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Corda Bamba - Homenagem ao dia das mulheres!

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Luciano Altoé, 8 Mar 2011.

  1. Luciano Altoé

    Luciano Altoé Usuário

    [align=center][size=large]CORDA BAMBA[/size][/align]

    [align=justify]Abri os olhos. Senti meu corpo sacudir pela ação do vento. Percebi que me apoiava em algo estranho. Olhei para os meus pés. Estava em uma corda bamba. Tomado pelo medo, fitei à frente. A uns 15 metros, ao final da corda, havia uma pequena plataforma. Segurança.

    Tentei olhar para trás. Não consegui. Desequilibrei-me e quase caí. Só então percebi que era impossível visualizar o chão. Não podia precisar a altura, mas em certo ponto do desconhecido abaixo, uma bruma densa como pedra me impedia conhecer o destino fora da corda bamba. Tinha que caminhar.

    O medo da morte fez que com me apaixonasse pelo fio sobre meus pés. Aquela corda era minha sustentação. Meu equilíbrio. Meu único existir. Precisava caminhar.

    Os passos eram lentos, mas confiava na corda. O trajeto era firme, linear, sem obstáculos. A plataforma se aproximava. Senti uma doce brisa vinda do leste. Sorri. Desequilibrei. Quase caí. Maldita brisa. Doce brisa que quase me arremessou em direção ao nada. Aquietei meu coração. Mais alguns passos seguros.

    Apenas 3 metros da plataforma. Vou viver. Permiti-me um sorriso presunçoso. Ainda era cedo para sorrir. Nova rajada de vento. Nenhuma doçura. Apenas uma força cheia de ódio. Não suportei. Meu porto seguro faltou debaixo de meus pés. Caí. O vento castigou meu rosto. O medo da morte era insuportável. Atravessei as brumas. Encontrei o solo e, com ele, uma dor inacreditável. Voltei à corda bamba. Olhei para frente. Mais 15 metros.

    Não entendi. Caí de uma altura incrível, mas não quebrei um osso sequer. Apenas meu peito doía. Como que por milagre, voltei à estaca zero. Ao menos estava vivo. Tinha minha corda aos meus pés. Segurança.

    Caminhei novamente. Poucos passos. Nova rajada de vento. Essa, porém, não era carregada de ódio. Uma corrente de ar quente aqueceu também meu corpo. Incompreensivelmente tremi com o calor. Perdi-me em pensamentos libidinosos daquela corrente magnífica. Perdi também o equilíbrio. Nova queda. Terror antigo. Amaldiçoei aquela distração profana enquanto vislumbrava novamente a dor por debaixo das brumas. Atravessei-as. Nada aconteceu. Voltei à corda. Segurança.

    Como era possível? Que lugar infernal era aquele? O que significava a sensação de prazer que tomava agora o meu corpo? Mais 15 metros.

    Retomei o trajeto rumo à plataforma. Mais dois passos. Senti pelas pontas dos dedos o ar movimentar-se. Parei. Que sensação essa corrente traria? Pensei na corda. Estava seguro. O vento foi aumentando sem pressa. Desfrutei o momento. Em certa hora, sua intensidade estabilizou. A brisa refrescante acalmava o meu corpo cansado e produzia uma alegria desconhecida. Fechei os olhos. Gozei aquela sensação por um tempo incontável. Esqueci da corda e da plataforma. Sorri. Desejava que o momento perpetuasse na eternidade. Abri os olhos. Estava caindo novamente. Mas a alegria persistia. Mesmo na queda, o ar delicioso e repleto de amor acompanhou-me. Encontrei o chão. Dor. Voltei à corda. Outros 15 metros.

    O peito queimava. O prazer experimentado a pouco ardia ainda mais. Mantive o equilíbrio. A plataforma estava à minha frente; mas olhava para os lados, tentando de maneira patética, visualizar aquele maravilhoso vento pelo qual estava fascinado. Aguardei alguns minutos. O ar permanecia estático. Desolado, segui para o único lugar possível. A plataforma se aproximava. Ansiava aquele sentimento mais uma vez. O bendito vento havia desaparecido. Estava a um metro do fim da corda. Apenas um passo. Esperei. Meus pés latejavam. A corda que antes era segurança, agora era sofrimento. Mais um passo e me livraria da corda, porém, nunca mais sentiria o frescor do amor trazido pela brisa de outrora. Dei mais uns minutos para o destino. Nada.

    Quando inclinei meu corpo para subir na plataforma lembrei-me. Na última queda, aquela presença repleta de amor acompanhou-me até o fim. Olhei para as brumas do desconhecido abaixo de mim. Fechei os olhos. Sorri. Deixei-me cair.

    O amor acompanhou-me incontáveis vezes. Sempre retornava à corda bamba, porém, ela não representava mais segurança. Apenas a dor daquilo que é invariavelmente estável. A rotina daquele trajeto perpetuamente linear me deixava louco de pavor. Depois de um tempo, a alegria passou a residir somente no descenso ao desconhecido. Nem sempre a queda foi prazerosa, mas a mínima chance de reencontrar o amor no abismo compensava todo o risco. Caí.

    As mulheres, muitas vezes, produzem esse efeito nos homens. Desorientação, perda do equilíbrio, queda... Com seus altos e baixos, com sua intensidade irracional de pensar e viver a vida, as mulheres conseguem nos tirar do ponto de equilíbrio que, preguiçosamente, encaramos como felicidade. Seus arroubos de alegria, tristeza, raiva e amor nos tiram do sério e nos arremessam rumo ao vazio. Normalmente os homens odeiam sair de sua paz rotineira e estável. Mas a partir do momento em que encaram o desafio de saltar rumo ao desconhecido, passam a aproveitar, mesmo que por um efêmero instante, o esplendor intenso dessa gama infindável de sentimentos que denominamos mulher.

    Parabéns pelo seu dia e obrigado por roubar nosso equilíbrio. [/align]
     
  2. imported_Sun

    imported_Sun Usuário

    Gostei.:clap:
     

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