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Autor da Semana Fernando Sabino

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Cantona, 21 Jul 2013.

  1. Cantona

    Cantona Tudo é História

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    FERNANDO Tavares SABINO
    (12.10.1923 - 11.10.2004)


    Não sou o Fitzgerald e nem o Sabino é o Benjamin Button, mas vamos começar de trás pra diante.

    Fernando Sabino
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    em 2004, prestes a completar 81 anos. Viveu a última década e meia um tanto recluso, longe dos holofotes, recusando a maior parte dos convites para eventos literários e se esquivando da imprensa.

    O retiro deliberado, segundo Arnaldo Bloch, deu-se principalmente pelos desdobramentos da novela Zélia, uma paixão (1991) - "biografia romanceada" da ministra que, juntamente com o presidente Fernando Collor de Mello, confiscou a poupança nacional. A obra, concluída em pouco mais de um mês, fruto de duas entrevistas, reportagens e diários da ex-ministra, foi incentivada pela então esposa de Sabino, Lygia Marina (pelas fotos da juventude, pedindo com jeitinho, Deus do céu!, qualquer sujeito, por mais ajuizado, perderia-se e, à máquina, escreveria elogiosamente até sobre o Sarney, se fosse o desejo da criatura). Ao vê-lo afirmar que a ministra era a personagem pública mais fascinante desde JK, a mulher costurou os encontros e o livro nasceu:

    Com a grande capacidade narrativa de Fernando, as minúcias do caso amoroso da economista com Bernardo Cabral foram exploradas. Trechos da obra foram dramatizados no Fantástico, tendo Paulo José e Alexia Dechamps representando os protagonistas. Com a exposição televisiva, a novela sumia das prateleiras ao mesmo tempo que a estória ganhava as ruas e encontrava a boca do povo. Questões políticas e econômicas lentamente foram cedendo lugar a relação do casal. Até a esquerda embarcou na onda, com um José Genuíno, então líder petista, proclamando que sua "admiração por ela cresceu". Ora, memória é um palco de disputas político-econômicas, e o que é alçado à lembrança, ou relegado ao esquecimento, vai surgir como resultado desses embates. Nesse sentido, ao desviar o foco dos acontecimentos, Sabino prestou um "desserviço" à nação. Correntes oposicionistas, que não caíram na ladainha amorosa, bateram. E bateram firme, tanto em Zélia quanto em Fernando. Nana Caymmi dizia que o "bésame mucho acabou com a economia do país". E os editais da grande imprensa não pouparam o autor, vindo o fogo de amigos e desafetos:

    Com tamanha repercussão, a tristeza o abateu profundamente. Bloch conta-nos de confidências de um Sabino cabisbaixo. E nos revela mágoas, como a dirigida ao amigo Millôr, a respeito de uma charge onde o mineiro parte carregando uma mala repleta de dinheiro. Não se defendeu de nada, tudo aguentou calado. Até que em 1999, o desembargador Alírio Cavallieri, em discurso na Academia Brasileira de Letras, agradeceu ao escritor pela doação dos U$ 50 mil recebidos em direitos autorias por Zélia, uma paixão à instituição de menores.

    Nesse período "turbulento", como já citado, isolou-se. E teve pungente a saudade dos amigos da juventude e vida inteira, Otto Lara Resende, Paulo Mendes de Campos e Hélio Pellegrino, todos falecidos. A dor da ausência é evidente no depoimento de Paulo Rocco:


    Some-se as causas da reclusão, o fim do casamento com Lygia. Vinte e três anos mais nova que o escritor, a mulher era um estouro. Dona daquele corpo bom de se enlaçar, a terceira esposa de Fernando Sabino foi paixão de Rubem Braga, do tímido Braga, que disfarçava seu afeto com ares de cuidado paternal. Despertou igualmente o encanto de outro sujeito, esse não dado à timidez e portanto perigoso, chamado Antônio Carlos Jobim. Dizem as más línguas - aquelas que a gente gosta de ouvir - que certa tarde tocou o telefone do escritor. Do outro lado da linha, uma galante Tom procurava por Lygia, pois precisava falar-lhe. "Por acaso o amigo não tem o número do telefone onde ela se encontra". O amigo tinha, mas de ciúme e despeito passou outro qualquer. Jobim se vingaria posteriormente, escrevendo a bela música
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    (... e quando eu lhe telefonei, desliguei foi engano...).

    Terminado o relacionamento, Sabino, nas reedições de seus livros, a retira igualmente de sua obra. A dedicatória que abria O Grande Mentecapto (À mui nobre, distinta e formosa senhora dos meus afetos, Dona Lygia Marina de Sá Leitão Pires de Moraes, de cujos encantos meu coração é cativo e a cujo estímulo deve esta obra o ter chegado a seu termo, dedico e consagro), a presença da amada em crônicas e na autobiografia O tabuleiro de damas (Lygia Marina acaba de chegar - quando ela chega tudo se ilumina (...) Vivemos juntos há quase 15 anos. Espero que fiquemos juntos para sempre), tudo se perde nas edições pós-1993.

    E se a mulher o incentivou na roubada que se tornou Zélia, uma paixão, à ela devemos, indiretamente, O Grande Mentecapto (1979). Numa arrumação qualquer, a boa Lygia encontrou as primeiras quarenta páginas das aventuras e desventuras de Geraldo Viramundo, escritas quando Fernando tinha lá seus vinte e poucos anos. Da insistência feminina nasceu a estória que colheu de Jorge Amado as seguintes palavras:

    Devo dizer que é o meu Sabino preferido. Geraldo Viramundo é um pouco de todos nós, de modo que a empatia é imediata. Suas andanças pelo interior mineiro e o clímax em BH, com a denúncia da miséria, a condenação do pobre por ser pobre, o campo de concentração nazista no qual a carência é eliminada pelo morte do carente, o ideal positivista de perfeição do corpo social, onde qualquer desvio de ordem justifica violações e violências, tudo narrado num tom picaresco, fazem do Grande Mentecapto, salvo as devidas proporções, o nosso Dom Quixote.

    Mas o romance pelo qual Sabino será eternamente lembrado é O Encontro Marcado (1956). Segundo Humberto Werneck, "se todo romancista fizesse um romance da envergadura de O encontro marcado, o Brasil teria a maior literatura do mundo". Romance que traz as memórias do próprio autor, desde a sua infância em Minas (também relatadas em O menino no espelho(1982)), passando pelas descobertas da adolescência, os namoros, as competições de natação, o C. P. O. R., as primeiros passos literários, as amizades de toda vida com Hélio Pellegrino (Mauro), Otto e Paulo Mendes (ambos representados por Hugo), as "estudantadas" numa Belo Horizonte ainda província e ansiosa de modernidade, o casamento com Helena (Antônia) - filha do governador-, a ida para o Rio, a crise existencial, as traições, o divórcio. Considerado o "romance de uma geração", expressões como puxar angústia e não analisa não entraram para cotidiano da época.

    Fernando Sabino foi essencialmente cronista. Possui vasta obra publicada, inclusive de correspondências, como as que manteve com Mario de Andrade (Cartas a um jovem escritor e suas respostas), com os amigos (Cartas na mesa) e com Clarice Lispector (Cartas perto do coração) [Lygia, sobre a proximidade de Sabino e Clarice: Aqueles dois jovens, literatos, labirínticos e em busca de seu universo mágico, ambos recém casados, estavam apaixonados. No final baixava sempre aquela culpa total: abraço para Heleninha, abraço para o Maury. Eu até disse ao Fernando: isso foi um caso de amor deslumbrante, mal resolvido. Ele perguntou se eu enlouquecera, e eu respondi: Fernando, se isto não é um caso de amor, não existe caso de amor"].

    Aventurou-se, ao lado de Rubem Braga, no mercado editorial, fundando a Editora do Autor (1960) e a Editora Sabiá (1967), responsável pela primeira edição de Cem anos de solidão no Brasil. Andou também pelo cinema, com a produtora Bem-te-vi. Numa série de curta-metragens, trouxe breves perfis de grandes escritores, como
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    Fernando Sabino nasceu em Belo Horizonte, no dia das crianças, em 12.10.1923.

    Quase 81 anos depois, deixou o epitáfio: Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino.

    A biografia tradicional, bem como a bibliografia completa está
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    . Verônica Sabino dá um belo depoimento sobre o pai
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    . E o filho, Bernando Sabino, traz um documentário
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    Pra finalizar, o Roda Viva antológico. Suas posições políticas, a devolução do cartório de que era dono ao governo, literatura, jornalismo... Peguem um café e aproveitem o papo:

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    Referência bibliográfica:

    Fernando Sabino, Arnaldo Bloch.
     
    Última edição: 1 Mar 2014
    • Ótimo Ótimo x 11
  2. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Fernando Sabino tinha crônicas diversas, divertidas e bem interessantes. "A mulher do vizinho", "O homem nu", "De cabeça pra baixo" estão entre as que mais curti.
     

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