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[L][Thoriën][Utopia Real]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Edu, 20 Mar 2005.

  1. Edu

    Edu Draper Inc.

    Obs: tome Utopia Real como uma narrativa em versos, que, por ser demasiada grande, eu resolvi publicar aqui, e não em Prosas poéticas e poemas curtos, simplesmente porque achei que não seria de todo prudente. Se, por algum acaso, eu fiz erraod, eu passo Utopia para o Prosas Poéticas sme problema algum.


    UTOPIA REAL


    Eu vejo em todas essas manhãs
    todas essas pessoas se amando.
    Eu ouço em todos esses lugares
    uma voz que vem me chamando.

    E essa voz vem sempre até mim,
    só para me contar tudo o que faz:
    tolo, tolo, eu te engano sempre,
    e em seu rosto faço lágrimas rolar.

    Todas as horas são vãos suplícios
    e todos os momentos, tola agonia,
    ela ousa me dizer, me contar;
    ela ousa nunca me deixar sonhar.

    Todos os minutos contados aqui,
    nessa cidade de ventos passados,
    são minutos a que nada vão levar.
    Não ouse, não tente: sequer sonhar.

    Ela me diz, me conta, me mostra,
    como antiga amiga e conselheira,
    como tênue facho de luz verdadeira,
    que nada deste lugar eu vou levar.

    Ela me guia por esse seu caminho,
    onde eu não posso inspirar poesia,
    nunca expirar felicidade, só agonia.
    Ela me açoita com suas verdades…

    Essa voz que tanto me diz o que fazer,
    essa voz que ninguém gostaria de ter,
    disse-me seu nome uma ou outra vez.
    Toda a verdade e realidade, ela disse ser.

    Mas o que é a verdade, eu me pergunto,
    senão nada além de um meio-conjunto
    feito de peças amareladas pelo tempo?
    Peças de uma certeza desconjuntada…

    O que é essa verdade que sempre destrói,
    que vem liquidar a sempre lírica sabedoria,
    a terna alegria de saber – sonhar, sonhar…
    o eterno sabor de saber que se sabe amar.

    Do que é feito esse nosso tormento eterno
    de ver algo ao longe do que se pode ter,
    e nunca, nem por um momento, desejar tocar.
    Do que é feito o seu perfeito mundo real?

    Eu disse a ela que a recuso, que a recluso.
    Eu disse que não a quero, que a repugno;
    mas para ela eu não passo de um intruso
    que ultrapassou sua barreira de realidade.

    E ela me diz tudo o que quer de mim:
    nada de disrítmica ou lúdica poesia,
    nada de canto ou atemporal fantasia.
    Nada que possa te lembrar de amar…

    Mas qual o poder tem uma única voz
    sobre o coração de um único homem?
    Por isso eu então declamo, grito, canto:
    que nada possui uma voz para terminar!

    Que nada possui uma voz para destruir o amor.
    Que poder algum ela tem para poder desalinhar,
    para por mil pontos finais onde estes não há,
    para com toda e qualquer poesia poder acabar!

    E finalmente eu vou dizer a ela, e somente a ela,
    que uma voz nada é além de um rouco sussurro,
    e que tudo que dela vem eu intensamente recuso.
    Então eu digo palavras completas à essa tola voz,

    E ela se emudece perante tudo o que eu lhe digo –
    se torna só mais um abafado grunhido sem razão;
    se torna só mais um mal que nunca vai conseguir
    sequer de um inútil e tolo conselho se transvestir.

    E do que seria feita essa velha e rabugenta voz,
    para que só com palavras conjuradas do nada
    fosse do outro lado jogada, largada, trancafiada?
    Do que seria feita essa verdade, essa realidade?

    Eu penso sozinho desde que ela finalmente se foi.
    Proclamo poesias, manias, alegrias – poetrusias.
    Conjuro o amor, para que depois, num outro dia,
    eu possa sensatamente nele me afogar, me acabar.

    Conjuro a luz da fantasia nessa minha mente,
    e nela eu mergulho, até que eu fique contente.
    Contente por pôr reticências aonde não havia.
    Contente por fugir dessa tal realidade vigente.

    Então, vejo o fim de mais uma página chegar,
    e nele fixo o meu olhar, vendo palavras brotar;
    palavras de conto de fadas, suspensa sensatez;
    palavras de uma vez lá e de volta outra vez…

    E mais uma vez me pego num sonho eterno;
    sonho encantador em si só por ser um sonho.
    Mas no fim acordo para essa vida iluminada:
    iluminada pelo resplendor do imortal amor.

    Enfim vejo um mundo sem toda essa louca dor,
    mundo diferente que o proclamado por uma voz.
    Mundo em que todos são orquestrados pela vida,
    e onde não existe ida para nenhum outro lugar;

    Para nenhum outro lugar que não seja mais um
    resquício de alegria no meio da magistral sinfonia.
    Para lugar algum em que não se possa sorrir,
    cantar, falar, desejar, amar, e, algum dia, se calar.

    Para lugar algum em que não seja possível dizer
    que tudo que foi por mim narrado, seja como for,
    eu fiz, faço e farei, como ou onde quer que for,
    só pelo fato de eu poder sonhar com o amanhecer.

    Somente pelo simples fato de eu poder cantar atos:
    atos de uma imortal crença no que é inacreditável.
    Atos de uma reparadora fé no nada impossível sonho
    que é poder sonhar com um mundo nada medonho.

    Somente pelo fato de eu poder exaltar mil e um cantos
    sobre aquelas verdades que compõem eternos enganos.
    Somente por eu poder dizer aos quatro ventos do céu,
    que nem que se passem mil anos, morrerá toda essa cor,

    E que ainda que ninguém mais nisso que digo acredite,
    nosso mundo real não será nenhuma interminável dor,
    mas sim a Real Utopia de uma única e divina elite:
    o exército daqueles que tanto conjuram: amor, amor, amor…
     
    Última edição: 9 Ago 2012

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