao rei, seu pai, sobre sua habilidade.

    Um dia, porém, a estimada rainha faleceu. Em seu leito de morte, Ágata ainda ouviu o último pensamento da mãe, “a sua promessa continua após a minha morte, minha querida”. Ágata se agarrou a mão da mãe, chorando e dizendo que sim, que jamais quebraria a promessa, mas a mãe não ouvia mais nada, estava morta. Os que ouviram, o rei e as irmãs, não entenderam, mas a perdoaram, pois Ágata era muito apegada a rainha.

    Depois do período de luto pela morte da rainha, o rei, desgostoso com a vida, jurou fazer de tudo para não se afastar de suas filhas, agora o seu único consolo e felicidade. Estabeleceu um teste dificílimo para os que queriam cortejar as princesas. O rei, ao ver o pretendente à sua frente, na presença de toda a corte, dava uma resposta, e o jovem teria um dia e uma noite para retornar ao rei qual era a pergunta correta àquela resposta. Às vezes, o rei dizia somente "terra", ou "verde", ou "mãe" e esperava pela pergunta que resultava naquela resposta, pergunta que só ele sabia e que esperava nunca fossem acertadas. E é claro que ninguém acertava. Isso fez com que as irmãs de Ágata passassem a chorar e a lamentar na presença da irmã. Elas tinham planos de se casarem e terem filhos, mas com as condições impostas pelo rei, temiam virarem solteironas fadadas a viverem sonhando com príncipes em cavalos brancos, em uma janela em alguma torre dos fundos do castelo. Ágata, comovida pela dor das irmãs, perguntou a elas: - Se eu souber a pergunta à resposta fornecida pelo rei, nosso pai, vocês conseguiriam informá-la aos vossos pretendentes? – Claro, responderam as irmãs, mas como você conseguirá tal façanha? – Não se preocupem com isso, preocupem-se em escolher a quem desejam como marido e me informem o nome, para que eu saiba qual a resposta que este deve dar ao nosso pai. Ágata mantinha assim a promessa à sua finada mãe, mas ao mesmo tempo ajudava as irmãs. Até porque, não era tão difícil descobrir que pergunta o velho rei fazia. Basicamente, ele vinha alternando sempre as mesmas três perguntas, sem precisar formular outras, já que nenhum príncipe acertava.

    Não é preciso dizer que o plano funcionou perfeitamente, para a alegria das princesas e o espanto do rei, que atribuiu o acerto dos enigmas impossíveis de serem acertados à Providência Divina. Aqueles só poderiam ser os maridos enviados por Deus para as suas filhas. E assim, casaram-se as irmãs mais velhas de Ágata, deixando-a como a única princesa, solteira, no castelo do rei. Apesar da sua limitação, Ágata era uma princesa inteligente, bela e formosa, e muitos cavalheiros chegavam até o rei para aceitar o desafio e desposá-la. Como agora restava somente uma pergunta na mente do rei, e Ágata não podia ver as feições dos seus pretendentes, ela preocupava-se em apenas escutar os pensamentos deles quando estavam na presença da corte para o desafio. Mas, ouvi-los assustava a princesa. Alguns chamavam o rei de bobo ou louco, outros somente faziam planos em como gastar no dote, e ainda outros pensavam em coisas vis e imorais envolvendo a princesa ou o reino. Ela nunca iria desposar alguém com pensamentos como aqueles, mesmo que fossem príncipes. Para Ágata, o que havia íntimo da pessoa era o mais importante.

    Um dia, foi solicitada uma audiência com um príncipe que viera de um reino distante, além das montanhas do horizonte. Ágata postou-se em seu lugar, um pouco abaixo do rei, não esperando daquele moço mais do que o de costume, quando entrou o cortejo do príncipe. Um arauto aproximou-se e disse em voz alta que eles vieram de longe para pedir a mão da princesa e livrar dois reinos de uma maldição lançada sobre eles. O rei e a princesa ficaram assustados, pois não sabiam de maldição alguma sobre eles. Foi então que o príncipe se aproximou. A princesa pode ouvir os seus pensamentos nitidamente. Ele havia sido amaldiçoado quando jovem com duas maldições, mas depois de algum tempo foi-lhe revelado como quebrá-las, assim como a que pairava sobre o rei Leopoldo e a princesa Ágata.

    A maldição que afetava o rei Leopoldo havia sido lançada por um bruxo que trabalhava no castelo antes do pai de Ágata tornar-se rei. O falecido pai do rei atual, o avô da princesa, havia expulsado os praticantes de magia negra do castelo, e o bruxo jurou que no dia em que as filhas de seu filho se casassem, todos os membros da linhagem real morreriam subitamente, no mesmo dia. As palavras do bruxo perderam-se no tempo, mas se cumpririam assim que Ágata se casasse. E avisou que aquela maldição só poderia ser quebrada por alguém que fosse mais amaldiçoado que eles. E o príncipe que ali estava tinha duas maldições.

    Ágata soube de tudo, mas foi só ela, porque o príncipe nada falou. Ao invés disso, seu arauto revelou que o soberano não proferia a sua voz há anos por causa de sua maldição, e que, desde então, aprendera a ser um rei justo e bom. Ágata estava confusa, o príncipe era sincero em seus pensamentos, e revelava para ela uma maldição que só ele poderia quebrar.

    O rei, como de costume, embora receoso – e Ágata percebeu – fingiu não estar interessado na maldição e disse ao visitante que a prova continuava sendo a mesma. O rei daria a resposta, e o príncipe teria um dia e uma noite para pensar qual era a pergunta correta. O príncipe fez sinal para o seu arauto dizer que ele aceitava o desafio. A resposta dada pelo rei foi "terra”. Os sentimentos de Ágata se agitavam em seu íntimo. Ela precisava pensar no que fazer. Se o estranho estivesse certo, ela teria, de algum jeito, de informar-lhe a pergunta que estava na cabeça de seu pai. Como fazer isso, já que ela era cega e o príncipe não falava, Ágata não tinha a menor idéia.

    Foi quando, por meio de uma tabuleta, o príncipe escreveu algo que o arauto leu em alta voz. O príncipe dispensava o prazo, iria responder o enigma ali, naquela hora. Ágata ouviu os pensamentos dos que estavam no salão de audiências do palácio, dos nobres, do rei, dos guardas etc., até os pensamentos dela, todos se resumiam a apenas um: "Quem esse idiota pensa que é?"[/align]


    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
     
  2. sammynewton

    sammynewton Usuário

    Um príncipe que não pode falar, e uma princesa que não enxerga, mas lê a mente das pessoas. Rapaz, confesso que essa segunda parte me chamou muito mais a atenção do que a primeira.

    O modo como você costurou as impossibilidades físicas dos personagens foi genial. A personagem Ágata tem muito potencial, é mais interessante até que o protagonista.

    Gostei muito também da narrativa. Mostrando duas realidades distintas que se interconectam. Enfim, espero ansioso a terceira (e derradeira?) parte.

    E, espero ler algo seu no Concurso de Contos do Meia.

    A propósito: Seu blog e bem bacana Jeff. Tá "favoritado" no RSS
     
  3. Vail Martins

    Vail Martins Usuário

    Meu... você sabe fazer um bom suspense, né?!?XD
    Muito legal como você está resolvendo está história.
    Confesso que depois da primeira parte esperava um final rápido, não que criasse uma segunda realidade para complementar a primeira. Muito bom. :clap:
     
  4. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    se será a derradeira vai depender só da inspiração.

    a minha participação no concurso tb está condicionada a volta as aulas na facul, semestre novo, estágio novo, não sei como vai ser o ritmo.

    obrigado, o blog é meio uma mistureba de literatura boa e a q eu escrevo, :timido:

    não lembro qual escritor disse q se vc não for escrever algo q gostaria de ler seria melhor nem escrever. e concordo com ele, depois de escrever e revisar zilhões de vezes, me pergunto oq eu, como leitor, achei daquele texto e oq gostaria de ver diferente. no começo, esse distanciamento do texto parece dificil, mas é só deixar ele de lado por 2 ou 3 dias q já dá pra ver onde dá pra melhorar.
     
  5. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    Cara, eu tinha gostado da primeira parte, mas com essa vc se superou! Deu uma nova dimensão pra história e ainda trouxe uma princesa cega que lê pensamentos!!! hehe Espero pela terceira parte.
     
  6. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    coming soon...
     
  7. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Duas versões e dois lados, e o conto fica cada vez mais legal! Ágata, como já disseram, consegue ser mais sensível e astuta que todo mundo junto. Viu, quantas partes tem? Porque estou ancioso para ver a terceira, no aguardo então JLM.
     
  8. imported_?

    imported_? Usuário

    Histórias com "sentidos", gostei muito da segunda parte!
     
  9. LucasCF

    LucasCF Usuário

    Nossa, achei as duas partes muito boas, mas essa por misturar duas realidades, duas maldições me impressionou. hehe. Aquele conto horrível que estou escrevendo pro concurso (nem sei se é realmente um conto, er) vai perder feio.
     
  10. Clara

    Clara O^O Usuário Premium

    É!
    E de como a falta deles muitas vezes pode ser até benéfica: a princesa desenvolveu o poder de ler pensamentos e o príncipe... bem, o príncipe aprendeu a calar a boca! :lol:
     
  11. _Paulinha

    _Paulinha Usuário

    Ai, que curiosidade para saber a pergunta...
     

Compartilhar