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Metabolicamente falando voce acha possivel que na antiguidade as pessoas eram mais saudaveis que hoje em dia?

Oi gente tudo bem?

Fiquei sumido no forum por um bom tempo mas tomei a decisão de voltar.

Vocês acham que na antiguidade a pessoa mediana era mais saudável que hoje em dia? Metabolicamente falando em relação as doenças como Diabetes, colesterol alto,câncer, problemas respiratórios etc dado o estilo de vida daquela epoca?

Quando digo antiguidade me refiro à Grécia antiga, Império Romano ou alta Idade Média.

Naquele tempo não existia cigarro e nem comida processada e nem frituras, também não existiam refrigerantes, as pessoas tomavam mais sol ( deviam ter mais vitamina D), obesidade era algo raro e as pessoas tinham o corpo mais atlético já que não existia automação e nem aparelhos e todo o trabalho tanto domestico quanto em outros lugares era braçal mesmo. As pessoas andavam muito porque não existiam veículos e também não existia gordura trans e nem hidrogenada.

E claro que eu sei que a expectativa de vida era bem mais baixa do que é hoje das doenças infecciosas matavam muito e eram uma praga. Vacinas também não existiam e nem os medicamentos que tem hoje.

Mas uma pegadinha que muita gente não sabe e que o calculo da expectativa de vida e baseado na taxa de mortalidade infantil que era muito mais alta nos tempos antigos. Por exemplo se num vilarejo nascem 100 pessoas e metade dessas morrem antes dos 5 anos e a outra metade vive ate os 90 anos entao a expectativa de vida é de 45 anos.

Uma pessoa de 50 anos no ano 100 era mais saudável do ponto de vista metabólico do que uma pessoa com 50 anos hoje? Qual a sua opinião?
 
Tem que comparar classes similares. Se for comparar um senador romano com um morador de rua de São Paulo, aí não bate.
Normalizando a questão do acesso. Hoje a questão da saúde (e nutrição) está muito mais avançada que em qualquer época.

Agora, é relevante pensar o por que, mesmo pra quem tem acesso a todo esse avanço, se opta por hábitos deletérios.
 
Iep. Sem falar na dificuldade de acesso à coisas que hoje são triviais como conservação de alimentos, logística que permite o acesso a vegetais frescos em praticamente qualquer lugar, cocção adequada para destruir patógenos, etc.

Fica bem claro quando se considera um recorte com pessoas de alto patrimônio e muito poder aquisitivo, o que não só é um bom proxy para representar o acesso a higiene, alimentação e recursos de saúde como também permite obter registros de maior qualidade quando não havia estatísticas formais para toda a população de determinada região. O artigo da wiki tem essa lista bem representativa com a expectativa de vida para homens da nobreza na Inglaterra que passaram dos 21 anos:

1200–1300: to age 64
1300–1400: to age 45 (because of the bubonic plague)
1400–1500: to age 69
1500–1550: to age 71
 
Mas uma pegadinha que muita gente não sabe e que o calculo da expectativa de vida e baseado na taxa de mortalidade infantil que era muito mais alta nos tempos antigos. Por exemplo se num vilarejo nascem 100 pessoas e metade dessas morrem antes dos 5 anos e a outra metade vive ate os 90 anos entao a expectativa de vida é de 45 anos.

Não é que é baseado na mortalidade infantil, mas sim que o cálculo leva em consideração a expectativa de vida ao nascer e, portanto, será afetada pela mortalidade infantil. E aí realmente uma elevada taxa de óbitos nos primeiros anos vai pesar bastante na redução da média.

Mas existem outros indicadores que podem nos mostrar que, na média, a situação contemporânea é melhor do que a das civilizações da antiguidade mesmo descontados os efeitos da mortalidade infantil, como a altura média (uma variável associada à qualidade e disponibilidade alimentar) e mesmo a expectativa de vida adulta (nesse caso as métricas disponíveis não remontam à antiguidade, mas dá para fazer um comparativo dos dois últimos séculos, por exemplo, para ter uma noção). Em ambos os quesitos a situação média da humanidade melhorou. Destaco média pois, como o Finarfin colocou, não dá para ficar comparando um senador romano com um morador de rua de hoje.

Curiosidade relacionada: o padrão alimentar da humanidade piorou à medida que transitamos de caçadores-coletores para as primeiras civilizações e o sedentarismo. Isso ocorreu pela redução da diversidade alimentar e pelo aumento no consumo de cereais. Isso levou a maior incidência de doenças inflamatórias ou degenerativas (como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares) e deficiências de vitaminas e minerais. Em virtude disso, reduziu-se a estatura média (e possivelmente até mesmo a expectativa de vida): homens tinham uma média em torno de 1,75m, e mulheres 1,65m enquanto caçadores-coletores; passando para 1,60m e 1,52m, respectivamente, nas primeiras civilizações. E só retornamos à estatura média da época pré-civilização por volta do século XVIII.

É claro que a compensação disso tudo foi maior disponibilidade energética, reduzindo a incerteza (e a variância) de caloriais associada ao nomadismo, o que permitiu alimentar mais bocas, promovendo a expansão humana pelo mundo.
 

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