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[Meia Xícara de Café] O excesso de Leitura prejudica nossa capacidade de pensar?

LucasCF

Usuário
Palazo disse:
Estamos na segunda semana do Meia Xícara de Café e vamos dar continuidade as discussões. Pois como diria a Kika o Meia Xícara de Café é um convite ao debate, sempre acompanhado de um delicioso café hehehe.... Vamos a discussão da semana.

Lendo o excerto de um texto de Rubem Alves chamado "Sobre os perigos da Leitura", ele cita a opinião de Schopenhauer sobre o excesso de leitura:

"Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental". "Durante a leitura, nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando esses, finalmente, se retiram, o que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o dia inteiro perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria. Esse, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo".

e também, sobre o mesmo tema, cita Nietzsche:

"Se não estão virando as páginas de um livro, eles não conseguem pensar. Sempre que se dizem pensando, eles estão, na realidade, simplesmente respondendo a um estímulo —o pensamento que leram... Na verdade eles não pensam; eles reagem. (...) Vi isso com meus próprios olhos: pessoas bem-dotadas que, aos 30 anos, haviam se arruinado de tanto ler. De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo, ler um livro é simplesmente algo depravado..."

Então deixamos aqui a pergunta:

O excesso de Leitura prejudica nossa capacidade de pensar?

Rafaela disse:
Eu acredito que seja exatamente o contrário. Acho que a leitura ajuda a expandir nossos horizontes, quem lê precisa se concentrar no que está lendo e se o livro é bom ou interessante após a leitura refletimos sobre o que lemos e acho que depois de algum tempo, adquirido o costume, tudo o que vemos ou ouvimos nos faz refletir, pensar. Acho que ler nos estimula a pensar.

Dinamarca disse:
Se ler muito faz mal, imagine quem assiste TV o dia todo ¬¬

Lelolelélêlegal disse:
O problema em si não é o volume de leitura, mas a leitura sem reflexão e a leitura que substitui completamente a vivência e a experiência.
Se você lê e não reflete sobre aquilo - sem procurar ter opinião própria - então, estará emburrecendo. Se apenas lê e não procura vivenciar as experiências no campo real, então, também estará emburrecendo (uma vida pobre de experiências limita o campo de compreensão). Estará, assim, sendo apenas um meio de reprodução de ideias alheias. Um mero papagaio.

Ramalokion disse:
Lelo resumiu de forma perfeita meu pensamento!

Tudo em excesso faz mal (sim, TUDO MESMO!); no caso da leitura eu costumo brincar dizendo que "Uma coisa é reconhecer palavras num certo texto, outra, bem diferente, é LER - raciocinar, refletir - sobre o texto!"; a última é LER, a 1ª é olhar!

Breno C. disse:
Eu concordo. Quem só lê e não estuda aquilo que está lendo, ou seja, não interpreta, pensa, reflete etc, só esta repetindo palavras na mente.

Quem lê e não dá um tempo para a mente conjecturar, acaba não fazendo da leitura uma função mecânica. E é por isso que é importante existir lugares como o meia Palavra, onde as pessoas podem sentar e conversar sobre seus livros, exercitando a mente e fazendo o trabalho de pensar pelos seus personagens.

Eu estou basicamente repetindo o que o Lelo disse, mas o nosso ponto diverge quando o assunto é a quantidade, porque eu acredito que a quantidade pode ser prejudicial. Quem lê 300 livros num único mês, acaba se esquecendo de fazer o principal. E eu venho notando que humanidade, apesar de dizer o contrário, vem se importante cada vez mais com a quantidade e não com a qualidade.

Lelolelélêlegal disse:
Concordo totalmente com o seu ponto de vista, Breno. Quando eu me referi a volume, eu quis dizer um "volume normal de quem já lê muito" (que é, no máximo, de uns três ou quatro livros por semana). Coisas como ler 300 livros num mês são realmente absurdos, e servem apenas como jogada de marcketing, pois o aproveitamento é zero.
Como o Rama falou muito bem: com uma quantidade dessa ela só vai ler/olhar, quando o objetivo é ler/entender o texto.
Antes, eu mesmo achava que tinha que ler bem depressa, pois ler devagar era um mau sinal (podia parecer que eu tinha dificuldade de entendimento). Hoje já não me preocupo mais tanto com isso. Tem até um livro ótimo que eu estou lendo à conta-gotas há mais de um mês, bem devagar, porque acho que ele merece esse cuidado, pois tem muito a oferecer (Trem Noturno para Lisboa). E estou lendo sem a menor pressa e sem neura. Smile

Kika_FIL disse:
Lendo o artigo completo do Rubem Alves, achei interessante o que o levou a refletir sobre ler demais. Não é de hoje que vejo papagaios saídos de faculdades, repetindo Marx, Engels, Max Weber e Platão, sem ao menos entender o contexto em que expressaram suas ideias. E pior, professores que incentivam o papagaio, fazendo provas em que memorizar é mais importante que raciocinar.

Talvez não seja culpa de ler em si, e sim de ser treinado a ler sem pensar, isso que me preocupa mais...

Lelolelélêlegal disse:
Já topei com vários professores desse naipe, Kika. O pior é ver esses caras se gabando que estudam em francês e alemão, e fazendo comentários estapafúrdios e preconceituosos, além de apologia à lei do mais esperto. E se você discorda eles passam a te perseguir. Quer dizer, leem em frances e alemão, mas não absorvem nada.

JLM disse:
Palazo disse:
O excesso de Leitura prejudica nossa capacidade de pensar?

ãhn?!?

Anica disse:
Sobre a citação no post inicial:

"Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental". "Durante a leitura, nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando esses, finalmente, se retiram, o que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o dia inteiro perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria. Esse, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo".

Eu discordo completamente, até porque sou da teoria que o texto funciona como um quadro que só se completa quando o leitor inclui nele sua visão de mundo. É humanamente impossível só ler sem se relacionar com uma obra, o mínimo que seja. Nem que seja tentando prever os eventos futuros da obra, ou julgando uma personagem a partir de seu próprio código moral, o leitor e a obra se complementam.

Porém, sobre a questão levantada eu acho que o Lelo colocou bem a questão já no primeiro post dele aqui: a leitura sem crítica faz mal sim. Simplesmente ler a história, sem refletir depois nos deixa preguiçosos. E uma preguiça literária que me incomoda muito é a do "Se todo mundo gosta então é bom". Sujeito mal lê o livro, absorve apenas o enredo, e sai por aí dizendo como achou que trata-se de uma obra prima só porque é um clássico consagrado ou mesmo um bestseller minimamente bem aceito.

No mais, acerca do número de livros, cada qual tem seu ritmo. O Tiago (Lord Ueifol) lê para caramba, e pelas resenhas que ele publica no Meia Palavra vocês sabem que é alguém que lê e não só absorve o que leu, mas também sabe criticar. Acho que o essencial é isso, não a quantidade.
[/quote]

Line disse:
Concordo com os autores citados pelo Palazo em partes. Quem apenas lê e faz disso um vício para se manter "erudito" pode ficar realmente parvo, como dizem nossos compatriotas portugueses.
Ler é um exercício contínuo da mente, lemos porque queremos saber a opinião de outros a respeito de n coisas, lemos para nos inspirar, para criticar, amaldiçoar, abençoar.
Quando tomamos como exemplo os autores que lemos e a partir disso tomarmos nosso próprio caminho (e espero que não seja o da alienação), acredito que isso não nos tire a capacidade de pensar, mas nos instiga a buscar o que verdadeiramente achamos sobre o mundo, digamos assim...

Kika_FIL disse:
Pois é Anica, o Rubem Alves escreveu o artigo depois de participar de uma banca para definir doutorandos... e ficou espantado como essas pessoas de 30 anos "cultas, intelectualizadas, que leram milhares de livros" não conseguiram responder à proposição "Fale sobre o que vc gostaria de falar", sendo que a maioria dos estudantes resolveu papagaiar as ideias dos livros que leram....

Esse, para mim, foi o melhor pedaço do artigo...

Os candidatos amontoavam-se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma idéia que julguei brilhante. Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas: "Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!".

Pois é claro! Não nos interessávamos por aquilo que ele havia memorizado dos livros. Muitos idiotas têm boa memória. Interessávamo-nos por aquilo que ele pensava. O candidato poderia falar sobre o que quisesse, desde que fosse aquilo sobre o que gostaria de falar. Procurávamos as idéias que corriam no seu sangue!

A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos —ah, isso não lhes tinha sido ensinado!

Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes.

Uma candidata teve um surto e começou a papaguear compulsivamente a teoria de um autor marxista. Acho que ela pensou que aquela pergunta não era para valer. Não era possível que estivéssemos falando a sério. Deveria ser uma dessas "pegadinhas" sádicas cujo objetivo é confundir o candidato. Por vias das dúvidas, ela optou pelo caminho tradicional e tratou de demonstrar que havia lido a bibliografia. Aí eu a interrompi e lhe disse: "Eu já li esse livro. Eu sei o que está escrito nele. E você está repetindo direitinho. Mas nós não queremos ouvir o que já sabemos. Queremos ouvir o que não sabemos. Queremos que você nos conte o que você está pensando, os pensamentos que a ocupam...". Ela não conseguiu. O excesso de leitura a havia feito esquecer e desaprender a arte de pensar.


mas antes que atirem cobras e lagartos no autor... vejam como ele termina o artigo..

E, no entanto, eu me daria por feliz se as nossas escolas ensinassem uma única coisa: o prazer de ler! Sobre isso falaremos...

o Lord Ueifol é um ET, que lê e absorve mais que qualquer pessoa que eu conheça ^^, mas sim, cada um tem um ritmo, e sou uma defensora da leitura crítica...

mas um ponto interessante a discutir aqui, na minha opinião, é sobre "LEITURAS OBRIGATÓRIAS". Ler obrigado, pensando que os professores vão cobrar as palavras nos livros, e não seus pensamentos sobre eles é uma prática comum, que eu gostaria de ver mudada...

Clara V. disse:
Palazo disse:
"Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental". "Durante a leitura, nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. "

Eu li esse livro do Schopenhauer e achei que ele se referia mais à filosofia, não exatamente a romances.
Mas acredito sim que ler (muito ou pouco) sem espírito crítico, emburrece, ou melhor, mantém a pessoa burra.
Porque eu acredito que quem lê sem pensar no que leu já é estúpido por natureza e está lendo como uma maneira de disfarçar a própria estupidez.
Lembrei daquele tópico que fala da mulher que lê (ou leu) um livro por dia.
Totalmente estúpida na minha opinião.
Pra quê ler um livro por dia?
Depois de um ano vai estar mais inteligente? Vai nada, não lembrará nem de 99% do que leu. (Melhor dizendo, nem 1% do que leu... foi mal. )

Palazo disse:
e também, sobre o mesmo tema, cita Nietzsche:
"De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo, ler um livro é simplesmente algo depravado..."

Nossa adorei essa frase, é muito linda!
Pra mim resumiu bem: é bom ler (e pensar sobre o que se leu) mas que isso nunca impeça de observar (e viver) a vida real.

Clara V. disse:
Kika_FIL disse:
Pois é Anica, o Rubem Alves escreveu o artigo depois de participar de uma banca para definir doutorandos... e ficou espantado como essas pessoas de 30 anos "cultas, intelectualizadas, que leram milhares de livros" não conseguiram responder à proposição "Fale sobre o que vc gostaria de falar", sendo que a maioria dos estudantes resolveu papagaiar as ideias dos livros que leram....

Mas Kika, esse Rubem Alves foi cruel hein? pois que em qualquer trabalho (TCC, doutorado, mestrado) em nenhum momento você pode "falar o que gostaria de falar" é só blablabla do tipo: "segundo Fulano da Silva (2002) tal coisa é assim; já de acordo com Ciclano de Souza (1998) tal coisa fica sendo assado...".
E a pessoa passa meses pra formalizar esse texto de acordo com as gloriosas normas da ABNT e trastes do gênero, não esquecento do estresse que dá a apresentação pra banca, aí um cara da banca diz: "fala o que você quer falar" ¬¬
O aluno vai pensar: Ahn? Como assim? Falar o que eu quero? É pegadinha é? Eek!

Kika_FIL disse:
Ele mesmo reconheceu isso no parágrafo seguinte Clara....e pelo q eu entendi do texto, é exatamente isso q ele lamenta na educação formal...o fato dos estudantes não serem incentivados a falar o que pensam... e sim compilar o que os outros pensaram. Principalmente triste quando falamos de Doutorado, já que este título supõe uma tese nova, e não mera compilação de mais autores do que no mestrado...

Clara V. disse:
É, eu entendi que ele lamenta esse tipo de ensino, mas por outro lado é de se perguntar como ele chegou até ali, como se tornou membro daquela banca.
E você sabe o que ele e os outros colegas "brilhantes" fizeram com os coitados que apresentaram o trabalho pra eles?
Fico pensando que das duas uma, ou deram o título pra todos ou pra ninguém.

Clara V. disse:
Era banca para entrar no doutorado, Clara, não para conferir o título...

Bom, eis uma biografia do cara...

Rubem Alves


"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro..."


Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança".

A família mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1945, onde, apesar de matriculado em bom colégio, sofria com a chacota de seus colegas que não perdoavam seu sotaque mineiro. Buscou refúgio na religião, pois vivia solitário, sem amigos. Teve aulas de piano, mas não teve o mesmo desempenho de seu conterrâneo, Nelson Freire. Foi bem sucedido no estudo de teologia e iniciou sua carreira dentro de sua igreja como pastor em cidade do interior de Minas.

No período de 1953 a 1957 estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP), tendo se transferido para Lavras (MG), em 1958, onde exerce as funções de pastor naquela comunidade até 1963.

Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio (1959), Marcos (1962) e Raquel (1975). Foi ela sua musa inspiradora na feitura de contos infantis.

Em 1963 foi estudar em Nova York, retornando ao Brasil no mês de maio de 1964 com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, em 1968, foi perseguido pelo regime militar. Abandonou a igreja presbiteriana e retornou com a família para os Estados Unidos, fugindo das ameaças que recebia. Lá, torna-se Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary.

Sua tese de doutoramento em teologia, “A Theology of Human Hope”, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books é, no seu entendimento, “um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teoria da Libertação”.

De volta ao Brasil, por indicação do professor Paul Singer, conhecido economista, é contratado para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).

Em 1971, foi professor-visitante no Union Theological Seminary.

Em 1973, transferiu-se para a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, como professor-adjunto na Faculdade de Educação.

No ano seguinte, 1974, ocupa o cargo de professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na UNICAMP.

É nomeado professor-titular na Faculdade de Educação da UNICAMP e, em 1979, professor livre-docente no IFCH daquela universidade. Convidado pela "Nobel Fundation", profere conferência intitulada "The Quest for Peace".

Na Universidade Estadual de Campinas foi eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no período de 1980 a 1985, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino de 1983 a 1985.

No início da década de 80 torna-se psicanalista pela Sociedade Paulista de Psicanálise.

Em 1988, foi professor-visitante na Universidade de Birmingham, Inglaterra. Posteriormente, a convite da "Rockefeller Fundation" fez "residência" no "Bellagio Study Center", Itália.

Na literatura e a poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octávio Paz, Saramago, Nietzsche, T. S. Eliot, Camus, Santo Agostinho, Borges e Fernando Pessoa, entre outros, tornou-se autor de inúmeros livros, é colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos.

Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois nela reside o fato de que acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza.

Após se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante na cidade de Campinas, onde deu vazão a seu amor pela cozinha. No local eram também ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além de contar com um ótimo trio com música ao vivo, sempre contando com “canjas” de alunos da Faculdade de Música da UNICAMP.

O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

Bibliografia:

Crônicas

As contas de vidro e o fio de nylon, Editora Ars Poética (São Paulo)
Navegando, Editora Ars Poética (São Paulo)
Teologia do cotidiano, Editora Olho D'Água (São Paulo)
A festa de Maria, Editora Papirus (Campinas)
Cenas da vida, Editora Papirus (Campinas)
Concerto para corpo e alma, Editora Papirus (Campinas)
E aí? - Cartas aos adolescentes e a seus pais, Editora Papirus (Campinas)
O quarto do mistério, Editora Papirus (Campinas)
O retorno eterno, Editora Papirus (Campinas)
Sobre o tempo e a eterna idade, Editora Papirus (Campinas)
Tempus fugit, Editora Paulus (São Paulo)

Livros Infantis

A menina, a gaiola e a bicicleta, Editora Cia das Letrinhas (SP)
A boneca de pano, Edições Loyola (SP)
A loja de brinquedos, Edições Loyola (SP)
A menina e a pantera negra, Edições Loyola (SP)
A menina e o pássaro encantado, Edições Loyola (SP)
A pipa e a flor, Edições Loyola (SP)
A porquinha de rabo esticadinho, Edições Loyola (SP)
A toupeira que queria ver o cometa, Edições Loyola (SP)
Estórias de bichos, Edições Loyola (SP)
Lagartixas e dinossauros, Edições Loyola (SP)
O escorpião e a rã, Edições Loyola (SP)
O flautista mágico, Edições Loyola (SP)
O gambá que não sabia sorrir, Edições Loyola (SP)
O gato que gostava de cenouras, Edições Loyola (SP)
O país dos dedos gordos, Edições Loyola (SP)
A árvore e a aranha, Edições Paulus (SP)
A libélula e a tartaruga, Edições Paulus (SP)
A montanha encantada dos gansos selvagens, Edições Paulus (SP)
A operação de Lili, Edições Paulus (SP)
A planície e o abismo, Edições Paulus (SP)
A selva e o mar, Edições Paulus (SP)
A volta do pássaro encantado, Edições Paulus (SP)
Como nasceu a alegria, Edições Paulus (SP)
O medo da sementinha, Edições Paulus (SP)
Os Morangos, Edições Paulus (SP)
O passarinho engaiolado, Editora Papirus (Campinas)
Vuelve, Pájaro Encantado, Sansueta Ediciones SA (Madrid, España)

Filosofia da Ciência e da Educação

A alegria de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Conversas com quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Estórias de quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Filosofia da Ciência, Editora Ars Poética (SP)
Entre a ciência e a sapiência, Edições Loyola (SP)

Filosofia da Religião

O enigma da religião (Campinas, Papirus)
L' enigma della religione (Roma, Borla)
O que é religião? (S. Paulo, Brasiliense)
What is religion? (Maryknoll, Orbis)
Was ist religion? (Zurich, Pendo)
Protestantismo e Repressão (S. Paulo, Ática)
Protestantism and Repression (Maryknoll, Orbis)
Dogmatismo e Tolerância (S. Paulo, Paulinas)
O suspiro dos oprimidos (S. Paulo, Paulinas)

Biografias

Gandhi: A Magia dos gestos poéticos (S. Paulo/Campinas, Olho D'Água/Speculum)

Teologia

A Theology of Human Hope (Washington, Corpus Books)
Christianisme, opium ou liberation? (Paris, Éditions du Cerf)
Teologia della speranza umana (Brescia, Queriniana)
Da Esperança (Campinas, Papirus)
Tomorrow's child (New York, Harper & Row)
Hijos del manana (Salamanca, Siguime)
Il figlio dei Domani (Brescia, Queriniana)
Teologia como juego (Buenos Aires, Tierra Nueva)
Variações sobre a vida e a morte (São Paulo, Paulinas)
Creio na ressurreição do corpo (Rio de Janeiro, CEDI)
Ich glaube an die Auferstehung des Leibes (Dusseldorf, Patmos VERLAG)
I believe in the resurrection of the body (Philadelphia, Fortress Press)
Je crois en la résurrection du corps (Paris, Éditions du Cerf)
Poesia, Profecia, Magia (Rio de Janeiro, CEDI)
Der Wind blühet wo er will (Dusseldorf, Patmos)
Pai nosso (Rio de Janeiro, CEDI)
Vater Unser (Dusseldorf, Patmos)
The Poet, the Warrior, the Prophet (London, SCM Press)
Parole da Mangiari (The Poet, the Warrior, the Prophet), Edizioni Qiqajon Comunitá di Bose (Itália)

Vídeos

O Símbolo
Visões do Paraíso (realizado para apresentação na ECO -92)
Conversando com quem gosta de ensinar


Dados extraídos de livros do autor e de sítios da Internet.

Visitem "A casa de Rubem Alves".

fonte: http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp

Palazo disse:
Kika, a biografia do cara é barbara... não conhecia nada mesmo!

Sobre o que foi colocado, concordo com a Kika. Para candidatos a doutorado, que precisam provar uma tese nova, nada mais justo do que exigir que pensem e tenham idéias novas. Acho natural isso... uma vez que citações podemos consultar em livros, mas o que realmente se quer em um doutorado são idéias novas.

Assim como disse a Chefa, o Lelo resumiu muito bem a idéia, da leitura com senso crítico e que precisamos vivenciar aquilo que lemos. Tem até uma citação muito bacana do Amyr Klink sobre isso.
“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” (Amyr Klink)

Lelolelélêlegal disse:
Palazo, cara, muito bem colocado. Essa sua citação foi o máximo.
Acredito até (fugindo um pouco do aspecto acadêmico) que a falta do conhecimento real das coisas seja a responsável por muitos dos problemas que o Brasil enfrenta hoje. Nós apenas lemos e vemos pela tv as coisas sobre o Brasil, mas, devido às proporções continentais dessa terra (tudo parece sempre longe demais), não temos como ir aos lugares para ter noção da nossa grandiosidade, nem do valor do nosso povo e das nossas riquezas. O conhecimento in loco geraria uma preocupação muito maior com as nossas matas, rios, cultura, patrimônio histórico e povo. Por isso, esses países pequenos da Europa têm um grau de desenvolvimento mais elevado. Tudo fica mais perto e eles têm uma maior consciência de si mesmos e do que deve ser preservado.

LucasCF disse:
Ainda vou pensar mais no assunto, e acabar de ler o tópico, mas deixo umas citações que tirei daqui, do Schopenhauer.

O excesso de leitura tira do espírito toda a elasticidade, da mesma maneira que uma pressão contínua tira a elasticidade de uma mola. O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada minuto livre.

Por isso é tão importante, em relação ao nosso hábito de leitura, a arte de não ler. Ela consiste na atitude de não escolher para ler o que, a cada momento determinado, constitui a ocupação do grande público. […] Basta nos lembrarmos de que, em geral, quem escreve para os tolos encontra sempre um grande público.

Para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida é curta, o tempo e a energia são limitados.

De uma resenha do JLM, tem essa outra citação que o palazo postou no primeiro post:
"Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: apenas repetimos seu processo mental"

Aliás, quero muito ler esse livro. E a resenha é boa Língua

Breno C. disse:
Palazo disse:
Lendo o artigo completo do Rubem Alves, achei interessante o que o levou a refletir sobre ler demais. Não é de hoje que vejo papagaios saídos de faculdades, repetindo Marx, Engels, Max Weber e Platão, sem ao menos entender o contexto em que expressaram suas ideias. E pior, professores que incentivam o papagaio, fazendo provas em que memorizar é mais importante que raciocinar.

Talvez não seja culpa de ler em si, e sim de ser treinado a ler sem pensar, isso que me preocupa mais...

Engraçado como a mentalidade das faculdades ainda possa ser essa, porque ela deveria existir num molde completamente diferente.

Mas a verdade é que quem sai da faculdade repetindo, só se dá bem em algumas provas de concurso publico, porque "o mundo" exige que você saiba interpretar e não só repetir o que não aprendeu, só decorou.


A minha visão sobre quantidade de livros ainda vai demorar um pouco para mudar, porque ainda acho necessário a exploração do assunto apois a leitura. Se não houver esses questionamentos depois ou durante a leitura, não exise raciociono.

.Izze. disse:
Como já disseram, depende que caminho se dá a leitura.
Ler é uma boa para espairecer, esquecer um pouco os problemas, o mundo lá fora. Porém, esse mundo não pode ser esquecido, e deve ter tanta atenção quanto a leitura.

E a leitura precisa ser feita de modo crítica. Os assuntos abordados em cada novo livro precisa ser questionado, avaliado, e não apenas absorvido. As suas vivências e as experiências retratadas no livro precisam ser confrontadas. Ler por ler, apenas passar os olhos, achar que aquela leitura é real não acrescenta em nada à cultura e ao ser humano. Assim, a leitura não faz seu papel e fica no mesmo patamar da TV, que hoje em dia poucos questionam, apenas o consomem.

E esse consumismo sempre existiu na literatura. Vide os best-sellers. Quantas pessoas o compram apenas porque estão na moda? Muitas. E quantas questionam o que esses livro passam? Poucas. Uma pessoa compra e lê um best-seller para não ficar perdida na rodinha de conversa. Pra poder dizer "aah, li esse livro". Embora se converse sobre, o livro não é questionado. As pessoas passam a repetí-lo por aí, exaltando sua genialidade, até o próximo best-seller aparecer. Não quer dizer que best-sellers são ruins para a leitura, muito pelo contrário. As pessoas é que não sabem fazer uso deles.

Palazo disse:
Breno C. disse:
A minha visão sobre quantidade de livros ainda vai demorar um pouco para mudar, porque ainda acho necessário a exploração do assunto apois a leitura. Se não houver esses questionamentos depois ou durante a leitura, não exise raciociono.

A Anica tocou nesse ponto Breno, e creio que ela está certa. Não importa a quantidade que você lê, se quer se aprofundas no assunto. O que realmente importa é como você encara a leitura.

JLM disse:
acho q v6 estão sendo um pouco radicais qdo dizem q ler d+ sem refletir, meditar ou explorar a leitura é prejudicial.

e pra dizer o pq acho isso, vou usar um argumento q a maioria aqui aceita como válido: o dq mais vale uma pessoa ler qq coisa, seja um best-seller, auto-ajuda, pc, ou bula de remédio dq ñ ler. diz-se isso geralmente qdo se fala em incentivo à leitura. apesar deste ñ ser o meu ponto-de-vista particular, acredito q é o de mtos aqui.

agora pegue esse argumento e adapte àquele q lê mto: ñ seria melhor ele ler tudo oq quer, na qtd q deseja, ao invés de só ler oq irá refletir? exemplifico: imagine q alguém leia 30 livros por mês (conforme diz um outro tópico aqui do meia), mas destes só pare para meditar sobre uns 5. surgem várias questões antes de classificar esta pessoa como débil mental por excesso:

- ela teria chegado à estes 5 se ñ tivesse lido os 30?
- todos os 30 livros tem a capacidade de causar reflexão profunda no leitor?
- tudo oq se lê ñ ficaria armazenado na memória para uso inconsciente, indireto, no futuro, ou isso só acontece com aquilo q consideramos importante? lembre-se aqui dos nossos sonhos, q geralmente incluem detalhes bobos do nosso dia-a-dia e ñ o ápice deles.
- se alguém sente-se intelectualmente satisfeito com 30, outros com 5 e outros com nenhum livro, poderíamos comparar com o alimento material, onde uns comem mais q outros, por fatores biológicos individuais?
- e, por fim, levanto uma questão já debatida pelo alex castro no blogue dele, embora ñ saiba o link do post: ler deixa alguém melhor q outro, seja pela leitura moderada ou excessiva? só pra constar, o alex responde q ñ. se ñ deixa alguém melhor, deixaria pior?

...

Putz, tenho que encontrar a segunda página agora :X Se alguém achar, diga. Decorei o nome do Lelolelélêlegal! HUHUEUEHUEHUEHUE
 

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