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Capitalismo: Uma História de Amor (Capitalism: A Love Story, 2009)

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Crítica: «Capitalismo: Uma História de Amor»

26 Novembro 2009 Visto 2.173 vezes Escrito por: Diogo Alçada Tavares 6 Comentários
Michael Moore estreou-se no panorama cinematográfico documental em 1989 com Roger & Me, cujo tema se centrava na sua cidade natal, Flint, no estado norte americano do Michigan, local onde nasceu uma das maiores empresas do mundo: a General Motors. Nesse filme, Moore esforça-se por compreender porque razão a empresa decide abandonar a cidade de Flint, tornando-a praticamente numa cidade fantasma, deixada ao abandono e à degradação. Vinte anos e cerca de sete documentários mais tarde, Michael Moore regressa a Flint, não para fazer um ‘remake’ da sua obra primogénita, mas para construir um documentário sólido, bem fundamentado, sobre as origens do capitalismo e a maneira desastrosa como os E.U.A. são dominados pelo corporativismo. Desta vez Flint é apenas um ponto de passagem, uma vez que Moore leva-nos numa viagem pelo país, e mostra-nos os epicentros mais importantes das corporações e os seus ‘podres’, que se repercutem não só a uma escala nacional, mas consequentemente a uma escala global.
O filme de Moore não é algo de novo, e em termos narrativos não surpreende. Com isto não quero de todo dizer que o realizador desiludiu, ou que não soube providenciar o seu material. Muito pelo contrário, temos aquilo a que Moore nos habituou nos seus filmes para o bem ou para o mal: um documentário potente, emotivo, extremamente bem orquestrado, e capaz de abanar os alicerces do mais teimoso e convicto dos indivíduos. Moore entrega aquilo que pretende, e devo dizer, fá-lo de forma brilhante. Simplesmente não surpreende em termos narrativos por a sua linguagem ser semelhante de documentário para documentário. No entanto, Michael Moore não deixa de surpreender no campo do conteúdo. Qualquer tema que o realizador toque, torna-se num assunto de cultura geral, interessante e cativante. É incrível como a linguagem que utiliza, misturando elementos de ficção com elementos reais, e fazendo comparações históricas com acontecimentos actuais, traz uma dinâmica e um poder de comunicação com o espectador fora do normal.
Apesar de estar um pouco abaixo do nível de obras anteriores como Bowling for Columbine (2002), Fahrenheit 9/11 (2004), ou Sicko (2007), Capitalismo: Uma História de Amor peca muito pouco. É óbvio que este tipo de documentário afecta o espectador de formas muito diferentes, sugerindo as mais diversas interpretações. Moore nunca se livrará do rótulo de manipulador, pretensioso, ou sensacionalista, é um facto. Mas de momento é o único realizador que se define como alguém que utiliza os meios que tem ao seu dispor em prol do activismo, unicamente através da sua câmara e do dom da palavra.
Como indivíduos com vontade e pensamento próprio, simplesmente temos de analisar este filme de acordo com as nossas crenças pessoais, as nossas convicções, e a forma como os valores nos foram incutidos. Concordar ou não com o que Moore pretende com este filme, não pode ser considerado correcto ou incorrecto. Não podemos sequer aplicar valores morais ou éticos de qualquer espécie relativamente à nossa opinião do que é visto. O capitalismo para uma imensidão de pessoas continua a ser algo que funciona, assim como o socialismo, o comunismo, e muitos outros ‘ismos’. Cabe-nos a nós interpretar, e só aí, concluir as repercussões que algo tem na sociedade global. O que Moore nos mostra na sua viagem são os lucros de entidades corporativas em detrimento da pobreza e da humilhação do povo. Promessas são feitas, lavagens cerebrais através de campanhas politicas, e inclusivamente a subversão através de elementos tão inatos e pré-históricos como o medo. Meu Deus, eu nunca imaginei que pilotos de avião, com responsabilidade sobre centenas de vidas humanas, pudessem ter salários tão reduzidos que os obrigam a recorrer a pensão alimentar e a albergar dívidas de milhares de dólares em empréstimos e contas de cartão crédito apenas para subsistirem. Um funcionário do McDonald’s ganha anualmente tanto quanto muitos dos pilotos de avião de algumas companhias aéreas norte americanas.
Michael Moore consegue focar bem as problemáticas que o sistema capitalista trouxe aos E.U.A., bem como as consequências para o resto do mundo, tendo em conta o grande poderio económico norte americano. Moore torna os assuntos políticos, que normalmente são complexos e pormenorizados, em nada mais nada menos que numa história simplificada, como se de uma fábula se tratasse, fundindo o lado do povo, elemento sofredor, e o lado corporativista, o elemento beneficiador. Inteligentemente, Moore identifica todos os personagens desta história, dando o papel de vilão e o papel de herói às entidades que assim considera merecedoras do titulo, como forma de interagir com o espectador. Parece um documentário dos estúdios da Disney, tradicional na sua execução, com objectivos definidos, e com uma posição firme a defender.
É precisamente neste ponto que Moore possui uma das maiores fraquezas no campo do documental: a manipulação. O realizador não é neutro e não está ali para brincadeiras. Michael Moore está ali para passar a mensagem, para conseguir introduzir a todo o custo a sua visão. Este será provavelmente o factor que faz com que Moore seja odiado ou adorado, e isto é, a sua posição relativamente a um tema.
Quem nos diz que Moore não tocará num tema em que estejamos completamente da opinião oposta à sua? Talvez quando isso acontecer seremos nós a odiar Moore. Ou talvez apenas toque em assuntos que sabe serem controversos apenas para quem beneficia de algo a que não tem direito. De uma forma ou outra, Moore revela-se mais uma vez como um excelente profissional, um excelente pensador, com grande espírito de sacrifício, e um activista que luta pelos direitos do ser humano.
Capitalismo: Uma História de Amor, é derradeiramente como o título indica, uma história de amor que começou de forma inocente, acabando na tragédia mais clássica: mentiras, abuso, traição, o que levou ao estado actual da economia principalmente nos E.U.A., e ao desinteresse pelo povo, entorpecido, manipulado, tornando as suas vidas dependentes e cada vez mais miseráveis por um sistema corrompido pela maior margem de lucro.
NOTA:
O MELHOR:
A narrativa dinâmica e clássica a que Michael Moore nos submete. Nada melhor que uma história de encantar para ficarmos ‘colados’ à tela. A qualidade do produto final em termos de montagem é impressionante. Torna um tema por vezes chato em algo interessante.
O PIOR:
Falta de neutralidade em Michael Moore. O filme é um pouco longo, estendendo-se desnecessariamente em alguns momentos. O tema pode ser aborrecido para muita gente, uma vez que não reconhecemos muitas das figuras políticas dos E.U.A. Moore deveria controlar algumas das suas técnicas de comunicação, pois podem facilmente confundir-se com pretensiosismo e manipulação.

http://www.ante-cinema.com/2009/11/critica-«capitalismo-uma-historia-de-amor»/

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Vocês viram esse último documentário do Michael Moore?
 

Maari

Usuário
Os documentários que o Michael Moore faz são incríveis. Não tem como não ficar pensando nos assuntos que ele aborda!

De todos as histórias que ele já contou, Tiros em Columbine é a mais comovente. Por mais que seus filmes falem de assunto importantes de maneira provocativa e, as vezes, hilária, o drama dos pais que perderam seus filhos e o conflito com a indústria das armas de fogo é bastante tenso e doloroso. Esse é o melhor filme de Moore até agora!
 

Hugo

Hail to the Thief
De um post que escrevi para um blog disse:
Daí, lá fui eu assistir um filme, na verdade um documentário, “Capitalismo: Uma História de Amor”, do polêmico Michael Moore. Falarei um pouco do diretor agora, que ficou famoso com seus documentários premiados em festivais e tudo mais: “Roger e Eu” (1989), “Tiros em Columbine” (2002), “Fahrenheit 11 de Setembro” (2004), S.O.S Saúde (2007). O cara é idolatrado por uns, odiado por outros, que dizem que ele é sensacionalista, manipulador, gosta de aparecer, mas independente do julgamento da pessoa dele, considero válido o seu trabalho, por levar para o grande público e para a grande mídia, assuntos que devem ser pensados e debatidos por todos.

Agora voltando ao doc, resumir 2 horas de um documentário, que te bombardeia a todo minuto com várias informações, é tarefa difícil, ainda mais tendo que economizar linhas, para os leitores não reclamarem do tamanho do texto. Mas um objetivo claro do doc é procurar as razões que causaram o colapso financeiro de 2008. E para buscar essa resposta, o diretor começa fazendo um apanhado histórico muito interessante. A comparação inicial, do império dos EUA, com o império Romano é bastante pertinente. Daí Moore já parte para o ataque, mostrando as vergonhosas ações de despejo das pessoas que não conseguiram pagar as hipotecas de suas casas e como os chamados “abutres”, ganham dinheiro comprando dos bancos a preço baixo, as casas que foram tomadas, para depois venderem lucrando. E convenhamos que essa situação é um prato feito para desmoralizar o capitalismo, esse mundo cão, em que o lucro está acima de tudo e vale até se aproveitar da desgraça alheia. Esse último detalhe aliás, é o que vemos em destaque no doc e me causou muita revolta. É mostrado uma prática sórdida que várias empresas americanas utilizam (ou utilizaram) para aumentar ainda mais os seus ganhos. Elas faziam seguros de vida para todos os seus funcionários, sem que os mesmos soubessem, colocando como beneficiária a própria empresa. Fica difícil acreditar que empresas conceituadas que foram citadas no doc, como Nestlé e Wall-Mart, se utilizavam destes expedientes. Em um caso mostrado, de uma funcionária desta última empresa que citei, a apólice era de 86 mil dólares e o marido da funci que morreu, não recebeu nenhuma ajuda da empresa, com os gastos hospitalares e funerários. E por fim, na última parte do doc, é mostrado e explicado em detalhes o esquema que foi armado por executivos de bancos de Wall Street, para ser aprovado em caráter de urgência no congresso americano, um pacote de 750 milhões de ajuda financeira aos bancos, sob o pretexto de que se não fosse feito, poderia causar um recessão sem precedentes na economia americana (e mundial). O ex-presidente Bush, que é alvo fácil do diretor, inclusive nos filmes anteriores dele, tem participação fundamental no esquema. E o resultado: os altos executivos dos bancos receberam boa parte desse dinheiro, uma espécie de PLR, as custas do contribuinte americano. Esse fato, gerou uma atitude inusitada de Moore, que arrumou um carro-forte e seguiu para vários bancos, com o objetivo de buscar o dinheiro que pertencia ao Tesouro Nacional do país, que fora “roubado” por eles. O que pode parecer uma atitude ridícula, mas na verdade só mostra o absurdo da situação.

Essas histórias de teorias de conspiração, de jogo de interesses, de negociatas, que a gente vê nos filmes, ouve falar, imagina, enfim, é complicado afirmar se ocorreram ou não, mas eu tento analisar os fatos, e os que são mostrados no doc são bastante contundentes. Podem acusar o documentarista de ser um tanto parcial em seus julgamentos, mas as imagens mostradas valem mais do que mil palavras e elas são bem fortes.

Agora fico feliz que pelo menos no Brasil, as situações desumanas e imorais mostradas no doc, que ocorreram nos EUA, ainda não chegaram neste ponto. Os Bancos aqui não utilizam diretamente o dinheiro público para saírem de crises econômicas, que os próprios ajudam a criar (Wall Street, principalmente). Pelo contrário, eles contribuem para sairmos delas.
...
 

Vëon

Do you know what time it is?
Eu gostei do filme, mais do que Sicko e Fahrenheit, mas não achei tão bom quanto Tiros em Columbine e Roger e Eu. Já faz um bom tempo que eu vi, mas lembro de uma parte que achei bem interessante, o então presidente Roanald Regan tava fazendo um discurso, e chegou o CEO do Merril Lynch e disse pra ele "you’ll have to speed it up" e ele se desculpou. :lol:

Muita gente critica o Michael Moore por não ser imparcial, mas quem é? Inclusive acho que a graça e a razão dos documentários dele fazeram tanto sucesso é essa, as provocações, tiração de sarro e pelo fato de que ele tá do "nosso lado".
 
Achei um filme muito bom, bem focado, mas acabou ficando no superficial, ele não conseguiu aprofundar a discussão para além daquela crise econômica americana.

Agora, o último parágrafo do Hugo, discordo em gênero, número e grau, especialmente a última frase.
 

Pam EQA

Usuário
Gostei bastante, mto massa o tom irônico com o qual ele apresenta td, mas pra mim Sicko é a obra-prima dele.
 
Eu tive a impressão que nesse aqui ele finalmente abandonou completamente a pretensão de estar fazendo um documentário né? pq isso é basicamente ele falando sobre a visão dele da sociedade, com algumas entrevistas aqui e ali.
Bom, não sei se isso é muito apreciado por intelectuais acadêmicos, mas nesse ponto concordo com o Slavo Zizek: Esse tipo de coisa acaba tendendo a achar que os problemas são de moralidade. Que a culpa, no caso, é de uma meia dúzia de bandidos, e se nos livrarmos deles, as coisas seriam muito melhores. Isso é só pegar na superfície do capitalismo, e esse tipo de prática é o que valida o funcionamento do sistema, no final.
 

Hugo

Hail to the Thief
Agora, o último parágrafo do Hugo, discordo em gênero, número e grau, especialmente a última frase.
Ele estava sendo irônico, não?
Não estou dizendo que os banco brasileiros são bonzinhos. Mas em comparação com os americanos, são menos piores. E quando digo bancos, me refiro aqui a Banco do Brasil e CEF que tiveram atuação importante durante a crise econômica de 2009, no sentido de que no Brasil, a despeito do que a imprensa oficial e os economistas do naipe de Mirian Leitão e Mailson da Nóbrega previram, verificamos que foi mesmo uma marolinha, como o Lula previu ...
 

Morfindel Werwulf Rúnarmo

Geofísico entende de terremoto
É legal a parte em que ele vai prender os caras por roubarem o dinheiro dos contribuintes, e não estamos limpos nessa não, pois alguns dos bancos de lá existem também aqui, a parte dos meninos presos por fazerem nada que merecesse para serem presos (só por causa da corrupção de um juiz), das apólices de seguro em nome das empresas demonstra muito bem como é o capitalismo, que não é democracia, e a cara-de-pau dos caras dizerem que Wallstreet é um lugar sagrado.
 

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