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Sonhando

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Raphael, 26 Jan 2009.

  1. imported_Raphael

    imported_Raphael Usuário

    Um dos poemas mais belos de Álvares de Azevedo:

    [align=right]Hier, la nuit d'été, que nous prêtait ses voiles,
    Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!

    VICTOR HUGO[/align]

    Na praia deserta que a lua branqueia,
    Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
    Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
    Sufoco nos lábios os hálitos meus!
    Não corras na areia,
    Não corras assim!
    Donzela, onde vais?
    Tem pena de mim!

    A praia é tão longa! e a onda bravia
    As roupas de gaza te molha de escuma...
    De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
    Tão úmido o vento que os ares perfuma!
    És tão doentia...
    Não corras assim...
    Donzela, onde vais?
    Tem pena de mim!

    A brisa teus negros cabelos soltou,
    O orvalho da face te esfria o suor,
    Teus seios palpitam — a brisa os roçou,
    Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
    Teu pé tropeçou...
    Não corras assim...
    Donzela, onde vais?
    Tem pena de mim!

    E o pálido mimo da minha paixão
    Num longo soluço tremeu e parou,
    Sentou-se na praia, sozinha no chão,
    A mão regelada no colo pousou!
    Que tens, coração
    Que tremes assim?
    Cansaste, donzela?
    Tem pena de mim!

    Deitou-se na areia que a vaga molhou.
    Imóvel e branca na praia dormia;
    Mas nem os seus olhos o sono fechou
    E nem o seu colo de neve tremia...
    O seio gelou?...
    Não durmas assim!
    O pálida fria,
    Tem pena de mim!

    Dormia: — na fronte que níveo suar...
    Que mão regelada no lânguido peito...
    Não era mais alvo seu leito do mar,
    Não era mais frio seu gélido leito!
    Nem um ressonar...
    Não durmas assim...
    O pálida fria,
    Tem pena de mim!

    Aqui no meu peito vem antes sonhar
    Nos longos suspiros do meu coração:
    Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
    Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
    Não durmas no mar!
    Não durmas assim.
    Estátua sem vida,
    Tem pena de mim!

    E a vaga crescia seu corpo banhando,
    As cândidas formas movendo de leve!
    E eu vi-a suave nas águas boiando
    Com soltos cabelos nas roupas de neve!
    Nas vagas sonhando
    Não durmas assim...
    Donzela, onde vais?
    Tem pena de mim!

    E a imagem da virgem nas águas do mar
    Brilhava tão branca no límpido véu...
    Nem mais transparente luzia o luar
    No ambiente sem nuvens da noite do céu!
    Nas águas do mar
    Não durmas assim...
    Não morras, donzela,
    Espera por mim!
     
  2. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Eta romantismo sem fim! É de sonhar com essas passagens, e imagens que ele nos proporciona. Vemos que ele praticamente endeusa a donzela, dando a ela características que se enlaçam com a paisagem, enfim, muito bonito mesmo! Eu não conhecia esse poema dele.
     

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