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O Amante, Marguerite Duras

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Anica, 25 Jan 2008.

  1. Anica

    Anica Usuário

    (Copiado e colado lá do
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    :traça: )

    A Cosac & Naify já tem fama de lançar obras caprichadíssimas, daquelas tão lindas, lindas, lindas que não basta só ler o livro, você quer TER o livro também. É esperto da parte deles, claro. O chato é que a esperteza custa dinheiro, né. Por exemplo: foi lançada recentemente a coleção “Mulheres Modernistas”, com obras de Karen Blixen, Virginia Woolf, Katherine Mansfield e Marguerite Duras. A
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    (com sete livros) vem dentro de uma sacola féchion, e custa por aí nada mais nada menos 295 reais.

    É, 295. Mas por sorte, você pode adquirir os livros separadamente, o que já alivia um pouco as coisas. E por sorte minha ( :mrpurple: ), ganhei de presente de aniversário do Lira e da Giorgia
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    livro que simplesmente devorei (e pelo qual estou apaixonada, vale dizer).

    O que faz da obra algo tão bom? Afinal de contas, seria um romance autobiográfico no qual a autora relata as primeiras experiências sexuais que viveu com um amante chinês na Indochina francesa (atual Vietnã). A questão é: histórias assim, já foram escritas às pencas. Mas o modo como Duras escreve que é todo o diferencial.

    O estilo da escrita retrata exatamente como as memórias aparecem em nossa mente de quando em quando. Não são lineares, um evento ligando ao outro. São confusas, você relata algo que te conduz direto para a conclusão disso, e então você retorna para o início. Inclui julgamentos sobre o que na época não via, preenche os vazios com o que pensa se encaixar melhor.

    É assim que flui a narrativa de Duras. O jogo com a lembrança continua com outros artifícios ainda mais interessantes, como por exemplo o que ela faz com o narrador. Sendo um romance autobiográfico, é natural que seja narrado em primeira pessoa, certo? E de fato, a autora o faz. Mas só em alguns momentos. Em outros, ela se distancia e torna-se uma observadora como nós, e aí passa a narrar em terceira pessoa.

    É simplesmente um trabalho lindo, porque ela não revela nada de forma óbvia, é através de imagens. Como por exemplo, a falta de sintonia do casal na conversa no restaurante:

    O que dizem é que a autobiografia tem elementos ficcionais, mas eu sinceramente não acho que isso importa. No final das contas, em pequena ou grande escala, somos todos personagens mesmo, e a ficção de um pode ser a realidade de outro - depende só do ângulo que se vê.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  2. Ronzi

    Ronzi Oh, Crap!

    Comprei o livro por causa desse post seu no Hellfire e fique boquiaberto. Sério, indico para qualquer um que tiver o interesse. O romance é recheado de passagens líricas lindíssimas, como esse:

    “Permitam-me dizer, tenho quinze anos e meio.
    Uma balsa desliza sobe o Mekong.
    A imagem permanece durante toda travessia do rio.
    Tenho quinze anos e meio, esse país não tem estações, vivemos numa estação só, quente e monótona; vivemos uma longa zona quente da terra, sem primavera, sem renovação.”

    Aqui a autora cria um momento subjetivo que é mais uma imagem atemporal que funde a si mesmo em sua personagem, do que o presente propriamente dito. Nesse contexto, as estações do ano se tornam nada mais que metáforas para renovação da vida, para mudança da realidade, excluindo a significância climática da situação.

    Foda!
     
  3. Anica

    Anica Usuário

    É realmente maravilhoso, né? Na realidade, gostei tanto que estava até pensando em reler. O legal é o quanto ela diz com essas pequenas imagens. Tem coisas ali que você tem o quadro perfeito pintado na sua cabeça, entretanto ela falou muito pouco sobre a situação em si. E sério, eu fecho os olhos e lembro dos lugares que ela descreveu até agora. É realmente imperdível.
     
  4. Ronzi

    Ronzi Oh, Crap!

    Verdade, Anica. As idas ao quarto com o chinês, diz tão pouco, mas posso até imaginar o mobiliário do local, como o restaurante onde ele levava a família dela. Simplesmente maravilhoso.
     
  5. Anica

    Anica Usuário

    Tive a honra de receber a visita da tradutora do livro (a Denise Bottmann) no
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    . Vou deixar aqui o comentário que ela deixou lá porque achei muito, muito bacana:

    =D
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  6. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    Confesso q não gostei do livro. Não pintou aquele clima, ou talvez foi a forma narrativa da escritora q não bateu comigo.

    Já o filme, achei muito bem feita a reconstituição do local e da época e me fez até captar alguns detalhes q não tinham sido mto relevantes para mim na leitura. Recomendo, mas tirem as crianças da sala.
     
  7. Ronzi

    Ronzi Oh, Crap!

    Foda, sem mais palavras. Esse foi o meu livro de 2008.
     

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