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Notícias Como Peter Jackson deu cores e voz para soldados da 1ª Guerra em documentário

Fúria da cidade

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Usuário Premium

Cena de "They Shall Not Grow Old", de Peter Jackson Imagem: Reprodução


Como diretor, Peter Jackson se tornou referência ao transformar histórias cheias de fantasia em filmes que nos parecem realidade. Consagrado com as trilogias de "O Senhor dos Anéis" e "O Hobbit", o neozelandês enfrentou um novo desafio com o documentário "They Shall Not Grow Old": aproximar filmagens históricas em preto e branco de uma história mais contemporânea e colorida. No Reino Unido, o longa já estreou, mas não há previsão de lançamento no Brasil.

O documentário se concentra em filmagens de soldados britânicos durante a Primeira Guerra Mundial. Os vídeos, que fazem parte dos arquivos do Imperial War Museum, foram restaurados digitalmente, convertidos em 3D e coloridos de maneira surpreendente.

A transformação de um material bruto monocromático para um cenário vivo e em cores imediatamente quebra o distanciamento que o espectador tem com esse tipo de registro histórico. Essa mudança é bem pontuada no próprio trailer do documentário, que já dá uma boa perspectiva do intenso trabalho enfrentado por Jackson nesta tarefa.


"A nitidez é tão grande que estes soldados parecem vivos no filme", disse o cineasta em entrevista ao jornal The New York Times. "A humanidade deles pula em sua direção. Essas filmagens têm cerca de 100 anos e estes homens estiveram enterrados em fitas danificadas, máscaras granuladas e filmes acelerados. Quando restaurados, os vídeos dão nova vida ao aspecto humano".

O trabalho do neozelandês seria árduo já na parte técnica de restauração, mas antes disso, teve que se debruçar em mais de 100 horas dos vídeos arquivados. Boa parte deste conteúdo mostrava os treinos dos soldados, ação nas trincheiras e claro, muito material de propaganda.

Em vez de escolher qual parte deste material seria melhor para sua narrativa, o neozelandês fez o caminho mais complicado: decidiu restaurar o arquivo na íntegra. Depois de três anos de um processo meticuloso de limpeza e restauração, ele fez o corte final para seu filme e doou todo o material finalizado de volta ao museu.

O mundo com mais frames e mais cores


Uma das questões que mais exigiu de Jackson e sua equipe era normalizar as filmagens. Na época eram usadas câmeras que rodavam o filme manualmente através de uma manivela. Isso produzia um vídeo instável e com muito menos quadros por segundo do que o público está acostumado hoje em dia.

Para tirar essa sensação de vídeo acelerado que temos com os registros da época, sua equipe teve que usar ferramentas avançadas para adicionar novos quadros digitalmente aos vídeos para que seu movimento fosse mais suave.

Na hora de dar cores aos registros, o cineasta pediu ajuda para a companhia Stereo D. O primeiro passo deste processo começa com o auxílio de um historiador, que identifica padrões de batalhões, uniformes, armas e todo o ambiente para ter as paletas de cores corretas. Conhecido por seu detalhismo, Jackson e sua equipe viajaram para os locais onde aconteceram os conflitos em busca de referências exatas de vegetação e todo o entorno.


Imagem: Reprodução


Mas e o áudio?



Restaurar o vídeo é uma coisa, mas como dar som para histórias que não tiveram áudio captado?
Uma parte foi resolvida com centenas de entrevistas feitas pela BBC nos anos 60 e 70 com veteranos de guerra. São eles que "narram" o documentário. Mas Jackson tinha planos mais sofisticados para dar vida ao seu trabalho.

Então, quando você for assistir ao documentário "They Shall Not Grow Old", irá se surpreender com a recriação das explosões e tanques, mas também com um fato inusitado: os soldados falando.
"Nós contratamos alguns peritos que fazem leitura de lábios, coisa que eu nem sabia que existia antes disso", disse Jackson. Estes profissionais geralmente trabalham com a polícia para descobrir o que as pessoas dizem em registros feitos por câmeras de segurança, por exemplo.

Com a ajuda deles, Jackson escreveu as falas e contratou diversos dubladores, inclusive respeitando os sotaques de cada regimento em função de sua região na Inglaterra para ter um relato mais próximo do fiel. Assim como especialistas em história militar contribuíram com consultoria para mostrar o contexto de todas as ações que aparecem nos vídeos.

Mesmo com tanta coisa acontecendo e o filme sendo uma "colcha de retalhos", Jackson quis ter uma unidade narrativa.

"Eu não queria mostrar um pouco de cada coisa. Eu queria focar em um tópico e fazer ele de maneira apropriada: a experiência que foi para um soldado da infataria".

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Bacana ver Peter Jackson investindo em outro filão cinematográfico com ótimo potencial pra ser explorado.
 

Eriadan

Usuário
Usuário Premium
Fabuloso! Não vejo a hora de assistir. A Primeira Guerra sempre me fascinou, mais até que a Segunda, mas a carência de registros decentes sempre foi uma pena. PJ prestou um serviço histórico imensurável aí. Quase penso em perdoá-lo por O Hobbit por causa disso.
 

Fúria da cidade

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Usuário Premium
Eu vou torcer (e muito) pra que esse documentário seja muito inspirador para vários outros filmes e documentários históricos do início do século XX.

Apesar que infelizmente ao redor do mundo muitos registros históricos de vídeo foram perdidos, incendiados ou danificados ao longo dos anos, mas do que está a disposição atualmente é sempre possível trabalhar e nisso parabéns ao Jackson, por querer trabalhar em cima de algo que poucos se dispuseram a fazer!
 

Nírasolmo

Usuário
Sobre o assunto de colorir fotos originalmente em preto e branco, destaco tbm o trabalho de uma historiadora brasileira, Marina Amaral, que inclusive lançou um livro. Infelizmente, o trabalho dela não é mto conhecido no Brasil.

Ela ganhou notoriedade mundial colorizando fotos dos prisioneiros de Auschwitz, acho que teve um tópico no Fórum na época se bem me recordo.
 

Giuseppe

Eternamente Humano
Sobre o assunto de colorir fotos originalmente em preto e branco, destaco tbm o trabalho de uma historiadora brasileira, Marina Amaral, que inclusive lançou um livro. Infelizmente, o trabalho dela não é mto conhecido no Brasil.

Ela ganhou notoriedade mundial colorizando fotos dos prisioneiros de Auschwitz, acho que teve um tópico no Fórum na época se bem me recordo.
Vi uma matéria sobre isso na internet. O site é Faces of Auschwitz. E há também uma máteria no G1 sobre o trabalho dela.
 

Fúria da cidade

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Usuário Premium
Lembrando que quando se trata do processo de dar cor a uma foto, desenho ou filme o termo correto pra esse processo se chama colorização e não coloração como algumas vezes aparece erroneamente em alguns blogs, portais de notícias, pois coloração diz respeito a processos que envolvem tintas e pigmentos como tingir cabelo ou roupa por exemplo.
 

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