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(zoeira) O Senhor dos Sistemas

Tópico em 'RPG' iniciado por dermeister, 15 Jun 2002.

Situação do Tópico:
Fechado para novas mensagens.
  1. dermeister

    dermeister Ent cara-de-pau

    Tomei conhecimento deste texto em uma lista de discussões, acho que vale a pena publicá-lo aqui.
    Apenas outra sátira do SDA, esta porém é hilária e meramente avacalhativa, apesar de incompleta.
    O autor é Douglas Donin, e o original está disponível no site
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    O SENHOR DOS SISTEMAS TRADUZIDO DO LIVRO BÁSICO VERMELHO
    ========================================================

    Do Marco Sul por Douglas Oliveira Donis. Aqui está contada a história da Guerra do Sistema e do retorno do GURPS conforme vista pelos RPGistas.




    A SOCIEDADE DO SISTEMA
    Primeira parte de
    O Senhor dos Sistemas


    Três Sistemas para a Steve Jackson Games sob este céu,
    Sete para a White Wolf, em seus corredores rochosos,
    Nove para as editoras alternativas, fadadas à eterna falência,
    Um para a TSR em seu escuro trono
    Na Terra da Wizards of the Coast onde a Grana se acumula.
    Um Sistema para a todos governar, Um Sistema para encontrá-los
    Um Sistema para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
    Na Terra da Wizards of the Coast onde a Grana se acumula.



    PRÓLOGO



    O Mercado mudou. Eu sinto isso nos livros. Eu sinto isso nas mesas de jogo. Eu farejo isto nas lojas. Muito do que era se perdeu, pois ninguém mais tem os livros para que eu tire xerox.

    Tudo começou com a criação dos Grandes Sistemas. Três foram criados por Steve Jackson, imortal, o mais sábio e justo dos seres. Sete pela White Wolf, grandes escritores e designers da linha Storyteller. E nove, nove foram criados pelas editoras alternativas da Europa, que acima de todas as coisas desejavam inovar. Pois nestes sistemas estavam o poder e a vontade de proporcionar diversão a cada tipo de jogador.

    Mas eles todos foram enganados.

    Pois na Terra da Wizards os the Coast, a editora negra TSR criou outro sistema, um sistema-mestre, e neste sistema ela colocou toda a sua crueldade, sua malícia e sua vontade de dominar cada mesa de jogo.

    Um Sistema para a Todos Governar. Uma por uma, as mentes livres da Terra caíram sob o poder do Sistema. Mas houve quem resistisse: Uma última aliança de jogadores tradicionais se recusou a mudar de sistema e compravam outros títulos, e diante das prateleiras das lojas e importadoras, lutavam pela liberdade dos RPGistas. A vitória estava próxima, mas o poder do Sistema não podia ser desfeito.

    E neste momento, quando toda a esperança havia desaparecido, a Devir, seguindo os passos da Abril, resolveu traduzir o sistema. Os direitos de publicação passaram para a Devir, que teve a chance de destruir o mal para sempre. Mas o coração dos homens é facilmente corrompido, e o Sistema tem vontade própria.

    O Sistema chegou às mãos dos mestres brasileiros, que o levaram para suas casas, e ali, ele os consumiu.



    "- Ele veio para mim, meu amor, meu precioso....."



    O Sistema trouxe aos cenários de fantasia medieval uma longevidade não natural, e por muitos anos, ele envenenou as mentes destes mestres, e na escuridão das casas deles, ele esperou. A escuridão voltou às mesas de jogo de todo o mundo, rumores se proliferavam sobre uma sombra no Norte, sussurros sobre um grande golpe de mercado da Wizards of the Coast, e o Sistema percebeu que sua hora havia chegado.

    Ele abandonou estes mestres, mas então, aconteceu algo que não estava nos planos do Sistema: ele foi pego pela criatura que menos se podia imaginar: um jogador inteligente, de GURPS.



    "- O que é isso? Um sistema?"



    E chegará, ainda, o tempo em que os jogadores de GURPS governarão o destino de nós todos.





    CAPÍTULO I

    UMA SESSÃO DE JOGO MUITO ESPERADA



    Foi com muita satisfação que o mestre de jogo anunciou a nossa sessão de jogo de número 111. Todos os jogadores que já passaram pelo grupo foram convidados: os Combistas, os Apelões, os Overpowers, os Advogados-de-Regras, os Barrabás, e até mesmo os Sacola-Combistas, que eram famosos por seus combos poderosos que acabavam com a graça de qualquer batalha.

    Quase todos do grupo estavam envolvidos na preparação da sessão, e o próprio mestre não atendia o telefone para ninguém que não estivesse tratando da sessão. Pois era uma sessão de jogo muito esperada, a de número onzenta-e-um, e vários jogadores que não compareciam há tempo apareceram.

    E todos os jogadores do grupo se entusiasmaram com as promessas de grandes recompensas em experiência, pois sabiam que o mestre era generoso nesta parte. Diziam que ele guardava grandes quantidades de experiência em algum lugar do Bolsão (era aquele bolso grande na pasta do mestre onde ele guardava as suas anotações).

    E assim aconteceu. Antes de iniciar a sessão, todos comeram salgadinhos e bolachinhas recheadas, e tomaram muita Coca-Cola, principalmente "Fatty Banha", o nosso jogador mais gordinho, para desespero da mãe do mestre, que, semana após semana, via a sua despensa esvaziada por aquela tropa de jogadores esquisitos e folgados.

    Mas, antes de iniciar a sessão, o mestre reuniu todos ao redor da mesa e disse:

    "- Meus queridos jogadores! Onzenta-e-uma sessões é um período muito curto para ter mestrado entre jogadores tão excelentes e admiráveis! Eu conheço menos da metade de vocês mais do que o dobro do que gostaria, e já dei mais do que o dobro da experiência por interpretação que vocês mereciam por coisas que em grupos sérios vocês não ganhariam nem a metade" - Todos os jogadores se entreolharam confusos, mas o mestre continuou - "Eu tenho coisas a fazer. Eu venho fazendo isto por muito tempo. Eu anuncio, com pesar, que este é o fim. Eu devo parar agora. Desejo a todos adeus."

    E, dizendo isto ele colocou o Anel (na verdade, sua aliança de noivado, pois sua namorada estava enchendo seu saco há muito tempo dizendo que já era hora de largar o RPG, arranjar um emprego e noivar), e, para espanto de todos, desapareceu do meio rpgístico no mesmo momento.





    CAPÍTULO II

    UMA SOMBRA DO MERCADO



    Estes foram fatos estranhos e espantaram a todos. Como não ia mais utilizar todo o seu material de RPG, eu fiquei com tudo, inclusive com a pasta grande de couro que ele utilizava, a que tinha um Bolsão. E assim as coisas transcorreram com relativa tranqüilidade, até que um amigo meu, outro mestre, veio me visitar.

    Conversávamos sobre vários sistemas e campanhas, e, no momento em que eu mencionei que os jogadores do meu grupo cogitavam abandonar tudo para jogar apenas d20, ele levantou uma de suas sobrancelhas.

    "- Deixe-me ver o livro", disse ele.

    "- Aqui está."

    Logo que ele tomou o livro em suas mãos, o colocou no microondas e o ligou na potência máxima. Muito espantado, eu tentei impedi-lo, mas ele me parou, e depois de algum tempo disse:

    "- Pegue-o. Não se preocupe, está frio."

    Peguei o livro em minhas mãos, estava frio, e sensivelmente mais pesado.

    "- Leia o que está escrito na capa."

    "- Dungeons and Dragons, 3° edição... Livro do Jogador... Espere! O que é isso?"

    Um tipo de inscrição começou a aparecer na capa e na contracapa do livro. Era fina, como eu nunca tinha visto antes, e brilhava com um brilho profundo e avermelhado.

    "- Eu não consigo ler muito bem... o que está escrito?"

    "- Poucos conseguem ler. Está escrito na língua negra da TSR, a qual eu não me atrevo a pronunciar aqui. Mas em língua portuguesa comum quer dizer :



    Um Sistema para a todos governar, Um Sistema para encontrá-los

    Um Sistema para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los"



    "- Este é o Um Sistema", continuou, "o sistema criado e impresso pela TSR nas prensas da Wizards of the Coast."

    "- Não pode ser! Meu antigo mestre o achou na prateleira da Planeta Proibido!"

    "- Sim, e por algum tempo ele ficou aqui, junto com os seus pertences. Mas agora o Sistema acordou. Ele ouviu o chamado da TSR."

    "- Mas ela foi destruída! A TSR foi destruída!"

    "- Não, querido amigo. Ela foi apenas comprada pela Wizards of the Coast. Seu espírito está ligado ao Sistema, e o Sistema prosperou. Seus jogadores se proliferam por todo mundo. Sua fortaleza aqui na cidade, em Panet-Dûr, foi reconstruída. Ela precisa apenas deste Sistema para cobrir o mundo com um imenso lapso criativo. Eles são Um, o Sistema e a TSR."

    "- Tudo bem. Vamos manter este livro escondido. Vou colocá-lo aqui, junto com a minha coleção de Novos Titãs e com o meu Almanaque do Escoteiro-Mirim, e nunca mais vamos falar dele. Vamos apenas jogar GURPS Supers, GURPS Viagem Espacial, Call of Cthulhu, ou mesmo AD&D Segunda Edição. Ninguém sabe que temos o livro, certo?" Meu amigo continuou silencioso. "- Certo?"

    "- Havia mais alguém que sabia do livro." Então ele abriu a última página e eu percebi que o formulário para receber a Dragon Magazine foi enviado. "- Logo as revistas vão começar a chegar, e quando seus jogadores verem, será tarde demais. Eles vão querer jogar aquelas aventuras prontas horríveis, e você vai colocar aqueles NPCs prontos estúpidos e deprimentes nas suas histórias."

    Ouvindo isso, eu ofereci o Um Sistema a ele, e disse:

    "- Você deve levar este livro, pegue-o!"

    "- Você não pode me oferecer isto."

    "- Pegue-o! Eu o dou para você!"

    "- Não me tente! Eu não ouso mestrar isso, mesmo que a arte seja boa. Eu usaria isto com um desejo de fazer o bem, mas logo me viciaria e meu livre-arbítrio desapareceria."

    Eu perguntei, então, com muito medo:

    "- O que eu devo fazer, então?"

    "- Você deve ir, e rápido. Saia de sua casa. Pegue o ônibus e vá para o Centro."

    "- E você?"

    "- Eu vou esperá-lo no McDonalds do Centro. Mas antes eu devo ir consultar uma pessoa."





    CAPÍTULO III

    UM ATALHO PARA O MACDONALDS



    A conversa que eu tive com este meu amigo, um dos cinco mais antigos mestres da cidade, foi o suficiente para me convencer de que eu corria grande risco. Seguindo suas recomendações, saí imediatamente de casa, mas não sem encontrar na porta de casa meu amigo Samuel. Ele vinha, como de costume, me pedir para liberar que o personagem dele tivesse 312 pontos de desvantagens - todas plenamente justificáveis, segundo ele - ao invés dos 40 que o GURPS sugere. E, claro, puxar o meu saco o quanto fosse necessário até que eu aceitasse este absurdo. Eu disse a ele, logo que o vi:

    "- Eu não posso falar agora, Samuel. Estou apressado e correndo grande perigo."

    "- Não me diga! Pois eu vou junto com o senhor, mestre! Vou protegê-lo de qualquer perigo com minha própria vida, ah, vou sim, ou meu nome não é Samuel! Além disso, tenho que falar ao senhor sobre o meu personagem..."

    "- Nada feito, Samuel... 312 pontos é muito."

    "- Ah, então tá."

    Tendo ele falado isto, eu percebi que se aproximava de nós uma figura horrenda e macabra... Toda vestida de preto, da cabeça aos pés, esquelética como um saco de ossos, com a pele branca e ressecada como a de um morto-vivo... Meu coração se encheu do mais puro terror no mesmo momento. Minha garganta secou, e eu não conseguia falar uma única palavra, um único sussurro, um único gemido. Mas, à medida que a terrível criatura se aproximava, com seu fedor horrível de mofo e bolor, recuperei as forças e disse a Samuel:

    "- Um... um jogador de Vampiro, A Máscara!"

    "- Sim, e vestido para um Live!"

    "- É horrível! Vamos fugir!"

    Samuel disse: "- Não precisamos ter medo, querido mestre! É só um jogador de RPG como nós!"

    "- Não, não como nós! Você não ouviu sobre aqueles crimes que eles cometeram?"

    "- Ora, mestre, não tente enganar o pobre Samuel! Qualquer idiota sabe que aquilo não tem nada a ver com o RPG!"

    "- Talvez, Samuel, talvez, pois eu conheço estas figuras! Se eles saem vestidos assim na rua, jogam em cemitérios e ficam gritando a amplos pulmões termos de RPG em Shoppings e outros lugares públicos, não se pode duvidar mais de nada!"

    "- O senhor tem razão, mestre! Vamos fugir!"

    Para nossa sorte, estava saindo um ônibus da parada naquele momento. Samuel, que estava à frente, entrou correndo pela porta, se virou e me deu a mão:

    "- Pule, mestre, pule!"

    Olhei para trás e vi que a figura corria atrás de mim. Tomado pelo pânico, corri mais ainda, segurei firme o Um Sistema e pulei. A figura parou, frustada, e eu vi que outras se juntavam a ela.

    Dentro do ônibus, mais calmos, encontramos dois amigos nossos: Mário e Pepe, dois jogadores do nosso grupo e meus primos por parte de mãe.

    "- Oi, mestre, oi, Samu!", disseram. "Para onde vão com essa cara de quem viu um jogador de Vampiro?"

    Samuel me olhou. Eu disse:

    "- Vamos todos ao MacDonalds. Lá eu explico para todos o que está acontecendo. O meu antigo mestre vai estar lá esperando pela gente."

    E assim, todos fomos ao MacDonalds, enquanto começava a chover.

    No entanto, não tínhamos idéia do que se passava longe dali.



    INTERLÚDIO



    Meu antigo mestre tinha ido procurar a orientação de um amigo, um autor de RPG famoso no Brasil. Chegou ao lugar onde ele autografava umas cópias de Holy Avenger junto com uma desenhista que, ao contrário dele, era talentosa e simpática.

    "- Ora, ora, ora, se não é você. Há quanto tempo não o vejo."

    "- Preciso de sua orientação, Cassaruman.", disse meu amigo. "- Você tem aqueles amigos na Steve Jackson Games, deve saber algo sobre como destruir o Um Sistema."

    "- Você o achou?"

    "- Sim. Esteve embaixo do meu nariz este tempo todo."

    "- E você não o viu? Estes cards que você anda comprando devem ter deixado o seu raciocínio mais lento."

    "- Você sabe que é só para colecionar. Mesmo assim, Cassaruman, devemos bolar um jeito de destruir o Um Sistema."

    "- Destruir? Você deve estar brincando. O Um Sistema não pode ser destruído. A TSR vai encontrar quem o possui, e acabar com o seu dinheiro."

    Neste momento, meu mestre olhou para um livro em cima da mesa de Cassaruman. Seu título era "GURPS Espada da Galáxia", e tinha um grande carimbo vermelho da Steve Jackson Games, onde se lia: "REJECTED MATERIAL. AWFUL QUALITY. METALIANS WITH BOOBS?!?! OH, GOD'S SAKE!"

    Então, meu mestre entendeu tudo, e disse:

    "- Agora eu vejo tudo. Você sabe que a SJG tem bom gosto e senso do ridículo, e que por isso, não publicaria nunca 'GURPS Espada da Galáxia'. Você quer usar o Um Sistema para seus próprios propósitos! Isso é loucura!"

    "- Não me desafie! Logo, todas as mesas do mundo vão estar jogando EdG d20, e meu cenário vai ser mais jogado que Kult, Witchcraft ou mesmo Alternity! HAHAHAHA!"

    Desta forma, os dois iniciaram uma luta terrível. Jogavam dados e livros um no outro, cada vez com mais ferocidade e violência. No entanto, meu amigo pisou em um d12, escorregou e bateu com a cabeça. Quando acordou, estava preso no banheiro.





    CAPÍTULO IV

    DADOLARGO



    Chegamos no MacDonalds. Chovia muito lá fora, e já estava escuro. Me dirigi ao caixa, para comprar mantimentos, e perguntar se não tinha visto meu antigo mestre.

    "- Boa noite. Quero um BigMac, uma porção grande de fritas e um Sprite. E a propósito, não viu por aí um cara barbudo, alto e vestido com um moletom cinza?"

    "- Moletom cinza? Não, não. Aqui está seu pedido. O próximo!"

    Desolado, me dirigi à mesa onde me esperavam.

    "- Ele não chegou. Deve ter acontecido alguma coisa."

    "- Vamos esperá-lo mais um pouco. A propósito, primo, tem um cara te olhando desde que você entrou."

    Vi então que, em uma das mesas do fundo, uma figura me olhava. Estava de preto, também, mas era muito diferente dos jogadores de Vampiro: era bem-apessoada e sóbria. Não tinha os trejeitos embaraçosos daquelas figuras em lugares públicos. Pelo seu porte físico, imaginei que até devia praticar algum esporte. Ou seja, um jogador de RPG realmente fora do comum.

    Procurei ficar mais calmo, e Perguntei a Mário e Pepe se o conheciam. Eles me responderam:

    "- Ah, este cara nós conhecemos só de vista. Dizem que ele joga por aí há tempo, e que tem muita sorte nos dados, e por isso ganhou o apelido de Dadolargo. Pois só tira força 18/00 e nove ou dez nas jogadas de Pontos de Vida, quando passa de nível."

    Mais calmo, comecei então a explicar a eles o que acontecia. Eles me ouviam com atenção, principalmente quando eu falava do Um Sistema. Abri então minha mochila para mostrá-los do que estava falando, e, assim que segurei o livro com a mão direita, senti que uma mão forte agarrava a minha gola, enquanto a outra facilmente recolocava o livro na mochila.

    "- Não tão rápido", disse Dadolargo, "ou você não vai continuar jogando por muito tempo. Vamos conversar lá em cima."

    Assim, ele me arrastou para o segundo andar do MacDonalds, e meus amigos vieram atrás. Logo que sentamos lá em cima, Dadolargo disse:

    "- Vocês correm grande perigo, ainda mais mostrando o que carregam assim, publicamente. Devem me seguir."

    "- Como podemos confiar em você? Você deve ser como os outros, que tentaram nos pegar agora há pouco."

    Neste momento, percebi que uma grande agitação estava acontecendo lá embaixo. Espiando entre o corrimão e a escada, vi uma cena horrível.

    Os nove jogadores de Vampiro entraram na lanchonete, todos vestidos de preto, da cabeça aos pés, e maquiados como mortos-vivos, com direito a sangue escorrendo dos lábios, dentes postiços e tudo o mais (eu sempre achei este um jeito MAGNÍFICO de manter a Máscara), aterrorizando todas as pessoas que se encontravam no MacDonalds. Gritavam coisas horríveis enquanto passavam pelas mesas:

    "- Sou um Nosferatu! Vivo nos esgotos sugando sangue de ratos!"

    "- E eu sou um Gangrel! Vou arrancar as suas tripas com minhas garras! JO-KEN-PO!"

    "- E eu, como Tremere, vou fazer um ritual taumatúrgico, com muito sangue!"

    "- Seu amador! Como Bali, vou fazer um ritual com o dobro de sangue que você usar, e vou desenhar um pentagrama invertido com vísceras de recém-nascidos!"

    Dizendo isto, ele olhou para uma criança que montava Lego ali perto e a ameaçou. A criança correu, em pânico.

    Todas as pessoas ali ficaram horrorizadas, pois todos ouviram o que eles disseram. As meninas dos caixas se escondiam, agachadas atrás do balcão, derramando lágrimas de desespero. E as pessoas comuns que ali estavam comentavam umas para as outras:

    "- Viu? Devem ser aqueles jogadores deste tal de RPG que a televisão fala. Bem que o Pastor me avisou sobre eles, e olha que eu não tinha acreditado! Cruzes!"

    "- Filhinho, logo que chegarmos em casa, você vai jogar aquele jogo de RPG que você tem no videogame fora! Isto é perigoso, bem que eu li no jornal!"

    Samuel, que estava ao meu lado, ficou enfurecido, e quis partir para cima deles:

    "- Malditos! São eles que acabam com a nossa reputação! É por isso que eu tenho que manter em segredo o fato de eu jogar RPG no meu colégio! É por causa deles que a minha avó não fala mais comigo, achando que eu mato pessoas por aí!"

    Dadolargo o segurou, e disse:

    "- Faça silêncio, pequeno. Vamos esperar eles saírem e seguir nossa viagem. Eles são assim, escandalosos, pois eras atrás perderam o bom-senso. Eram apenas jogadores comuns, mas se viciaram com todos aqueles suplementos de World of Darkness, e por isso perderam a noção do que é real e do que é RPG. Agora, se sentem abandonados, pois as maiores mentes da White Wolf estão escrevendo para o Um Sistema, e esperam que a chegada de Vampiro para D20 dê novo fôlego ao World of Darkness."

    "- E para onde vamos, Dadolargo?"

    "- Vamos levar este livro maldito para a casa de uns amigos meus. Eles são sábios, e lá faremos um conselho para decidir o que vai ser feito dele."





    CAPÍTULO V

    UMA FACA NO ESCUDO



    Compramos vários Big-Macs, pois Dadolargo nos avisou que a viagem seria longa. Saímos sem fazer alarde - pois as pessoas ainda estavam traumatizadas pelo encontro com os Jogadores Negros.

    Durante a caminhada, Dadolargo nos adiantou sobre o conselho por ocorrer: Seria na casa de seu amigo Helton, um dos mais sábios e antigos jogadores conhecidos na cidade. Ele morava em uma casa muito bonita, em um bairro nobre da cidade, com um quintal enorme e cheio de árvores. A irmã de Helton era uma morena muito bonita, chamada Audrey, e era namorada de Dadolargo. Saber disso nos encheu de respeito e admiração por ele, pois poucos são os jogadores de RPG que namoram, ainda mais com mulheres bonitas.

    Ele disse também que, logo que chegássemos lá, poderíamos voltar para casa, pois ele e seus amigos, que eram grandes jogadores, tratariam de por um fim ao poder do Um. Isto, por si só, nos tranquilizou.

    Caminhamos muito, por várias horas. Mário e Pepe, praticamente sozinhos, dizimaram nosso estoque de Big Macs.

    Mas o pior ainda estava por acontecer.

    Virando a esquina, estavam os nove Jogadores Negros. Ao nos ver, correram em nossa direção, com a boca aberta mostrando os horríveis dentes postiços de plástico, e grandes quantidades de Ketchup escorriam deles. Dadolargo tirou a mochila que carregava, e acertou um belo mochilaço na têmpora do que estava na frente. Ele caiu, gritando horrivelmente:

    "- Vou gastar um ponto de sangue e regenerar! Avise para o Narrador que eu não morri ainda!"

    Mas eles eram muitos, e nos cercaram. Um deles agarrou Mário, e gritou:

    "- Seu humano ridículo! Vou usar vicissitude e fazer você ficar com três braços! Narrador! Narrador! Vou testar vicissitude!"

    Samuel e Pepe lutavam bravamente, apesar de pequenos. No entanto, os Jogadores Negros restantes partiram para cima de mim. Não pude resistir, pois eram muitos e muito maiores do que eu. Logo, um deles mordeu meu pescoço com suas presas de plástico, enquanto outro deles anotava um ponto de sangue a mais na sua ficha.

    Neste momento, eu vi a coisa mais bela da minha vida.

    Um Corsa havia parado na calçada, e dele saiu uma mulher linda, espetacular. Era sem dúvida alguma Audrey, a namorada de Dadolargo. Estava ainda com a roupa da aeróbica, um short branco e verde com top da mesma cor. Não só era lindo seu rosto, como seu corpo também era magnífico.

    Foi o que bastou para os Jogadores Negros: eles não estavam acostumados a ver mulher, muito menos uma assim tão linda. Quase paralisados, começaram a recuar. Tentaram dizer algo, mas relembraram que haviam perdido a capacidade de falar de algo que não fosse RPG ou World of Darkness há muito tempo. Sem saber o que fazer, correram para longe.

    Eu estava ainda caído, e Samuel veio me socorrer. Dadolargo recolocava sua mochila. Audrey, então, se aproximou e me puxou para o colo dela:

    "- Oh, coitadinho! O que aqueles retardados fizeram com ele! Olhe esta marca no pescoço! E esta maquiagem toda na roupa dele! Vou levá-lo de carro para meu irmão Helton rápido, ou estas manchas de maquiagem vão secar e manchar a roupa dele para sempre!"

    Notei que ela havia apoiado minha cabeça sobre o seu peito, e sentia junto à minha face aqueles maravilhosos seios. Oh, logo eu, um simples jogador de RPG, tendo contato físico com seios femininos! Não pude conter a emoção, e logo perdi a consciência em meio àquela imensidão branca e fofinha, torcendo apenas para que Dadolargo não percebesse o meu sorriso de satisfação. Assim, desmaiei.





    CAPÍTULO VI

    O CONSELHO DE HELTON



    Acordei ainda com aquela sensação magnífica no rosto. Era a manhã seguinte, e eu estava em um quarto muito bonito e bem iluminado.

    "- Enfim você acordou. Você passou a noite inteira aí babando e dizendo besteiras com um sorriso estranho no rosto", disse alguém ao meu lado. Virei-me e percebi que era o meu antigo mestre, com um band-aid na testa.

    "- Nós esperamos você, por onde andou?", perguntei.

    "- Eu... eu sofri um contratempo." Sua expressão ficou séria. Logo depois, ele me contou todo o acontecido e como conseguiu escapar, quando a equipe de limpeza do salão onde estava o encontrou encolhido no chão no dia seguinte.

    "- Ainda nesta manhã, passei no meu vizinho, peguei sua bicicleta mais rápida, a Scaloifax, mesmo sem pedir sua permissão, e vim para cá o mais rápido que pude. Sua tarefa acabou aqui, querido amigo. Helton convocou um conselho para hoje, para decidirmos o que será feito do Um Sistema. Eu, Dadolargo e os outros cuidaremos disso, e você poderá ir para casa com Samuel, Mário e Pepe."

    Respirei aliviado. Estava livre do Fardo.

    Pela tarde, nos reunimos à beira da piscina de Helton. Várias pessoas que eu não conhecia, ou que tinha visto apenas de relance em convenções, estavam lá: de um lado, jogadores altos, magros, de cabelo comprido e camisa do Blind Guardian; de outro, alguns gordinhos e baixos, muitos dos quais com barba. Em uma cadeira, estava Dadolargo, agora melhor vestido (por insistência da namorada), em outra, meu antigo mestre. Uma cadeira estava reservada para mim, ao lado de um estranho agitado. Helton então falou:

    "- Estranhos de grupos distantes, amigos de longa data, vocês foram chamados aqui para responder à ameaça da TSR. O RPG se encontra à beira da destruição. Ou nos unimos, ou perecemos. Traga o Sistema."

    Em uma mesa no centro do grupo, eu coloquei o Um Sistema.

    Todos se agitaram. Alguns comentavam:

    "- Então é verdade! A Devir publicou mesmo!"

    "- O Sistema do Poder!"

    "- A Ruína dos Jogadores!"

    O estranho a meu lado, Ademir, sorriu e disse:

    "- É uma dádiva! As regras devem ser legais! Podemos jogar isto para o bem! Veja como os desenhos são legais, e tudo... Por que não usar este livro?"

    "- Você não pode jogar este Sistema", Dadolargo disse. "Nenhum de nós pode. Este Sistema serve para lucrar, apenas. Não pode ser jogado."

    Ademir o olhou, sério:

    "- E o que você pode saber disso?"

    Um dos rapazes com camisa do Blind Guardian, Leônidas, com cabelo loiro e comprido, se levantou:

    "- Olhe como você fala com ele! Ele é filho de um milionário, herdeiro de uma das maiores empresas do país!"

    Ademir sentou, reclamando:

    "- Hmpf, filhinho-de-papai. Montado na grana, até eu namoraria aquela gostosa."

    Meu mestre disse:

    "- Dadolargo está certo. Não podemos jogá-lo."

    "Helton então falou:

    "- Só temos então uma alternativa: devemos destruí-lo!"

    Guilherme, um baixinho barbudo que tinha o apelido de Guile, deu um passo à frente, pegou o livro e disse:

    "- Estamos esperando o quê, então?"

    Tendo dito isto, ele jogou o livro no chão, pisou em cima dele, tentou arrancar as folhas, mas foi tudo em vão. Helton o parou, dizendo:

    "- A encadernação do livro é muito boa, assim como a qualidade das páginas. Não podemos destruí-lo por qualquer modo que conheçamos. Devemos levá-lo até a gráfica da Devir, o lugar onde foi feito e único lugar onde pode ser destruído, e jogá-lo na máquina da qual ele veio."

    Ademir falou:

    "- Você não pode simplesmente entrar caminhando na Devir! Seus portões negros são guardados por muito mais do que jogadores de Magic e Pokémon idiotas. Há um grande mal lá, e que nunca tem prejuízo. É uma empresa estéril, com cards, livros mal-traduzidos e toda a sorte de porcarias. Até o informativo deles é venenoso! Nem com dez mil reais conseguiríamos!"

    Leônidas levantou a voz para ele: "- Você não ouviu nada do que Mestre Helton disse? O Sistema deve ser destruído!"

    Guile disse: "- Ah, e suponho que você vá sugerir que um fã de Metal pode fazer isso!"

    Os dois se estranharam, e logo, todos começaram a brigar. Uns empurravam os outros, e Mestre Helton tentava apaziguá-los sem sucesso. Dadolargo levantava a voz, alguém aproveitava a confusão para estrategicamente espiar por cima o decote da blusinha da Audrey, e ninguém se entendia.

    Eu olhava para o Um Sistema ali parado. Sentia o grande mal nele, e, meio sem saber por quê, disse:

    "- Eu... eu vou levar o Sistema."

    Todos me olharam pasmos.

    "- Eu levarei o sistema até a Devir... muito embora eu não saiba o caminho."

    Meu antigo mestre se aproximou e disse:

    "- Eu ajudarei você a carregar este fardo enquanto ele estiver com você."

    "- Se a vida ou morte de meus personagens puder protegê-lo, eu irei." Dadolargo disse. "- Você tem as minhas fichas."

    Leônidas disse: "- E os meus dados!"

    Guile completou: "- E o meu escudo!"

    Por fim, Ademir disse que me acompanharia até lá. Para minha surpresa, Samuel, Mário e Pepe, que espiavam tudo, vieram também.

    Helton disse, satisfeito:

    "- Nove companheiros. Vocês serão a Sociedade do Sistema!"

    Assim, partimos logo após o meio-dia, levando nas mochilas latas de batata-frita-de-viagem Pringles, Gatorade, Fandangos e muitas latinhas de Fanta Uva.





    CAPÍTULO VII

    UMA JOGADA ATRÁS DO ESCUDO



    Seguimos viagem a pé - com o preço da gasolina, não podemos ficar andando para lá e para cá de carro, além do que nove pessoas não ficariam exatamente muito bem acomodadas no Corsa da Audrey. Assim, iniciamos nossa jornada rumo ao mais horrendo e terrível dos destinos.

    Conversávamos alegremente, contando histórias engraçadas sobre antigos acontecimentos em nossos grupos de jogo, e isso nos deixou de certa forma mais leves e animados. Até Ademir ria de nossas histórias, e contou algumas do seu próprio grupo.

    Havíamos avançado mais de quatro quarteirões sem descansar, o que foi um feito incrível, principalmente para o meu antigo mestre, que, apesar de muito sábio, era fumante.

    Deste modo, chegamos a um dos parques da cidade. Poderíamos cruzá-lo por dentro, poupando um valioso tempo, ou contorná-lo. Descansamos um pouco enquanto decidíamos o que fazer.

    "- Devemos cruzá-lo por dentro!", disse Guile. "- Meu primo costuma jogar vôlei neste parque, e ele vai nos receber como reis!"

    "- Eu acho que devemos ir por fora", disse Leônidas, "pois dizem lá onde eu jogo que tem um pessoal muito esquisito fazendo Live de Lobisomem neste parque."

    "- Bobagem! Aquela porcaria nem vende mais, e além do quê, na terceira edição não tem mais Caern de pé!"

    "- É, mas não devemos arriscar. Sabe como este pessoal que joga Storyteller é radical."

    "- Vamos deixar que o Portador do Sistema decida!", disse o meu mestre. "- E então, por dentro ou por fora?"

    Eu pensei muito e, no fim, decidi ir por dentro, pois poderia ver várias meninas fazendo exercícios no interior do parque, mesmo que a chance de eu me envolver com uma delas fosse, na melhor das hipóteses, nula.

    "- Vamos por dentro!"

    "- Hehehe, vocês vão só ver como é legal ali dentro! E meu primo é muito bacana, vai emprestar a todos nós vários CDs de Playstation!", bradava Guile, sem esconder a sua felicidade.

    Assim que entramos, vimos que não havia ninguém no parque, o que era muito estranho. No entanto, continuamos avançando, na esperança de chagar às quadras de vôlei e encontrar o primo de Guilherme.

    Chegando lá, encontramos a quadra vazia. Um pedaço de papel estava no chão. Dadolargo pegou-o, e Leônidas disse: "- Uma ficha de Lobisomem! Eu avisei que não deveríamos ter vindo por dentro!"

    "- Agora vejo tudo claramente... foi mesmo organizado um Live aqui, e quando os freqüentadores do parque souberam que iria ser jogado RPG por aqui, todos foram embora, pois não queriam ficar à mercê de maníacos! Não os culpo, eles devem ler jornais e ver televisão!"

    Percebi que Pepe, que estava muito cansado, havia se sentado na grama. Meu mestre pegou-o pelo braço, e gritou:

    "- Peterson, seu trouxa imbecil! Saia da grama!"

    Não entendemos muito bem o motivo de sua irritação e medo, mas logo ficou claro: os arbustos começaram a se agitar.

    "- É tarde demais! Preparem-se!", Ademir disse.

    Logo, um jogador de Lobisomem saiu dos arbustos. Estava trajado com um casaco de pele marrom, possivelmente de sua avó ou tia, e tinha pantufas de pelúcia da mesma cor. Tentava estar vestido de forma a parecer um urso, ou algum outro bicho inclassificável e peludo, e avançou para cima de nós.

    "- Vocês machucaram a graminha, e eu vou bater em vocês, pois devo proteger Gaia e este Caern! Narrador, estou em crinos! Vou atacar, vou atacar!"

    Logo uma porção de jogadores o seguiu, avançando para cima de nós, vestidos como cachorros, gatos, e outros com fantasias não menos ridículas e embaraçosas. Nosso primeiro impulso foi rir incontrolavelmente, mas isso só os enfureceu. Guile firmou bem as pernas, agarrou seu pesado GURPS Vehicles e gritou:

    "- Venham, malditos! Vou mostrar a vocês que há alguém neste parque que não joga Storyteller, ou meu nome não é Guilherme, filho de Glória!"

    Neste momento, todos congelamos de medo. Uma voz conhecida veio de trás dos arbustos, dizendo:

    "- Parem! Vamos organizar este Live! Quem está na Umbra, levante a mão direita, e quem não está, levante a esquerda!""

    Meu antigo mestre ficou imóvel de terror, e todos os jogadores do Live pararam. Ele disse então:

    "- É o Gordog, um demônio do mundo antigo! Ele trabalhava na Planeta quando ela ainda não tinha se mudado, mas teve que parar depois que ficou muito gordo para sentar atrás do caixa! Contra ele, nada vai funcionar! Fujam! Para fora do parque, para o viaduto!"

    Assim, corremos, com todos aqueles jogadores ridículos atrás, e com os passos pesados do Gordog fazendo o chão tremer e ressoando nos nossos ouvidos.





    CAPÍTULO VIII

    O VIADUTO DE VARGAS-DÛM



    Corríamos desesperados pelo curto espaço que separava o mundo exterior do local onde era realizado o Live. Atrás de nós, gritos ferozes, rugidos, latidos, e toda espécie de som que um humano mentalmente sadio não emite, mesmo com a desculpa de estar participando de um Live-Action. E, na frente dos jogadores, corria aquela gigantesca massa de pêlo e banha, o Gordog, trazendo consigo o fedor de eras, pois há quatro anos estava gordo demais para limpar as próprias costas quando tomava banho.

    Já vislumbrávamos, bem na nossa frente, o viaduto da Avenida Presidente Vargas, imponente e ameaçador, passando sobre o intenso fluxo de automóveis e caminhões lá embaixo.

    "- Para o viaduto, rápido!", gritava meu antigo mestre. "- Lá eles não terão coragem de nos seguir!"

    E assim atravessamos o viaduto, correndo como loucos. Os jogadores de Lobisomem, que um dia já foram pessoas normais, não nos seguiram, tendo vergonha de sair do parque e ir vestidos para a rua daquela forma. No entanto, o Gordog nos seguia, e podíamos ver que, por trás daqueles óculos, a raiva brilhava em seus olhos, pois fazia muito tempo que nós não comprávamos nada na sua loja.

    Logo que cruzamos a metade do viaduto, meu mestre disse para Dadolargo:

    "- Leve-os para longe daqui, é seu dever agora liderar a comitiva!"

    Dadolargo relutou, mas deixou-o para trás. Nos separamos do meu antigo mestre, que parou bem no meio do viaduto, virou-se e encarou a horrível besta - em todos os sentidos:

    "- Eu sou o guardião das regras no meu grupo! As notas verdinhas dos trouxas que compram na sua loja não irão ajudá-lo agora! VOCÊ NÃO VAI PASSAR!"

    O ser horrível rugiu, lançando o bafo de alho e azeite de oliva de quinta categoria do barzinho da esquina. Meu mestre cambaleou, mas por pouco tempo.

    O Gordog então avançou, procurando forçar a passagem, mas meu mestre o deteve, segurando-o pelos pulsos. O demônio de banha perdeu o equilíbrio, e encostou sua horrenda traseira no parapeito do viaduto.

    Foi demais para a frágil estrutura de cimento e aço, que quebrou-se como uma maquete de série japonesa. O Gordog caiu, desaparecendo da nossa visão quase por completo.

    Porém, sua mão vil e asquerosa se segurou no cinto da calça do meu mestre, e o puxou para baixo.

    Meu mestre, desequilibrado, se debruçava sobre a beirada destruída do viaduto, agüentando pelo cinto as várias centenas de quilos do Gordog. Olhou-nos, com um olhar de desespero e esforço, e disse:

    "- Fujam, tolos!"

    Eles então caíram, desaparecendo no profundo abismo de cimento, asfalto e metal.

    Todo o resto passou como um pesadelo. Dadolargo nos impedia de voltar, gritávamos e chorávamos muito. Apesar do barulho da avenida, não ouvíamos nada mais a não ser a batida de nossos corações, chocados pela horrível cena, aflitos com a perda de um grande amigo. O nó em minha garganta impedia que eu gritasse ainda mais.

    Dadolargo e os outros nos afastaram dali. Sentamos em uns banquinhos mais além, chorando. Pepe apoiava a cabeça no ombro de Mário, que tentava consolá-lo.

    Sentia uma enorme sensação de perda e vazio, apenas comparável à sensação que senti no meu bolso quando deixei o cinema após ver Dungeons & Dragons. Apesar de ter gasto apenas três reais para ver aquele filme, senti como se tivesse perdido uma fortuna.

    Meus pensamentos foram interrompidos por Dadolargo, que nos colocava de pé.

    "- Vamos, vamos! Leônidas, Guilherme, Ademir, ponha-os de pé! Temos que seguir viagem."

    Iniciamos ali, com o coração pesado, uma triste caminhada até a margem do rio que cruzava a cidade.





    CAPÍTULO IX

    O NÃO TÃO GRANDE RIO



    A saudade e a dor da perda de um grande amigo fizeram com que nossa caminhada até o rio fosse silenciosa. Após sentirmos o típico cheiro de poluição de um rio que cruza uma cidade grande, com toda a sua acumulação de dejetos e imundície, ficamos ainda mais tristes, mas apertamos o passo, chegando rapidamente à sua margem. Dadolargo tirou a mochila, sentou-se na grama e disse:

    "- Aqui estamos, pessoal. Vamos esquecer o que passou e procurar arejar a cabeça. Temos que nos concentrar em cumprir a tarefa que a nós foi destinada. Seguindo o curso deste rio, chegaremos ao bairro negro onde está a Devir."

    Percebi que Leônidas, com seus ouvidos aguçados e bem treinados que apenas um fã de Blind Guardian possui, estava inquieto. Sem dúvida, ouvia alguma coisa ao nosso redor, algo muito suave para ser notado por jogadores normais.

    Ao olhar para trás de uma árvore próxima, no entanto, eu mesmo vi um ser que acabava de se esconder atrás dela. Pude notar que era deformado, apenas uma sombra de ser humano, e andava encurvado e sorrateiramente como um rato... sua pele era branca e nojenta, seus olhos eram fundos, e ele se vestia apenas com trapos.

    Corri para Dadolargo e falei:

    "- Dadolargo, há alguém nos seguindo!"

    "- Eu sei, está nos seguindo desde que deixamos a casa de Mestre Helton. É o Mallum, um ser vil e nojento. Seu nome é Mallum, pois é uma mala-sem-alça: sua chatice é lendária em todos os grupos de jogo da Terra. Ele é do tipo que liga para a sua casa às três da madrugada para perguntar detalhes irrelevantes sobre regras ou uma cena que você narrou, acordando assim a sua família toda com o barulho do telefone. Sua pele é branca assim pois não sai de casa, ficando recluso ao seu quarto planejando insistentemente aventuras e rolando milhares de PCs e NPCs, só para se divertir. Seu corpo é assim deformado pois passa dezoito horas por dia sentado, debruçado sobre suas anotações. Seus braços não são simétricos pois ele fica o dia inteiro rolando dados com a mão direita, e com ela também faz coisas inomináveis que eu não ousaria dizer aqui. Pois são estas as únicas coisas que sabe fazer: não trabalha, pois não sabe que há um mundo lá fora, não estuda, pois acha que decorar as regras de um livro de RPG é o suficiente para viver uma vida feliz, não se alimenta, a não ser pelos eventuais insetos desafortunados que voam para dentro de sua boca aberta quando dorme, e se veste apenas com trapos pois não tem vida social, o que o faz não ligar para a aparência e não ter amor próprio. Pois ele ama e odeia o Um Sistema, assim como ama e odeia a si mesmo."

    "- O Um Sistema? O que tem ele a ver com o Um Sistema?"

    "- Foi há algum tempo, quando Mallum ainda era chamado de Smélecol pelos seus amigos. Quando seu antigo mestre achou o Um Sistema na loja do Gordog, Smélecol estava lá também. Pois os dois viram o livro ao mesmo tempo, e como só havia um na prateleira, ficaram com um impasse, sem saber quem o levaria para casa. Smélecol, ardilosamente, propôs que resolvessem o impasse por meio de um jogo de Magic, pois estava com um baralho pronto no bolso cheio de cartas apelonas. Mas seu antigo mestre foi mais astuto, e utilizou aquele velho combo de queimar pontos de vida para aumentar o dano da bola de fogo. Assim, ele venceu o Mallum, e levou para casa aquele livro, sem saber que se tratava do Um Sistema. Após isso, Mallum enlouqueceu: Leônidas e seus companheiros tiveram muito trabalho, tentando manter Smélecol afastado do RPG, mas ele por fim abandonou o colégio de novo para se dedicar ao vício."

    "- É uma história triste", eu disse. "- E não sei se odeio o Mallum ou sinto pena dele."

    "- Vamos esquecê-lo por hora. Logo vai escurecer, vamos catar por aí umas folhas de jornal e gravetos para que possamos fazer uma fogueira dentro deste tonel e nos aquecer."





    CAPÍTULO X

    O ROMPIMENTO DO GRUPO DE JOGO



    Seguindo a orientação de Dadolargo, fui coletar alguns papéis para que pudéssemos fazer uma fogueira. Como estávamos perto de um semáforo, isto não foi difícil, pois o meio-fio estava cheio daqueles anúncios de ofertas de supermercado que os panfleteiros distribuem às turras para os motoristas.

    Percebi que Ademir estava por perto. Ele me olhou com surpresa, como se tivesse me encontrado por acaso, e disse:

    "- Oi! Você vem sempre aqui?"

    "- Afaste-se, Ademir. Eu sei o que você quer."

    "- Eu? Ah, eu! É mesmo, é mesmo... bem, será que você poderia me dar uma emprestadinha neste livro aí?"

    "- Prefiro emprestar a minha irmã a você do que este livro", disse eu. "- Ou você não ouviu todos os avisos de Helton?"

    "- Ah, que mal pode haver em mestrar só uma aventurazinha? Vamos, sente aí, vamos jogar só uma aventurazinha, nem que seja solo, por favor!"

    "- Saia!", gritei eu. "- Afaste-se de mim!"

    "- Ora, seu moleque! Me dê este livro!"

    Ademir avançou para cima de mim, e eu esquivei de sua agarrada. Ele tropeçou, caiu no chão e começou a chorar:

    "- Meu Deus! Onde eu estava com a cabeça! O que eu fiz! Me desculpe, me desculpe!"

    No entanto, já estava longe dali. Segurei forte o Livro, e quando fiz isso, quase cambaleei, pois vi, na minha frente, o símbolo da TSR, enorme, e atrás dele, apenas a escuridão e a falta de criatividade. Apavorei-me, guardei o livro na mochila, e corri de volta para o lugar onde estávamos reunidos.

    Chegando lá, peguei minhas coisas. Estava decidido a partir sozinho, pois não desejava que meus amigos corressem riscos por minha causa. Dadolargo, apesar de certamente não concordar, me entenderia. As coisas estavam fugindo do controle, e se eu continuasse por ali, o incidente com Ademir com certeza se repetiria, com o Poder do Sistema corrompendo um após o outro.

    Estava prestes a partir só, quando Samuel me viu e gritou:

    "- Mestre! Mestre! O senhor não pode abandonar assim o pobre Samuel! Eu jurei que iria acompanhá-lo, ou meu nome não é Samuel! Além do quê, tenho que negociar com o senhor aquelas desvantagens do meu personagem..."

    "- Ok, ok, Samuel! Vamos juntos! É claro que eu deveria ir com você! Nós somos uma dupla perfeita! Afinal de contas, você é o meu melhor amigo!"

    Nos abraçamos como irmãos, e seguimos o curso do grande rio, em direção à Editora Negra, com a certeza que, embora tivéssemos pouca ou nenhuma chance na missão, de nossa perseverança e coragem dependia a liberdade do mundo RPGista.





    Aqui termina A SOCIEDADE DO SISTEMA, a primeira parte de O SENHOR DOS SISTEMAS. A próxima parte da história se chama AS DUAS EDITORAS, pois trata da luta da Sociedade do Sistema, agora desfeita, contra a editora de Tramatanc, na planície de Vendecard, a fortaleza de Cassaruman, e a torre escura de Planet-Dûr, no bairro negro perto da Editora da Perdição, Devirruim.







    AS DUAS EDITORAS

    Segunda parte de

    O Senhor dos Sistemas





    Três Sistemas para a Steve Jackson Games sob este céu,

    Sete para a White Wolf, em seus corredores rochosos,

    Nove para as editoras alternativas, fadadas à eterna falência,

    Um para a TSR em seu escuro trono

    Na Terra da Wizards of the Coast onde a Grana se acumula.

    Um Sistema para a todos governar, Um Sistema para encontrá-los

    Um Sistema para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los

    Na Terra da Wizards of the Coast onde a Grana se acumula.





    CAPÍTULO I

    A PARTIDA DE ADEMIR



    Dadolargo percebeu que Alfredo, o Portador do Sistema, estava demorando muito para colher os gravetos e papéis. Quando percebeu que Ademir também estava sumido, ficou preocupado, e dividiu o restante em grupos, para que pudessem procurar os dois. Temia que Ademir tivesse sido seduzido pelo Sistema, e que estivesse jogando alguma aventura-solo com Alfredo.

    "- Leônidas, Guilherme, me sigam! Mário, Pepe, fiquem aqui e vejam se eles voltam!"

    Mário e Pepe sentaram no chão, enquanto os outros saíam correndo. Começaram a comentar sobre a má qualidade das matérias da principal revista nacional de RPG, para matar o tempo. Logo depois, deixaram de ser redundantes e partiram para assuntos menos óbvios.

    Estavam tão entretidos na sua conversa, que nem perceberam a aproximação dos seres desprezíveis que os espreitavam. Dezenas de moleques, trajados estranhamente, em roupas coloridas, e falando termos incompreensíveis os espiavam por entre os arbustos da praça onde estavam.

    De repente, eles atacaram. Pularam os arbustos bradando algum tipo de grito-de-guerra japonês e partiram para cima dos dois jogadores desprevenidos. Ademir, que voltava do incidente com Alfredo desolado e arrependido, presenciou a cena, e correu para ajudá-los. No entanto, eram muitos e o cercaram, impedindo que ele auxiliasse os dois pequenos jogadores.

    Não muito longe dali, Dadolargo e os outros ouviam os gritos de Mário e Pepe, e as batidas da mochila de Ademir contra a cabeça aparentemente oca dos misteriosos seres. Voltaram correndo, e não demoraram para encontrarem as desprezíveis hordas.

    Dadolargo, como de costume, abria caminho com a mochila, que passava entre as fileiras inimigas como uma faca quente na manteiga. Guilherme usava o seu pesado GURPS Vehicles, e Leônidas arremessava dados nos vilões mais rapidamente do que o olho humano acompanharia.

    Logo, tinham vencido uma grande quantidade de inimigos, e os que não tinham sido derrotados fugiam. Encontraram Ademir deitado, babando uma espécie de espuma branca.

    "- Eles... eles levaram os pequenos, Dadolargo. Eu não pude evitar. Eu falhei."

    "- Procure não fazer esforço, Ademir. Quem eram eles?"

    "- Eles eram os Otaku-hai, seres hediondos. Cassaruman, O Manco, utilizando de muito mal gosto, misturou RPGistas com fãs de anime e mangá. Eles são uma raça bárbara e têm hábitos detestáveis, como jogar 3D&T, comprar Tormenta e Holy Avanger, e batizam quase todos os seus personagens com os nomes de Vegeta, Kurama ou Goku, não importando qual o cenário."

    "- E o que fizeram com você? Onde está Alfredo?"

    "- Começaram a cantar trilhas sonoras de animes, como a abertura da "Sailor Moon" e de "Dragon Ball". Eu procurei resistir, mas alguém cantou a versão nacional da abertura de "Cavaleiros do Zodíaco", e isto foi um golpe forte demais para mim. Acho que meu cérebro derreteu, não sinto mais o meu corpo... E quanto a Alfredo, eu tentei pegar o Um Sistema dele... ele fugiu de nós, e vai sozinho à Devir. Eu lamento, Dadolargo, tudo acabou... Eu teria jogado com você, meu amigo... meu mestre!"

    Dizendo isso, ele entrou em coma, devido à crueldade sem paralelos dos Otaku-hai.

    "- Então, tudo acaba aqui. A Sociedade foi um fracasso.", Guilherme falou.

    "- Não enquanto continuarmos fiéis uns aos outros. E eu não pretendo abandonar Mário e Pepe nas mãos daqueles fãs de anime. Vamos caçar alguns Otakus."

    Guilherme mal pôde esconder a sua satisfação.





    CAPÍTULO II

    BARBÂNDERSON



    Mário e Pepe foram levados pelos Otaku-hai, as criaturas dementes e perigosas de Cassaruman, O Manco. Do dialeto terrível dos Otakus, eles podiam entender pouco, já que insistiam em colocar termos em japonês, de seu vocabulário restrito, no meio da conversação em português, criando assim uma espécie de "Japoguês".

    "- 'Atashi' vou jogar hoje 'Tóquio No Defensores', 'anata' quer jogar também?"

    "- 'Hai, domo arigatô'. Logo depois que entregarmos estes jogadores para o 'senmpai' Cassaruman-kun."

    Mário e Pepe tentaram tapar os ouvidos, mas suas mãos estavam firmemente amarradas. Logo alguém começou a cantar a música de encerramento de 'Yuyu Hakushô' atrás deles.

    "- Oh, não, Pepe! Estão apelando para a turtura!"

    "- Seres cruéis e desprezíveis, espero que Dadolargo venha dar uma lição neles!"

    No entanto, o barulho e a desordem dos Otaku-hais atraíram uma ajuda inesperada.

    Logo que eles passavam em frente a um centro de convenções, uma enorme tropa de pessoas, vestindo os uniformes da Federação dos Planetas, de Star Trek, outros ainda trajados como Jedis de Star Wars, saíam enfurecidos, segurando cadeiras, sabres de luz feitos de papel celofane e outros apetrechos.

    Os Otaku-hai procuraram resistir, mas foram rechaçados pelos estranhos seres. Mário e Pepe foram postos no chão e desamarrados. A maior e aparentemente mais velha criatura se aproximou deles e disse:

    "- Olá, amiguinhos! Estão bem, estas pestes machucaram vocês?"

    "- Um pouco", disse Pepe, "meus ouvidos vão doer por umas boas semanas. Mas quem, ou o quê, é você?"

    "- Eu sou Barbânderson, o líder dos Nerds. Este é meu amigo, Nerdesperto. O nome dele é esse pois decorou todas as falas de todos os filmes de Star Wars. E vocês, quem são?"

    "- Somos Mário e Pepe, dois jogadores de RPG."

    "- Jogadores de RPG!! Nós temos muito em comum! Venham, desfrute da nossa hospitalidade!"

    Logo, Mário e Pepe estavam no interior do centro de convenções, assistindo a episódios de séries antigas e tomando o refresco dos Nerds.

    "- Não é bom como cerveja romulana, amiguinhos, mas é muito bom. Agora digam, por que estavam sendo levados por aqueles animais?"

    "- Bem, pelo que pude entender, foi ordem de Cassaruman, um editor muito poderoso. Eles nos confundiram com meu primo, Alfredo, e nos levaram!"

    "- Cassaruman! Eu sabia que ele tinha a ver alguma coisa a ver com isso! Já faz algum tempo que estes malditos Otakus invadem nossos sagrados centros de convenções, organizando encontros com horríveis números de karaokê e concursos de Cosplay ridículos! Além disso, temos contas antigas a acertar com Cassaruman, pois há algum tempo, a revista fedorenta dele publicou adaptações ridículas de Star Wars e Star Trek para vários sistemas, e isso nos deixou enfurecidos! Próton e Nêutron, eles vão nos pagar!"

    Barbânderson chamou Nerdesperto e disse:

    "- Reúna todos os Nerds, Nerdesperto, vamos fazer um Nerdebate. E traga mais comida e bebida para os meus amiguinhos aqui, Próton e Nêutron!"

    Assim, Mário e Pepe foram muito bem tratados pelos Nerds, que fizeram o seu Nerdebate em um círculo de cadeiras por ali. Nerdesperto ficou com os dois.

    "- Nerdesperto, por que não conseguimos ouvir nada do que eles dizem? Que língua é essa?"

    "- Nós, Nerds, falamos em Klingon quando estamos a sós. Mas eu posso traduzir para vocês: nós estamos planejando marchar até a editora de Tramatanc, local de trabalho de Cassaruman, e colocar o prédio abaixo, isso sim!"

    "- Nós temos que ver isso! É o sonho de qualquer RPGista!", exclamaram Mário e Pepe.

    "- Claro, amiguinhos, claro! Barbânderson e eu vamos levar vocês!"

    Apesar das notícias alegres, Mário e Pepe notaram que todos os Nerds, por mais simpáticos que fossem, apresentavam claros sinais de tristeza. Mário perguntou:

    "- É impressão minha, Nerdesperto, ou vocês estão tristes? É ruim ser Nerd?"

    "- Não, amigos, não, muito pelo contrário! Ser Nerd é muito bom! Nós nos divertimos muito, do nosso jeito, e não prejudicamos ninguém! Mas o mais divertido é que nós, Nerds, como somos inteligentes, passamos em vestibulares para universidades boas, conseguimos bons empregos, ganhamos bastante dinheiro, e podemos depois rir da cara dos valentões que batiam na gente na época do colégio, quando os encontramos, tristes e pobres, e burros como sempre!"

    "- Isso é maravilhoso, Nerdesperto! Por que a tristeza, então?"

    "- Por sermos feios e esquisitos demais, nós não temos Nerdesposas. É muito trsite, pois gostaríamos de ter a casa repleta de Nerdinhos, jogando videogame e lendo quadrinhos, mas faltam as Nerdesposas."

    "- Entendemos", disse Pepe. "Passamos por situação parecida."

    Logo, Barbânderson e os outros Nerds se levantaram e disseram:

    "- Vamos, amiguinhos! Decidimos no Nerdebate que vamos acabar com Tramatanc! Não vamos deixar pedra sobre pedra, isso sim, Próton e Nêutron!"

    Assim, todos marcharam para a planície de Vendecard, onde estava a editora de Tramatanc, com Mário e Pepe sendo levados por Barbânderson para testemunhar a destruição do local de trabalho de Cassaruman, O Manco.




    CAPÍTULO III
    O REI DO EDIFÍCIO DOURADO


    CAPÍTULO IV
    A ESTRADA PARA VENDECARD


    CAPÍTULO V
    A VOZ DE CASSARUMAN


    CAPÍTULO VI
    SMÉLECOL DOMADO


    CAPÍTULO VII
    O PORTÃO DA DEVIR ESTÁ FECHADO


    CAPÍTULO VIII
    DE FANDANGOS E PÃO COM MORTADELA COZIDA


    CAPÍTULO IX
    A TOCA DA LUNÁTICA


    CAPÍTULO X
    AS ESCOLHAS DO MESTRE SAMUEL


    Aqui termina AS DUAS EDITORAS, a segunda parte de O SENHOR DOS SISTEMAS. A terceira e última parte, O RETORNO DO GURPS, trata da conclusão da Guerra do Sistema, da resistência dos jogadores à sombra criativa e dos eventos relativos ao retorno do GURPS.




    O RETORNO DO GURPS
    Terceira parte de
    O Senhor dos Sistemas


    Três Sistemas para a Steve Jackson Games sob este céu,
    Sete para a White Wolf, em seus corredores rochosos,
    Nove para as editoras alternativas, fadadas à eterna falência,
    Um para a TSR em seu escuro trono
    Na Terra da Wizards of the Coast onde a Grana se acumula.
    Um Sistema para a todos governar, Um Sistema para encontrá-los
    Um Sistema para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
    Na Terra da Wizards of the Coast onde a Grana se acumula.


    CAPÍTULO I
    MINHAS TIAS


    CAPÍTULO II
    A CONCENTRAÇÃO DOS CICLISTAS DE RAMOS


    CAPÍTULO III
    A BATALHA NO CAMPINHO DE FUTEBOL

    CAPÍTULO IV
    A ÚLTIMA ROLAGEM


    CAPÍTULO V
    O PORTÃO DA DEVIR SE ABRE


    CAPÍTULO VI
    A TORRE DE BRONQUITE UNGOL


    CAPÍTULO VII
    A EDITORA DA SOMBRA


    CAPÍTULO VIII
    A PRENSA DA PERDIÇÃO


    CAPÍTULO IX
    A CAMINHO DA MINHA CASA


    CAPÍTULO X
    OS DADOS CINZENTOS



    PS. Não compartilho da mesma opinião do autor, mas é engraçado.
     
  2. Skywalker

    Skywalker Great Old One

    Já andaram postando isso por aqui...
     
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