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Autor da Semana James Joyce

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Spartaco, 30 Nov 2013.

  1. -Jorge-

    -Jorge- mississippi queen

    Não sou mesmo fã de Joyce.

    Acho que isso é mistificar o Ulisses um pouco demais, ao menos para uma primeira leitura. Se Ulisses é tudo isso, @Caio Alves (depois de umas quatro leituras deve ser mesmo), é também um livro sobre dois caras perambulando por Dublin construído com toda aquela parafernália modernista: nacionalismo (ou discussão da identidade nacional), jogo com os elementos básicos de cada arte (no caso, a linguagem), jogo com a tradição (ou com a cultura greco-romana cristã), ironia, desheroificação e desromantização do herói etc.

    Enfim, ele pode superar seu tempo e ser "maior que a vida", como todo bom livro faz, mas também é filho dele.

    Sei lá, queria sentir isso tudo aí também, mas não tive muita sorte com Joyce. No fim "Ulisses dá um tweet". :rofl:

    Mentira, acho que não. Pelo menos a parte dele que vale a pena, não.

     
    Última edição: 23 Abr 2016
    • LOL LOL x 1
  2. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    A perseguição a um livro — ou quando literatura e anarquismo andam juntos
    11 maio 2016, 11:03 am
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    Abri esta série de posts contando a história da
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    por Bennett Cerf e Donald Knopfler em 1926. É interessante saber que o primeiro grande best-seller da nova editora irá aparecer só em 1934, e de forma bastante inesperada — como, aliás, acontece com os best-sellers em geral. Além disso, o grande hit de vendas da nova editora nasceu a partir de um marco memorável em defesa da liberdade de expressão.

    Trechos de
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    de James Joyce foram publicados pela primeira vez nos Estados Unidos em 1918, pela Little Review. Com direção literária de Ezra Pound, a revista, como o próprio nome dizia, era pequena também em circulação e recursos. Os problemas da publicação começam em 1917, por conta da edição de um conto de Wyndham Lewis, que tratava da história de um soldado britânico que engravida uma mulher durante a Primeira Guerra Mundial e ignora seus chamados, por estar na trincheira, como se dizia na época, “estourando miolos de alemães”. O texto foi considerado “obsceno”, justamente numa época em que a preocupação com a espionagem e o patriotismo se misturavam com a censura moral e de costumes.

    Na ocasião, o órgão responsável pela censura era o Correio central dos EUA, com seus 300 mil funcionários distribuídos pelo país. Com poder brutal e disseminado, e num contexto marcado por conflitos externos e internos, as arbitrariedades foram enormes. Dizem, aliás, que a preocupação dos censores com James Joyce teria começado por conta da nacionalidade do escritor. Durante a Primeira Guerra Mundial havia um número significativo de irlandeses atuando como espiões, pois viam no apoio à Alemanha uma forma de enfraquecer o Reino Unido e, assim, viabilizar a independência irlandesa. Em certo momento, os censores britânicos chegaram a cogitar que a linguagem truncada deUlysses era um código de guerra. Apesar de Pound haver cortado alguns trechos mais fortes, na época da publicação dos primeiros fragmentos pela Little Review, o texto foi imediatamente proibido pelos censores, tornando inviável a edição integral do livro nos Estados Unidos.

    A luta pelos interesses nacionais de guerra e a confusão entre anarquismo e linguagem livre são muito significativas para se entender a cabeça dos censores de livros, não só nessa ocasião, mas história afora. No Spionage Act, arrolado para a interdição de obras literárias, a liberdade de expressão era literalmente considerada um crime. O primeiro trecho censurado de Ulysses na Little Review é uma rememoração em que o afeto entre Leopold e Molly acaba apenas culminando em calorosos beijos. Mas a situação se prolongará, num crescendo, com a tentativa da mesma revista de publicar novos excertos. Os seguidos processos de interdições à obra começam no fim da guerra, em 1918, nos Estados Unidos, estendendo-se até 1922, na Inglaterra, muitos anos depois de findo o conflito mundial. A literatura mais ousada continuava sendo considerada um risco à sociedade, tendo sido Joyce admoestado nas ruas de Paris, onde em certa ocasião foi chamado de um “escritor abominável”.

    Com Ulysses proibido nos Estados Unidos e depois na Inglaterra, a única edição em inglês disponível era a da também pequena livraria Shakespeare and Company, de Paris, que, vez por outra, era contrabandeada por leitores, afoitos para ler a obra-prima do autor irlandês. (Dizem que Ernest Hemingway, que morava entre os Estados Unidos e Paris, foi um dos maiores contrabandistas da obra.)

    Em 1932, Bennett Cerf pediu que a dona da livraria parisiense marcasse um encontro com Joyce, e com ele acertou a compra dos direitos norte-americanos de Ulysses. Cerf preparou uma estratégia de luta jurídica pelo fim do banimento da obra em território americano. Para tal contratou Morris Ernst, um renomado advogado, oferecendo-lhe participação nos direitos autorais do livro, caso a liberação viesse a ser lograda. O advogado, que recebeu direitos até Ulysses entrar em domínio público — e ficou milionário com a vitória —, preparou a defesa com a montagem de uma edição especial do livro, de um exemplar apenas. Nesse volume especial, foram inseridas as mais importantes críticas publicadas a respeito do texto, de autores renomados como
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    , Ezra Pound e Ford Madox Ford. O próximo passo seria fazer com que aquele exemplar fosse contrabandeado para os Estados Unidos e apreendido na alfândega. Só assim uma ação contra a proibição poderia ser aberta.

    Para garantir a apreensão, Cerf enviou um despachante para aguardar o portador do volume manufaturado, que então foi desgastado propositalmente para que parecesse uma surrada edição normal. O emissário denunciou, então, o portador aos funcionários da alfândega, dizendo que sabia que este contrabandeava um item proibido no país. Os funcionários da polícia alfandegária, porém, não deram bola à contravenção, a ponto de fazer com que o despachante exigisse em altos brados a verificação da bagagem do viajante. Ao abrir a mala, mais uma vez, se recusaram a apreender a cópia, alegando que todo mundo que vinha de Paris trazia uma cópia do livro consigo. Foi preciso muita insistência e mais berros para que o livro fosse apreendido. A partir da apreensão, a apelação à corte foi possível. Ernest defendeu brilhantemente o livro e também a liberdade de criação. No seu parecer, os argumentos literários se transformam em jurídicos. Em 1934, dois anos depois dos primeiros contatos de Cerf com Joyce, Ulysses foi enfim publicado nos Estados Unidos.

    Tendo a proibição prévia e a campanha judicial pela liberdade artística como grandes esteios para a divulgação da obra, um dos romances mais difíceis da língua inglesa tornou-se um enorme best-seller. O primeiro e o maior da jovem editora.

    Cerf relata também, em At Random — suas memórias montadas e publicadas postumamente —, uma batalha posterior que travou pelo Ulysses de Joyce, e que é igualmente bastante curiosa. Para expor o livro recém-liberado no maior número de pontos de venda possível, Cerf procurou a American News Company, empresa proprietária do Macy’s, o maior magazine de Nova York, que possuía também, na época, uma rede de papelarias espalhadas pelo país. A conversa de Cerf com o comprador da grande empresa, reproduzida com júbilo em suas memórias, é fantástica, e a comemoração do grande editor ao vender 5 mil exemplares de uma obra tão difícil, em pontos apropriados para produtos puramente comerciais, pode parecer um déjà vu para qualquer editor em atividade.

    No começo da Companhia das Letras eu mesmo realizava parte das vendas para os grandes clientes. É por isso que hoje, sentado em frente ao computador, compartilho vivamente a alegria que o grande editor americano teve na ocasião. Vitória tornada jurisprudência a favor da liberdade de expressão, seguida de sucesso comercial de uma das obras-primas da literatura mundial: poderia haver exemplo mais significativo para quem “milita” pela literatura e luta pela popularização de uma das mais complexas e antigas manifestações artísticas da humanidade?

    P.S.: Para os que quiserem aprofundar-se no assunto, recomendo a leitura de At Random, de Bennett Cerf, e também o brilhante livro de Kevin Birmingham, The Most Dangerous BookThe Battle for James Joyce’s Ulysses, ambos utilizados para a confecção deste post.

    Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de
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    , entre outros. Escreve pra o blog uma coluna mensal.

    Fonte:
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    • Gostei! Gostei! x 2
  3. alfredprufrock

    alfredprufrock Ouvi vozes humanas e acordei

    (acho que é o meu primeiro post por aqui. deve ser. desculpa qualquer coisa; juro que li as regras... mas foi em dezembro. wtv.)

    gente, o bloomsday tá chegando!!!!!; falta um mês e pouquinho pro maldito dia (dame, señor, coraje y alegría para escalar la cumbre de este día.) e confesso que estou muito ansioso. o dia 16/06/16 será, factualmente, o meu primeiro bloomsday!; melhor dizendo: o dia 16/06/16 será o meu-primeiro-bloomsday-pós-leitura-do-ulysses!!!!!!!!!!

    bem... como as exclamações exageradas denotam, eu estou dizendo isso dos píncaros da minha empolgação.

    ademais -- e acho que isto é meio óbvio --, também estou doido pra saber de possíveis programações joyceanas no mês vindouro, sobretudo de programações em curitiba. (é que sou curitibano)

    certo, ok. não fiquem naquela tensão entre o "
    que legal!" e o "f*da-se!", por favor. juro que este post não é uma idiossincrasia tão boba assim. eu tenho algumas modestas intenções aqui.

    e até imagino que alguns já tenham sacado o meu intuito; pois pelo que percebi (horas e horas de lurk, hehe), vocês são muito sagazes.


    é o seguinte: li os posts aqui do tópico e, pelo que apurei, ninguém comentou sobre o bloomsday 2016. aproveitem, portanto (e por favor), este gancho para, com eventuais informações que vocês tenham, ajudar-me a organizar um calendário pros bloomsdays brasileiros deste ano. acho que é importante pra nossa comunidade joyceana.

    é que eu pesquisei sobre o assunto e não encontrei qualquer coisa relevante. diga-se de passagem, se você joga "bloomsday 2016 brasil" no google não aparece porcaria alguma, só aparece coisa do evento oficial em dublin.

    ok, até sei que há bloomsdays tradicionais aqui no brasil e sei que tais festividades vão, provavelmente, ocorrer de qualquer forma, mesmo sem anúncios na web; mas acho que é uma iniciativa legal tentar sistematizar e mapear tudo. penso que facilita bastante pro pessoal que queira eventualmente viajar e tal.

    (em tempo: já estou me movimentando pra entrar em contato com o prof. galindo, também curitibano, pra saber se vai ter algo por aqui. espero que sim.)

    e aí? vocês topam?
     
  4. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

  5. Giuseppe

    Giuseppe Eternamente humano.

    Estou passando aqui pra deixar uma sugestão em relação à Ulisses: eu vi alguém na internet dizendo que tentou várias vezes ler o livro mas nunca conseguia por achar difícil demais, até que essa pessoa tentou com uma versão em audiobook. Foi aí que o leitor percebeu a forma como esse livro ganhou vida. De certa forma, Ulisses é um livro mais do que apropriado para ser lido em voz alta (principalmente no idioma original, mas suponho que não limitado à este), então fica a dica aí pra vocês. Ainda não tentei isso, mas achei a ideia bem interessante.
     
  6. Spartaco

    Spartaco James West

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    Existe o livro SIM, EU DIGO SIM - Uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce, de autoria de Caetano Galindo; trata-se de um guia para o leitor conhecer melhor os passos de Bloom, Stephen e Molly naquele 16 de junho de 1904, mas também irá aprender sobre a própria natureza do romance, além de vários outros assuntos que povoam essas páginas. Irá, sobretudo, ter um contato privilegiado com a leitura de um dos maiores especialistas em Joyce no Brasil, uma leitura calorosa, erudita e, mais que tudo, surpreendente.

    Fica a dica.
     
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