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Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por imported_Amélie, 10 Ago 2008.

  1. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Me enrolei para terminar esse livro que é absurdamente sensacional... Toda pessoa que gosta de livros deveria ler... Tem passagens e referências que faz a gente querer ler devagar pra não acabar!!!!

    A história é meio futurista, apesar de escrita em 1953. Montag é um bombeiro que queima livros, em uma sociedade onde eles são proibidos... mas ele cai na tentação de saber sobre o que eles falam e aí se desenrola a história...

    eu já tinha visto o filme do François Truffaut, feito em 1966 e já tinha me apaixonado pela história... Agora mais ainda!!!!

    É tão universal, que permanece contemporâneo hoje... Alguém mais leu???

    Eu amei!!!!!
     
  2. Anica

    Anica Usuário

    Eu!!!!!!!! _o/

    Foi com esse livro que comecei a gostar do Bradbury. É realmente sensacional! Na verdade eu acho que é de leitura obrigatória para qualquer um que tenha o mínimo de espírito questionador (a maioria acaba lendo só 1984 do Orwell e acha que é o único livro do tipo).

    As imagens criadas pelo Bradbury são tão fortes que até hoje quando eu fecho os olhos e tento lembrar do livro eu lembro como se tivesse assistido a um filme. Fantástico mesmo, até para quem não é muito fã de ficção científica, distopias e obras desse tipo.
     
  3. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    pois é... e eu sou dessas aí que não curtem uma ficção futurista, mas a forma com que ele escreve é muito legal... é muito sensível, e coloca em cheque esse espírito crítico mesmo... É fácil ser a favor de uma idéia quando se está por cima, o problema é saber contra argumentar, quando ninguém mais sabe pensar a respeito... Tem passagens lindissimas que eu gostaria muito de anotar em um caderno pra ler depois... e depois... e depois... pena que é pouca vida pra tantos livros que precisamos ler!
     
  4. Pois é, sem tirar o mérito de 1984, mas eu mesma achei o 451 totalmente por acaso... achava tão estranho ninguém falar nele!

    Engraçado isso das imagens realistas, eu penso nesse livro e penso na pressa. A idéia da correria, de não parar, sempre, acho que foi o que mais ficou na minha cabeça.

    Quais outros livros ele tem? Eu só conheço esse :think:
     
  5. Anica

    Anica Usuário

    Dele eu indicaria "As Crônicas Marcianas", um conjunto de contos sobre a vida em Marte. É fodástico, ele provavelmente é o cara que melhor aprendeu sobre a unidade de efeito depois do Poe. Tem também "Algo sinistro vem por aí" que é bem bacana, mas não é tão tchananananam quanto o Fahrenheit e as Crõnicas.
     
  6. lipecosta

    lipecosta Usuário

    Acabei de ler esse livro, e achei muito bom. A ideia de uma sociedade anestesiada eh realmente chocante, ateh pq me fez perceber q vivemos em uma. Soh naum gostei do modo como a garota sai do livro, foi uma passagem meio obscura e ate sem muito sentido a forma como ocorreu. De resto pra quem ja leu admiravel mundo novo, 1984 e laranja mecanica, e esta a procura de um livro q faca uma critica a sociedade por meio de uma distopia, e nao consegue encontrar nenhum - q foi o meu caso - esse livro eh uma otima pedida. Pra mim , eh a quarta forca da ficcao cientifica.
     
  7. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    o filme tem uma solução pra ela... ela não some simplesmente, é mais atuante...

    mas isso de viver numa sociedade anestesiada é real... me senti muito Montag ao ler e imaginar as Mildred da minha vida... Nossa! Deu medo!!!!
     
  8. Mohanah

    Mohanah Usuário

    Excelente livro, os diálogos de Beatty com Montag são geniais, retórica pura.
     
  9. Anica

    Anica Usuário

    Eu também não gostei. Me apeguei um monte à personagem =/ Mas acho que de certa forma ela entrou ali para abrir os olhos do Montag.
     
  10. Clara

    Clara Antifa Usuário Premium

    Terminei de ler neste fim de semana e que livro sensacional!
    Estou pasma e a história grudou na minha mente de tal maneira que estou constantemente relembrando cenas e diálogos do livro.
    Como pode o escritor ter escrito isso há mais de 50 anos?
    As partes
    do cachorro mecânico caçando o Montag e tudo sendo transmitido, é tão atual! Isso não acontecia há cinquenta anos! As TVs não eram tão evoluídas assim, nem nos EUA!
    Atual também é quando Faber descreve o cristianismo vendido como mercadoria e Jesus como celebridade, incrível!

    Preciso achar esse filme. :sim:

    Pior foi eu me identificar com a Mildred em alguns momentos... ¬¬
     
  11. Anica

    Anica Usuário

    sugestão de leitura para aqueles que gostam do livro, artigo do lielson -> http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-14-27-34-20090331
     
  12. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Anica, comprei o Crônicas Marcianas bem baratinho aqui em Foz... Ainda não deu tempo de ler!
     
  13. nanabehle

    nanabehle Usuário

    Pois é, eu também li esses tempos (no início do mês, acho) e fiquei realmente impessionada com a história. Ela é muito "real" apesar de "irreal".
     
  14. Cadortel

    Cadortel Usuário

    Como George Orwell em 1984 e Philip K. Dick em O Homem do Castelo Alto, Bradbury mostra uma sociedade oprimida por um regime totalitário, no caso, o controle político estar integralmente ligado aos meios de comunicação, especialmente a TV. O título Fahrenheit 451 estar associado à lei do governo que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura. Um milhão de livros foram proibidos, como prevenção que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Assim todos os livros desta lista proscrita encontrados tem que ser queimados. E a temperatura que faz os livros inflamar é a 451 na escala Fahrenheit.
    O corpo de bombeiros ironicamente assume o papel de policiamento e manutenção da lei, são eles que queimam os livros, conduzindo veículos com aparência de salamandra. A narrativa conta a história de Guy Montag, um desses bombeiros que queimam livros.
    No inicio, pensa que vive uma vida feliz na plasticidade de sua sociedade – um bom emprego, uma família, conforto, mas quando conhece uma mocinha que o ensina a pensar, a ver o mundo com outros olhos, a gostar de livros, a se tornar a margem da sociedade, um verdadeiro marginal, que esconde e rouba livros. Denunciado pela mulher, é perseguido e desiludido se afasta da sociedade e onde vai, em uma floresta próxima encontra a felicidade da esperança.
    Fahrenheit 451 é um pequeno romance que ganhou uma versão cinematográfica, logo após ser publicado, pelo cineasta François Truffaut. A história esconde uma critica pesada à sociedade norte-americana de 1953, depois de Hiroshima e Nagasaki, quando a todo custo se conservava a ilusão de que o mundo era maravilhoso e feliz, que as opiniões opostas eram incineráveis e a vida agradável era o único e verdadeiro objetivo a preservar.
    Montag é um membro desta sociedade que vive numa farsa equilibrista. Cada pessoa não deseja sair da vida cotidiana, perfeita e sem complicações, mas quando Montag conhece o outro lado e que descobre paradoxalmente que vive uma vida não muito satisfatória de sentimentos. Mas não é lê o protagonista deste romance, ele simplemente cai, é empurrado ante a rebelião. Os verdadeiros protagonistas são: Clarisse, a mocinha incivilizada e “antisocial” que perturba o equilíbrio de Montag; Beatty, que golpeia moralmente tudo que Montag pensava conhecer: Mildred, a sua fria mulher; Fader, um ex-professor de literatura... E a máquina desumana, caçadora, a força mecânica que persegue o homem, em uma palavra a Lei.
    Tudo que hoje ornamenta nossa sociedade aparece como causadora do regime totalitário: a televisão, a despreocupação juvenil em se divertir sempre, a publicidade, a cultura do ócio e do entretenimento, contudo em Fahrenheit 451 sem seus enfeites, sem suas cores e melodias.
    Essa nova edição, em formato pocket, vem com uma proposta de trabalho para a sala de aula. Um livro meio que antiquado pelos padrões atuais da Ficção Científica, mas que nos ensina em meio a BigBrothers, a nossa televisão capitalista, a políticos corruptos, a violência, a ver um mundo em meio a tanta ignorância e estupidez, onde podemos encontrar a esperança da verdade.
    Ou como analisou o escritor português Jorge Candeias “Fahrenheit 451 é um terrível espelho dos tempos que vivemos. Um livro intemporal. Um livro que fica”.
     
  15. Chatov

    Chatov Usuário

    Não gostei muito deste.
    Esperava mais. A ação se passa de um modo muito rápido.
    Mas, mesmo assim, é bom livro. A leitura fluir agradável.
     
  16. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Fiquei em dúvida se respondia aqui ou no outro tópico. Acho que esse vem do Meia, enquanto o outro existia aqui no Valinor, mas lá também tem ótimos comentários, enfim.
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    Bem, o que dizer do livro? Parece ter sido feito tendo em mente os Estados Unidos na década de 50, mas continua tão atual... O livro parece ser menos sobre censura e mais sobre os livros e a cultura transformados em uma espécie de "pudim" ou "pudim de tapioca sabor baunilha" como diz Beatty. Será porque as "indústrias culturais" que já existiam nos Estados Unidos nessa época se desenvolveram pelo mundo depois?

    Como disse o @Bruce Torres (aqui
    Este conteúdo é limitado a Usuários. Por favor, cadastre-se para poder ver o conteúdo e participar (não demora e não possui custos)
    ), o livro é também sobre hedonismo e antiintelectualismo. Quando as pessoas deixam de fazer qualquer coisa que demande esforço (estudo) ou que traga incômodo/desconforto (até mesmo pensar) para simplesmente se divertirem, assistindo a tevê. A importância de se evitar qualquer incômodo ("flores se alimentando de flores", como diz Faber, ou seja pessoas vivendo fora da realidade), me lembrou a droga Soma de Admirável mundo novo que elimina qualquer desconforto.

    Com relação a isso, a Mildred (ainda lembra em que você se identificou com ela @Clara ?) me lembrou uma personagem do conto "A biblioteca" de Lima Barreto, mulher do personagem principal, sobre a qual à certa altura se comenta:

    Em Fahrenheit temos também uma referência mais que atual ao declínio das Humanidades (línguas, filosofia, história, sociologia, artes etc). E aí lembrei de notícias sobre isso nos países mais ricos como Estados Unidos e França, com matrículas caindo nessas áreas nas universidades, e as várias análises dos motivos por trás disso: de pagamentos menores até a "inutilidade dessas coisas" em termos práticos (exatamente como no livro).

    Lembrei aqui de um livro do Lipovetsky (A cultura mundo) de onde pinço alguns trechos:
    Lembrou ainda do livro do Todorov que li recentemente sobre o declínio da literatura na França.

    A sociedade do livro e sua preferência pelo presente sobre o passado, pelo menor esforço sobre coisas intelectualmente exigentes etc me lembrou também o livro do Benjamin R. Barber em que ele analisa a infantilização da cultura contemporânea dizendo que ela valoriza o fácil sobre o difícil, o simples sobre o complexo e o rápido sobre o lento. Parece que é isso que acontece na sociedade do livro (a simplificação dos livros, com resumos, e até dos programas de televisão etc).

    Além disso, há em Fahrenheit referências interessantes a religião (Jesus e Deus transformados num "doce", ou seja um produto), desimportância da democracia e da família (ironicamente substituída pelos personagens da tevê), entre outras coisas.

    No entretanto, dá para discutir se há exagero e pessimismo da parte de Ray Bradbury em relação à cultura de massa.
     
    Última edição: 12 Jan 2016
    • Ótimo Ótimo x 4
  17. Clara

    Clara Antifa Usuário Premium

    Exatamente por causa dessas situações que você descreveu.
    Pensar, questionar, reivindicar, tudo isso dá trabalho e muitas vezes termina em frustração, dor e solidão.
    É muito mais fácil viver quando você segue a manada, quando aceita o status quo e fica quieto no seu canto.

    Não é o melhor, mas é mais fácil.

    Tanto não é melhor que a Mildred tem uma atitude bem parecida com a mãe do Selvagem (em Admirável Mundo Novo, já que você mencionou esse livro).
    A Linda, assim como a Mildred, só quer saber de mergulhar cada vez mais no mundo de mentira (mescalina quando vivia no mundo selvagem e depois pelo Soma) pra não ter que enfrentar o mundo real, que ela não se encaixava em nenhum dos dois.
    Mildred fica enlouquecida quando vê que o Montag está espiando por trás da cortina e indo pro mundo real.
    Ela não quer isso, prefere que as coisas fiquem como estão, provavelmente porque sabe que as coisas não são fáceis daquele lado.
    E eu sou assim frequentemente.
    Quase sempre tenho que me dar um empurrão pra olhar as coisas como elas são e enfrentá-las, porque sei que isso é o melhor pra mim e que se eu não o fizer, vou me arrepender com certeza.
    Mas a tentação de se acomodar e "viver" fingindo acreditar que está tudo bem, é grande.
     
    • Ótimo Ótimo x 2
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  18. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Fiquei em dúvida em relação à existência ou não de uma ditadura no livro,como muitos leitores parecem perceber. O que acham?

    Claro que existe a proibição a 1 milhão de livros, o que não é nada democrático, mas fora isso não lembro de nenhuma outra ação do governo descrito no livro que configure uma ditadura. Dá para separar censura de ditadura? E o quanto?

    Há até mesmo um diálogo em que Mildred e as amigas discutem em quem votaram na última eleição: se no candidato bonito ou no baixinho. Para mim, com isso, Bradbury quer indicar não um governo ditatorial, mas uma democracia fraca e irrelevante, em que as pessoas já não se importam com o coletivo. Esse não é nem discutido.

    Além do mais, o 3º ponto citado por Faber para o que está faltando no mundo é o da ação a partir das informações que se possui, uma ação no sentido coletivo, ou político e ético. Bradbury estaria sugerindo que quem tem conhecimento, tem o dever de agir em favor do coletivo. Não pode se eximir como Faber e os outros sem nome que ele cita e que se acovardaram.

    Isso está de acordo com a ideia do declínio das Humanidades, porque a política é uma Humanidade também, não? E aí também temos coisas em comum com o livro.

    --- Mensagem Dupla Unificada, 13 Jan 2016, Data da Mensagem Original: 13 Jan 2016 ---
    Ah! Lembrei que os leitores são presos, segundo deveria acontecer com a velhinha dona de uma biblioteca que eles acham e segundo Mildred sugere que aconteceria com Montag. Mas não parece haver execuções.

    E Faber também lembra que há poucos "rebeldes" por aquele tempo. Enfim.
     
    Última edição: 14 Jan 2016
    • Gostei! Gostei! x 2
  19. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Cometi um pequeno texto sobre o livro:

    Contra o mingau de tapioca cultural
    Para ser sincero, não gostei muito, achei meio medíocre. Mas vou tentar cometer outras leituras de outros livros. Quem sabe não vai melhorando.
     
    Última edição: 19 Jan 2016
    • Ótimo Ótimo x 4
  20. Calib

    Calib Visitante

    "Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better." - Samuel Beckett :hihihi:

    Pra ser sincero, eu provavelmente me sentirei assim também quando escrever minhas primeiras resenhas pro bloguinho. :timido:
     
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