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[COLUNA] No princípio, era tudo verdade

Morfindel Werwulf Rúnarmo

Geofísico entende de terremoto
Sábado à noite, Rio de Janeiro. Depois de assistir a “Carne, Osso”, que disputa a mostra competitiva nacional de médias e longas-metragens do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, cerca de 60 espectadores participam de um debate por mais de uma hora e saem do cinema pouco antes de meia-noite. O que os fez permanecer ali todo esse tempo?

Resposta de quem teve a oportunidade de apresentar a sessão e mediar em seguida o debate: a força do cinema documental. “Carne, Osso” investiga as condições de trabalho em frigoríficos do país. Para quem nunca foi contratado por um deles ou não conhece alguém que tenha sido, as informações são terrivelmente impactantes.

Produzido pela ONG Repórter Brasil, o filme de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros cumpre missão jornalística. Traz relatos de trabalhadores (alguns dos quais aposentados por invalidez), mostra imagens de linhas de produção (com rotinas estressantes que geram diversos problemas motores e psicológicos), apresenta dados que permitem compreender o cenário.

Mais do que um filme-denúncia voltado contra os frigoríficos, “Carne, Osso” lembra como o trabalhador continua frágil diante da força do capital, e também como o “rombo” da Previdência Social está relacionado, entre outros fatores, com doenças e acidentes de trabalho e aposentadorias precoces, que custam mais ao sistema do que o valor da contribuição previdenciária dos empregadores responsáveis por elas.

Cada um dos mais de 90 documentários de 29 países exibidos na 16a edição do É Tudo Verdade abre, a exemplo de “Carne, Osso”, uma janela própria para a leitura do real. Alguns são mais jornalísticos (e portanto informativos), como o filme de Cavechini e Barros; outros, mais experimentais e provocadores, como “Aterro do Flamengo”, de Alessandra Bergamaschi, e “Homem Erótico”, de Jorgen Leth.

No conjunto, o festival lembra o que perdemos quando o cinema de ficção se tornou hegemônico no circuito comercial, a partir do início do século 20, e deixou apenas migalhas para a produção documental e experimental. Nem sempre foi assim: nos primórdios do cinema, ainda no século 19, o princípio dominante era o de abordar diretamente o real para buscar uma compreensão mais ampla do mundo.

Hoje, documentários circulam, com raras exceções, apenas em festivais e salas específicas de grandes cidades. É bem verdade que encontraram na TV uma vitrine generosa (fenômeno muito mais forte na Europa e nos EUA do que no Brasil), ampliada nos últimos 15 anos pela internet. Mas, perto da ficção, continuam a ser o “patinho feio”.

O É Tudo Verdade prossegue até domingo, em São Paulo e no Rio de Janeiro. De quinta a sábado, o festival promoverá também a 11a. Conferência Internacional do Documentário, na Cinemateca Brasileira (SP). Ambos os eventos são gratuitos; para ver a programação completa, que inclui sessões em Brasília e Recife, clique aqui.

Uma boa maneira de checar o seu repertório nessa área é conferir abaixo a lista de 25 principais documentários da história, eleita em 2007 pela International Documentary Association (IDA). Pela lembrança, meu agradecimento ao blog da 2001 Vídeo, que informa quais deles estão disponíveis em DVD no Brasil e traz links para trailers. Não é uma lista “científica” e, evidentemente, gera debates, mas funciona como referência de partida.

1. “Basquete Blues” (Hoop Dreams, 1994), de Steve James.

2. “A Tênua Linha da Morte” (The Thin Blue Line, 1988), de Errol Morris.

3. “Tiros em Columbine” (Bowling for Columbine, 2002), de Michael Moore.

4. “Spellbound” (2002), de Jeffrey Blitz.

5. “Harlan County, uma Tragédia Americana” (Harlan County, 1976), de Barbara
Kopple.

6. “Uma Verdade Inconveniente” (An Inconvenient Truth, 2006), de Davis Guggenheim.

7. “Crumb” (1994), de Terry Zwigoff.

8. “Gimme Shelter” (1970), de Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin.

9. “Sob a Névoa da Guerra” (The Fog of War, 2003), de Errol Morris.

10. “Roger e Eu” (Roger & Me, 1989), de Michael Moore.

11. “Super Size Me” (2004), de Morgan Spurlock.

12. “Bob Dylan – Don’t Look Back” (Don’t Look Back, 1967), de D. A. Pennebaker.

13. “Caixeiro-Viajante” (Salesman, 1968), de Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin.

14. “Koyaanisqatsi – Uma Vida Fora de Equilíbrio” (Koyaanisqatsi, 1983), de Godfrey Reggio.

15. “Sherman’s March” (1986), de Ross McElwee.

16. “Grey Gardens” (1976), de Albert e David Maysles, Ellen Hovde e Muffie Meyer.

17. “Na Captura dos Friedmans” (Capturing the Friedmans, 2003), de Andrew Jarecki.

18. “Nascidos em Bordeis” (Born into Brothels, 2004), de Zana Briski e Ross Kauffman.

19. “Titicut Follies” (1967), de Frederick Wiseman.

20. “Buena Vista Social Club” (1999), de Wim Wenders.

21. “Fahrenheit 11 de Setembro” (Fahrenheit 9/11, 2004), de Michael Moore.

22. “Migração Alada” (Le Peuple Migrateur, 2001), de Jacques Perrin.

23. “O Homem Urso” (Grizzly Man, 2005), de Werner Herzog.

24. “Noite e Neblina” (Night and Fog, 1955), de Alain Resnais.

25. “Woodstock – 3 Dias de Paz, Amor e Música” (Woodstock, 1970), de Michael Wadleigh.

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