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Um Estranho na Ilha - Parte I

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Espanhol, 17 Abr 2011.

  1. Olá pessoal,

    Essa é a primeira vez que posto no forum. Será um prazer compartilhar da literatura com vocês.

    Abaixo, segue a primeira parte de um conto de ficção que venho trabalhando há um mês. O conto tem 4 partes e pertence ao gênero de mistério/fantasia. A parte seguinte vem no próximo domingo.

    Críticas e comentários serão bem vindos!


    Abs
    Rafael

    - - -

    [align=center]UM ESTRANHO NA ILHA[/align]


    Um raio de luz do sol penetrou pelas frestas de uma cabana até encontrar-se com a superfície de vidro de um porta-retratos.

    Carlos examinou a foto. Por trás do vidro, um garoto com olhos pequenos e vazios sorria como se quisesse dizer: “Eu sei por onde você anda seu puto”. Ouviu um baque seco e o porta-retratos escapou das suas mãos até espatifar-se no chão.

    Virou-se e deu com Pedro com expressão de quem profanou a tumba de um demônio. No chão, jazia um livro com capa de couro. O sangue subiu-lhe pelas têmporas e desencadeou uma série de reações que resultariam num provável pontapé no traseiro do amigo.

    - Esse livro tava ali – disse Pedro apontando para um armário de bambu escondido na nas sombras. - Desculpa se te assustei cara.

    Carlos suspirou fundo, deixando as mãos escorregarem pelo cabelo, até sentir o sangue descer. - O que mais tinha no armário? - Perguntou suspirando.

    - Uns braceletes de mulher, pedras coloridas. Nada de especial. – respondeu num tom displicente - Esse livro de couro aí é o que tava mais vistoso, sabe...

    - Se quer me ajudar aqui - interrompeu Carlos percebendo o tom despreocupado do amigo - vai ter que ser mais esperto caboclo; mais atento. Entende?

    Os punhos de Pedro cerraram-se em sinal de protesto.

    - O que foi agora?

    - Cara... cê precisa me contar o que tá acontecendo. Olha só esse lugar da peste! disse convidando Carlos com olhar para examinar o cômodo.

    Carlos percebeu que a agitação que sentia podia ser um ótimo anestésico contra o medo. Pelo menos enquanto seu efeito perdurasse. Reparou que uma manta de penumbra envolvia o ambiente, formando manchas negras por todas as partes. A parca iluminação do ambiente vinha das falhas do teto, por onde desciam feixes de luz em forma de lanças. O silêncio era de igreja vazia.

    Sentou-se numa cama e olhou Pedro com aquele ar sério que as pessoas fazem quando levam más notícias.

    - Estou atrás de um estranho que tá rondando nossa vila.

    - Os moleques que costumam brincar na praia viram um sujeito rondar nossas casas nas últimas semanas. Ele aparece de noite, e depois some. O pior é que ninguém sabe como ele é. Fica observando de longe, na floresta.

    Fez uma pausa.

    - Tentei seguir o peste, mas ele sempre sumia na floresta. Até fiquei de guarda na praia de tocaia. Foi então que peguei ele vindo de barco pra cá.

    Os olhos de Pedro arregalaram-se: - Será que tem algo a ver com os caranguejos que atacaram o Zé Peixe?

    - Eu acho que sim. E também com uma planta gigante que a tia Júlia viu no quintal ontem.

    - Carlos, cê é o líder da vila. Devia chamar a polícia.

    - E contar o que? Que a nossa pesca está querendo nos comer, e que desconfiamos de um sujeito que não sabemos quem é?

    - Vão botar a gente no hospício homem!

    Pedro abaixo a cabeça.

    – Relaxa... – disse Carlos, suavemente, - Precisamos descobrir o que é esse sujeito, o que ele quer, e depois a coisa clarear a gente vê o faz, tá? Agora anda a vasculhar esse lugar até encontrar algo de serventia homem, que eu sei que tú é o caboclo da peste!

    Pedro riu-se orgulhoso e voltou a revirar o cômodo.

    Carlos recolheu o tomo de couro do chão. Quando o folheou, viu gravuras de pentagramas, planetas e humanóides pequenos, com narizes longos e de olhar servil.

    Mais adiante, deparou-se com uma paisagem medieval, aonde criaturas servis incendiavam casas e arrastavam pessoas pelos pés em direção a uma grande mesa, onde outras dançavam e banqueteavam-se com membros humanos. No fundo da paisagem, um grupo de criaturas carregava pedras em direção a um grande círculo de pedra.

    Que mente doentia teria criado isso? Pensou Carlos. Lembrou-se dos hippies que moravam na praia vizinha. Os cheiradores – como eram conhecidos - tinham o hábito de fazer incursões nas redondezas para brindar a mãe-natureza com som de Beatles e seus papelotes de maconha e cocaína.

    Talvez tivessem se enjoado da mãe-natureza e resolveram se meter com rituais satânicos.

    Aproximou-se da saída e viu a cabana mergulhada na vegetação densa da Ilha do Farol. A tonalidade das lanças de luzes foi mudando gradualmente, para vermelho sangue. Imaginou se os olhos do garoto do retrato estariam vagando pela floresta próxima ao povoado, ou de Rita.

    Precisava agir.

    Voltou-se para Pedro, que revirava uma escrivaninha igual a um cachorro procurando comida na lixeira.

    - Então homem, encontrou alguma coisa?

    O amigo pegou uma pasta do chão e voltou sorrindo para Carlos como uma criança ansiosa. - Achei isso em uma escrivaninha - disse entregando a pasta à Carlos.

    Carlos retirou três ilustrações em papel cartolina da pasta e as colocou na escrivaninha.

    Primeira ilustração: Paisagem com um atol rochoso em forma de meio círculo, uma praia e atrás dela um vilarejo de pescadores. Carlos reconheceu todos os locais - É a nossa vila – disse preocupado.

    Segunda: Um homem sorridente, com rabo de cavalo fumando um cachimbo, e abaixo uma assinatura:

    Roberto Lamp, 18 de Abril de 2011

    Pedro coçou os cabelos - Ué? Hoje não é Março? - Carlos assentiu com a cabeça. Ponderou se Roberto seria o estranho. O sorriso carismático contrariava suas suspeitas, no entanto. Roberto estava mais para um bon vivant do que um atiçador de caranguejos.

    As luzes vermelho-sangue trocaram de lugar com a luz da lua. Pedro acendeu um isqueiro e o aproximou da última ilustração:

    Criaturas com olhos servis arrastavam pessoas pelos pés, em direção a um grande círculo de pedra. A expressão de horror das pessoas carregadas pelas criaturas ecoava na mente de Carlos em forma de gritos de desespero. Um sopro gelado passou pela espinha de Carlos quando identificou no desenho o atol em forma de meia lua, a ilha em que estavam e rostos conhecidos da vila.

    Os dois homens abandonaram a cabana.

    Como dois maratonistas, cruzaram o lado oeste da ilha, até alcançarem o barco em que chegaram.

    - Liga os motores! berrou Carlos.

    A embarcação cruzou o atol, e dali parou a 30 metros da costa. Na orla, um homem escondido nas sombras girava uma lanterna em círculos, como se estivesse sinalizando para o barco parar próximo dele.

    - Será Ele? - perguntou Pedro do alto do mastro.

    - Não tenho idéia - respondeu Carlos enquanto desligava os motores; deixando a embarcação levar-se pela maré. Olhou em direção ao Pedro - Cê ainda carrega aquela peixeira enferrujada?

    O homem na orla sentou-se na areia e esperou.

    Ao ver os dois pescadores saírem da embarcação, o estranho levantou-se sorrindo - Olá, estou viajando há alguns dias e me perdi, queria chegar na praia vizinha; mas não me lembro do nome...

    - Praia dos Pescadores - disse Carlos laconicamente.

    - Você chega lá em duas horas a pé, seguindo daqui, sempre em frente.

    - Sempre em frente! - respondeu o homem em êxtase enquanto dava um passo, deixando o luar revelar suas rugas esticarem-se num sorriso forçado.

    - Praia dos Pescadores! - complementou enquanto dava outro passo, deixando a luz refletir-se em seus olhos; vivos e gulosos; como os de um predador que encontrou a presa.

    Carlos sentiu a presença de Pedro, ao seu lado, na respiração acelerada e entrecortada do amigo.

    - Passo a faca nesse caboclo fácil, fácil - sussurrou Pedro acariciando o cabo da peixeira escondida sob a calça.

    - Segura a onda. Não temos certeza se é o estranho - Pedro afastou as mãos da arma em consentimento.

    O estranho manteve-se inerte - Me desculpe se não me apresentei ainda. Meu nome é Henry Larson. Larson se preferirem. Vocês devem estar se perguntando o que faz um velho por aqui, ainda mais com nome de gringo! - riu-se. Larson sentou-se no chão e relaxou os ombros - Sou um pesquisador. Gostaria de encontrar espécimes novos de plantas. Vocês sabem por onde começar?

    - E que tipo de planta é esse? - perguntou Pedro desconfiado.

    - Do tipo que costuma encontrar você - respondeu displicentemente enquanto mexia em uma pequena sacola na altura da cintura. Pedro inclinou levemente a cabeça em direção ao saco, viu uma planta de cinco centímetros mexendo-se na mão de Henry como uma dançarina havaiana: a cabeça da criatura, amarelada, parecia uma flor com dentes afiados nas laterais; o corpo, um pequeno saco com manchas verdes.

    - É desse tipo que estou falando. Quer segurá-la? - ofereceu a criatura a Pedro como um estranho que oferece um doce a uma criança.

    - Melhor não tocar nisso. - sussurrou Carlos com cara de nojo.

    - Desculpa moço... estamos atrasados. Nossas patroas estão esperando - justificou-se Pedro.

    - Fica para uma próxima – disse Larson levantando-se enquanto oferecia uma mão a Carlos em cumprimento. - Espero não deixá-los em maus lençóis.

    Carlos apertou a mão do homem. Sentiu ossos pequenos, frágeis, como pequenos galhos. "Esse aí não espanta nem mosca" tranqüilizou-se.

    Os dois pescadores rumaram para o vilarejo, pela praia. Pedro pela areia, Carlos pelas margens, perto do som das ondas, onde gostava de caminhar para relaxar os ouvidos.

    - Carlos?

    - Fala caboclo.

    - O que significa maus lençóis?

    - Sei lá, deve ser alguma expressão da cidade. Pergunta pro Jair.

    - Maus lençóis... gostei!

    Carlos sorriu e voltou-se para as ondas. Pensava nos olhos grandes e meigos de Rita. Pensava na tilápia ao molho de maracujá que seria servida de jantar. Lentamente, os pensamentos deram lugar a sons secos de madeira se partindo, de cachorros mastigando ossos. Olhou para o lado e viu que Carlos já não caminhava mais ao seu lado.

    Olhou para trás e a partir daquele dia jurou que nunca mais daria as costas a ninguém.

    Os olhos pequenos e gulosos estavam lá novamente. Ao lado deles, um saco marrom com manchas verdes do tamanho de um urso mexia-se e remoia-se de novo e de novo, triturando e esmagando o que estava dentro dele como um estômago furioso digerindo um grande pedaço de carne. Não era possível distinguir o que havia lá dentro, exceto pela massa disforme que deformava o saco. Perto da criatura, uma peixeira enferrujada descansava nas areias.

    Os pequenos olhos flutuaram pela escuridão da praia e pousaram nos ouvidos de Carlos.

    [align=center]* * *[/align]
     
  2. Rodovalho

    Rodovalho Usuário

    Eu até gosto de escrita direta. Frases simples, sem rodeios. Seus parágrafos parecem com sinopses bem resumidas. O problema é que ficou sem informações básicas, como a descrição do ambiente e das personagens. As personagens têm nome e só. A Rita foi a personagem mais descrita, e nem mesmo tomou parte da narrativa. A transição da cabana para a praia foi muito rápida, se é que houve. E os acontecimentos dentro da cabana são muito vagos. Primeiro se diz que a cabana parecia um terreiro de macumba. Depois, do nada, se pega um livro satânico do chão, como se esse tipo de coisa tivesse uma seta de neon apontando pra ele. Depois vem as duas cartolinas com ilustrações que se juntam, sem precisar pensar nem um pouco pra resolver o enigma.

    Se você realmente pretende fazer uma história maior, a ponto de separá-la em partes, seria interessante apresentar bem os protagonistas e explicar o que está acontecendo, por exemplo, esses ataques da planta gigante e do bando de carangueijos.

    Sugestão, faça dessa parte a segunda e faça um prólogo.
     
  3. Luís,

    Obrigado pelas críticas. Ela me ajudou a enxergar alguns problemas de estrutura de enredo. Fiz os reparos que entendi relevantes, conforme novo texto editado.

    Abs

    Rafael
     
  4. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    legal o teu texto. o clima criado ficou bem lovecraftiano. se vc queria soar parecido com ele, parabéns. se ñ sabe oq estou falando, leia urgentemente o cara, q tenho certeza q vai se identificar com ele.

    o regionalismo é outra coisa q aprecio mto em 1 texto. já disseram q pra 1 texto ser universal devemos escrever sobre a nossa vila. e qdo misturado à ficção do gênero horror, costuma dar bons resultados.

    ok, agora vamos à enjoeira do leitor aqui. vc tem alguns vícios q eu tb tinha ou q ainda venho tentando me desfazer. vou apontar os principais, tá?

    1. uso excessivo d artigos indefinidos ou da partícula -se como pronome

    a solução seria tentar variar, para ñ soar repetitivo. algum desses artigos poderia ter sido substituído pelos artigos definidos a/o sem prejuízo do sentido? tente destacar no texto todo os artigos indefinidos e vai ver como eles aparecem em demasia. a indefinição mtas vezes deixa o texto vago, como se o escritor ñ tivesse certeza dq quer passar.

    há casos desnecessários do uso do -se. deve-se evitá-lo pois há 1 travamento na leitura qdo vc quer q o texto siga mais rápido. exemplo:

    2. falta ou pontuação incorreta nos diálogos diretos

    ñ use ponto-e-vírgula em diálogos, pois ñ dizem nada ao leitor. prefira vírgulas. lembre-se de usá-las sempre que tiver vocativo na frase. aposto e vocativo sempre entre vírgulas qdo no meio da frase. no final e no começo, basta uma.

    3. leitura do texto em voz alta

    percebi q faltam conectivos entre duas palavras em vários trechos. tipo:

    talvez a pressa na escrita, ou a falta d + uma revisão façam com q atropelemos a fluidez textual. a minha melhor dica aqui sempre será ler o texto em voz alta, ou pedir para alguém ler pra vc. vc vai perceber mta coisa faltando e sobrando usando essa estratégia. isso tb fará com q palavras repetidas ou de som parecido fiquem mto próximas umas das outras. como nesse caso:

     
  5. JLM,

    Obrigado pelos comentários!

    É curioso como alguns erros só são percebidos quando apontados por outra pessoa que lê seu texto - e esse foi o caso - como por exemplo, o uso do artigo indefinido "um". E olha que li e reli esse texto várias vezes! rs

    Confesso que não tive a intenção de usar o clima de HP Lovercarft; na verdade, eu utilizei uma técnica ensinada nos manuais americanos de "dramatizing"; o que significa mostrar ao leitor o que está acontencendo numa cena ao invés de simplesmente contar (veja no goggle "creative writing: showing vs telling"), talvez isso tenha feito com que criasse um clima sombrio.

    De qualquer forma tenho que agradecer a todos comentários. E, em débito como estou, prometo que posto a segunda parte do conto até o final dessa semana (sem falta!:happyt:)

    Abs

    Espanhol
     
  6. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Apreciei a leitura e concordo com o que o Rodovalho falou. Ora excesso de informação, ora falta dela.

    Agora... é preciso dizer: você é bom com diálogos. Em muitos momentos curti o estilo cinematográfico que você deu às falas.

    Sobre as plantas: "Do tipo que costuma encontrar você." É um bom exemplo.


    Sugiro uma revisão nas vírgulas. O Jm apontou o seu regionalismo, por causa dele você usa muitos vocativos: desculpa se te assustei cara! - Vão botar a gente no hospício homem.(SIC)

    Deveria rolar uma vírgula nessas frases, né? Há outros casos disso no texto.

    Ahhh.. estou esperando a segunda parte.
     

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