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Sobre a posição dos anões entre as raças

Olá meus amigos, espero não estar quebrando nenhuma regra ao criar este tópico mas vamos lá

Nas obras de tolkien, sabemos que são dois, os filhos de Llúvatar(e que assim são chamados): Homens e Elfos. Claro, não podemos traçar um paralelo com a nossa realidade, tendo em vista que não há nenhuma outra espécie dominante no planeta além da nossa. Ainda que tenhamos diferentes etnias, pertencemos à uma mesma raça, a humana. Porém, seria o mesmo que considerássemos(Sob a ótica cristã), que Deus criasse outra raça pensante para dividir o planeta conosco. Em tal situação, seriam eles, filhos de Deus também, não concordam? Tendo isso em mente, como ficariam os Anões na terra-média? Seriam eles, considerados raça inferior , pelo fato de terem sido criados por um valar e não por Llúvatar?
 

Neoghoster Akira

Brandebuque
Bem, Tolkien tinha umas influecias do cristianismo de preferencias por filhos por parte de Deus, tipo Esau e Jaco.

Mas e disposta de forma mais suave, mais "Novo Testamento".

Entao diria que inferior e meio forte para os anoes, o melhor seria dizer "nao favoritos".
 

Eriadan

Usuário
Usuário Premium
Mas sempre nas obras em que se falam nos "filhos de Llúvatar", são citados apenas homens e elfos!
É porque filhos de Ilúvatar são só elfos e homens mesmo. São os únicos seres que devem sua criação diretamente a Ilúvatar em vez de a algum ainu. Pode-se dizer que Ilúvatar "adotou" os Anões (embora eu não me lembre de essa palavra ser usada) quando se compadeceu deles e lhes deu vida, porque Aulë os criara de forma ilegítima. Mas o verdadeiro pai dos anões é Aulë e é a ele que os próprios anões dedicam sua devoção.
 

Neoghoster Akira

Brandebuque
Dentro do livro, os direitos dos "filhos da escolha" são dispensados no Silmarillion antes da criação dos anões (logo no começo na batalha de canções já estavam na mente de Ilúvatar), por isso há preferência dos filhos de Eru que mesmo os anões se materializando mais cedo na cronologia do mundo são forçados a dormirem sob a pedra para não roubarem a primogenitura dos Elfos. (escolha no mesmo sentido de preferência do velho testamento pelo povo judeu ou na disputa de Esaú e Jacó) E eles se tornam posteriormente em filhos acreditando que Eru não se esqueceria deles:

The Dwarves loved and revered the Vala Aulë.[1][3]

Of old, the Elves believed that the Dwarves would have no future in Arda Unmarred, but the Dwarves themselves held to a promise that Ilúvatar would hallow them and adopt them as his Children. They maintained that after death Aulë (Mahal) cared for them, gathering them to the Halls of Mandos with the other Children of Ilúvatar, though in halls set apart. It is said that after the Last Battle they will work alongside Aulë in the remaking of Arda.[3]

http://tolkiengateway.net/wiki/Dwarves
Por terem vindo depois de Elfos tanto anões quanto homens (Na história de Númenor) tinham complexo de inferioridade, mas não era assim que os elfos viam as coisas. Um povo livre não devia invejar o outro (no sentido de ter recebido dons piores) pois não se deve duvidar das coisas que Eru planta no coração uma vez que o Único não planta sem propósito. Se os anões podiam ser adotados da forma que foram criados é porque nada devia ser acrescentado a eles (Eru mesmo diz isso no Silmarillion). Quer dizer, é preciso seguir a ordem de preferência de Eru em razão de a vontade dele ter poder de Lei (com maiúscula).

Outro ponto importante é que a vontade de Eru não é apenas modulada pela justiça, mas pela piedade (a misericórdia no Novo Testamento está a direita). O Tolkien Gateway comenta sobre um processo de "Santificação" da criação de Aulë.
 
Entendi. Acho que todas as respostas se completam. Realmente faz sentido tudo o que foi dito! Minha dúvida foi gerada justamente por causa da visão cristã que Tolkien possuía e pensei no ponto de vista dele sobre essa questão!
 

Gerbur Forja-Quente

Defensor do Povo de Durin
Olha essa questão é interessante.

Para mim tudo é filho de Eru Iluvatar, pois nele está a origem e o fim de todas as coisas.

No começo de Silmarillion vemos que na Música, toda vez que Melkor quer destoar e criar uma música própria, Eru faz um movimento e engloba a dissonância na própria Música. O que isso significa? Mesmo que algo seja originalmente ruim, esse mal interino serve à propósitos maiores e no final se concluirá em algo bom e perfeito.

E isso é muito cristão é católico: o mal existe, mas é apenas mais um instrumento de Deus para nos levar a nos superar e enxergar o esplendor do que é Bom.

Estou quase acabando de ler “12 regras para a vida” do psicólogo canadense Jordan Peterson e ele faz uma reflexão muito bacana sobre isso: Éden significa “jardim murado” em aramaico. Ora, como pode dentro de um Jardim murado, dentro de um jardim protegido, ter uma serpente? A resposta é que a serpente já está dentro de nós (humanos), por isso ela está dentro do jardim murado. E quando Deus caminha com Adão pelo jardim, ele nos quer dizer que apesar de nossas fraquezas ainda podemos caminhar lado a lado com o Pai.

Bom, me desviei do foco do tópico.

Isso não está escrito literalmente na obra, mas quando Eru pede que Aulë destrua sua obra herege (os anões) e depois muda de idéia e interrompe a ação de Aule. Me lembra muito o sacrifício de “Jacó”? ( não lembro bem). Eu sempre senti que quando Aule vai assassinar seus filhos e Eru impede no momento final ele diz algo como: “PAre! Não vê como eles se movem e se defendem além de sua vontade? Isso é porque Eu já estou neles e eles também são meus filhos. E você também sendo meu filho desde o momento da criação não achou que eu não sabia o que estava no seu coração e o que você fez? Não percebe que você não poderia criá-los se Eu já não tivesse criado eles antes de ti em meu coração?”

Essas não são as palavras exatas, mas é o sentido que absorvi. As coisas são todas filhas de Deus. Mesmo as más (não é o caso dos anões), e Deus cria tudo, pois tudo nos leva a um destino maior... divino?
 

Eriadan

Usuário
Usuário Premium
Olha essa questão é interessante.

Para mim tudo é filho de Eru Iluvatar, pois nele está a origem e o fim de todas as coisas.

No começo de Silmarillion vemos que na Música, toda vez que Melkor quer destoar e criar uma música própria, Eru faz um movimento e engloba a dissonância na própria Música. O que isso significa? Mesmo que algo seja originalmente ruim, esse mal interino serve à propósitos maiores e no final se concluirá em algo bom e perfeito.

E isso é muito cristão é católico: o mal existe, mas é apenas mais um instrumento de Deus para nos levar a nos superar e enxergar o esplendor do que é Bom.

Estou quase acabando de ler “12 regras para a vida” do psicólogo canadense Jordan Peterson e ele faz uma reflexão muito bacana sobre isso: Éden significa “jardim murado” em aramaico. Ora, como pode dentro de um Jardim murado, dentro de um jardim protegido, ter uma serpente? A resposta é que a serpente já está dentro de nós (humanos), por isso ela está dentro do jardim murado. E quando Deus caminha com Adão pelo jardim, ele nos quer dizer que apesar de nossas fraquezas ainda podemos caminhar lado a lado com o Pai.

Bom, me desviei do foco do tópico.

Isso não está escrito literalmente na obra, mas quando Eru pede que Aulë destrua sua obra herege (os anões) e depois muda de idéia e interrompe a ação de Aule. Me lembra muito o sacrifício de “Jacó”? ( não lembro bem). Eu sempre senti que quando Aule vai assassinar seus filhos e Eru impede no momento final ele diz algo como: “PAre! Não vê como eles se movem e se defendem além de sua vontade? Isso é porque Eu já estou neles e eles também são meus filhos. E você também sendo meu filho desde o momento da criação não achou que eu não sabia o que estava no seu coração e o que você fez? Não percebe que você não poderia criá-los se Eu já não tivesse criado eles antes de ti em meu coração?”

Essas não são as palavras exatas, mas é o sentido que absorvi. As coisas são todas filhas de Deus. Mesmo as más (não é o caso dos anões), e Deus cria tudo, pois tudo nos leva a um destino maior... divino?
Excelente, Gerbur!

O episódio bíblico a que você se referiu é na verdade o sacrifício de Isaque, que Deus pede a Abraão, seu pai. Acho que a similaridade é grande demais para não deduzirmos que se trata de uma influência direta na história dos anões.
 
Última edição:

Eferos Masopias

Senhor dos Pastéis
Um comentário de muito reflexo o do @Gerbur Forja-Quente.
Queria fazer dois comentários: No sacrifício de Isaque, minha visão foi a de que não houve arrependimento divino. O plano sempre foi ver se Abraão estaria disposto a ir até o fim, e não que ele fosse de fato até o fim.
Gên 22:12 " Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho."

No caso do Éden, o dicionário de Strong diz que a palavra hebraica עֵדֶן(Éden) significa "pleasure: - delicate, delight, pleasure", sendo aquele um lugar aprazível. Fiquei curioso sobre essa definição, jardim murado. Adão e Eva não estavam separados dos animais, porque Adão até mesmo foi convidado a dar nomes a eles. Não parece tão difícil assim que Eva se encontrasse com uma serpente, como o autor da obra parece sugerir, e por isso sugeriu um entendimento mais abstrato do que é a serpente.

É a vista do meu ponto...
 

Haran Alkarin

Usuário
Olá meus amigos, espero não estar quebrando nenhuma regra ao criar este tópico mas vamos lá

Nas obras de tolkien, sabemos que são dois, os filhos de Llúvatar(e que assim são chamados): Homens e Elfos. Claro, não podemos traçar um paralelo com a nossa realidade, tendo em vista que não há nenhuma outra espécie dominante no planeta além da nossa. Ainda que tenhamos diferentes etnias, pertencemos à uma mesma raça, a humana. Porém, seria o mesmo que considerássemos(Sob a ótica cristã), que Deus criasse outra raça pensante para dividir o planeta conosco. Em tal situação, seriam eles, filhos de Deus também, não concordam? Tendo isso em mente, como ficariam os Anões na terra-média? Seriam eles, considerados raça inferior , pelo fato de terem sido criados por um valar e não por Llúvatar?
E os ainur/anjos seriam filhos de Deus também? Acho que não bate muito com a visão católica sobre o assunto. Ser filho de Deus (eruhín) envolve uma relação mais específica com Deus do que ser meramente uma criatura de Deus. Se todo mundo é filho de Deus, o termo perde sentido em existir... A diferença, talvez, seja o fato de que os filhos de Deus foram criados "à imagem e semelhança de Deus". Não seria o caso dos anões e ainur/anjos. Isso fica evidente com os ents, que também foram criados mais ou menos na mesma época que os anões, em episódios e condições parecidas [1][2], mas parece evidente que não são "filhos de Deus". Com os anões a diferença é mais sutil, porque Aulë buscou uma proximidade com os próprios eruhíni, já Yavanna buscou proximidade com outras criaturas de sua própria subcriação.

Ver também: Porque anões NÃO SÃO Eruhín...

O fato de não ser filho de Deus caracteriza uma espécie de desvantagem sim, na falta de palavra melhor, mas não implica que o sujeito é "inferior". Tanto São Miguel arcanjo quanto Santo Expedito são santos e são plenos em sua santidade, ainda que, do ponto de vista específico da filiação com Deus, Santo Expedito esteja em condição preferível. Mas esse tipo de acidente existiria em vários outros níveis, seria um aspecto da existência que é desejável por Deus, e isso por si só não tornaria os indivíduos inferiores em relação a outros. É uma diferença clara entre a teologia católica e filosofias logicistas greco-romanas (como os filósofos eletas). Uma visão típica eleata levaria a crer que, por exemplo, a falta de uma dada qualidade positiva qualquer implicaria automaticamente em algo ser imperfeito, e disso emergiria a perfeição como algo homogêneo e estático, já que o que seria perfeito não poderia sequer mudar sem deixar de ser perfeito - pois só poderia mudar ganhando novas qualidades positivas, o que seria impossível pois ele não careceria de nenhuma dessas qualidades. Sequer poderia ser multifacetado, já que a existência de múltiplas facetas implicam que certas qualidades faltariam em umas e estariam presentes em outras, o que resultaria já em imperfeição por parte das facetas. Enfim, não é essa a visão católica sobre o assunto, em que Deus é perfeito, mas é dinâmico, tem pessoalidade e inclusive capacidade de sofrer, e as desigualdades entre os seres são naturais e não deixam de existir nem no Céu.
 
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