1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

"As Visitas que Hoje Estamos" (Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira)

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por Ana Lovejoy, 5 Mar 2013.

  1. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    Entoncis, parece ser o nome do momento, heim.

    Morador do interior de Minas surpreende com romance de estreia ambicioso

    Vem de Arceburgo, cidade mineira de quase dez mil habitantes e nenhuma livraria, uma das grandes surpresas da literatura brasileira nos últimos anos.

    Na biblioteca de uma casa no centro da cidade, perto de uma igreja e de uma praça, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira dedicou-se nos últimos dez anos, quase sempre pelas manhãs, após uma reforçada xícara de café, a escrever o seu primeiro romance.

    "As Visitas que Hoje Estamos" foi publicado pela editora Iluminuras, no final do ano passado, com pouco alarde.

    Do ponto de vista comercial, o livro não inspirava um cenário dos mais animadores: o título é estranho, o autor é desconhecido, tem quase 500 páginas, dezenas de narradores e mistura vários gêneros -romance, poesia, teatro, aforismo e conto.

    Mas, desde que o professor de teoria literária da PUC Luiz Costa Lima publicou uma resenha elogiosa sobre o livro no jornal "Valor Econômico", em janeiro, o trabalho de Ferreira atraiu a atenção e recebeu palavras de louvor de críticos e artistas.

    O texto de Costa Lima tinha o título "Uma grande surpresa". Trocando em miúdos, defende que o livro traz uma linguagem rural inédita na literatura brasileira, diferente tanto da tendência naturalista quanto dos experimentalismos de Guimarães Rosa.

    "Fiquei muito impressionado", disse o professor à Folha. "E também curioso. Ele mora no interior, numa cidade da qual nunca ouvi falar. Qual é mesmo o nome?"

    Arceburgo fica a quase 290 km de São Paulo. Parece a típica imagem de uma cidade mineira: tranquila, com ruas de paralelepípedo, igreja vistosa, festas religiosas e repleta de "causos".
    Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, 47, nasceu na vizinha Mococa (SP), mas desde a adolescência frequentava Arceburgo. Há quase 30 anos, na festa de São João, conheceu Ana Lúcia, sua futura mulher.

    De Mococa, ele saltou para São Paulo quando passou no curso de letras da USP. Tudo levava a crer que teria uma carreira no mundo acadêmico, mas decidiu abandonar o mestrado e São Paulo.

    "O ambiente acadêmico e a própria cidade estavam desagradáveis. Eu gosto de sossego", conta ele, em sua biblioteca de 7.000 livros.

    MACHADO E GUIMARÃES

    Em 1994 casou-se com Ana, mudou-se para Arceburgo e virou comerciante. O ganha-pão do casal vem da papelaria Lojinha 7 e da loja de roupas Yog. A casa em que moram fica exatamente no meio das duas lojas.

    "Vim para não fazer nada, mas nem isso mais é possível hoje em dia", diz ele. Nos dois primeiros anos ele bem tentou, mas a vontade de escrever foi surgindo, aos poucos.

    De fato vagarosamente. O primeiro livro, a coletânea de poemas "Peixe e Míngua", saiu em 2003. O segundo, "As Visitas que Hoje Estamos", tomou-lhe dez anos. As longas gestações são resultado da ausência de pressa e da enorme ambição de Ferreira.

    "Vamos pensar nos nossos dois grandes nomes. Machado de Assis escreveu sobre o Brasil urbano. Guimarães Rosa, sobre o Brasil rural. Acho que faltava abordar de que forma a cidade e o campo se confluíram para a formação do país. Esse era meu objetivo com esse romance", diz.

    A ideia nasceu, em parte, da própria trajetória de Ferreira, de São Paulo para Arceburgo. O romance não traz propriamente um enredo. É composto por vários relatos, narrados por diversos personagens. Muitos nasceram de histórias que ouviu de clientes de suas lojas.

    Há no livro, por exemplo, uma velha às vésperas da morte, um escritor comentando o próprio trabalho, um suicida. Todos deslocados em seu próprios meios.

    "O título do livro se refere a isso", explica. "'Estar visita' evoca uma situação desconfortável, de não se identificar com lugar algum."

    Ferreira, por sua parte, segue satisfeito com sua Arceburgo. Pelas manhãs, ele já escreve o próximo romance. Com muita ambição e pouca pressa, como de costume.

    fonte:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
     
    • Gostei! Gostei! x 4
  2. Sejong

    Sejong Óculos Torto

    Eu acho que existem romances dramáticos em excesso na literatura brasileira, assim como na russa e na portuguesa. Queria que mais autores nacionais "arriscassem" na fantasia, ficção-científica, suspense e terror. Inovação, acho que este termo definirá o futuro do mundo literário tanto aqui como no exterior. Eu venho pensando em como criar um novo gênero literário, e uma resposta óbvia me saltou aos olhos: "ação"! Mas não é algo que, ao contrário do que poderia parecer, seria algo raso de conteúdo ou conhecimento, no entanto, é preciso inovar. A literatura brasileira precisa inovar. Eu ainda não conhecia este Antonio Geraldo, nem li nada dele por enquanto, então não teria fundamento nenhuma crítica minha quanto a obra dele, mas sem querer ser taxativo, aposto que apesar da inovação do sincretismo narrativo, a temática e personagens são similares à todos os outros personagens dramáticos. Sem querer irritar nenhum fã do gênero, mas acho uma pena este "monólogo" de dramas e mais dramas na literatura latina e russa.
     
    • Péssimo Péssimo x 2
  3. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Tudo que eu li aí foi "blah blah blah whiskas sachê". Ninguém espera que você concorde com os argumentos de todo mundo nem com as opiniões da massa que se envolve com a literatura, mas tampouco é possível levar a sério seus argumentos - soam como Armond White falando de cinema. Faz julgamentos a priori, desconhece a realidade da literatura brasileira contemporânea, não se dá ao trabalho de entender a evolução do gênero do Romance seja no Brasil como no Exterior... alguém argumentaria, "e para gostar de literatura/ler é preciso saber disso?" Eu diria que não necessariamente, mas se você quer fazer uma declaração séria sobre o assunto, precisa saber primeiro do que está falando pra não soar ingênuo. No mais, boa sorte e procure ter a mente aberta.
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  4. Calib

    Calib Visitante

    Não alimentem os trolls.

    :callas:
     
    • Gostei! Gostei! x 4
  5. Elriowiel Aranel

    Elriowiel Aranel Usuário

    Eu fiquei sinceramente curiosa sobre esse livro, "As Visitas que Hoje Estamos". Mais um que colocarei na minha já imensa lista de futuras leituras...
     
  6. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Também fiquei curioso, mas já vi que não lê-lo tão cedo.

    Estante para curiosidades que (talvez) eu leia:
    - Barba Ensopada de Sangue
    - K.
    - As Visitas que Hoje Estamos :(
     
  7. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Antes de terminar de ler a matéria, eu já estava interessada no livro. Motivo? Gostei dos hábitos do escritor. Ele queria sossego exterior porque o interior, aparentemente, ele só consegue por meio da escrita.

    O que chamou muito a minha atenção, na matéria, foi isto aqui, ó:

    Ainda não posso falar nada concreto sobre o livro, mas, a partir dessa informação, parece que a escrita do Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira dialoga com a crônica. Gosto da ideia de registrar, a partir de uma elaboração estética característica da ficção, as histórias que ouvimos no dia-a-dia, porque muitas delas já nascem literatura. Trabalhei, por seis anos, em um lugar no qual eu tinha contato com um grande fluxo de pessoas. E as histórias que eu ouvia eram fascinantes, emocionantes, tristes, enfim, exalavam intensidade. Uma das histórias mais marcantes que ouvi foi a de uma mãe que, ao ter uma filha com paralisia cerebral, fez o curso de técnica em enfermagem para poder cuidar da filha. Ela viveu por seis anos. E a mãe se lembra de cada detalhe da rotina da filha.
     
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  8. Arringa Hrívë

    Arringa Hrívë um papo e um bom chimarrão... Usuário Premium

    Fui conquista e a curiosidade aguçada quanto ao livro por essas duas passagens:
    Me identifiquei. Sossego... :amor:
    Primeiro, é a visão de uma pessoa que vive no interior, gosta disso, e não vive sem isso. Quem já morou, mora ou vai vez por onde para o interior, percebe o quanto é extraordinária a diferença de ideias e formas de pensar que há entre meio urbano e meio rural. O próprio desconhecimento daqueles que vivem na cidade quanto ao que realmente é morar no interior, como se passa a vida e etc. Pra muitos, interior é viver a plantar aipim e batatas, cuidar de animais, viver no mato, ver o nascer e o pôr do sol, ter o capim na boca (manias) e ter aquela vida pacata (deliciosa). Em parte é isso mesmo, mas não pra todos... rsrsrs

    Enfim, sem desviar. É incrível, por exemplo, a visão de mundo que muitos tem, e como as histórias cotidianas fazem parte de um todo. Ninguém vive num mundinho Trabalho>Casa>Família (o que é um saco, as vezes), vive a comunidade, fulano sabe de ciclano e de beltrano. "Vizinhos existem", e por consequência todo dia é um conto, vira história, a história vira lenda... É o charme do interior (também a praga, convenhamos).
     
    • Ótimo Ótimo x 2
  9. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Eu tbm me identifiquei muito logo que vi sobre esse desejo de sossego do autor... De uns tempos pra cá, me tem batido uma vontade enorme de sair da cidade, dessa confusão e agitação toda, e ir morar num lugar pacato calmo e bonito do interior.
    O livro tbm entrou na minha lista de interesses.
     
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  10. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Tem uma entrevista com o autor lá no Rascunho, bem legal:

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    Achei-o bastante lúcido. Às vezes penso que pro cara se destacar um pouquinho que seja no cenário literário atual basta uma dose de lucidez. Não precisa nem ser de qualidade; um pouco de lucidez tá bom.

    Gostei dessas passagens aqui:

    Não coloquei a resposta em que ele cita o poema da ceifeira do Pessoa, mas gostei também da resposta que ele deu.
     
    • Gostei! Gostei! x 2
  11. Melian

    Melian Período composto por insubordinação.

    Mavz, a pessoa que tem a assinatura mais linda deste fórum, ressaltou a lucidez do Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira. Concordo. E gosto. Adoro, também, o título do livro, gente. Amo títulos. Sou uma colecionadora de títulos. As visitas que hoje estamos tem um desvio semântico lindo, do tipo, algo de transgressor, e, se não houver transgressão, não há literatura.
     
    • Gostei! Gostei! x 1

Compartilhar