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[L] [Melkor, o inimigo da luz] [Da Maldade]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Melkor- o inimigo da luz, 27 Jul 2003.

  1. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    [Melkor, o inimigo da luz] [Da Maldade]

    Lenda da mesma linha que:

    Da Desarmonia
    Do Amor
    Do Som e da Canção

    Do surgimento dos Felinos não disponível no CdE


    (sintam-se a vontade para comentar! ^^)

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    No fim do Terceiro Mundo os deuses estavam estabilizados e já havia tudo o que era necessário ao homem se ele desejasse uma vida justa e alegre. Já caía a chuva, já corria o tempo, já emanava a luz, já se propagava o som e já habitava nos corações o amor. Com isso as árvores, homens, felinos e outra sorte de seres vivos viviam entrelaçados, sem, porém, a harmonia, pois com a morte do Pinheiro ela havia esvaecido.
    Houve, então, uma necessidade de haver um grupo de deuses responsáveis pela ordem e justiça no mundo, tanto quanto aos deuses quanto homens. Foi decidido em reunião que cinco deuses deviam representar o mundo e a vida diante da Existência, que clamava por ordem. Cinco deuses cujos reinos fossem os mais importantes, deuses que fossem justos e poderosos. Sem que houvesse a necessidade de votação, foi decidido pelo bom senso que ocupariam estes cargos os seguintes deuses: Alexius, do mar; Hanatan, do sol; Argan, da terra; Zúnia, do ar e Raza, do destino.
    Havia, porém, alguém em cujo coração a paz não habitava desde que havia nascido e cujo espírito era corrompido pela ambição. Filha de Zúnia, desprovida de pai, seu nome era Liatan. Seus cabelos eram cacheados, seus lábios volumosos e seus olhos dotados de cor vermelha, cor esta que até então nunca tinha sido vista.
    Zúnia, em sua infinita bondade, viu os sentimentos que floresciam sem encontrar resistência no coraçao de sua filha e lhe disse:
    - Não é verdade tudo o que pensas, minha filha. Os Cinco Poderes foram escolhidos de modo justo e de acordo com as necessidades da terra. Não chores mais estas lágrimas secas, não alimentes uma raiva egoísta como esta. Não sê assim, sou eu quem te peço!
    - Não foi de modo justo que a importância foi dada à Hanatan ou mesmo a ti, minha mãe. Dentre as mulheres sou eu a mais poderosa e isto não podes negar.
    - Não foi dada importância alguma a ninguém – redarguiu Zúnia – Estes deuses foram incumbidos de uma árdua tarefa de acordo com a capacidade de aguentar tal peso, poder é indiferente para os Poderes do Mundo.
    - Não tentes iludir-me! Sou fruto de ti, não escrava de tuas palavras. Não é tudo que dizes que representa a verdade e sabes bem disto.
    - Não ouses falar assim com Zúnia, senhora do vento e do ar! – gritou Zúnia com imponência fazendo Liatan parecer pequena e frágil – Minhas palavras representam a verdade como só elas fazem, o vento é teu mestre e deves ajoelhar-se diante dele antes que a minha fúria se abata sobre teu corpo e espírito, ambos ingratos a mim, que criaste tua própria vida.
    - Que assim seja, minha mãe – disse Liatan ajoelhando-se, sem esconder, porém, sua raiva e humilhação.
    - Não sê assim, é o que te peço – disse Zúnia colocando sua mão sobre a cabeça de sua filha – Não sê assim.

    Mesmo tendo a Mãe do ar e das fadas requisitado obediência e resignação, Liatan não conformou-se em não ser parte do grupo de privilégio entre os deuses. Seu poder, de fato, era imenso e rivalizava com o poder dos outros deuses, mas seu coração era impuro e Raza sabia disto, pois à Raza nada escapa. Dado que foi ele quem decidiu tal destino a Liatan, não tinha dúvidas de que cedo ou tarde ela revelaria sua índole. Designar um destino é diferente de designar os acontecimentos. Mudar o destino é coisa simples, tanto para homens quanto para deuses, e suas consequencias sempre são devastadoras para alguém ou algo.Foi assim desde que Raza destronou Zúnia e assim sempre será.
    Em certo momento, pouco tempo depois de sua conversa com Zúnia, Liatan usou de seus poderes e destruiu uma cidade dos homens com o fogo, seu reino perverso. Disse a todos deuses que presenciaram tal cena, horrorizados, então:
    - Vejam meus poderes! Sintam o calor de minhas chamas que são mais quentes que o calor do sol. Contemplem a destruição que o fogo causa, rivaliza ele com a destruição da água? E a fumaça por acaso não é mais forte que o vento? Vejam como a terra arde sob meu poder! Todos os poderes dos Cinco Poderes não são nada comparados com meu fogo. De que adianta os reinos do sol, da água, do ar e da terra diante do reino do fogo?
    - Cale-se, infame! – vociferou Gabriela que pelos céus corria despida – Não podes entender que és mais fraca que qualquer deus? Olhe teu fogo e veja de qual utilidade ele é aos que agora jazem por tua culpa. As cinzas voam com o vento e um dia sufocarão tua própria respiração se Raza for justo com ti!
    - Minhas árvores pereceram e clamam por tua morte agora, ingrata deusa – gritou Laura – Se querias admiração alcançaste repulsa, no que me toca.
    - Se és poderosa como afirmas – disse Lúcio – Porque não nos prova?
    - É o que farei se os Cinco falsos Poderes vierem agora até mim e aceitarem meu desafio. Que me expurguem deste mundo se com meu fogo não conseguem lidar! Mas, ouçam bem, se eu derrotar quatro dos cinco malditos deuses o poder absoluto será meu!

    E foi o que aconteceu. Zúnia veio carregada por suas fadas, Alexius em uma enorme onda, Argan ergueu uma montanha para elevar a si mesmo até onde Liatan estava, Hanatan desceu do topo do céu e Raza apenas caminhou até lá. Não foram só eles que atenderam ao chamado da perversa deusa, cantam os bardos que todos deuses vieram assistir a luta entre os Poderes do Mundo, exceto Mki que permaneceu no horizonte analizando tudo que ocorria com seus olhos cansados.
    Engana-se quem supôe que a bondade prevaleceu. A maldade e o poder da filha de Zúnia eram tamanhos que rapidamente Argan caiu do topo de sua montanha até o centro da terra, derrotado, Hanatan foi devolvida ao céu enfraquecida e Alexius foi engolido pela própria água para salvar-se e retornou ao mar. Assustados, os deuses viam Zünia e Raza lado-a-lado encarando Liatan, ofegante, empunhando seu machado de fogo sem baixar a guarda.
    - Venha, filha, arranque minha essência de meu corpo, se te fazes feliz! – disse Zúnia em tom de desafio, sabendo que a filha não seria capaz de tal pois ainda haviam resquícios de bondade dentro dela. Foi um ardil imenso, ela sabia que contra sua filha não podia e se tombasse diante dela o mundo caíria em desgraça. Liatan, sem escolha, atacou Raza, o único cujo poder podia apaziguar o fogo.

    Lutaram durante um ano e o mundo tremeu sob os golpes de machado que Raza bloqueava com suas mãos nuas. Liatan enfim foi vencida, mas sua vida foi poupada. O destino não ceifa vidas, apenas decide quando elas o serão, e não era a hora certa para que fosse banida da Existência.
    Se esse foi o erro de Raza, o de Liatan foi poupar sua mãe por bondade, ou respeito, pois se a tivesse atacado teria obtido o poder que desejava, fossem os deuses a favor ou não.
    Algo devia ter sido a causa de sua derrota, já que era mais forte que todos os outros deuses, então culpou a bondade que ainda insistia em habitar sua essência. Extinguiu qualquer vestígio de bondade ou piedade, tornou-se má e deixou até mesmo de ser parte da raça dos deuses. Transformou-se a própria personificação da maldade, que acabava de surgir no mundo nesta forma extrema.
    Atacou mais uma vez Raza, mas foi destruída mais rapidamente ainda, não lutava mais com consciência, assemelhava-se a um animal desesperado, um lobo sedento por sangue. Seu machado partiu-se e caiu em pranto nos pés de Raza, que permanecia impassível.
    - Não é justo! – exclamou desiludida
    - O que é justo e o que não é só eu sei. Fui eu quem pûs em tuas costas este fardo a carregar, esta vontade por poder foi criada por mim pois a hora do mundo conhecer a outra faceta da Existência chegou.
    - Então retire de mim o que não pedi, lhe imploro! – ela soluçou – Não posso conviver com este desejo que não posso realizar.
    - É a sina de todos os homens e você a suportará. És filha da Mãe da vida e por conseguinte é teu o fardo que estava criado desde que vim à terra.
    - Não vou aceitar isto! – ela gritou.

    O vermelho de seus olhos fugiu para pintar de vermelho as flores brancas, mais tarde conhecidas como Rosas ao adquirirem tal cor, e seus dedos tingiram o céu do entardecer de vermelho ao nele tocarem. Dividiu-se em inúmeras partes, como sementes, e jogou-se ao vento.
    - Mãe, leva o que resta de mim e espalha pelo mundo a maldade, se é esse o motivo de minha existência. Existirei, então, em cada minúscula parte do mundo causando cobiça, inveja e morte. Sou a peste, sou a mensageira do fim do Terceiro Mundo. Agora meu destino me é claro, sou filha do vento e do vento farei meu transporte. Que se arrependa Raza por ter designado a mim tal fim. Que saibam todos que não foi benvolente comigo o destino e com poucos será após minha morte!

    Com a divisão de sua existência deixou de existir neste mundo como deusa e tornou-se o fogo e a maldade. Raza, conhecendo sua própria obrigação diante do que havia criado, dividiu-se em duas partes, a Sorte e o Azar, e vagou pelo mundo deixando apenas sua essência sentada no trono da Vida. Até hoje ele age igualmente para todos, seja com a sorte ou o azar, mesmo que em quantidades diferentes durante o curso da vida. No fim, todos experimentam tanto da sorte quanto do azar em porções iguais.
    Zúnia, a partir da morte de sua filha, anda pelo mundo com o vento, chorando e lamentando o fim triste que tudo teve. Quando o vento canta para nós sua triste canção é na verdade Zúnia que exige justiça para sua filha, instrumento do cruel destino.
    Hanatan não tem mais forças para permanecer no topo do céu. Agora sobe e logo despenca, dando lugar à lua, nascida mais tarde para substitui-la enquanto descansa nas terras de Mki.
    Alexius tornou-se instável, destrói os navios com a fúria do mar sem motivo aparente, apenas por bel prazer. Argan foi confinado em seu próprio reino e sacode a terra periódicamente tentando de lá sair e destruir Liatan em cada canto do mundo onde instalou-se.
    E nunca mais o mundo foi o mesmo. O Quarto Mundo, fase esperada tanto para mortais quanto imortais, se consolidava e tempos ruins estavam destinados a todo, sem exceções.
     
  2. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    :cry: Emocionante! :clap:
    Melkor, vc já pensou em seguir carreira? Nossa, estou sem palavras pra definir a alegria que sinto em ver uma história tão bela, tão sintética e tão profunda como essa! Eu não tenho números pra definir uma nota, nossa garoto, vc merece muito mais do que um 10, mas é o máximo que eu posso dar, então, 10/10 E Com louvor! :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: Sua pequena e modesta platéia!
     

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