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Heróis Fora de Órbita (Galaxy Quest, 1999)

Béla van Tesma

Nhom nhom nhom
Colaborador
Acho um desaforo que não haja um tópico para um dos melhores filmes de todos os tempos :hihihi:
Então resolvi abri-lo eu mesmo.

O trailer original da época, pra dar um gostinho:

Um resenha bacana, para dar uma pincelada sobre o filme (extraída de Cinema com Rapadura e escrita por Thiago Siqueira):

1999 foi um ano especial para os fãs de ficção científica, pois a franquia “Star Wars” retornava aos cinemas para sua primeira película inédita após anos. Durante esse período de hiato entre os episódios VI e I da ópera espacial de George Lucas, a única das sagas especiais clássicas a prosperar fora “Jornada nas Estrelas”. E como prosperou. Convenções, itens colecionáveis, idiomas fictícios, dados técnicos sobre as naves daquele universo, tudo isso fazia (e ainda faz) parte do dia-a-dia dos fãs, criando praticamente uma sociedade alternativa baseada nos ideais dos personagens criados e inspirados pela criação máxima de Gene Roddenberry.

Mas poucos se lembram que 1999 também foi o ano de lançamento de um ótimo filme chamado “Heróis Fora de Órbita”, uma película que brincou com os dogmas dos universos nos quais os trekkers vivem. Digo “universos”, pois não foi apenas a história de “Jornada nas Estrelas” que foi retratada na fita, como também a visão que os não-iniciados tem dos fãs, o ponto de vista dos atores e o impacto que aquelas histórias podem causar, mesmo que não intencionalmente, na vida de outras pessoas.

Tais pontos de vista são mostrados em uma forma alegórica, embalada em uma história extremamente leve e descontraída e sendo apresentada da melhor maneira possível, por uma trama de ficção científica. O roteiro acompanha o elenco de um cultuado – e cancelado – seriado de sci-fi, “Galaxy Quest”. Vivendo apenas de aparições em convenções de fãs da série, esses atores estão basicamente presos pela força de seus personagens. O “líder” do grupo, o canastrão Jason Nesmith (Tim Allen), parece não ligar muito e continua em sua rotina, até perceber que sua vida é vista como uma piada pelas pessoas fora daquele seu mundinho e que seus colegas o vêem como um egomaníaco mimado.

Os demais membros da “tripulação” também não estão lá muito bem. A loira Gwen DeMarco (Sigourney Weaver) vive basicamente de seus atributos físicos. O frustrado britânico Alexander Dane (Alan Rickman), que vivia o sábio alienígena Dr. Lazarus, se vê obrigado a repetir sempre a frase icônica de seu personagem, sem poder mostrar seus dotes de ator shakespeariano. Tommy Webber (Daryl Mitchell), que era o pequeno e brilhante navegador da nave, se tornou um adulto apagado. E Fred Kwan [Tony Shalhoub], que interpretava o engenheiro da equipe, só vive a base de tranquilizantes que lhe deixam mais aéreo que um astronauta.

Embora desajustados, esses atores acabam sendo chamados por uma raça verdadeira de avançados e ingênuos alienígenas que acham que as aventuras mostradas no seriado eram reais, tendo eles baseado toda a sua sociedade nos valores e ideais mostrados naquele programa. Sob ataque do ardiloso déspota espacial Sarris (Robin Sachs), eles recorrem justamente aos seus heróis para socorrê-los. Jason enxerga nessa aventura a chance de se redimir junto aos seus colegas e a si mesmo, enquanto os seus amigos acabam entrando na aventura sem saber no que se meteram até ser tarde demais.

Em uma trama que remete diretamente ao clássico de Kurosawa “Os Sete Samurais”, a beleza do roteiro, escrito por David Howard e Robert Gordon, é conseguir abordar todos os aspectos que cercam uma a mitologia “Jornada nas Estrelas” de modo satisfatório, engraçado e acessível. Claro que boa parte do mérito também cabe ao diretor Dean Parisot e ao elenco, que fizeram suas partes em encarar simulacros de rostos conhecidos do mundo trekker e recriar situações familiares à saga, mas sem fazer com que parecessem meras imitações, dando, até certo ponto, identidade aos personagens e à trama.

Tim Allen, ao encarnar Jason Nesmith, bebe muito da canastrice e egomania de William Shatner, mas ao mostrar a depressão de Nesmith quando percebe o fracasso que é em relação ao “mundo real”, ele acaba enchendo seu personagem de humanidade. Alan Rickman, por sua vez, mostra o ator maravilhoso que é ao trazer uma versão caricatural de Leonard Nimoy que, aos poucos, percebe o impacto que a figura que havia criado exercia em outros, aceitando cada vez mais o peso de seu papel. Rickman vive isso de uma maneira tão singela que o público logo supera a antipatia inicial que seu personagem, um tanto quanto prepotente, pode exalar.

A escalação de Sigourney Weaver para o papel de Gwen DeMarco foi uma das melhores sacadas do longa. Ora, a própria Weaver enterrou o estereótipo da mulher linda e inútil no mundo sci-fi com a durona Ripley na franquia “Alien”. Nada mais irônico que colocá-la nesse papel para vê-la brincar com esse antigo chavão. O talentosíssimo Tony Shalhoub é outro que se sobressai no elenco vivendo o sempre aéreo e inseguro Fred Kwan.

Mas quem rouba a cena eventualmente é o ótimo Sam Rockwell, com seu personagem, Guy, brincando com o que os trekkers chamam de “camisa vermelha”, isto é, aquele tripulante que só está lá para morrer e atestar a gravidade da situação. Justamente por isso, o público sempre teme por sua sobrevivência. Os fãs são representados pelos próprios alienígenas, por meio da alegoria acima explicada e pelo personagem vivido por um então novato Justin Long, um jovem nerd que conhece melhor a nave da série que os próprios roteiristas e que terá uma tremenda importância na história.

Parisot e sua equipe fazem um ótimo trabalho ao lidar com as várias facetas do universo sci-fi, com o longa transitando de maneira bastante orgânica entre as poucas cenas do seriado “Galaxy Quest”, o mundo “real” (leia-se Terra) e a aventura vivida pelo elenco no espaço, algo que se reflete também na ótima fotografia e nos efeitos visuais da fita, que não deixam a desejar e fazem frente a muitas aventuras mais sérias.

Os fãs de “Jornada nas Estrelas” vão identificar as clássicas lutas corpo-a-corpo do capitão/comandante com o alien maligno, a camisa facilmente rasgada, os tremeliques da nave… Enfim, os grandes clichês estão todos lá, devidamente escancarados e parodiados. Mas a grande sacada de “Heróis Fora de Órbita” não é só brincar com tais elementos, mas é fazer isso enquanto reconhece a importância de sagas como “Star Trek” para a vida de seus fãs, mostrando o respeito e a reverência que a franquia merece. Realizar isso, mas sem deixar de montar um filme divertidíssimo para todos os públicos é o que faz desse um grande filme. Recomendado!

A avaliação nos Tomates Podres:
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O último a assistir é a mulher do padre.
Ouvi dizer que estava no catálogo da Netflix, mas isso sempre muda muito rápido, então não sei.
Eu quero ver de novo. :dente: Vejam, vejam.
 

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