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Autor da Semana Ernest Hemingway

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Nihal, 28 Jul 2013.

  1. Nihal

    Nihal Ventinha xD

    Ernest Hemingway

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    Início da vida e carreira

    Ernest Miller Hemingway nasceu em 21 de julho de 1899, em Cicero (Oak Park), Illinois. Clarence e Grace Hemingway criaram o filho no subúrbio conservador de Chicago, mas a família também passou grande parte do tempo no norte de Michigan, onde tinham uma cabana. Foi lá que Hemingway aprendeu a caçar, pescar e apreciar o ar livre.

    No colégio, trabalhou no jornal da escola, Trapeze and Tabula, escrevendo principalmente sobre esportes. Imediatamente após a formatura, o jornalista iniciante passou a trabalhar para o Kansas City Star, ganhando experiência que viria a influenciar o seu estilo distintamente despojado de prosa.

    Experiência militar

    Em 1918, Hemingway esteve no exterior servindo na Primeira Guerra Mundial como motorista de ambulância do exército italiano. Pelo o seu serviço, ele foi premiado com a Medalha de Prata Italiana de Bravura, mas logo apareceram ferimentos que o mantiveram internado no hospital de Milão.

    Lá ele conheceu uma enfermeira chamada Agnes von Kurowsky, que logo aceitou a proposta de casamento, mas depois o deixou por outro homem. Isso o deixou devastado, mas serviu de inspiração para suas obras "Uma Estória Muito Curta", e mais famosa, "Adeus às Armas".

    Ainda cuidando de seu ferimento e se recuperando das brutalidades da guerra, aos 20 anos, ele voltou para os Estados Unidos e passou um tempo no norte de Michigan antes de aceitar um emprego no Toronto Star.

    Foi em Chicago que Hemingway conheceu Hadley Richardson, a mulher que se tornaria sua primeira esposa. Os dois se casaram e logo mudaram-se para Paris, onde Hemingway trabalhou como correspondente estrangeiro para a Star.

    A vida na Europa

    Em Paris, Hemingway logo se tornou uma parte fundamental do que Gertrude Stein chamaria de "A Geração Perdida". Com Stein como sua mentora, Hemingway conheceu muitos dos grandes escritores e artistas de sua geração, como Scott Fitzgerald, Ezra Pound, Pablo Picasso e James Joyce. Em 1923, Hemingway e Hadley tiveram um filho, John Hadley Nicanor Hemingway. Nessa época, o escritor também começou a frequentar o famoso Festival de San Fermin, em Pamplona, ​​Espanha.

    Em 1925, o casal, juntando um grupo de expatriados britânicos e norte-americanos, fez uma viagem para o festival que mais tarde forneceu a base do primeiro romance de Hemingway, "O Sol Também se Levanta". O romance é considerado a maior obra de Hemingway, examinando artisticamente a desilusão do pós-guerra de sua geração.

    Logo após a publicação de "O Sol Também se Levanta",Hemingway e Hadley divorciaram-se, em parte devido ao seu caso com uma mulher chamada Pauline Pfeiffer, que se tornaria a sua segunda esposa logo que o divórcio foi oficializado. O autor continuou a trabalhar no seu livro de contos, "Men Without Women".

    Aclamação da Crítica

    Logo, Pauline ficou grávida e o casal decidiu mudar-se de volta para a América. Após o nascimento de seu filho Patrick Hemingway, em 1928, estabeleceram-se em Key West, Florida, mas passavam o verão em Wyoming. Durante este tempo, Hemingway terminou o seu célebre romance sobre a Guerra Mundial "Adeus às Armas", garantindo seu lugar permanente no cânon literário.

    Quando não estava escrevendo, Hemingway passava grande parte da década de 1930 procurando aventuras: caça na África,touradas na Espanha,pesca em alto-mar na Flórida. Enquanto fazia reportagens sobre a Guerra Civil Espanhola, em 1937, Hemingway conheceu uma colega correspondente de guerra chamada Martha Gellhorn (que em breve se tornaria sua terceira esposa) e recolheu material para seu próximo romance, "Por Quem os Sinos Dobram", que seria nomeada para o Prêmio Pulitzer .

    Quase previsivelmente, seu casamento com Pauline Pfeiffer deteriorou e o casal se divorciou. Hemingway e Gellhorn casaram-se logo depois e compraram uma fazenda perto de Havana, Cuba, que serviria como residência de inverno.

    Quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, em 1941, Hemingway serviu como um correspondente e esteve presente em vários momentos-chave da guerra, incluindo o desembarque do Dia-D. Perto do fim da guerra, Hemingway conheceu outra correspondente de guerra, Mary Welsh, com quem se casaria mais tarde depois de se divorciar Martha Gellhorn.

    Em 1951,Hemingway escreveu "O Velho e o Mar", que se tornaria, talvez, o seu mais famoso livro, efinalmente, ganhou o Prêmio Pulitzer.

    Lutas pessoais e suicídio

    O autor continuou suas incursões na África e adquiria várias lesões durante suas aventuras, mesmo sobrevivendo a vários acidentes de avião.

    Em 1954, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura "por sua maestria da arte narrativa, mais recentemente demonstrada em "O Velho e O Mar", e pela influência que exerceu no estilo contemporâneo". Mesmo neste auge de sua carreira literária, porém, o robusto corpo e a mente de Hemingway estavam começando a traí-lo. Recuperando-se de várias lesões antigas em Cuba, Hemingway sofria de depressão e foi tratado por várias condições, tais como hipertensão arterial e doenças do fígado.

    Ele escreveu "Paris é uma Festa", um livro de memórias de seus anos em Paris, e aposentou-se permanentemente em Idaho. Lá, continuou a lutar com a deterioração da saúde física e mental.

    Logo no início da manhã de 2 de Julho de 1961, aos 61 anos, Ernest Hemingway cometeu suicídio em sua casa em Ketchum.

    Hemingway deixou para trás um trabalho impressionante e um estilo icônico que ainda influencia os escritores atuais. Sua personalidade e busca constante de aventura parecia quase tão grande quanto o seu talento criativo.


    Obras
    (Obras publicadas após sua morte são apanhados de datas diversas)

    Romances

    As Torrentes da Primavera (1925)
    O Sol Também Se Levanta (1926)
    Adeus às Armas (1929)
    Ter e Não Ter (1937)
    Por Quem os Sinos Dobram (1940)
    Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores (1950)
    O Velho e o Mar (1952)
    Aventuras de um Homem Jovem (1962)
    As Ilhas da Corrente (1970)
    O Jardim do Éden (1986)

    Não-ficção

    Death in the Afternoon (1932)
    Green Hills of Africa (1935)
    O Verão Perigoso (1960)
    Paris é uma Festa (1964)
    Verdade ao Amanhecer (1999)
    Ernest Hemingway Selected Letters 1917-1961 (2003)
    As Neves do Kilimanjaro (2005)

    Contos e pequenas histórias

    Three Stories and Ten Poems (1923)
    In Our Time (1925)
    Men Without Women (1927)
    The Snows of Kilimanjaro (1932)
    Winner Take Nothing (1933)
    The Fifth Column and the First Forty-Nine Stories (1938)
    The Essential Hemingway (1947)
    The Hemingway Reader (1953)
    The Nick Adams Stories (1972)
    The Complete Short Stories of Ernest Hemingway (1976)
    Collected Stories (1995)
     

    Arquivos Anexados:

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  2. Lew Morias

    Lew Morias Luck is highly overrated

    Muito bom o post, Nihal! :joinha:

    Fui conhecer Hemingway por indicação da Melian, que falava muito bem do sujeito. Li 'For whom the bell tolls' primeiro e me encantei com a maneira dele de contar a história. A profundidade do personagem principal, os dilemas que ele enfrenta, todas as situações pela qual passa, é tudo muito bem construído, muito crível.

    Fiquei tão impressionado, que logo em seguida li 'The Old Man and the Sea', que é um dos livros mais estranhos que já li. Estranho por ser tão despretensioso, a estória de um velho pescador em mais uma de suas pescas (nada de épico, de grandioso ou de especial que me chamasse atenção num primeiro momento), mas que é abordado de uma maneira que levanta tantas questões, que te põe pra pensar de uma forma... É incrível. Um livro que deixa claro que, muitas vezes, o importante não é o que é contado em si, mas como se conta. Ambos os livros figuram entre os melhores que li.

    Gostei tanto dos dois, que ainda peguei o 'The Sun Also Rises' na sequência, mas confesso que desse não gostei tanto. Acho que em parte por causa dos personagens - não consegui ter empatia por nenhum deles. Depois desse, não cheguei a pegar mais nenhum dele pra ler, apesar da vontade ser grande. 'A Farewell to Arms' deve ser o próximo, assim que eu tiver oportunidade.
     
    • Gostei! Gostei! x 2
  3. Spartaco

    Spartaco James West

    Aproveitando este tópico, gostaria de repetir o que postei um tempo atrás a respeito de um box que a Livraria Saraiva em parceria com a editora Bertrand lançou com exclusividade, no final do ano passado, com quatro romances fundamentais de Ernest Hemingway: Por quem os sinos dobram, O Velho e o Mar, Paris é uma Festa e Adeus às Armas.

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  4. Pips

    Pips Old School.

    Um belo post. Estou atrasado uns anos com o Paris é uma festa. E da ficção não li os três últimos.
     
  5. Spartaco

    Spartaco James West

    No último domingo vi a primeira parte do documentário sobre Ernest Hemingway; trata-se do programa Bio Arte 1 (Arte 1 - canal 53 na Net). Com imagens raras, ele conta a trajetória do autor de O Velho e o Mar.

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    Gostei muito desse documentário, cuja segunda e última parte vai passar no próximo domingo às 22 horas. Vale a pena assistir.
     
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  6. Melian

    Melian Período composto por insubordinação.

    Culpada!

    Eu gosto oceanos do Hemingway. "O Velho e o Mar" é um fenômeno. Aquela coisa de "escrever é a arte de cortar palavras", sabe? Em síntese, é a história de um velho pescador tentando fisgar e pescar um peixe gigantesco. Saber do que se trata o livro parece ser o suficiente para passarmos longe dele, certo? Errado. A precisão narrativa de Hemingway não pode ser descrita em uma sinopse simplista. Até mesmo pessoas que, como eu, não gostam do mar, se apaixonam pelo mar de Ernest Hemingway.

    Gosto de o velho pescador estampar, em seu corpo, a vida e a morte. O corpo cansado, cheio de cicatrizes, e os olhos cheios de vida, tal qual os olhos de uma criança. Tudo nele era velho, menos os olhos, que eram da cor do mar e alegres e não vencidos.

    Gosto do rapaz que conhecemos no início da novela de Hemingway. Gosto do carinho que ele tem pelo velho. Aquela percepção que ele tem sobre o pescador é de uma beleza ímpar: há muitos pescadores bons e alguns dos grandes. Mas tu és só tu. Isso é lindo. Faz-me lembrar daquela famosa fala da raposa para o Pequeno Príncipe: Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. O velho cativou o rapaz, e, assim como Hemingway, cativou-me.

    Gosto de pensar que há uma relação de espelhamento entre o peixe e o velho. Gosto dos momentos em que o velho diz que os dois, o peixe e ele, navegam lado a lado. E gosto quando ele questiona se o peixe estaria tão apreensivo quanto ele estava. Terá quaisquer planos, ou estará apenas tão desesperado como eu?

    Encanta-me, dentre outras coisas, quando o velho busca passagens que ilustrem a situação dele no mar, durante o período em que passa tentando concretizar a pesca. É tristemente belo o momento em que ele fala do dia em que tinha um casal de peixes no mar, ele pescou a fêmea e o macho permaneceu. Do mesmo modo, o Velho disse ao peixe que ficaria com ele até a morte. Ele fala de uma queda de braço, que disputara há anos, o que simboliza o que ele e o peixe, respeitosamente, travam durante boa parte da narrativa.

    Eu poderia ficar horas falando sobre metáforas, alegorias, entre outras coisas que dão contornos tão belos ao "O Velho e o Mar", mas, por enquanto, ficarei em mais um detalhe apenas: durante todo o tempo que passa no mar, o Velho cita o rapaz; diz que se ele estivesse no barco, faria alguma coisa para auxiliá-lo. Esse "rapaz", repetido por tantas vezes, pode significar algo maior, pode dizer não só do rapaz que aparece no início do livro, como aprendiz de pescador. Não se trata somente do rapaz que o velho ensinara a pescar. Acredito que se trata, também, do rapaz Santiago. Trata-se do rapaz que Santiago fora, em algum momento, no mar da vida. E como saber da existência desse rapaz apenas com uma sinopse, apenas centrando-se no que se conta ao invés de navegarmos pelo como se conta? Sem perscrutarmos os cantos e os encantos de “O Velho e o Mar”, como nos sentirmos parte da narrativa a ponto de tecermos analogias que coloquem o leitor como o peixe, a vara e os anzóis como estratégias narrativas, e Hemingway como o pescador que navega em um mar de palavras?
     
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