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Um crime de paixão - cap. 1

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Társio, 3 Mar 2011.

  1. Társio

    Társio Usuário

    -Então o que você acha?

    O detive Tomás pegou a evidência, uma carta, das mãos de Daniel, seu rechonchudo parceiro. Observou-a por um tempo, virando de um lado para o outro. Só havia escrito “para Janine”. Fez menção de abrir, mas parou. Olhou para a tal Janine, que estava sentada numa poltrona da sala de seu pequeno apartamento no subúrbio. Suas olheiras denunciavam noites mal dormidas e os cabelos embaraçados lutavam contra os seus esforços para ajeitá-los. Ainda sim, podia-se ver que era uma mulher e tanto. O tipo de que você não pensaria duas vezes antes de rasgar suas roupas, pensou Tomás. Ela fez um gesto com a mão.

    -Pode abrir. Façam o seu trabalho. – disse.

    A mão de Tomás, com a devida permissão conferida , abriu a carta e retirou dela o seu conteúdo, uma folha de caderno pautada e dobrada. Desdobrou-a e, no minuto em que colocou os olhos nos desenhos de coração que emoldurava a carta, qualquer pensamento sexual saiu de sua cabeça. Palavras numa caligrafia esforçadamente caprichosa cobriam frente e verso. Tomás passou a mão no queixo, enquanto lia.

    -“Querida Janine, você não sabe que eu existo. Muito provável já tenha me visto uma vez ou outra e nem notado. Devo dizer que muito tempo atrás eu nem sabia se existia mesmo. A vida parecia sem sentido. Até que encontrei você.”

    Houve uma pausa. Os dois policiais se olharam, sabendo onde aquilo iria levar. Janine se remexeu no sofá, denunciada pelo barulho escandaloso do assento de couro. Tomás continuou:

    -“Você, Janine, é a razão da minha vida, é por você que eu existo, para admirá-la todo dia... toda hora.”

    -Esse cara pega pesado. – falou Daniel.

    Houve mais uma pausa, Tomás virou a folha.

    -Ele diz mais algumas coisas. Um monte e termina dizendo. “Por mais que sonhe em se casar e ter filho com você e uma vida tranqüila, sei que é difícil gostar de um cara como eu. Mais que independente do que aconteça, sempre vou...” hum....

    Por um segundo, a voz se perdeu. Tomás sentia os olhos de Janine em cima dele, esperando que terminasse logo com aquilo, preparando-se para o inevitável.

    -“Amá-la.”

    A carta foi passada para as mãos do parceiro, enquanto o outro, aflito e constrangido, deu as costas fingindo analisar a casa. Tentava escapar dos pensamentos e lembranças. Focou a atenção num porta-retratos. Onde posava uma Janine com cabelo mais curto e rosto alegre, ao lado de um homem de meia-idade. Na sala, Daniel fazia perguntas.

    -E essa não é a primeira carta?

    -Não. Eu já recebi outra antes. Pensei primeiro que era nada, algum trote, mas depois dessa... aí realmente fiquei com medo.

    Tomás pegou a foto, enquanto Daniel pedia para ver a primeira carta. Chegando mais de perto do porta-retratos, dava para reparar que suas mãos estavam de mãos dadas. O cenário era de uma praia, longe do município provavelmente. Tomás calculou pelo tamanho do cabelo que talvez pudesse ter sido tirada há menos de um ano. Levantou a foto e a voz para chamar atenção de Janine, que já havia voltado à sala com a outra carta.

    -É seu marido?
    A mulher pressionou as pálpebras e enrugou a testa no esforço de ver o que Tomás mostrava. Ele se aproximou para debaixo da luz.

    -Ex-marido, na verdade. –ela disse, ríspida – Deus, meu cabelo está horrível aí.

    -Posso perguntar há quanto tempo está separada? Não parece uma foto muito antiga.

    -O meu estado civil é tão interessante assim para a polícia. – ela não falou em reprimenda. Era uma brincadeira, indicada pela curva de seus lábios. Curva a qual o policial ficou perdido por um momento.

    -Não. Talvez possa haver uma ligação entre eventos. Divórcios podem não acabar bem. Às vezes até em amor.

    -Acho difícil. Elízio era uma boa pessoa.. me tratava como um pano de chão. Tenho certeza que não nutria qualquer coisa romântica por mim.

    -Então...

    -Nós éramos diferentes. Quando o conheci era jovem demais. Achei que, na vida, só bastava humilhações, mas de vez em quando uma discussão vai bem. A relação era puramente físico. Nos divorciamos há 5 meses. Essa foto de fazer um pouco mais de um ano.

    Daniel que terminara de ler a outra carta, entrou na conversa.

    -É, bem, parece que o seu correspondente secreto não faz questão de ter nada físico com você. Provavelmente ele te colocaria numa garrafa em cima da estante para ficar te observando.

    A risada de Daniel soou solitária pela sala. Aquilo era típico dele, pensou Tomás, nenhum tato. Acha que todo mundo quer ouvir suas piadas. Percebeu o rosto cansado da mulher e decidiu encerrar as atividades.

    -Eu acho que é isso, Srta. Queirós. Por enquanto, não temos mais perguntas para fazer.

    -Vocês acham que vão encontrar o homem.

    -Claro. – disse Daniel – Pessoas assim sempre cometem erros. São muito pouco racionais. Podemos levar as cartas?

    -Sim.

    Tomás apontou para a foto de Janine e seu ex-marido.

    -E a foto?

    -Se você acha que pode ajudar...

    -Informação nunca é de mais.

    Janine se levantou da poltrona e encaminhou os oficiais até a porta do apartamento. Antes de dar adeus, Tomás disse:

    -Não se preocupe. Seja lá quem for não vai chegar perto de você.

    Houve uma troca de obrigados e cumprimentos e finalmente ela se recolheu atrás da porta. Os dois policiais se entreolharam e seguiram para o elevador, discutindo.

    -Você acha que pode ser o mesmo.

    -O cara das flores?

    -É parecido com o caso anterior. Nunca acharam o suspeito.

    -É, mas ele deixou um monte de flores, antes de, bem, fazer uma serenata.
    A porta do elevador abriu e o rangido do mecanismo entrando em ação se sobressaiu à fala de Tomás.

    -Hum?

    -Eu disse que não é impossível que seja o mesmo criminoso. A vítima morava não muito longe daqui, certo?

    -Sim, mas fora isso, qual é a ligação.

    -Não sei, teremos de investigar.

    -A única pessoa que viu o maluco é a vítima e hoje em dia ela está falando coisa com coisa em algum hospício por aí.

    Saíram do elevador para o apertado saguão do térreo, onde havia uma mesinha em que, por baixo, havia o botão que liberava as travas do portão. A mão de Daniel procurou as cegas, tateando o caminho até o botão. Com um zumbido e um estalo, a porta se abriu.

    -Cara, a gente recebe pouco para agüentar essas coisas.

    -Nem me fale. Porém é sempre um prazer prender esses miseráveis românticos.

    Na calçada o carro deles esperava. Era um Escort preto, já um tanto rodado, mas que dava para o gasto. Na murada do prédio, uma criança pichava um n, já tendo escrito um v,a,g,i. Daniel puxou Tomás pela manga e apontou para o garoto. Tomás sorriu.

    -Ei, você!

    O menino interrompeu o seu trabalho e viu a pança de Daniel avançar tal qual um Sol no horizonte. Escondeu inutilmente o spray atrás das costas.

    -Deixe de bobagem! Me dá esse spray.

    Hesitante, o menino foi estendendo a mão. Daniel, sem muita paciência, arrancou-lhe o spray.

    -Você sabe que precisa de licença para fazer pichação.

    Não houve resposta.

    -Sabe? Se não, devia saber. Talvez a gente leve você para o seu pai, provavelmente ele te daria umas porradas.

    -Para que deixar a diversão para o pai. – disse Tomás - A lei nos permite agir com violência devida aos infratores.

    -Não não. – murmurou o menino desesperado - Tenho dinheiro.

    Colocou a mão no bolso e tirou de lá algumas notas. Daniel contou.

    -É, dessa vez vamos deixar passar. Mas, na próxima, é bom estar com a licença.

    Devolveu o spray e voltou-se para o carro sorridente.

    -Rá, temos o dinheiro da gasolina pelo menos.

    -Não acha que exageramos?

    -Ah que nada. Estamos apenas exercendo a lei.

    Daniel sentou no banco do motorista; Tomás, no do carona. Antes de o carro dar partida, Tomás observou o as pernas do garoto ainda tremendo, segurando a respiração para não causar problemas. Lembrava um pouco ele quando criança, sempre amedrontado. O carro andou. A imagem se desfez na velocidade, ligeiramente acima do limite da estrada.

    Livre dos policiais, o garoto se sentiu seguro para retornar ao seu trabalho e às suas funções respiratórias. Depois do n e do a, completou vagina. Afastou-se um pouco para ver melhor como tinha ficado, mas mal dava para reparar os seus rabiscos na parede coberta até a telha de pichações. Descontente, foi-se embora.
     
  2. Mrs. Darcy

    Mrs. Darcy Usuário

    Apesar de ser a única aqui,peço o capítulo 2 rs. Me interessei pela história, quero ver o desenrolar dela. :sim:
     

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