1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

50 verbetes para um dicionário de literatura brasileira, por Drummond

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Calib, 14 Fev 2016.

  1. Calib

    Calib Visitante

    50 verbetes para um dicionário de literatura brasileira, por Drummond
    Publicado em
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    por
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)



    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)

    Publicado em 15/08/52 no Comício, semanário criado por Rubem Braga, Joel Silveira e Rafael Corrêa de Oliveira.

    *

    ACADEMIA – Instituição que distribui prêmios de quatro mil cruzeiros, sujeito a desconto, não convindo por isso ser atacada, embora também não seja distinto elogiá-la publicamente.

    ADMIRAÇÃO – Fenômeno peculiar à adolescência, como as espinhas e a muda de voz, desaparece de uma hora para outra ou se converte em auto-admiração.

    AMIGO – Escritor de muito talento, até segunda ordem.

    ANTOLOGIA – Espécie de ônibus ou lotação, recomendável para a estreia do literato que tenha pressa de chegar à posteridade.

    ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES – Partido pró ou contra alguma coisa alheia à classe dos escritores.

    ATAQUE – Maneira explosiva de conseguir que sejamos notados e mesmo respeitados, se praticada habilmente.

    BAR – Lugar onde as pessoas de talento continuam a tê-lo, e as que não o têm o adquirem provisoriamente, desde que não falem.

    BIBLIOTECA – Lugar de passagem; seguido do adjetivo Nacional, não costuma ser frequentado.

    CAFÉ – Sítio mitológico onde os antigos se reuniam para ler seus escritos e ouvir com resignação os do próximo.

    CARTA – Instrumento de comunicação em desuso pelos seus inconvenientes; o destinatário a divulgava caído ou averbava no Registro de Títulos, para oprimir o remetente.

    COLOFÃO – Inscrição para certificar ao leitor, em certas obras, que tudo tem limite.

    CONFERÊNCIA – Ato a que se chega atrasado e do qual se sai antes de terminar, causando irritação e inveja ao conferencista.

    CONTO – Narrativa em que deve acontecer alguma coisa ou nada, conforme seja o autor partidário do clube Maupassant ou do clube Mansfield; no segundo caso, também chamadaconversa mole.

    DEDICATÓRIA – Letra promissória de valor indeterminado, cujo resgate pode deixar de ser feito sem dano para o crédito do emitente.

    DIÁRIO – Livro ou caderno de pelo menos 200 páginas, onde se escreve debaixo do segredo aquilo que se deseja levar ao conhecimento de todo mundo.

    DIREITO AUTORAL – Direito que assiste ao autor de editar-se à própria custa.

    ECOLÓGICO – Diz-se do romance que tenha mais cheiro de terra do que estilo. Variante: telúrico.

    EDITOR – Indivíduo mesquinho e destituído de imaginação, que recusou os nossos originais.

    ELOGIO – Vide gazua, maconha e compromisso.

    ESCRITOR – Entidade indefinível; em caso de emergência, aquele que escreveu um bilhete, ou poderia tê-lo escrito.

    EX-LIBRIS – Artifício com que o dono de um livro se torna um pouco seu autor, colaborando numa página.

    EXISTENCIALISTA – Menor cuidadosamente despenteada, com ou sem franja na testa, que cultiva o complexo de Eletra das 17 às 19 horas no bar, e mais tarde na boate; seus autores de cabeceira são Heidegger, Jean Marais, Sartre e Prevert-Kosma.

    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)


    GERAÇÃO – Maneira coletiva e rotativa de ter talento; há casos de indivíduos que mudam de geração.

    GLÓRIA – Faculdade de conceder autógrafos durante a conferência ou a exposição, sem ser o conferencista ou o pintor.

    HERMETISMO – Resultado imprevisto e feliz da pobreza de vocabulário.

    ILUSTRADOR – Desenhista que se abstém de ler o poema ou o conto, a fim de melhor interpretá-lo.

    KAFKA – Escritor tcheco, imitador de alguns escritores brasileiros.

    LEITURA – Vício secreto; a higiene mental o proscreve como nocivo à carreira literária.

    LIVRARIA – Lugar onde as moças sem namorado vão comprar romances antes de partir em férias.

    MEMÓRIAS – Aplicação da capacidade de mentir, pela sua conversão em prazer e renda.

    MENSAGEM – Conteúdo de uma obra literária, que afina com a nossa convicção ou tendência, ou que simplesmente lhe atribuímos num momento de irreflexão.

    MESTRE – Designação satírica que infunde à vítima certo prazer.

    MÉTRICA – Arte de fazer passar pelos dedos o que não entrou espontaneamente pela orelha.

    NOVO – Indivíduo de idade indeterminada, que fala mal dos outros de certa idade.

    ORELHA – Dizeres na borda da capa de um livro, que dispensam a leitura dele; não devem ser grandes.

    POETA DO POVO – Indivíduo encarregado de evitar que o povo goste de poesia.

    PREFÁCIO – Texto laudatório assinado por um amigo do autor, e ultimamente substituído pela orelha (vide este nome), de autoria do próprio escritor.

    PROVÍNCIA – Terra assaz deliciosa, depois que o natural da mesma se mudou para o Rio.

    QUARENTA E CINCO – Número cabalístico, que esconjura os maus espíritos e habilita ao conhecimento de T. S. Eliot.

    REVISOR – Autor de algumas das melhores páginas da literatura brasileira.

    REVISTA – Peça de artilharia grossa, para conquista de posição ou situação literária; provida de entranhas humanas, padece às vezes de comoção intestina.

    RIMA – Repetição de som no fim de dois ou mais versos, produzindo efeito desagradável em nossos poemas; recurso vil nos dos outros.

    ROMANCISTA DO POVO – Técnico em palavrões.

    SONETO – Pedra de toque do poeta; usa-se atualmente o shakespeariano, quer na disposição formal quer nos costumes.

    SUPLEMENTO LITERÁRIO – Ajuntamento lícito ou ilícito de escritores, conforme fazemos ou não parte dele.

    TRADUTOR – Indivíduo paciente, que manipula duas ou mais línguas, para não ser autor em nenhuma.

    TRINTA – Irmão pobre de vinte e dois.

    UÍSQUE – Designação geral de uma série de autores escoceses, de conhecimento e cultivo obrigatório para uma boa reputação literária; os escritores norte-americanos do mesmo gênero não são muito manuseados.

    VELHO – Indivíduo que, mesmo usando óculos bifocais, não enxerga a nossa grandeza.

    VINTE E DOIS – Tigre, na classificação do Barão de Drummond; palhaço, no consenso da nova geração.

    Fonte:
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
     
    • LOL LOL x 2
    • Ótimo Ótimo x 1
    • Gostei! Gostei! x 1
  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Me chamou a atenção que o efeito de humor dado pelo foco na honestidade crua me lembra um pouco do estilo do Analista de Bagé. :D
     
    • LOL LOL x 1
  3. GibsonNascimento

    GibsonNascimento Eterno Mestre e Aprendiz...

    Muito bom, obrigado por compartilhar..
     
    • Gostei! Gostei! x 1
  4. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Bacana, parece o Dicionário do Diabo, do Ambrose Bierce.

    Não entendi alguns e fiquei bem curiosa com esses dois:

    Alguém sabe o que significam?
     
  5. Calib

    Calib Visitante

    Acho que se refere à Geração de 45, e os maus espíritos aí seriam os da Geração de 30 (definido por ele como "Irmão pobre de 22"). A referência ao T. S. Eliot o @Mavericco há de matar pra nós. :lol:

    Sobre o Kafka... também queria saber. Duvido que o Kafka sequer tenha lido algum brasileiro na vida.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  6. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Ou ele está ironizando alguém que imitou Kafka?
     
  7. Calib

    Calib Visitante

    Oh bem, é possível:

     
    • Ótimo Ótimo x 1
  8. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Os caras da geração de 45 eram bem fissurados em Eliot, e muitos deles foram os primeiros a trazer a obra do Eliot em peso pra cá. Tem também o lance de que a guinada classicizante, intensificando o teor metafísico, que a poesia do Eliot operou na década de 40 (como de modo geral a poesia como um todo) impactou muito a geração de 45 (se bem que o lance do retorno às formas clássicas seja uma maneira bem epidérmica de tratar a geração de 45, embora o povo insista em só bater nessa tecla...)
     
    • Ótimo Ótimo x 2
  9. Calib

    Calib Visitante

    mas a análise epidérmica é única que se faz na nossa escola. nem é exclusividade dessa geração. :hihihi:
     
  10. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Muito legal. Queria que o Monteiro Lobato tivesse feito algo semelhante.
     
  11. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Eu gostaria de uma versão feita pelo Machado de Assis, acho ótimo o humor dele. Deixando de lado as análises pseudo-freudianas que alguns podem fazer da obra dele, a verdade é que ele era um autor com um senso de humor fantástico. Uma vez vi alguém dizendo que se você leu Memórias Póstumas de Brás Cubas e não riu, você não entendeu nada. Tenho que concordar.
    Eu também adoraria uma versão do Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto), parece o tipo de coisa que ele faria. Na minha opinião o mais hilário de todos os autores brasileiros.
     
  12. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Antes que eu me esqueça. Adoraria também algo assim feito pelo Millôr Fernandes
     
    • Ótimo Ótimo x 1

Compartilhar