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Capitalismo: Uma História de Amor (Capitalism: A Love Story, 2009)

Tópico em 'Cinema' iniciado por Ecthelion, 28 Jul 2010.

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Sua nota para o filme:

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  1. Ecthelion

    Ecthelion Mad

    Crítica: «Capitalismo: Uma História de Amor»

    26 Novembro 2009 Visto 2.173 vezes Escrito por: Diogo Alçada Tavares 6 Comentários
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    estreou-se no panorama cinematográfico documental em 1989 com
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    , cujo tema se centrava na sua cidade natal, Flint, no estado norte americano do Michigan, local onde nasceu uma das maiores empresas do mundo: a General Motors. Nesse filme, Moore esforça-se por compreender porque razão a empresa decide abandonar a cidade de Flint, tornando-a praticamente numa cidade fantasma, deixada ao abandono e à degradação. Vinte anos e cerca de sete documentários mais tarde, Michael Moore regressa a Flint, não para fazer um ‘remake’ da sua obra primogénita, mas para construir um documentário sólido, bem fundamentado, sobre as origens do capitalismo e a maneira desastrosa como os E.U.A. são dominados pelo corporativismo. Desta vez Flint é apenas um ponto de passagem, uma vez que Moore leva-nos numa viagem pelo país, e mostra-nos os epicentros mais importantes das corporações e os seus ‘podres’, que se repercutem não só a uma escala nacional, mas consequentemente a uma escala global.
    O filme de Moore não é algo de novo, e em termos narrativos não surpreende. Com isto não quero de todo dizer que o realizador desiludiu, ou que não soube providenciar o seu material. Muito pelo contrário, temos aquilo a que Moore nos habituou nos seus filmes para o bem ou para o mal: um documentário potente, emotivo, extremamente bem orquestrado, e capaz de abanar os alicerces do mais teimoso e convicto dos indivíduos. Moore entrega aquilo que pretende, e devo dizer, fá-lo de forma brilhante. Simplesmente não surpreende em termos narrativos por a sua linguagem ser semelhante de documentário para documentário. No entanto, Michael Moore não deixa de surpreender no campo do conteúdo. Qualquer tema que o realizador toque, torna-se num assunto de cultura geral, interessante e cativante. É incrível como a linguagem que utiliza, misturando elementos de ficção com elementos reais, e fazendo comparações históricas com acontecimentos actuais, traz uma dinâmica e um poder de comunicação com o espectador fora do normal.
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    Apesar de estar um pouco abaixo do nível de obras anteriores como
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    peca muito pouco. É óbvio que este tipo de documentário afecta o espectador de formas muito diferentes, sugerindo as mais diversas interpretações. Moore nunca se livrará do rótulo de manipulador, pretensioso, ou sensacionalista, é um facto. Mas de momento é o único realizador que se define como alguém que utiliza os meios que tem ao seu dispor em prol do activismo, unicamente através da sua câmara e do dom da palavra.
    Como indivíduos com vontade e pensamento próprio, simplesmente temos de analisar este filme de acordo com as nossas crenças pessoais, as nossas convicções, e a forma como os valores nos foram incutidos. Concordar ou não com o que Moore pretende com este filme, não pode ser considerado correcto ou incorrecto. Não podemos sequer aplicar valores morais ou éticos de qualquer espécie relativamente à nossa opinião do que é visto. O capitalismo para uma imensidão de pessoas continua a ser algo que funciona, assim como o socialismo, o comunismo, e muitos outros ‘ismos’. Cabe-nos a nós interpretar, e só aí, concluir as repercussões que algo tem na sociedade global. O que Moore nos mostra na sua viagem são os lucros de entidades corporativas em detrimento da pobreza e da humilhação do povo. Promessas são feitas, lavagens cerebrais através de campanhas politicas, e inclusivamente a subversão através de elementos tão inatos e pré-históricos como o medo. Meu Deus, eu nunca imaginei que pilotos de avião, com responsabilidade sobre centenas de vidas humanas, pudessem ter salários tão reduzidos que os obrigam a recorrer a pensão alimentar e a albergar dívidas de milhares de dólares em empréstimos e contas de cartão crédito apenas para subsistirem. Um funcionário do McDonald’s ganha anualmente tanto quanto muitos dos pilotos de avião de algumas companhias aéreas norte americanas.
    Michael Moore consegue focar bem as problemáticas que o sistema capitalista trouxe aos E.U.A., bem como as consequências para o resto do mundo, tendo em conta o grande poderio económico norte americano. Moore torna os assuntos políticos, que normalmente são complexos e pormenorizados, em nada mais nada menos que numa história simplificada, como se de uma fábula se tratasse, fundindo o lado do povo, elemento sofredor, e o lado corporativista, o elemento beneficiador. Inteligentemente, Moore identifica todos os personagens desta história, dando o papel de vilão e o papel de herói às entidades que assim considera merecedoras do titulo, como forma de interagir com o espectador. Parece um documentário dos estúdios da Disney, tradicional na sua execução, com objectivos definidos, e com uma posição firme a defender.
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    É precisamente neste ponto que Moore possui uma das maiores fraquezas no campo do documental: a manipulação. O realizador não é neutro e não está ali para brincadeiras. Michael Moore está ali para passar a mensagem, para conseguir introduzir a todo o custo a sua visão. Este será provavelmente o factor que faz com que Moore seja odiado ou adorado, e isto é, a sua posição relativamente a um tema.
    Quem nos diz que Moore não tocará num tema em que estejamos completamente da opinião oposta à sua? Talvez quando isso acontecer seremos nós a odiar Moore. Ou talvez apenas toque em assuntos que sabe serem controversos apenas para quem beneficia de algo a que não tem direito. De uma forma ou outra, Moore revela-se mais uma vez como um excelente profissional, um excelente pensador, com grande espírito de sacrifício, e um activista que luta pelos direitos do ser humano.
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    , é derradeiramente como o título indica, uma história de amor que começou de forma inocente, acabando na tragédia mais clássica: mentiras, abuso, traição, o que levou ao estado actual da economia principalmente nos E.U.A., e ao desinteresse pelo povo, entorpecido, manipulado, tornando as suas vidas dependentes e cada vez mais miseráveis por um sistema corrompido pela maior margem de lucro.
    NOTA:
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    O MELHOR:
    A narrativa dinâmica e clássica a que Michael Moore nos submete. Nada melhor que uma história de encantar para ficarmos ‘colados’ à tela. A qualidade do produto final em termos de montagem é impressionante. Torna um tema por vezes chato em algo interessante.
    O PIOR:
    Falta de neutralidade em Michael Moore. O filme é um pouco longo, estendendo-se desnecessariamente em alguns momentos. O tema pode ser aborrecido para muita gente, uma vez que não reconhecemos muitas das figuras políticas dos E.U.A. Moore deveria controlar algumas das suas técnicas de comunicação, pois podem facilmente confundir-se com pretensiosismo e manipulação.

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    Vocês viram esse último documentário do Michael Moore?
     
  2. Maari

    Maari Usuário

    Os documentários que o Michael Moore faz são incríveis. Não tem como não ficar pensando nos assuntos que ele aborda!

    De todos as histórias que ele já contou,
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    é a mais comovente. Por mais que seus filmes falem de assunto importantes de maneira provocativa e, as vezes, hilária, o drama dos pais que perderam seus filhos e o conflito com a indústria das armas de fogo é bastante tenso e doloroso. Esse é o melhor filme de Moore até agora!
     
  3. Hugo

    Hugo Hail to the Thief

    ...
     
  4. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Se é de Michael Moore é bom, eu vou assistir, quando puder.

    É bom o Sicko - SOS Saúde e o Tiros em Columbine
     
  5. Vëon

    Vëon Do you know what time it is?

    Eu gostei do filme, mais do que Sicko e Fahrenheit, mas não achei tão bom quanto Tiros em Columbine e Roger e Eu. Já faz um bom tempo que eu vi, mas lembro de uma parte que achei bem interessante, o então presidente Roanald Regan tava fazendo um discurso, e chegou o CEO do Merril Lynch e disse pra ele "you’ll have to speed it up" e ele se desculpou. :lol:

    Muita gente critica o Michael Moore por não ser imparcial, mas quem é? Inclusive acho que a graça e a razão dos documentários dele fazeram tanto sucesso é essa, as provocações, tiração de sarro e pelo fato de que ele tá do "nosso lado".
     
  6. Tonho Hammond

    Tonho Hammond Molusco

    Achei um filme muito bom, bem focado, mas acabou ficando no superficial, ele não conseguiu aprofundar a discussão para além daquela crise econômica americana.

    Agora, o último parágrafo do Hugo, discordo em gênero, número e grau, especialmente a última frase.
     
  7. Ecthelion

    Ecthelion Mad

    Ele estava sendo irônico, não?
     
  8. Pam EQA

    Pam EQA Usuário

    Gostei bastante, mto massa o tom irônico com o qual ele apresenta td, mas pra mim Sicko é a obra-prima dele.
     
  9. Hobbit Bonzinho

    Hobbit Bonzinho Usuário

    Eu tive a impressão que nesse aqui ele finalmente abandonou completamente a pretensão de estar fazendo um documentário né? pq isso é basicamente ele falando sobre a visão dele da sociedade, com algumas entrevistas aqui e ali.
    Bom, não sei se isso é muito apreciado por intelectuais acadêmicos, mas nesse ponto concordo com o Slavo Zizek: Esse tipo de coisa acaba tendendo a achar que os problemas são de moralidade. Que a culpa, no caso, é de uma meia dúzia de bandidos, e se nos livrarmos deles, as coisas seriam muito melhores. Isso é só pegar na superfície do capitalismo, e esse tipo de prática é o que valida o funcionamento do sistema, no final.
     
  10. Hugo

    Hugo Hail to the Thief

    Não estou dizendo que os banco brasileiros são bonzinhos. Mas em comparação com os americanos, são menos piores. E quando digo bancos, me refiro aqui a Banco do Brasil e CEF que tiveram atuação importante durante a crise econômica de 2009, no sentido de que no Brasil, a despeito do que a imprensa oficial e os economistas do naipe de Mirian Leitão e Mailson da Nóbrega previram, verificamos que foi mesmo uma marolinha, como o Lula previu ...
     
  11. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    É legal a parte em que ele vai prender os caras por roubarem o dinheiro dos contribuintes, e não estamos limpos nessa não, pois alguns dos bancos de lá existem também aqui, a parte dos meninos presos por fazerem nada que merecesse para serem presos (só por causa da corrupção de um juiz), das apólices de seguro em nome das empresas demonstra muito bem como é o capitalismo, que não é democracia, e a cara-de-pau dos caras dizerem que Wallstreet é um lugar sagrado.
     

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