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[L][Cervus][Janelas abertas]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Edu, 1 Mai 2005.

  1. Edu

    Edu Draper Inc.

    Janelas abertas

    Eduardo Edálfur P.P. I

    "Qui veritas universi, domini? Cria domini, cria..."


    E começaram a lutar por uma janela... janela qualquer, dessas brancas ou talvez azuis. Lutas sangrentas, lutas ordinárias, de alto estupor, de uma viagem pela veia da escravidão... escravidão de si mesma escrava. Uma viagem lúdica, ritmada até, ritmada em si mesma. Ouviam-se barulhos de um tráfego vermelho, saliente, quente, delirante...
    Mataram-se mutuamente por uma janela. Rogaram uma janela. Rezaram por ela, bendizeram-na... e ela? Fechou-se a eles, esmagou seus dedos, ocultou deles a visão do paraíso. Maldita seja a portinhola da parede, pois então! Malditos sejam seus preceitos, suas crenças tolas, banais, atemporais...

    Havia também uma cortina. Cortina bela, tecida de linho, adornada com ouro... desenhos de pássaros, de árvores e de lagos estavam nela. Desenhos de elefantes, girafas e tarturgas também. Era tão bela que, depois de um tempo, passou a ofuscar a própria janela. Era radiante, imortal, perfeita... tão cortina que em si mesma era Deus. E por ela eles também se mataram, até que deles restaram três, depois dois, depois um. E o um veio a definhar.
    Três minutos! Três minutos inteiros ele passou admirando a cortina... um, depois dois, depois três; redondinhos, sem tirar e nem pôr. Pode-se dizer que foi quase uma vida, não se pode? E após este tempo, ele caiu. Caiu sobre seus próprios joelhos, chorando feito criança, balançando sua cabeça para os lados, contorcendo seu corpo todo, filão de músculo após filão de músculo. E a cortina lá, olhando, rindo-se, inspirando a dor do cavaleiro. O cavaleiro, de todo ensangüentado, balbuceou algumas poucas palavras... palavras? Sussuros, diria eu. Não... sussuros não! Grunhidos. Isso, grunhidos. Grunhiu ele: "Qui veritas universi, domini? Cria domini, cria...", e completou com lágrimas umidecendo seu rosto. Era latim? Que nada, língua de guerreiro mesmo.
    A cortina riu. Não, riu não. Gargalhou, gargalhou e gargalhou. Uma gargalhada gostosa para ela, mas terrível para o cavaleiro. Terrível a ponto de se assemelhar a mil e um alfinetes sendo enfiados canal auditivo à dentro. Terrível, terrível, te... mortal. Mortal para o guerreiro, a ponto dele, hoje, estar enterrado sob uma lápide cor de gris, com dizeres sobre ele em latim, em grego e em aramaico.

    Quanto à janela, apodreceu e caiu. Quanto à cortina, rasgou-se ao meio, e uma parte dela se despedaçou, se desfiou. A outra foi resgatada por uma criança, e depositada em cima do túmulo do cavaleiro, sendo que ela, no ato, disse: "Auqi veritas universi jazi, cavaleri! Aqui, ic corasio tue. Io a crie cavaleri, io a crie..."**.

    Um tão aclamado e esperado: fim.


    *Qual a verdade do universo, Senhor? Crie-a Senhor, crie-a...
    **Aqui jaz a verdade do universo, cavaleiro. Aqui, o coração teu. Eu a criei cavaleiro, eu a criei...
     

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