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O que sinto ao tocá-la

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Edu, 25 Set 2009.

  1. Edu

    Edu Draper Inc.

    O que sinto ao tocá-la qualquer homem pode te dizer muito bem, ou pelo menos qualquer homem que já teve meia dúzia de mulheres na vida e soube viver delas e com elas, que soube alongar os momentos bons para além dos limites das horas, que soube dar a elas o que elas quiseram sem esperar nada em troca, porque a mágica não é recíproca, é preciso fechar os olhos e embarcar no jogo sem esperar receber nada a não ser a certeza de que você soube jogar muito bem, amigo. Os prêmios são todos delas, e não importa se você concorda ou não, é assim que é certo, é assim que as coisas devem acontecer. Se te sobrar algo, então muito bom. Se não, entre no jogo outra vez.

    Mas, mesmo assim, eu sinto uma vontade louca de te dizer como é, só pra ver se consigo pôr dentro de você algo que não seja essa poeira e o recalque que todos carregam. Escuta bem, amigo, porque não vou repetir o que disser, e se você perder o fio não dou a mínima. Agora escuta, porque tudo começa nos olhos. Quando um encontra o outro o resto do mundo pode desabar que você ainda se manterá inteiro, porque tem um lugar para onde olhar. Você abre, olha, vê, enxerga, penetra, entra dentro e fica lá pelo tempo que for preciso, porque os olhos vão te levar à mente, e é lá que você deve estar antes de tudo. Não importa o que dizem suas cabeças, o olho sempre guiam ao caminho mais certo.

    Então, se você estiver na mente, se estiver lá todo o resto se resolve sozinho. E se ela desvia o olhar não é porque não te quer, é porque não suporta o que você está fazendo com ela. A graça está aí: quando a defesa se quebra e ela olha pro lado e você continua encarando e sorri, e ela te olha pelo rabo de olho e sorri também. Você a convida para ir a algum lugar, não convida? Se não, se foda, porque eu convidei e deu certo. Eu chamei e deu certo. Eu me levantei, andei até ela, me apresentei, perguntei seu nome, peguei em sua mão, sussurrei qualquer coisa no seu ouvido e lembro de ter dito: Mais tarde. Mais tarde, sim, aí a gente se vê. Se vê por inteiro, se correr tudo certo.

    Porque o que começa nos olhos e deve logo em seguida ir pra dentro da cabeça, no terceiro momento deve descer, descer e descer, e se espalhar pelo corpo inteiro, senão não tem graça, senão fica fácil, simples, corriqueiro, pequeno, contido demais. E ninguém gosta dessa coisa de se limitar. Eu não gosto, você também não, e se alguém diz que sim é porque é todo limitado e não consegue escapar do mundo normal em que fechou a si mesmo. Porque, amigo, vê bem, se eu a olho e ela olha pra mim, do que mais preciso senão tê-la o mais perto possível para, finalmente, felizmente, de uma vez por todas, tocá-la como ela nunca foi tocada antes?

    Mas já fiz isso, já falei que fiz, toquei sua mão. O que senti ao tocá-la, o que sinto agora? É claro que em boa parte é tudo aquilo que se escuta por aí sobre fogo, arder, paixão, desejo, suor, etc. Mas foda-se, eu não ligo para o que está na moda andar dizendo, e não faria você perder seu tempo limitado ouvindo eu contar sobre o que todos já sabem que acontece. Vou te falar sobre algo que você desconhece e que existe de verdade, que eu só descobri com essa garota, que ela só descobriu comigo (bem, tomara) e que se tornou um segredo-não-secreto nosso. Segredo porque só acontece quando estamos sós, só nós, os dois, e não porque ela não deva contar pra ninguém. É bom que conte mesmo, eu gosto de fama.

    Porque, quando fui até ela, olhos fixos, e segurei sua mão, Benjamin Franklin que me perdoe, mas nem aquela porcaria de pipa ridícula que ele fez aguentaria o raio que me atingiu. Por que citei Ben Franklin? Eu sei lá, é o êxtase, ele me faz falar essas coisas. E o raio, amigo, o raio que se meteu na minha mente e eletrificou meus pensamentos foi tão intenso que, antes de me recompor e sussurrar no ouvido dela aquelas coisas todas que disse que sussurrei, eu pisquei, desfoquei o olhar, e quis a garota ali mesmo. Não seja estúpido, não tinha interesse nenhum em tirar as roupas dela, eu só queria estar dentro dela. E não seja estúpido outra vez, não tenho vontade alguma de ter uma mulher só por ter, sexo por sexo, transa por transa, etc. Bilhões de anos dessa maldita evolução serviram para me distanciar dos animais que todos éramos no passado. Eu queria estar nela de verdade, de todas as maneiras possíveis, não só da cintura pra baixo. É fantástico quando se consegue uma coisa dessas, agora sei disso.

    O que senti ao tocá-la, umas sete noites depois do nosso primeiro encontro, foi uma profusão das coisas mais impensáveis do mundo. Ela cheirava a jasmim e tinha se desabrochado ali na minha cama, toda nua, meio pálida (ela era mesmo meio pálida), cheia de curvas contidas, nada exagerado demais, nem nada faltando. Ela estava ali e cheirava a flores, e meus olhos não viam só os olhos dela agora, eu enxergava tudo, meu corpo enxergava também, porque eu podia tocá-la. E enquanto minhas mãos viajavam e meu pensamento também eu era acometido pelas lembranças mais desconexas possíveis e pelos sentimentos mais estranhos. Porque, amigo, quando dei o primeiro beijo nela ali naquela hora eu lembrei de prados dourados e plantações de trigo se abrindo no fim do horizonte, coisa que vi há 10 ou 12 anos atrás. Sua pele não era de ouro, era branca como lua, mas do que importa isso? Eu lembrei e revi esses campos, e foi isso o que aconteceu.

    E a cada beijo que dava uma coisa nova surgia na mente, e tantas foram as lembranças que é inútil contá-las todas, basta saber que fui da terra ao céu, do fogo ao mar, e da praia à El Monte, no Chile, o monte mais alto no qual já subi. Minhas carícias no corpo dela iam e vinham como ondas de ressaca batendo nas rochas da praia, as mãos subindo e descendo, a respiração ofegando, os corpos colando, se separando, colando de novo, nossos vultos e sombras nas paredes do quarto tentando inutilmente repetir o que fazíamos. E disso tudo deu que eu passei a amá-la ali, naquela hora, de tal maneira que consegui estar mais dentro dela do que jamais estive em qualquer outra garota. E eu ainda estava de cuecas, veja bem.

    O corpo dela respondia ao meu toque como os sonhos respondem à nossa semi-consciência noturna. Era como se eu pudesse moldá-lo com um sopro, fazê-lo mais forte com um abraço, mais frágil tirando os braços da cintura dela. Mas eu não me sentia Deus, embora todos os poderes dele eu sentia estarem em mim, e não tinha interesse algum em comandar, e talvez nem pudesse fazer isso, porque o fato era que ela tinha mais controle sobre mim do que é possível ser dito, e o que eu podia pensar fazer por mim mesmo era ela que me indicava com suspiros, gemidos, unhas nas costas, beijos, suor, sorrisos, apertos e olhares. Ela me apontava o caminho sem precisar dizer uma palavra, isso porque eu sabia reconhecer os sinais, porque sabia vislumbrar sua mente e compreender exatamente do que ela precisava. E dei isso a ela, da melhor forma possível, de todas as maneiras que sabia e podia fazer.

    E quando terminamos, quando saí, quando éramos de novo duas pessoas diferentes, passei a mão em seu rosto e brinquei com seus cabelos, e meus olhos e os dela tornaram a fixar-se uns nos outros. E dali pra diante eu soube que aquela coisa toda, que era feita de momentos e combinações de momentos, duraria uma eternidade a cada vez que acontecesse outra vez. E aí eu disse a ela, e lembro bem do que falei porque acabei de dizer, que Tudo o que nos separa é exatamente aquilo que nos une, Que a distância que há entre nós é o que faz com que a presença tanto importe, E que só amamos aquilo que não é de todo nosso, E que ela era minha, Que eu era dela, Que assim seria, E que o que sinto ao tocá-la é tudo aquilo sem o quê simplesmente não sei mais viver sem sentir.
     

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