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Cangalha

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Haleth, 20 Dez 2010.

  1. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Dá no burro, dá na cangalha
    No galope da estrada suspira o matuto
    Dá no burro, dá na cangalha
    A esperança afiada, o terreno fajuto

    Dá no burro, dá na cangalha
    O sol escaldante, o forro surrado
    Dá no burro, dá na cangalha
    O peito arfante, o solo esfolado

    Dá no burro, dá na cangalha
    O riso abafado, a semente caída
    Dá no burro, dá na cangalha
    O chão ressecado, a folha torcida

    Dá no burro, dá na cangalha
    A colheita frustrada, o cesto vazio
    Dá no burro, dá na cangalha
    A boca fechada, a ausência de brio

    Dá no burro, dá na cangalha
    No galope da estrada se cala o matuto
    Dá no burro, dá na cangalha
    A foice amolada, o chão devoluto

    Dá no burro, dá na cangalha
    O trabalho se encerra, a dor desatina
    Dá no burro, dá na cangalha
    O silêncio da terra, o canto da sina.
     
  2. Tayana

    Tayana Usuário

    Eita a história do sofredor do campo...^^
    E dá pra ler seu texto direto se quiser sem ler sempre, "Dá no burro, dá na cangalha".

    Legal Manu..:lily:
     
  3. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Pois meus avós tem uma fazenda e alguns pangarés. Alguns chicotes e algumas esporas. Meus avós têm netos. E netos gostam de andar a cavalo. Mas cavalos de roça são cavalos de força, não cavalos de desfiles.

    Esses cavalos ficam no seu próprio canto, um lugar sem árvores, um hectare de puro pasto. Descansando. Pastando. São centenas, milhares de cabeças de gado nelore, gado branco e bravo, de corte, de hamburguer. E a Amazônia, lugar que antes nasciam árvores grandes, foi derrubada e em seu lugar ficou o pasto. E as pragas. Nesse caso o babaçu, que cresce tão rápido que as queimadas são ineficientes. Se chama os tratores. E outra praga. O capa-bode. Mas os capa-bodes da Amazônia são capa-cavalos, não são arbustos, são árvores.

    Cavalos. Meu velho avô de 70 anos, quarta série completa, um ventrículo calcificando. 5 horas da manhã saindo pra campear em cima dos cavalos, junto aos seus peões. Sai para vacinar bezerros, colocar sal nas baias, ver a terra que tanto ama, de um amor que machuca mas amor. E seu cavalo. E seu neto.

    Seu neto resolveu acompanhar o avô. Por pura diversão. Admiração. Um cavalo de diversão. Um cavalo que deveria estar descansando. Teve que enfrentar os capa-bodes, os espinhos que de tão altos alcançam o cavaleiro. Uma boa tarde de aventura. Para o neto. Para o cavalo, uma boa tarde de penitência.

    Pois eles voltam pra sede. E se tira o arreio. Lá está a ferida no lombo do pangaré. Carne viva exposta. Tem gente que tem ojeriza a comer carne de cachorro. Mas os bois são tão dóceis! E os cavalos. Os cavalos não reclamam, não relincham. Eles agüentam. Eles não mordem. Às vezes dão coices. Derrubam o cavaleiro. Mas na maioria das vezes eles só aguentam, seja o patrão, dono da terra, seja o peão, propriedade da terra, seja neto, entediado na terra.
     
  4. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    "Dá no burro, dá na cangalha
    O silêncio da terra, o canto da sina. "
    Fechou com chave de ouro :sim:
     

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