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Quem foram os autores realmente inovadores?

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Haleth, 29 Fev 2012.

  1. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Hey!

    Não sei se já há algum tópico assim, não sei como procurar. Mas gostaria de debater com vocês e levantar nomes de autores que inovaram na narrativa literária. Bem, deixe-me ficar mais clara: não estou me referindo exatamente aos autores que têm o estilo mais peculiar/característico, daqueles que só de ler um parágrafo você já identifica quem é o fulano. Quando digo inovadores, digo aqueles "mosntros sagrados" que fizeram mudanças estruturais, tipo Walt Whitman com o verso livre, Baudelaire, Mallarmé e Rimbaud com poemas em prosa, Joyce, Proust , Virginia Woolf e Thomas Mann com o fluxo de cosnciência. Faulkner com As I Lay Dying com múltiplos narradores... Quer dizer, a ideia não e debater quem foi inovador numa temática específica que arreepiou os pelinhos do clero, mas quem mexeu nas estruturas da literatura.

    Eu gostaria muito de me dedicar um pouco a estudar sobre esses autores (e saber quais foram os livros mais emblemáticos) que fizeram esses "pontos de viragem", mas não sei exatamente como descobrir quem foram eles. Por exemplo, alguém sabe quais foram os primeiros livros com narrativas não-lineares (que não necessariamente são iguais às com fluxo de consciência)? Os primeiros a usarem narradores múltiplos e/ou múltiplos pontos de vista (além do Faulkner)? Quem inventou coisas na poesia é mais fácil descobrir porque se aprende na escola, mas na prosa é mais difícil... Pelo menos pra mim. É que a maneira como estudei literatura na escola, quando não se tratava de poesia, as vanguardas eram muito mais retratadas pelas mudanças temáticas que estruturais, aí me sinto meio perdida no assunto.

    Querem aprofundar o assunto comigo e incrementar essa lista de "autores revolucionários"? =) Ou sabem de algum link que tenha essas coisas?
     
  2. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    Acho que só sabia mesmo dessa do Joyce, Proust e Woolf fluxo de consciência e a do Faulkner, que nos emaranha bunito nas tramas de Enquanto Agonizo.
     
  3. Anica

    Anica Usuário

    Tem a técnica do contraponto do Huxley, do Point Counter Point. Eu não li o livro, não sei muito bem sobre isso, só sei que serviu de inspiração para o Erico Verissimo.

     
  4. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Praticamente todos os cânones foram renovadores estéticos... Sófocles revolucionou o teatro introduzindo o terceiro ator, por exemplo, e Virgílio ao unir a Ilíada e a Odisseia numa epopeia com fins de canonização de uma cultura, ou o Lucano, que pegou o modelo virgiliano e o colocou num patamar que ainda hoje não sabemos se é história ou literatura (etc).

    Agora vai depender do que você considera como inovação... Se forem apenas aspectos linguísticos, então o século XIX-XX tem muitos, e, no caso do fluxo de consciência, eu citaria o Dujardin, um autor que inspirou o Joyce em seu trabalho. Marlowe revolucionou o teatro da época com o verso branco, a chamada "mighty line", e o próprio Shakespeare, em todas as suas peças, inovou o teatro de alguma forma, como em Othello, onde um objeto comum como um lenço é um objeto principal da trama. São autores que não submeteram a linguagem, a forma à expressão, mas que criaram e adaptaram a linguagem à expressão, à forma, ao contrário do que os vanguardistas propunham... E é por isso que foram grandes: porque não se preocuparam em simplesmente inovar, mas em contar boas histórias que necessitaram de grandes linguagens.

    Em tempo, o narrador póstumo de Machado, a linguagem do Grande Sertão: Veredas, de Euclides da Cunha com seus propósitos na mesma linha de Lucano, ou, em outros casos, citaria o ímpeto da linguagem do Werther de Goethe ou o Bildungsroman do Wilhelm Meister, a linguagem e a temática social de Victor Hugo, o Cervantes e a paródia dos romances de cavalaria, Flaubert e o realismo exterior (novamente, etc).

    Mas por exemplo o Machado: o Brás Cubas cita como autores que lhe influenciaram o Stendhal, um dos primeiros a romper com a estética romântica, Sterne, cujo "Tristam Shandy" possui peripécias narrativas interessantíssimas, como partes inteiras acerca das calças da personagem e capítulos em branco, Maistre, que faz uma espécie de paródia de Stendhal...
     
  5. Calib

    Calib Visitante

    No que difere esse narrador múltiplo do Faulkner dos muitos narradores de "Drácula"?
     
  6. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    ñ sei se compreendi inteiramente a sua proposta, mas me veio à memória dom quixote q, mesmo ñ saindo da linearidade (afinal ñ seria esta única característica inovadora né) trouxe a questão da metalinguagem e da própria auto-ironia, mescladas à ttas outras características tão bem conhecidas & debatidas pelos leitores da obra.
     
  7. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Calib, ainda não li nem Drácula nem Enquanto Agonizo. Drácula nunca me chamou a atenção, e nem tinha ouvido falar dele como algo inovador no sentido formal da literatura... Vou procurar saber mais. (Olha, acabei de descobrir que Drácula é escrito de forma epistolar XD - só pra vc ter ideia do quanto eu conheço o livro, rs)

    Edit post: Bem, pra falar a verdade, acho que nunca li um livro com narrativa epistolar. Fui pesquisando e vi que o primeiro romance epistolar é de 1669, chama-se Cartas Portuguesas e foi escrito em francês por uma freira. Agora, se foi algo deliberadamente literário ou se é documental, não sei. Mas há um só narrador. As ligações perigosas e Os Sofrimentos do Jovem Werther foram publicados antes de Drácula, mas não sei se os narradores são únicos ou não. Vi que Drácula mescla as cartas com os tais recortes de jonal e anotações de diários. Não sabia disso... Afinal, vou inclui-lo no meu roteiro de estudo. Obrigada, Calib. ;)
     
  8. Haleth

    Haleth Call me Bolga #CdLXI

    Olha, descobri a roda! quer dizer, mais uma coisa: aquele negócio dos livros tipo O Jogo da Amarelinha (não é, Lucas?), que podem ser lidos a partir de qualquer capítulo e em qualquer ordem, etc. tem um nome: romance desmontável. =)
     
  9. Lucas_Deschain

    Lucas_Deschain Biblionauta

    Sei que durante a Revolução Francesa romances epistolares fizeram um patcha sucesso, e ajudaram a moldar os pensamentos humanistas que embalaram os revoltosos. A Nova Heloísa, Pamela e outros mais (se não me falha a memória) são escritos nesse esquema de troca de cartas. Ah, A Cor Púrpura também é escrito assim, e A Caixa Preta, do Amos Óz segue um esquema muito parecido, mas juntam-se às cartas notas rápidas, telegramas, anotações esparsas em forma de itens e outras modalidades de correspondências mais abreviados.
     
  10. Calib

    Calib Visitante

    Eu não quis sugerir que o "Drácula" fosse inovador. Acho mesmo que não é.
    A não ser que seja pelo fato de usar vários narradores num romance epistolar, ou de usar outras formas de registro além da carta.


    Mas, Manu, aconselho muito a leitura de "Drácula". :sim:
     
  11. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Literário ele não é; mas esse livro possui uma pungência de relatos e uma beleza lírica que o colocam como verdadeiro prenunciador do Romantismo português. Aliás, cartas com valor literário relativo são muito comuns, e estudiosos como o Massaud Moisés acentuam esse tipo de valor até mesmo na famosa epístola do Pero Vaz de Caminha, devido a alguns recortes literários típicos. Obras dos jesuítas apresentam também comumente tais aspectos, como a epístola narrando um naufrágio pelo Anchieta ou a perspectiva paradisíaca da nova terra pelo Fernão Cardim.
     
  12. Vinnie

    Vinnie Usuário

    A cut up technique usada por W.S. Burrough é bem doidona.... e inovadora... só não sei se ele inventou isso...
     
  13. Chantili

    Chantili Usuário

    Uma das coisas mais diferentes que já li foi Um homem que dorme, do Georges Perec, é escrito em 2ª pessoa, isso deve ser no mínimo inovador né? Mas também não sei se ele teve muita influência sobre outros escritores ou um enorme destaque na literatura francesa da época, sei que ele participava de um grupo de autores que gostavam muito de experimentações estruturais e linguísticas. =)
     
  14. Marc_dell

    Marc_dell Usuário

    Bom Dostoiévski foi provavelmente o maior inovador da literatura de todos os tempos. Ele não apenas criou o que Bakhtin chama de romance polifônico (onde diferentes visões se confrontam e buscam prevalecer umas sobre as outras, não apenas obedecendo a vontade do narrador), mas também foi responsável pela introdução de conceitos que foram depois desenvolvidos por Nietzsche na filosofia e Freud na psicanálise, entre outros. Isso sem contar que seu poder de observação e descrição da realidade beirava a perfeição (tanto que até hoje dizem: se quer conhecer os russos, leia Dostoiévski).
    O único ponto "negativo" é que até hoje não houve ninguém capaz de reproduzir esse tipo de literatura com qualidade...
     

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