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Vendetta

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Alisson P., 24 Jul 2009.

  1. Alisson P.

    Alisson P. Usuário

    Já que a criatividade não me tem dado as caras ultimamente, resolvi ressuscitar o conto com que participei do concurso aqui no meia, com algumas alterações. Gostaria de ouvir a opinião de vocês e sugestões de como melhorar. ;)

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    VENDETTA
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    [align=justify]Othon sentiu uma forte onda de desejo palpitar sobre cada centímetro de seu corpo, enquanto as mãos frias e úmidas de Nanda roçavam sobre seu peito. A moça estava de joelhos sobre o banco do carona, o corpo moreno estirado por cima do seu. Chovia forte lá fora. As janelas do Siena estacionado em frente ao motel ficavam cada vez mais embaçadas... Nanda deu-lhe um beijo longo e apaixonado, suas mãos desabotoavam freneticamente a camisa dele. Repentinamente, Othon sentiu algo vibrar sob seu jeans.

    - Droga! – exclamou.

    Nanda afastou-se, frustrada, enquanto Othon tirava o celular do bolso da calça. O nome VITÓRIA piscava na mini-tela do aparelho. Só um momento, gata, deve ser importante. Com um muxoxo, ele abriu o flip do telefone para atender.

    -Alô...

    -Alô... querido, por que demorou tanto a atender? – murmurou a voz rouca do outro lado da linha.

    Othon pigarreou, enquanto olhava fixamente para Nanda, que estava visivelmente irritada.

    - Ah... Desculpe, amor, é que ando tão ocupado aqui no escritório que nem percebi o celular vibrando. Estou atolado em papéis aqui, acho que não terminarei o serviço antes da meia-noite...

    -Afe, Othon, você está se tornando um workaholic dos piores. Estive preocupada, já que você não é comum você ficar até esse horário no trabalho... Nem mais te reconheço, sabia? Você passa a maior parte do dia aí, esquece que tem esposa e filhos também...

    - Vitória, bem que eu queria que fosse diferente, mas esses dias vêm surgindo casos e processos aos montes. Tenho uma infinidade de coisas para ler e analisar... Mas logo esse furacão passa e nossa rotina volta ao normal...

    - Entendo... – disse Vitória. – Bom trabalho pra você, então. Vou ficar te esperando.

    - Está bem. Dá um beijo nas crianças.

    - Pode deixar... Te amo. – Othon escutou a esposa dizer, em um tom doce e calmo... Fez uma careta. Nanda caiu no riso.

    - Também te amo... – disse ele, por fim, desligando o telefone. – Trouxa.

    - Você mente muito bem, sabia? – disse Nanda, sorrindo. - Adoraria que não estivesse mentindo quando me disse que largaria essa idiota pra ficar comigo.

    - Dê tempo ao tempo, gata. – disse Othon à amante, enquanto acariciava seu rosto. – Não vou deixar de cumprir tudo que lhe prometi.

    - Você também me prometeu que esta seria uma noite inesquecível, lembra?
    Othon mordeu o lábio.

    - Vamos subir para o nosso quarto. Pedi para o serviço do motel preparar algo especial para nós dois hoje.

    - Hummm... – disse Nanda, vestindo a blusa que havia sido largada, minutos antes, no banco de trás. - Algo como pétalas de rosa na banheira e vinho do Porto no frigobar ?

    - Você vai ver... – respondeu Othon, piscando.

    Saíram do carro em meio à chuva e entraram rapidamente no motel, de mãos dadas. Ainda não anoitecera, mas a recepcionista já estava dormindo, os braços em torno da cabeça apoiada sobre o balcão. Não havia muito movimento por ali, uma vez que o motel ficava em um local não muito freqüentado na cidade. O jovem casal subiu silenciosamente as escadas que levavam ao quarto 208, o homem sussurrando obscenidades no ouvido da moça.

    Othon abriu a porta. Entraram na suíte, braços entrelaçados e os lábios colados em um beijo ardente e repleto de desejo. O quarto estava escuro. Ainda grudado à amante, Othon tateou pela parede e apertou o interruptor.
    Houve um breve clarão e um grito de dor ecoou por todo o prédio, fazendo despertar a recepcionista.




    Nunca imaginei que seria tão fácil, pensou Vitória, desligando o celular e olhando para o equipamento elétrico, que lhe fora tão útil naquela tarde, dentro de uma caixa largada no sofá ao lado. E não é que aqueles anos cursando estudando Eletrotécnica serviram pra alguma coisa, no final das contas? Tomar o lugar de uma camareira e mexer no circuito elétrico de um motel suburbano foi mais simples do que ela pensara.

    Podia imaginar os jornais do dia seguinte anunciando a morte de um casal eletrocutado. Não, isso não vai merecer mais que uma nota minúscula na página de óbitos. Arquitetara tudo perfeitamente, para que parecesse que os falecimentos haviam decorrido de um curto-circuito normal, uma falha qualquer no sistema elétrico. Pensou nos seus filhos. Os gêmeos são muito pequenos, não se lembrarão do pai. E também não precisarão dele. Ninguém gostaria de ser criado por um mau-caráter.

    Evitou pensamentos pessimistas e deu uma gargalhada, satisfeita. Sentia-se plena, feliz. Como os homens são burros em subestimar a inteligência feminina! Nada se comparava à sensação de ter um plano de vingança posto em prática. Era tudo indescritível, maravilhoso. A chuva torrencial batia nas janelas da sala, produzindo um som que lhe lembrava aplausos. Bravo, Vitória, Bravo![/align]
     

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