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Asas dos Balrogs

Balrogs Tinham asas

  • SIM

    Votos: 78 47,9%
  • NÃO

    Votos: 70 42,9%
  • ALGUNS

    Votos: 15 9,2%

  • Total de votantes
    163

Gerbur Forja-Quente

Defensor do Povo de Durin
Indo para uma referência bem mais rasa, superficial e nada canônica ou filósofica:

No jogo de PC Battle for Middle-Earth você pode conjurar o Balrog. Ele é idêntico ao do filme: gigante, pesado e com asas.

Ele não voa, mas plana. Da grandes saltos e plana bem longe. Dado o peso dele, a densidade dele, no jogo fica bem crível esses saltos planados que ele dá.

Quem jogou pode ter uma idéia boa de uma possibilidade de Balrog.
 

Paganus

Judeu macumbeiro
Paganus, seus textos, suas explicações teológicas são fodas!

Tiro meu chapéu!

Muito boas de ler. 👏🏻👏🏻👏🏻
Arre, não faço isso mais não. D'us me defenderay de teologia!

Falando sério, as explicações do leendarium são teológicas, são tributárias do modo de pensar cristão, então, não tem como fugir disso, por mais que a gente pegue as referências filosóficas e trabalhe com elas. Para Tolkien, por exemplo, o mito de Melkor e sua queda faz todo o sentido. Já para a Cabalá, não.

A Cabalá trabalha um conceito de 'Queda' que não é moral nem atribuído a um único agente luciferiano: é o processo objetivo, impessoal e inevitável da Manifestação. Quando o Ein Sof manifesta o mundo através do esvaziamento de Si (contração, tsim) e preenchimento dos vasos (expulsão, tsum), o faz através de uma série de símiles e especializações, 'D'uses menores' ou máscaras, Elohim que mediam as diversas fases de descenso e é a partir deles que as fases ascensionais progridem, mas há limites. O Ein Sof, segundo a Cabalá luriânica, não é atingível pelo intelecto, pode no máximo ser contemplado por analogia negativa, o máximo que se pode chegar misticamente é à sefirá oculta, Daath, o conhecimento, que está logo abaixo da primeira Sefirá, Kêther, a Coroa.

Isso significa que a única 'teologia' possível a partir dos textos originais é um estudo desses 'Elohim' menores que o Infinito 'expele', reflete e que são os canais para retornar a Ele, ou a uma sombra dele (a copa da Etz Chaim, a Árvore da Vida): primeiro o Adam Kadmon, o Homem Primordial, depois, o braço de Adam na manifestação, a sua destra, Elohim, a Força das Forças, que guia Israel para fora do Egito e lhes outorga a Torá. Mas em última instância, Elohim é apenas uma das forças divinas no mundo (embora seja a fonte original), então podemos falar de teologia dessa força no mesmo sentido que podemos falar de teologia platônica, egípcia, iorubá etc.
 

Ilmarinen

Usuário
Para a galera dos antiasistas um bom texto que explica melhor os dois pontos de vista e seus respectivos argumentos, sendo o próprio autor contrário à noção dos balrogs terem asas.


Em tempo: é indubitavelmente "canônico", sim, que os balrogs não tinham asas até antes da redação definitiva do SdA no final dos anos 40. Parece que teve gente que entendeu o imbróglio de forma meio trocada.

A questão da dúvida é pertinente aos textos redigidos daí pra frente, incluindo a versão publicada do romance.

A recorrência de terminologia alusiva, ainda que ambiguamente, a asas ou a vôo nesses textos sugere que a dubiedade da linguagem empregada é proposital pq Tolkien queria eliminar referências explícitas que remetessem aos demônios judaico-cristãos motivo que o teria feito evitar usar o termo demônio no SdA.

Justificativa pra isso? Carta 142:


The Lord of the Rings was a fundamentally religious and Catholic work, explains Tolkien. He had deliberately excluded almost all references to "religion" . The religious element was absorbed into the story and the symbolism, which Tolkien said sounded too self-important for he had consciously planned very little. He had been raised since age eight in a nourishing Faith which he owed to his mother, who clung to her conversion and died young from the poverty resulting from it. He had not been nourished by English Literature which had nothing upon which to rest his heart or head.
Abaixo: discussão mais detalhada sobre essa idiossincrasia que o Tolkien tinha de parecer querer assoviar e chupar cana ao mesmo tempo no tocante a esse e outros assuntos.



Outra coisa: mesmo que os Balrogs fossem similares às galinhas e suas asas nunca tivessem sido ou não pudessem mais ser usadas pra voar ( coisa que, como disse o Paganus, aconteceu com certos seres do Lovecraft) elas ainda seriam úteis como membros extras e apêndices de ataque e defesa sendo, se grandes como pareciam ser, formas capazes de agir como escudo ou camuflagem, especialmente se dessem origem aos mantos de escuridão no qual os valaraukar se embuçavam. Se os tais mantos tinham uma propriedade elástica e semi-tangível, dado o fato deles bloquearem a luz, parece possível que eles dessem a impressão de se confundirem com as asas, funcionando como prolongamento mimético delas e fazendo-as parecer maiores do que eram, daí as asas " se estenderem de parede a parede"

E tanto os mantos de escuridão quanto as asas, reais ou metafóricas, são adições tardias do SdA para frente e estão diretamente correlacionados, talvez remetendo à treva com atributos positivos de matéria que se espalhava "num tatalar de asas membranosas" observadas no Cthulhu do Lovecraf, apresentado num conto publicado vinte e um anos antes do término da redação do SdA em 1949 e 26 anos antes de sua publicação, o célebre Chamado de Cthulhu (escrito em 1926, publicado em 1928).

Vamos ressaltar, também, que existe a possibilidade de que alguns balrogs fossem alados e outros não como aparecia nos demônios do Inferno de Dante como ilustrado pelo Gustave Dore. Os tais, de quebra, tb brandem os famosos chicotes e podem ter influenciado a iconografia tardia dos balrogs que, sublinhe-se, só ganharam o status de maiar rebeldes e, portanto, de verdadeiros demônios, durante a escrita do SdA.

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Eriadan

Usuário
Usuário Premium
Eu mudei de todo a minha opinião antiga, e não tenho mais dúvidas: o balrog (ao menos o de Moria) definitivamente tinha asas. Todos os argumentos dos antiasistas (adorei :rofl:) são bem rebatidos, e para os argumentos pró ainda não vi uma réplica convincente. Quase sempre os ignoram e insistem nos mesmos que já foram rebatidos.
 

Béla van Tesma

Blood-sucker
Taí uma coisa boa pra se descobrir numa sessão espírita.
Muito melhor que ficar escrevendo aqueles livros ruins do Victor Hugo, ou o Parnaso de Além-Túmulo, poderiam logo perguntar ao espírito do Tolkien se essa naba de bicho tinha asa e se voava.
 

Ilmarinen

Usuário
Essa pra mim é a única que continua aberta. :lol: Diria que não. Não o de Moria pelo menos.
Concordo.

E esse célebre e aterrorizante personagem aí embaixo é, ao lado do Cthulhu, mais um da estirpe dos que, embora alados, não voavam no canon das obras que os consagraram...

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Ele dava até uma piadinha.... A montaria Nightmare dele não era alada mas voava...

Já o Vingador tinha asas mas não voava... Aparentemente.... Suscitando a indagação:

Quem carregava quem? :lol: :fones::think:

O que praticamente ninguém duvida, presumo eu, é do fato de que ele fica mais aterrador e imponente assim.

Tb dá conectividade com a noção de que o Vingador é um tipo de "anjo caído" do universo do Caverna do Dragão, sendo filho do Mestre dos Magos como discutido aí nesse texto:


Já esse aí embaixo é o balrog ( futuro balor) do jogo original de Dungeons and Dragons (reparem em como ele foi a inspiração pro design do Balrog do filme animado do Ralph Bakshi). O nome original foi mudado por conta do Tolkien Estate reivindicar que o nome era copyrighted.


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