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~Manuel Bandeira~

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por Artanis Léralondë, 7 Jul 2008.

  1. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Eu li Libertinagem e Estrela da Manhã dele e adorei ^^
    ah não sei se estou abrindo no lugar certo, qualquer coisas podem mudar ^^

    Algumas poesias que gostei:

    Os sapos

    Enfunando os papos,
    Saem da penumbra,
    Aos pulos, os sapos.
    A luz os deslumbra.

    Em ronco que aterra,
    Berra o sapo-boi:
    - "Meu pai foi à guerra!"
    - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

    O sapo-tanoeiro,
    Parnasiano aguado,
    Diz: - "Meu cancioneiro
    É bem martelado.

    Vede como primo
    Em comer os hiatos!
    Que arte! E nunca rimo
    Os termos cognatos.

    O meu verso é bom
    Frumento sem joio.
    Faço rimas com
    Consoantes de apoio.

    Vai por cinquüenta anos
    Que lhes dei a norma:
    Reduzi sem danos
    A fôrmas a forma.

    Clame a saparia
    Em críticas céticas:
    Não há mais poesia,
    Mas há artes poéticas..."

    Urra o sapo-boi:
    - "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
    - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

    Brada em um assomo
    O sapo-tanoeiro:
    - A grande arte é como
    Lavor de joalheiro.

    Ou bem de estatuário.
    Tudo quanto é belo,
    Tudo quanto é vário,
    Canta no martelo".

    Outros, sapos-pipas
    (Um mal em si cabe),
    Falam pelas tripas,
    - "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

    Longe dessa grita,
    Lá onde mais densa
    A noite infinita
    Veste a sombra imensa;

    Lá, fugido ao mundo,
    Sem glória, sem fé,
    No perau profundo
    E solitário, é

    Que soluças tu,
    Transido de frio,
    Sapo-cururu
    Da beira do rio...

    Esta crítica que ele fez, comparando os poetas parnasianos com os sapos, foi criativa e bem humorada hehe
    Acho legal que a poesia seja livre, não cheia de regras, afinal o sentimento é livre e não cheio de regras =D

    Vou-me Embora pra Pasárgada


    Vou-me embora pra Pasárgada

    Lá sou amigo do rei

    Lá tenho a mulher que eu quero

    Na cama que escolherei



    Vou-me embora pra Pasárgada

    Vou-me embora pra Pasárgada

    Aqui eu não sou feliz

    Lá a existência é uma aventura

    De tal modo inconseqüente

    Que Joana a Louca de Espanha

    Rainha e falsa demente

    Vem a ser contraparente

    Da nora que nunca tive



    E como farei ginástica

    Andarei de bicicleta

    Montarei em burro brabo

    Subirei no pau-de-sebo

    Tomarei banhos de mar!

    E quando estiver cansado

    Deito na beira do rio

    Mando chamar a mãe-d'água

    Pra me contar as histórias

    Que no tempo de eu menino

    Rosa vinha me contar

    Vou-me embora pra Pasárgada



    Em Pasárgada tem tudo

    É outra civilização

    Tem um processo seguro

    De impedir a concepção

    Tem telefone automático

    Tem alcalóide à vontade

    Tem prostitutas bonitas

    Para a gente namorar



    E quando eu estiver mais triste

    Mas triste de não ter jeito

    Quando de noite me der

    Vontade de me matar

    — Lá sou amigo do rei —

    Terei a mulher que eu quero

    Na cama que escolherei

    Vou-me embora pra Pasárgada.

    Essa é umas que eu mais gosto ^^
    E Manuel falava mesmo:
    "Tem prostitutas bonitas
    Para a gente namorar" :lol:

    "Usando todas as dificuldades que a doença lhe causava, em Pasárgada ele poderia fazer tudo àquilo que a doença lhe impedia, fazer ginástica, andar de bicicleta, tomar banho de mar (ah, com que prazer o poeta declama!)."
    continua aqui.. http://hastati.multiply.com/item/reply-to-message/hastati:journal:10
    Excelente artigo!!! :traça:
    nós mesmos, às vezes, criamos a nossa Pasárgada :)

    Estrela da Manhã

    Eu queria a estrela da manhã
    Onde está a estrela da manhã?
    Meus amigos meus inimigos
    Procurem a estrela da manhã

    Ela desapareceu ia nua
    Desapareceu com quem?
    Procurem por toda à parte

    Digam que sou um homem sem orgulho
    Um homem que aceita tudo
    Que me importa?
    Eu quero a estrela da manhã

    Três dias e três noite
    Fui assassino e suicida
    Ladrão, pulha, falsário

    Virgem mal-sexuada
    Atribuladora dos aflitos
    Girafa de duas cabeças
    Pecai por todos pecai com todos

    Pecai com malandros
    Pecai com sargentos
    Pecai com fuzileiros navais
    Pecai de todas as maneiras
    Com os gregos e com os troianos
    Com o padre e o sacristão
    Com o leproso de Pouso Alto
    Depois comigo

    Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas
    [comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples
    Que tu desfalecerás

    Procurem por toda à parte
    Pura ou degradada até a última baixeza
    Eu quero a estrela da manhã.

    Lindo este poema :grinlove:
    Quem seria está estrela?
    Sua amada, uma prostituta, uma amante???
    :gira:

    Porquinho-da-Índia

    Quando eu tinha seis anos
    Ganhei um porquinho-da-índia.
    Que dor de coração me dava
    Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
    Levava ele prá sala
    Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
    Ele não gostava:
    Queria era estar debaixo do fogão.
    Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

    - O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

    Esse é o meu preferido hehe

    só não entendi esta última frase:
    - O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

    :gira:

    Manuel ^^

    "...o sol tão claro lá fora,
    o sol tão claro, Esmeralda,
    e em minhalma — anoitecendo."


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    bah legal esta estátua :traça:
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  2. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Vou-me Embora pra Pasárgada
    Vendo o Manuel Bandeira falar de Pasárgada, deu uma vontade de ser ele no poema e viver esse sentimento, é bom isso...e melhor ainda é criar nossa Pasárgada como você disse!

    Porquinho-da-Índia
    Ahhhh...essa eu conhecia, e me dava saudades dos meus porquinhos quando eu lia ela...

    Ótimo tópico Maniaca!
     
  3. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    o que eu mais gosto do Manuel Bandeira é esse gosto pela infância, pela cidadezinha e pelas lembranças... é muito universal... dá uma vontade bucólica de parar no tempo e imaginar um passado que não tive... Me emociona de verdade!
     
  4. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Obrigada ^^

    Também mexe muito comigo Amélie, essa coisa da infância, nostalgia pura *-*
     
  5. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Gente achei uma interpretação bem legal para o poema do Porquinho *-*

    "Manuel Bandeira e seu porquinho da índia, creio que o poema destaca a seu comportamento e a típico e a reação das parceiras nos "namoros" que experimentou. O primeiro elemento (o menino) dedica-se com certo ardor ao segundo (porquinho), tenta lhe apontar o que pensa ser melhor, lhe cerca de "ternurinhas" e é simplesmente ignorado... O bicho de estimação continua a viver independente do menino, enquanto este último passou a "dedicar" parte de sua existencia ao primeiro. Talvez, tenha sido essa a rotina estabelecida nos namoros do poeta... namoros de via única.

    Nào é difícil transpor esse comportamento para nós, seres humanos... O parceiro romântico com o parceiro racional. Um pensando no futuro a dois, o outro pensando no seu futuro... Um pajeando, o outro sendo pajeado. O primeiro dependendo, o segundo sntindo-se livre como sempre..."
    fonte:http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=44323&tid=3129931&kw=porquinho+da+%C3%ADndia&na=4&nst=1&nid=44323-3129931-40583619
    :)

    Realmente era mais ou menos que estava sentindo, às vezes, nem precisa ser o par amoroso mas um amigo(a), onde estamos sempre a disposição para ajudar, porém ele pode muito bem se virar sozinho e não precisa da gente, no entanto nós gostamos de sua companhia e até certo ponto precisamos de sua companhia :)
     
  6. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Testamento - Manuel Bandeira

    O que não tenho e desejo
    É que melhor me enriquece.
    Tive uns dinheiros — perdi-os...
    Tive amores — esqueci-os.
    Mas no maior desespero
    Rezei: ganhei essa prece.

    Vi terras da minha terra.
    Por outras terras andei.
    Mas o que ficou marcado
    No meu olhar fatigado,
    Foram terras que inventei.

    Gosto muito de crianças:
    Não tive um filho de meu.
    Um filho!... Não foi de jeito...
    Mas trago dentro do peito
    Meu filho que não nasceu.

    Criou-me, desde eu menino
    Para arquiteto meu pai.
    Foi-se-me um dia a saúde...
    Fiz-me arquiteto? Não pude!
    Sou poeta menor, perdoai!

    Não faço versos de guerra.
    Não faço porque não sei.
    Mas num torpedo-suicida
    Darei de bom grado a vida
    Na luta em que não lutei!

    (29 de janeiro de 1943)
     
  7. Lethaargic

    Lethaargic Usuário

    Adorei o poema que você colocou, Amélie! Não conheço este. Gosto muito
    do Bandeira, ele descreve situações 'comuns' de uma forma tão bacana (:
    Libertinagem é muito bom, comprei um pocket dele com mais coisas e estou
    louca para ler logo!
     
  8. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    o último que li foi Meus Poemas Preferidos, pela segunda vez... a gente sempre tem um outro olhar... o que mais gosto nesse é essa coisa do regret´s lesson... huhuhuh até Mario Quintana que é maravilhoso teve suas frustrações... e nós meros mortais, não queremos ter hehehehe
     
  9. Hérmia

    Hérmia Usuário

    Eu leio o "porquinho da india " pra minha filha...e ela adora...
     
  10. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    hehehe
    é verdade =D
    Lindo o poema!
    ^^

    ah que legal =D
    é um poema muito fofo mesmo e que ao mesmo tempo expressa muita coisa ^^
     
  11. Artanis Léralondë

    Artanis Léralondë Ano de vestibular dA

    Gente,Pasárgada é com S, neh???
    minha professora me tirou 1 ponto ¬¬ dizendo que é com Z, mas na internet e quando li, o poema eu vi que é com S, agora estou na dúvida...
     
  12. Anica

    Anica Usuário

    Tá saindo
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    pela Cosac agora no dia 26:

     
  13. Thorondir

    Thorondir Usuário

    Humberto Werneck lançou ano passado uma biografia de Jayme Ovalle, amigo de Manuel Bandeira. Deu tão certo que a Cosac já pediu para ele uma biografia do Manuel Bandeira. Não sei quando sai, mas ele já começou...

    PS: ele é o autor da reportagem biográfica "Tantas Palavras" do Chico Buarque. Podem ficar calmos que Manuel está nas mãos de um ótimo biógrafo. :)
     

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