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Carlos Drummond de Andrade

Tópico em 'Autores Nacionais' iniciado por Ogden, 1 Nov 2002.

  1. Ogden

    Ogden Usuário

    Nossa!!!!!!!!
    Ontem foi o centenário do meu maior ídolo em se tratando de poesia!! O autor com quem eu mais me identifico! O cara que eu considero o maior poeta do ´seculo 20!!!!!!!

    Carlos Drummond de Andrade!!! 8O

    e eu esqueci dessa data... :(

    O que vocês acham dele? Concordam comigo?

    Qual é o poema preferido de vocês (da autoria do tio Carlão, é claro)?

    o meu é

    Poema de Sete Faces
    e um outro, chamado José, se eu não me engano...

    fora o poema da pedra, que eu não sei se o titulo é "No meio do caminho havia uma pedra" ou "Havia uma pedra no meio do caminho"... pode não ser nenhum desse dois titulos, mas é um poema genial!
     
  2. M.

    M. Usuário

    eu fiz um trabalho sobre ele....
    realmente os poemas dele são demais.... alguns são idiotas....
    Peraí q eu vou pegar alguns....
     
  3. M.

    M. Usuário

    A Bunda, que Engraçada
    A bunda, que engraçada.
    Está sempre sorrindo, nunca é trágica
    Não lhe importa o que vai
    pela frente do corpo. A bunda basta-se.
    Existe algo mais? Talvez os seios.
    Ora - murmura a bunda - esses garotos
    ainda lhes falta muito que estudar.
    A bunda são duas luas gêmeas
    em rotundo meneio. Anda por si
    na cadência mimosa, no milagre
    de ser duas em uma, plenamente.
    A bunda se diverte
    por conta própria. E ama.
    Na cama agita-se. Montanhas
    avolumam-se, descem. Ondas batendo
    numa praia infinita.
    Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
    Na carícia de ser e balançar.
    Esferas harmoniosas sobre o caos.
    A bunda é a bunda,
    redunda.
     
  4. M.

    M. Usuário

    Cota Zero
    Stop.
    A vida parou
    ou foi o automóvel?





    No Meio do Caminho

    No meio do caminho tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    tinha uma pedra
    no meio do caminho tinha uma pedra.

    Nunca me esquecerei desse acontecimento
    na vida de minhas retinas tão fatigadas.
    Nunca me esquecerei que no meio do caminho
    tinha uma pedra
    Tinha uma pedra no meio do caminho
    no meio do caminho tinha uma pedra.

     
  5. M.

    M. Usuário

    Memória

    Amar o perdido
    deixa confundido
    este coração.

    Nada pode o olvido
    contra o sem sentido
    apelo do Não.

    As coisas tangíveis
    tornam-se insensíveis
    à palma da mão

    Mas as coisas findas
    muito mais do que lindas,
    essas ficarão.



    Imortalidade

    Morre-se de mil motivos
    E sem motivo se morre
    De saudade,
    Morreu o poeta
    Sem morrer a eternidade.
    Ele que fez de uma pedra
    Louvor para sua cidade
    Gauche, grande destro
    Sem querer celebridade
    Pelos mil que era
    Num só se fez único
    Ficando em seu primeiro
    Caráter de bom mineiro
    Jamais morrerá
    E sempre será.
     
  6. Vinci

    Vinci Usuário

    Drummond na cabeça!

    Quadrilha
    João amava Teresa que amava Raimundo
    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
    que não amava ninguém.
    João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
    Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
    Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
    que não tinha entrado na história.


    José

    E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, Você?
    Você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    Você que faz versos,
    que ama, proptesta?
    e agora, José?

    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?

    E agora, José?
    sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,
    seu terno de vidro,
    sua incoerência,
    seu ódio, - e agora?

    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?

    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse,
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você consasse,
    se você morresse....
    Mas você não morre,
    você é duro, José!

    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja do galope,
    você marcha, José!
    José, para onde?

    José

    E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, Você?
    Você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    Você que faz versos,
    que ama, proptesta?
    e agora, José?

    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?

    E agora, José?
    sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,
    seu terno de vidro,
    sua incoerência,
    seu ódio, - e agora?

    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?

    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse,
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você consasse,
    se você morresse....
    Mas você não morre,
    você é duro, José!

    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja do galope,
    você marcha, José!
    José, para onde?
    José

    E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, Você?
    Você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    Você que faz versos,
    que ama, proptesta?
    e agora, José?

    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?

    E agora, José?
    sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,
    seu terno de vidro,
    sua incoerência,
    seu ódio, - e agora?

    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?

    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse,
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você consasse,
    se você morresse....
    Mas você não morre,
    você é duro, José!

    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja do galope,
    você marcha, José!
    José, para onde?

    Poema de Sete Faces

    Quando nasci, um anjo torto
    desses que vivem na sombra
    disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

    As casas espiam os homens
    que correm atrás de mulheres.
    A tarde talvez fosse azul,
    não houvesse tantos desejos.

    O bonde passa cheio de pernas:
    pernas brancas pretas amarelas.
    Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
    Porém meus olhos
    não perguntam nada.

    O homem atrás do bigode
    é sério, simples e forte.
    Quase não conversa.
    Tem poucos , raros amigos
    o homem atrás dos óculos e do bigode.

    Meu Deus, por que me abandonaste
    se sabias que eu não era Deus
    se sabias que eu era fraco.

    Mundo mundo vasto mundo
    se eu me chamasse Raimundo,
    seria uma rima, não seria uma solução.
    Mundo mundo vasto mundom,
    mais vasto é meu coração.

    Eu não devia te dizer
    mas essa lua
    mas esse conhaque
    botam a gente comovido como o diabo.

    Poema Patético

    Que barulho é esse na escada?
    É o amor que está acabando,
    é o homem que fechou a porta
    e se enforcou na cortina.

    Que barulho é esse na escada?
    É Guiomar que tapou os olhos
    e se assoou com estrondo.
    É a lua imóvel sobre os pratos
    e os metais que brilham na copa.

    Que barulho é esse na escada?
    É a torneira pingando água,
    é o lamento imperceptível
    de alguém que perdeu no jogo
    enquanto a banda de música
    vai baixando, baixando de tom.

    Que barulho é esse na escada?
    É a virgem com um trombone,
    a criança com um tambor,
    o bispo com uma campainha
    e alguém abafando o rumor
    que salta de meu coração.
     
  7. Arandelis

    Arandelis If I can dream

    Eu te amo



    Eu te amo porque te amo.

    Não precisas ser amante,
    e nem sempre saber sê-lo.

    Eu te amo porque te amo.

    Amor é estado de graça
    e com amor não se paga.

    Amor é dado de graça,
    é semeado no vento,
    na cachoeira, no eclipse.

    Amor foge a dicionários
    e a regulamentos vários.

    Eu te amo porque te amo
    bastante ou demais em mim.

    Porque amor não se troca,
    não se conjuga nem se ama.

    Porque amor é amor a nada,
    feliz e forte em si mesmo.

    Amor é primo da morte,
    e da morte vencedor,
    por mais que o matem
    ( e matam )
    a cada instante de amor.

    Carlos Drummond de Andrade

    ps: Ideal pra qm acordou de bem com a vida :grinlove:
     
  8. liteeliniel

    liteeliniel Usuário

    Dé, parabens pra ele!!! (na verdade eu não conheço muito de poesia...) :roll:
     
  9. Arandelis

    Arandelis If I can dream

    Entao recupere o tempo perdido e comece a conhecer :D :wink:

    Rapto

    Se uma águia fende os ares e arrebata
    esse que é uma forma pura e que é suspiro
    de terrenas delícias combinadas;
    e se essa forma pura, degradando-se,
    mais perfeita se eleva, pois atinge
    a tortura do embate, no arremate
    de uma exaustão suavíssima, tributo
    com que se paga o vôo mais cortante;
    se, por amor de uma ave, ei-la recusa
    o pasto natural aberto aos homens,
    e pela via hermética e defesa
    vai demandando o cândido alimento
    que a alma faminta implora até o extremo;
    se esses raptos terríveis se repetem
    já nos campos e já pelas noturnas
    portas de pérola dúbia das boates;
    e se há no beijo estéril um soluço
    esquivo e refolhado, cinza em núpcias,
    e tudo é triste sob o céu flamante
    (que o pecado cristão, ora jungido
    ao mistério pagão, mais o alanceia),
    baixemos nossos olhos ao desígnio
    da natureza ambígua e reticente:
    ela tece, dobrando-lhe o amargor,
    outra forma de amar no acerbo amor.


    Carlos Drummond de Andrade :mrgreen: :obiggraz:
     
  10. Arandelis

    Arandelis If I can dream

    Desejo

    Desejo a você...
    Fruto do mato
    Cheiro de jardim
    Namoro no portão
    Domingo sem chuva
    Segunda sem mau humor
    Sábado com seu amor
    Filme do Carlitos
    Chope com amigos
    Crônica de Rubem Braga
    Viver sem inimigos
    Filme antigo na TV
    Ter uma pessoa especial
    E que ela goste de você
    Música de Tom com letra de Chico
    Frango caipira em pensão do interior
    Ouvir uma palavra amável
    Ter uma surpresa agradável
    Ver a Banda passar
    Noite de lua Cheia
    Rever uma velha amizade
    Ter fé em Deus
    Não ter que ouvir a palavra não
    Nem nunca, nem jamais e adeus.
    Rir como criança
    Ouvir canto de passarinho
    Sarar de resfriado
    Escrever um poema de Amor
    Que nunca será rasgado
    Formar um par ideal
    Tomar banho de cachoeira
    Pegar um bronzeado legal
    Aprender uma nova canção
    Esperar alguém na estação
    Queijo com goiabada
    Pôr-do-Sol na roça
    Uma festa
    Um violão
    Uma seresta
    Recordar um amor antigo
    Ter um ombro sempre amigo
    Bater palmas de alegria
    Uma tarde amena
    Calçar um velho chinelo
    Sentar numa velha poltrona
    Tocar violão para alguém
    Ouvir a chuva no telhado
    Vinho branco
    Bolero de Ravel...
    E muito carinho meu.
     
  11. Putz! Se eu conseguisse lembrar de "Sentimento do Mundo" ou aquele que fala sobre o medo que diz "e nascerão flores amarelas e medrosas..." eu postaria estes dois poemas aqui. Mas Drumond é muito bom!
     
  12. McCartney

    McCartney Usuário

    Puxa.. peço sinceras desculpas se alguém se sentir ofendido com minha colocação... É uma opinião. Respeito Carlos Drummond, mas todas as poesias dele que andei lendo, achei que eram medíocres. Não sei.. não achei aquele sentimento, todo aquele conteúdo que poetas como Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo colocam em suas poesias. Apesar de serem de épocas diferentes, estes outros escritores parece que realmente sentiam a poesia. Parece que poesia e poeta eram um só, coisa que infelizmente não achei em Carlos Drummond de Andrade. :tsc:
     
  13. *Lily*

    *Lily* Usuário

    Kra, eh a sua opiniao.. se vc acha isso...
    Eu naum posso falar nada, porque nao conheço muito de poesia, sinceramente...

    Mas, tem uma que eu li e adorei:

    O homem; as viagens

    O homem, bicho da Terra tão pequeno
    chateia-se na Terra
    lugar de muita miséria e pouca diversão,
    faz um foguete, uma cápsula, um módulo
    toca para a Lua
    desce cauteloso na Lua
    pisa na Lua
    planta bandeirola na Lua
    experimenta a Lua
    coloniza a Lua
    civiliza a Lua
    humaniza a Lua.

    Lua humanizada: tão igual à Terra.
    O homem chateia-se na Lua.
    Vamos para Marte - ordena as suas máquinas.
    Elas obedecem, o homem desce em Marte
    pisa em Marte
    experimenta
    coloniza
    civiliza
    humaniza Marte com engenho e arte.

    Marte humanizado, que lugar quadrado.
    Vamos a outra parte?
    Claro - diz o engenho
    sofisticado e dócil.
    Vamos a Vênus.
    O homem põe o pé em Vênus,
    vê o visto - é isto?
    idem
    idem
    idem.

    O homem funde a cuca se não for a Júpiter
    proclamar justiça junto com injustiça
    repetir a fossa
    repetir o inquieto
    repetitório.

    Outros planetas restam para outras colônias.
    O espaço todo vira Terra-a-terra.
    O homem chega ao Sol ou dá uma volta
    só para tever?
    Não-vê que ele inventa
    roupa insiderável de viver no Sol.
    Põe o pé e:
    mas que chato é o Sol, falso touro
    espanhol domado.

    Restam outros sistemas fora
    do solar a col-
    onizar.
    Ao acabarem todos
    só resta ao homem
    (estará equipado?)
    a dificílima dangerosíssima viagem
    de si a si mesmo:
    pôr o pé no chão
    do seu coração
    experimentar
    colonizar
    civilizar
    humanizar
    o homem
    descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
    a perene, insuspeitada alegria
    de conviver.

     
  14. Gonzales Morales

    Gonzales Morales Usuário

    Meu poeta favorito... E minha poesia favorita é a Flor e a Naúsea


    A FLOR E A NÁUSEA

    Preso à minha classe e a algumas roupas,
    Vou de branco pela rua cinzenta.
    Melancolias, mercadorias espreitam-me.
    Devo seguir até o enjôo?
    Posso, sem armas, revoltar-me'?

    Olhos sujos no relógio da torre:
    Não, o tempo não chegou de completa justiça.
    O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
    O tempo pobre, o poeta pobre
    fundem-se no mesmo impasse.

    Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
    Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
    O sol consola os doentes e não os renova.
    As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

    Vomitar esse tédio sobre a cidade.
    Quarenta anos e nenhum problema
    resolvido, sequer colocado.
    Nenhuma carta escrita nem recebida.
    Todos os homens voltam para casa.
    Estão menos livres mas levam jornais
    e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

    Crimes da terra, como perdoá-los?
    Tomei parte em muitos, outros escondi.
    Alguns achei belos, foram publicados.
    Crimes suaves, que ajudam a viver.
    Ração diária de erro, distribuída em casa.
    Os ferozes padeiros do mal.
    Os ferozes leiteiros do mal.

    Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
    Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
    Porém meu ódio é o melhor de mim.
    Com ele me salvo
    e dou a poucos uma esperança mínima.

    Uma flor nasceu na rua!
    Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
    Uma flor ainda desbotada
    ilude a polícia, rompe o asfalto.
    Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
    garanto que uma flor nasceu.

    Sua cor não se percebe.
    Suas pétalas não se abrem.
    Seu nome não está nos livros.
    É feia. Mas é realmente uma flor.

    Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
    e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
    Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
    Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
    É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
     
  15. Finrod

    Finrod Visitante

    já fiz vários trabalhos sobre ele... :wink:
    gosto de ler as suas crônicas e poesias!! :mrgreen:
     
  16. *Ceinwyn*

    *Ceinwyn* Ogra rosa

    Continuando na onda de ressuscitar tópicos do Literatura, aproveitemos o #DiaD dos 110 anos do nascimento do Drummond para homenagea-lo :g:

    Confesso que conheço muito pouco de poesia, então aproveitem pra mostrar a quem não conhece a qualidade dele! :g:
     
  17. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Putz! Queria, agora, o post que fiz, lá no Clube de Leitura do Meia Palavra, sobre o poema de sete faces. :cry:
     
  18. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Acho que está
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    , Cléo XD


    Não me julguem, mas ando sem muita paciência com Drummond. Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, tentarei mostrar a minha interpretação do poema:

    A primeira estrofe fala sobre nascimento do poeta. E nos reserva, também, uma coisa importante, o "gauche", o esquerdo, o torto, o que comete o desvio. Se não for gauche, se não cometer o desvio, não se cria. Não se tem o nascimento da escrita literária. A criação do texto literário é algo que corresponde a desvios.

    Na segunda estrofe, temos uma metonímia bem no primeiro verso: "as casas espiam os homens". As pessoas dentro das casas espiam os homens. Vamos pegar, como referencial, Itabira, a cidade de Drummond. Cidadezinha pequena, as pessoas ficam nas janelas olhando a vida acontecer. E ficam "fofocando", mesmo. E termina essa estrofe falando que há tantos desejos.

    A ideia dos desejos é retomada na estrofe seguinte, e aí, sim, temos uma noção de sexualidade. Mais uma vez, a metonímia prevalece. "Pra que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração". O poeta espia as mulheres. E temos, nesse contexto, um conflito entre ver e sentir.

    Na próxima estrofe, desenha-se a imagem de Drummond, "o homem atrás do bigode".

    A próxima estrofe retrata não o homem abandonado por Deus, mas o homem que abandonou suas crenças. Não é questão de ser religioso, gente. É questão de que se você é do interior (tô falando por Minas), seu processo de socialização é muito marcado por crenças. Drummond tem isso de se sentir "abandonado por Deus" quando sai do interior para cidade grande, mas na verdade, ao abandonar a cidadezinha cheia de crenças, é ele quem, de certa forma, abandona a Deus. Essa estrofe remonta, sim, um momento de angústia, um momento de solidão (assim como o declarado por Jesus, conforme a Bíblia). Esse sentimento de "abandonado por Deus" também está presente no belíssimo "Um homem e seu carnaval", do qual transcrevo a primeira estrofe:

    Deus me abandonou
    no meio da orgia
    entre uma baiana e uma egípcia.
    Estou perdido.
    Sem olhos, sem boca
    sem dimensões.


    "Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não uma solução": Ironia. A poesia Modernista encarava a rima como uma prisão. Então, ele usa uma rima pobre (porque ele usa palavras da mesma classe, dois substantivos), "mundo" e "Raimundo", para dizer que uma rima não é uma solução. (e eu coloquei os três versos na mesma linha só para ficar mais fácil para eu digitar, não quero estragar a estética do poema. Não me processem!)

    "Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração": aqui ele sai da tensão (tive de me segurar para não escrever TEMÇÃO. ) da estrofe anterior. E, aqui, também, eu acho importante lembrar de como Drummond retoma essa relação mundo/coração em um outro poema (do qual gosto MUITO. Gosto mil vezes mais do que gosto do Poema de Sete Faces), "Mundo grande": "Nao, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor."

    "Eu não devia te dizer", eu digo porque sou gauche. Eu digo porque bebi. Eu digo porque sou poeta. Então, ignore essa negação, eu devia e quero te dizer tudo isso. Eu devia e quero tornar externa essa angústia de ver/sentir. Eu te digo porque você criou o mundo em sete dias, Deus. E eu criei o meu poema com sete estrofes.











    Daqui a pouco tão me chamando de O garoto do cachê do google :rofl:
     
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  19. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Valeu, Biel. :abraco:

    A minha experiência mais marcante com Drummond aconteceu na graduação. Em um belo dia, em uma aula na qual estávamos lendo poesia, a professora perguntou quem gostaria de ler José. Respondi, "posso ler?" meio que sem pensar no que tinha acabado de fazer (agir sem pensar = sinônimo de Cleonice. :lol:). Aí ela disse que sim. Gelei. Sou tímida. Então, me levantei, e comecei a ler. Quando terminei a leitura, a professora estava com um sorriso no rosto. Foi a primeira vez que falei, durante a aula dela. Mas, depois disso, ela descobriu que eu só falava se me perguntassem algo. Aí passou a me perguntar coisas em todas as aulas. No semestre seguinte, ela me chamou para participar de um projeto de iniciação científica. Não preciso nem dizer que, hoje, essa professora é a minha orientadora do mestrado, né?
     
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  20. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Drummond é foda demais. Leio um poema dele praticamente todo dia... Lindo demais.
     
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