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Autor da Semana Joseph John Campbell

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Morfindel Werwulf Rúnarmo, 3 Mai 2012.

  1. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Joseph Campbell

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    O multifacetado Joseph Campbell​

    Nascimento e Infância

    No dia 26 de março de 1904, na cidade de White Plains, em Nova Iorque, nascia Joseph John Campbell, futuro pesquisador de mitologia e religião comparada. Primogênito do casal de classe média católico, Charles e Josephine Campbell, apaixonou-se pela cultura dos índios norte-americanos logo aos oito anos, quando o pai o levou para assistir um espetáculo do Buffalo Bill's Wild West. Não foram os vaqueiros que o arrebataram, mas sim a presença de um índio desnudo, com o ouvido encostado à terra, portando em suas mãos um arco e flecha.

    Ainda criança, visitou também o Museu Americano de História Natural, quando se deparou com um quadro, no qual estavam dispostas as coleções dos produtos manufaturados pelos índios americanos. Essas experiências o levaram a estudar profundamente as diversas faces da cultura indígena dos EUA, o que o conduziu às pesquisas mitológicas que o tornariam célebre. Em suas observações, Joseph estabeleceu a identidade entre as mais diferentes tradições culturais.

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    Interesses Acadêmicos

    Embora a princípio ele tenha optado pelos estudos biológicos e matemáticos, as Ciências Humanas exerceram sobre ele o irresistível fascínio que, desde cedo, o atraíra ao conhecimento mais profundo dos mitos. Assim, ele se mudou para a Universidade de Columbia, na qual se graduou em Literatura Inglesa, em 1925, e defendeu seu mestrado em Literatura Medieval, em 1927.

    Contribuições: A Jornada do Herói

    Uma de suas grandes contribuições foi associar a recorrência de mitos semelhantes nas mais diversas tradições, traçando assim o que chamou Caminho do Herói: descobriu que muito antes dos cavaleiros medievais se encarregarem de matar dragões no imaginário popular, os contos de aventuras heroicas já faziam parte de todas as culturas mundiais. Campbell lançou então um desafio: vermos a jornada heroica em nossas próprias vidas, cada um de nós.

    Contribuições: A Mutabilidade dos Mitos

    Joseph Campbell compara a história da criação do Gênesis com as diversas histórias de criação das múltiplas culturas ao redor do mundo. Percebeu que, por causa das constantes mudanças que acontecem na história do mundo, a religião vai sendo transformada, e novas mitologias são criadas. Chegou à conclusão de que, hoje em dia, as pessoas continuam se apegando aos mitos, mesmo que não estes não lhes tenham mais serventia.

    Contribuições: O Papel do Sacrifício

    Campbell trouxe também à discussão o papel do sacrifício no mito, que representa a necessidade do renascimento simbólico e da renovação. Ele enfatizou a necessidade de cada um encontrar o seu lugar sagrado neste mundo tecnológico e acelerado. - Esse grande pensador proporcionou ao mundo novas e interessantes visões sobre conceitos como Deus, religião e eternidade, e como foram revelados nos ensinamentos das religiões e nas crenças, além de se aprofundar no estudo de Schopenhauer e Jung, entre outros.

    Trecho do livro O Poder do Mito sobre a figura do herói

    Campbell: Há um magnífico ensaio de Schopenhauer em que ele pergunta como um ser humano pode participar tão intensamente do perigo ou da dor que aflige o outro a ponto de, sem pensar, espontaneamente, chegar a sacrificar a própria vida por esse outro. Como pode acontecer a brusca anulação daquilo que normalmente concebemos como a primeira lei da natureza, a autopreservação?

    No Havaí, há cerca de quatro ou cinco anos, deu-se um evento extraordinário que ilustra bem a questão. Há um lugar lá chamado Pali, onde os ventos do norte passam rápidos através de uma grande cadeia de montanhas. As pessoas gostam de ir lá em cima, para ver seus cabelos agitados ou, às vezes, para cometer suicídio -– você sabe, algo como saltar da Golden Gate Bridge.

    Um dia, dois policiais dirigiam pela estrada de Pali quando viram, encostado à amurada que protege os carros do perigo do despenhadeiro, um jovem que se preparava para saltar. O carro de polícia parou e o policial à direita pulou para agarrar o jovem; mas o fez no instante em que este saltava, e acabou sendo carregado pelo outro; o segundo policial chegou a tempo de puxar os dois.

    Você se dá conta do que subitamente aconteceu àquele policial que quase morreu junto com o jovem desconhecido? Tudo o mais em sua vida foi esquecido -– seus deveres para com a família, seus deveres para com o trabalho, seus deveres para com sua própria vida –- todos os seus desejos e esperanças em relação à vida simplesmente tinham desaparecido. Ele estava a ponto de morrer.

    Mais tarde, um repórter lhe perguntou: “Por que você não o deixou cair? Você teria morrido com ele”. Sua resposta foi: “Não podia. Se tivesse deixado aquele jovem cair, não poderia viver nem mais um dia da minha vida”. Como é possível?

    A resposta de Schopenhauer é que tal crise psicológica representa a abertura para a consciência metafísica de que você e o outro são um, de que você é um dos aspectos de uma só vida, e que a sua aparente separação é apenas resultado do modo como vivenciamos as formas, sob as limitações de tempo e espaço. Nossa verdadeira realidade reside em nossa identidade e unidade com a vida total. Esta é uma verdade metafísica, que pode surgir espontaneamente em circunstâncias de crise. Pois esta é, de acordo com Schopenhauer, a verdade da sua vida.

    O herói é aquele que deu sua vida física em troca de alguma espécie de realização dessa verdade. A ideia de amar seu próximo é pôr você em sintonia com esse fato. Mas, quer ame ou não o seu próximo, quando a realização o pega, você pode arriscar a própria vida. Aquele policial havaiano não sabia quem era o jovem a quem ele tinha oferecido a própria vida. Schopenhauer declara que, em proporções reduzidas, você vê isso acontecer todos os dias, o tempo todo, movendo a vida na terra -– pessoas tendo gestos desprendidos em relação a outras pessoas.

    Moyers: Então, quando Jesus diz “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, ele na verdade está dizendo: “Ama o teu próximo porque ele é tu mesmo”.

    Campbell: Há uma bela figura na tradição oriental, o bodhisattva, cuja natureza é a compaixão ilimitada e de cujos dedos diz se que escorre ambrosia até as profundezas do inferno.

    Moyers: Qual é o significado disso?

    Campbell: No final da Divina Comédia, Dante se dá conta de que o amor de Deus impregna todo o universo, até as mais fundas cavernas do inferno. É aproximadamente a mesma imagem. O bodhisattva representa o princípio da compaixão, o princípio curativo que torna a vida possível. A vida é dor, mas a compaixão é que lhe dá a possibilidade de continuar. O bodhisattva é aquele que atingiu a consciência da imortalidade, por meio da sua participação voluntária no sofrimento do mundo. Participação voluntária no mundo é muito diferente de apenas ter nascido nele. Este é exatamente o tema da declaração de Paulo sobre Cristo em sua Epístola aos Filipenses, segundo a qual Jesus
    É uma participação voluntária na fragmentação da vida.​

    Religião Pessoal

    Apesar de cultuar a religião de sua família até os vinte anos, Campbell já mergulhava fundo nas tradições indígenas. Sua forma de ver a vida provinha, assim, da sua formação católica e de seu ponto de vista ameríndio. Uma parte de si mesmo tinha necessidade de praticar seu legado religioso irlandês, a outra se sentia magnetizado pela riqueza cultural dos nativos americanos, por sua conexão transcendental e imanente com o Cosmos.

    Europa

    Em 1927, Campbell recebeu uma bolsa de estudos para estudar na Europa. Campbell estudou Francês antigo e sânscrito na Universidade de Paris e na Universidade de Munique. Ele logo aprendeu a ler e falar francês e alemão, dominando-as em apenas alguns meses de estudo. Manteve-se fluente em ambas as línguas pelo resto de sua vida. Nessa mesma viagem ele trava conhecimento com o jovem Jiddu Krishnamurti, messias-eleito da Sociedade Teosófica, importante vínculo que ele manteria por pelo menos cinco anos.

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    No continente europeu ele é intensamente inspirado por artistas pertencentes à chamada Geração Perdida, como James Joyce e Thomas Mann. Aí também ele é apresentado à Arte Moderna, especialmente à obra de Paul Klee e de Picasso. Campbell encontra a teoria freudiana e a obra de Carl Jung, influências decisivas em seus trabalhos posteriores, que postulam o papel fundamental da mente humana na elaboração criativa dos mitos e a participação ativa dos artistas na concepção de mitos culturais. Além disso, após a morte do pesquisador Heinrich Zimmer, Campbell recebeu a tarefa de editar e publicar postumamente os artigos de Zimmer.

    Volta aos Estados Unidos

    No seu retorno aos Estados Unidos em 1929, Campbell anunciou à sua faculdade em Columbia que sua estada na Europa havia ampliado seus interesses, e que ele gostaria de estudar Sânscrito e Arte moderna, além da Literatura medieval. Como seus orientadores não aprovaram sua decisão, Campbell resolveu abandonar seus planos de completar o doutorado e nunca mais retornou a um programa tradicional acadêmico.

    Durante a época conhecida como Grande Depressão, Campbell se dedica, ao longo de cinco anos, a pesquisas pessoais, sem nenhum vínculo acadêmico, Campbell dividia seu dia em quatro períodos de quatro horas. Em cada um dos períodos, fazia leituras por três horas seguidas e descansava por uma hora.

    Ele também passou um ano na Califórnia (1931-32), mantendo seus estudos independentes e tornando-se amigo do escritor John Steinbeck e da esposa dele, Carol. Campbell manteve ainda suas leituras independentes enquanto lecionava, durante o ano de 1933, na Escola de Canterbury. Durante esse tempo, tentou publicar alguns trabalhos de ficção.

    Desta forma ele aprofundou os conceitos de Freud e de Jung. Logo depois ele publicou os primeiros textos da Eranos – grupo de debates que se devota a pesquisas sobre a Espiritualidade, reunindo-se todos os anos na Suíça desde 1933.

    Sarah Lawrence College e seu Casamento

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    Campbell com Jean Erdman c. 1939​

    Em 1934, Campbell foi indicado como professor na Sarah Lawrence College (graças aos esforços de seu antigo orientador W. W. Laurence). Campbell casou-se com uma de suas antigas alunas, a dançarina e instrutora de dança Jean Erdman em 1938. Ele aposentou-se na Sarah Lawrence College em 1972, depois de lecionar ali por 38 anos. Depois de produzir uma vasta obra, na qual se destacam O Herói de Mil Faces, As Máscaras de Deus e O Poder do Mito, o qual deu origem ao documentário de mesmo nome.

    Morte

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    Joseph Campbell em 1982​

    Campbell morreu aos 83 anos, no dia 30 de outubro de 1987, na própria casa, em Honolulu, no Havaí, vítima de problemas provocados por um câncer no esôfago, logo após o final das gravações de seu filme.

    O Herói de Mil Faces

    Embora apresentem amplas variações em termos de incidentes, de ambientes e de costumes, os mitos de todas as civilizações oferecem um número limitado de respostas aos mistérios da vida. Em O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell - reconhecidamente, um dos maiores estudiosos e mais profundos intérpretes da mitologia universal - apresenta o herói compósito: Apolo, Wotan, Buda e numerosos outros protagonistas da religiões, dos contos de fada e do folclore representam simultaneamente as várias fases de uma mesma história. O relacionamento entre seus símbolos intemporais e os símbolos detectados nos sonhos pela moderna psicologia profunda é o ponto de partida da interpretação oferecida por Campbell.

    O ponto de vista psicológico é, então, comparado com as palavras proferidas por grandes líderes espirituais, como Moisés, Jesus, Maomé, Lao-Tzu e os Anciãos das tribos australianas. Oculto por trás de um milhar de faces emerge o herói por excelência, arquétipo de todos os mitos. Sem dúvida - afirma o Autor na introdução a este volume -,
    Joseph Campbell, o evolucionista das religiões

    Mais do que Darwin, Joseph Campbell (1904-1987) investigou, ao longo de toda sua vida, não a evolução das espécies, mas a evolução das religiões. O resultado mais importante dessa investigação é a obra apropriadamente chamada As máscaras de Deus, dividida em 4 volumes: Mitologia primitiva, Mitologia oriental, Mitologia ocidental e Mitologia criativa. Nela, o pesquisador mostra como nasceram mitos que originaram religiões em todo o mundo, cruza dados e histórias, apontando semelhanças, mostrando onde estão os interesses por trás das religiões enquanto forças sociais e, até onde o vasto conhecimento lhe permite, desvela as metáforas das histórias mitológicas.

    O mais importante desse trabalho, diz ele, é mostrar para as mentes estreitas que os mitos tendem a se tornar História – e isso é triste. Citando Alan Watts (Myth and ritual in Christianity):
    Em uma de suas palestras memoráveis – várias reunidas em livros lançados no Brasil –, Campbell conta sobre um trecho do livro sagrado do budismo onde Buda estica uma das mãos e de cada dedo sai um tigre que ataca seus inimigos. Se esse trecho estivesse na Bíblia, com Jesus Cristo como protagonista, crentes iriam jurar de pés juntos que foi assim mesmo que aconteceu.

    Segundo Campbell, em todo Oriente prevalece a idéia de que o último plano da existência é algo além do nosso pensamento e nosso entendimento. Sendo assim, podemos acreditar no mistério, mas não racionalizar ou querer situá-lo histórica e geograficamente. De maneira que não há o culto como conhecemos no Ocidente. Linhas de pensamento religioso orientais são:
    (Upanishad),
    (Tao Te King),
    (Vedas). Chegar ao outro lado da margem do pensamento para encontrar paz e bem-estar é a finalidade do mito oriental.

    No mito ocidental existe sempre um criador e uma criatura e os dois não são o mesmo – estão sempre em conflito e sempre há alguém ou algo a atrapalhar, incomodar; um diabo, um extraviado da criação. Diante da pouca importância que o homem tem diante de um Deus tão exigente, ele deve se ajoelhar e servir e não questionar e obedecer a parâmetros sempre ditados por alguma instituição, uma igreja, uma denominação. É uma religião de subserviência, cuja gestão é o conflito e o terrorismo psicológico, imposto pelas lideranças religiosas ou auto-imposto pelos crentes.

    Para Campbell,
    O terceiro volume de As máscaras de Deus, que trata da Mitologia Ocidental, escrito em 1964, conta o nascimento da religião muçulmana e como ela cresceu no Oriente Médio, tornando-se ameaçadora para o cristianismo; as tensões que abalavam a ordem cristã que era sustentada por uma mitologia de autoridade clerical.

    Talvez esse quadro geral tenha gerado o fanatismo, alimentado pelas lideranças religiosas; e o dinheiro que estas têm pode ter influenciado na ordem social. Campbell, otimista e racional, escreveu:

    Nenhum adulto hoje se voltaria para o Livro do Gênesis com o propósito de saber sobre as origens da Terra, das plantas, dos animais, do homem. Não houve nenhum dilúvio, nenhuma Torre de Babel, nenhum primeiro casal no paraíso, e entre a primeira aparição do homem na Terra e as primeiras construções de cidades, não uma geração (de Adão para Caim), mas milhares delas devem ter vindo a esse mundo e passado a outro. Hoje nos voltamos para a ciência em busca de imagens do passado e da estrutura do mundo. O que os demônios rodopiantes do átomo e as galáxias a que nos aproximam telescópios revelam é uma maravilha que faz com que a Babel da Bíblia pareça uma fantasia do reino imaginário da querida infância de nosso cérebro.​

    As idéias de Campbell fizeram sucesso nos anos 70, ele se tornou um ícone para os hippies-paz-e-amor pregando (essa não é nem de longe a melhor palavra) o compromisso social geral pelo avanço irrestrito da sociedade, com tolerância e respeito ao outro, pela paz e pela metáfora religiosa como elemento de ligação entre o ser e o mistério. Não por acaso, Campbell é o autor que inspirou George Lucas na saga Guerra nas estrelas – e o ponto culminante do primeiro filme, quando Luke Skywalker vai destruir a Estrela da Morte e os equipamentos falham, é a “voz da consciência” do herói que pede que ele não acredite nos aparelhos (assim como não devemos acreditar nas histórias míticas ou no que diz qualquer pretenso salvador) e acredite em si mesmo.

    As histórias mitológicas – assim como Guerra nas estrelas inaugurou uma mitologia – deviam servir como metáforas para nossas vidas. O problema é que as pessoas não sabem o que é metáfora; acham que uma metáfora é uma mentira. As escrituras sagradas são todas metáforas, mas os religiosos conseguem entendê-las apenas como Realidade, e acham que aqueles que não entendem que se trata de Realidade consideram o que está ali escrito, Mentiras.

    Um radialista uma vez quis pegar Campbell ao vivo nesta encruzilhada e perguntou ao pesquisador o que era uma metáfora. Campbell devolveu a pergunta e o radialista deu um exemplo de metáfora: “Ele corre como um coelho”. Campbell disse que era justamente aí que estava o problema: metáfora seria se se dissesse “Ele é um coelho”. Na afirmação justa de uma realidade improvável, a condenação de um mundo.

    As grandes metáforas das religiões não podem ser entendidas como realidade e não podem atrapalhar o avanço científico da sociedade; não podem interferir na paz entre países, nem em angústias para as pessoas; não podem restringir o direito de amar – ora vejam! –, nem provocar ódio. As grandes metáforas das religiões deveriam ser poesias para os ouvidos – mas ninguém quer saber de poesia!

    – pergunta Campbell.

    Pois qualquer um que não entenda que foi o homem quem criou Deus, talvez não possa discutir coisa alguma de maneira sensível e racional.

    Citações

    Bibliografia (apenas obras publicadas em português, para ver uma lista com todas as obras visite
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    )


    A Imagem Mítica
    As Máscaras de Deus: Mitologia Primitiva v. 1
    As Máscaras de Deus: Mitologia Oriental v. 2
    As Máscaras de Deus: Mitologia Ocidental v. 3
    As Máscaras de Deus: Mitologia Criativa v. 4
    As Transformações dos Mitos Através do Tempo
    Isto és Tu
    Mito e Transformação
    Mitologia na Vida Moderna
    Mitos de Luz
    Mitos, Sonhos e Religião (vários autores)
    O Herói de Mil Faces
    O Poder do Mito
    O Voo Do Pássaro Selvagem - Ensaios sobre a universalidade dos mitos
    Para Viver os Mitos
    Todos Os Nomes Da Deusa (vários autores)

    Fontes


    §
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    Última edição: 3 Mai 2012
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  2. Excluído046

    Excluído046 Banned

    Nunca li nada dessa pessoa. NADA. EXATAMENTE NADA. Sim, ainda não li nem o tópico que o Morfs acabou de criar.
     
  3. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    Melian não conhece o autor, não lê o tópico e só vem floodar, quanta ingratidão!
     
  4. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Your loss, a Alinde com certeza conhece.

    Ainda quero ler algo mais que uns ensaios dele.

    Mas eu particularmente não gosto da abordagem dele das religiões em As máscaras de Deus. Além de reduzi-las a mitologias ele parece reduzir as mitologias a um estranho hibridismo verdade-mentira, um jogo de símbolos que nem são a realidade nem são mentiras, falsidades. Então, a meu ver ele trai a própria ciência histórica das religiões ao enxergá-las pela ótica mais ou menos positivista e cientificista de sua época.

    Entender que as explicações cientificas do Universo não contradizem a metafísica dos mitos é algo normal para Eliade, mas isso força Campbell a colocar a ciência em um frágil pedestal e a diminuir os mitos. Não são uma linguagem antiga de povos profundamente religiosos, apegados a uma compreensão metafísica elaborada em mitos, são apenas linguagem 'pré-científica', rudimentos de explicação cosmológica sem profundidade e validade, 'traços de um pensamento em sua infância'. Pra mim é um grosso preconceito contra a mentalidade de povos primitivos que ele mesmo admirava pela sua concepção holística do mundo, do cosmo, da vida fluindo ciclicamente e eternamente. É como se ele se espantasse com essa mentalidade mas não conseguisse deixar de enxergá-la como inferior ou infantil por se afastar muito do ideal ocidental.

    Outra coisa que não gosto é contrapor ocidente e oriente. Primeiro, porque as religiões primitivas do ocidente nada devem ás religiões primitivas do oriente no que se refere à concepção orgânica do mundo (Yggdrasil nórdica, Árvore da Vida oriental), holicismo, presença de ciclicidade e linguagem simbólica desenvolvida. Segundo, porque mesmo o Ocidente cristão não se resume a clericalismo, ele se esquece da riquíssima tradição mística do Ocidente e esquece que seu amado Oriente produziu suas teocracias clericais tão ou mais radicais que o papado (bramanismo hindu). Terceiro, porque além desses fatores que Ocidente e Oriente compartilham ele parece confundir aquela distinção básica entre crenças primitivas e crenças teologizadas, sendo que as últimas não são mais 'evoluídas' como se elas fossem superiores e se adaptassem a novas condições como as espécies animais e vegetais o fazem, e as primeiras não. O que as diferencia não é nenhum evolucionismo mas que as últimas apresentam respostas mais sofisticadas e complexas porque seus povos enfrentaram situações filosóficas mais complexas e sofisticadas que as primeiras. Creio ser mais uma questão de desafio-resposta que de evolucionismo.

    Pra não dizer que só falei mal, "Máscaras de Deus" abriram um caminho sem precedente sno futuro do estudo comparado das religiões e abriram o caminho brilhante de gênios como Eliade e Deleuze. É um pra quem se interessa pelas religiões. O fato dele ser indianista só depõe a seu favor também.
     
    Última edição: 4 Mai 2012
  5. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

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