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HERANÇA

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Remisson Aniceto, 10 Jun 2009.

  1. A confecção deste poema foi um caso à parte, diferente dos demais poemas meus, que normalmente levam horas, às vezes dias para ser finalizados. Herança veio de uma golfada; nasceu, se muito, em trinta minutos, já pronto pra se mostrar ao mundo.


    E eu morro a cada dia
    quando cada coisa morre.
    Outrora Deus me socorria;
    agora já não socorre...

    Vai um pássaro, coitadinho,
    de hirtas e opacas asas.
    Vai com ele um bocadinho
    da minha alegria tão rasa.

    Vão-se o amigo, o cão, o gato, o boi,
    tudo vai nesta infalível jornada.
    Só fica a angústia do que foi
    na minha memória cansada.

    Até um jovem filho se vai
    sem mesmo saber pra onde,
    na vã liberdade que atrai
    e mil armadilhas esconde.

    Nenhuma alegria perdura
    e todo gozo é passageiro.
    Só de tristeza há fartura
    todo dia, o ano inteiro...

    Quando eu me for [e será breve!]
    levarei comigo esta carga.
    Não quero que alguém herde
    tanta lembrança amarga.
     

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