1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Fuga

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por mandah, 12 Jun 2009.

  1. mandah

    mandah Usuário

    Subia as escadas, degrau após degrau, passo por passo, sendo o mais silencioso possível. Estava escuro, mas sentia como se já fosse dia. Já se acostumara às sombras, à neblina, via tudo muito bem, lanternas e afins não lhe eram necessárias. Os anos de experiência já lhe eram mais que o suficiente. Nunca era descoberto, nunca seria. Era mais rápido que qualquer outro sobre a Terra.
    Já sentia o cheiro de sua próxima vítima. O desejo de matar passara a tomar conta de sua alma. Tudo sempre era tão bem premeditado. Gostava de se lembrar dos preparativos antes de chegar aos atos finais. A maneira com que pensava. Sentia prazer nisso. A escolha da vítima em questão lhe fora muito interessante. Ela era muito especial. Passara muito tempo observando-a e planejando tudo. Morava sozinha. Uma casa pequena. Saía cedo e voltava tarde. Exausta. Mal chegava e já dormia. Demorariam a notar sua falta. Nunca o relacionariam ao crime. Nunca o fizeram antes.
    Esperava o anoitecer. Era sempre a hora em que preferia agir. Como um vampiro. Gostava da escuridão. Gostava da sensação que isso lhe causava. Gostava de sentir que tinha poder. Sobre a morte.
    Abriu vagarosamente a porta do quarto em que ela dormia. Estava deitada em sua cama. Seus cabelos louros e sua pele clara contrastavam com seus lábios vermelhos. E com a alma escura de seu futuro agressor. Ela o fascinava. Sempre fora assim. Agora vingar-se-ia. Já que ela não seria dele, não seria de mais ninguém. Não seria a primeira, nem a última. Todas sempre o tratavam tão mal. Por ser alguém tão insignificante, sem nenhum diferencial. Mas ele sempre provara que era capaz. Capaz de lhes fazer muito mal. Mas com ela sempre fora diferente. A amava de verdade, mas sempre fora cruelmente desprezado. Só lhe restava agora provar que ela não o merecia. Que ela deveria tê-lo notado, deveria tê-lo amado. Mas agora era tarde. Já estava decidido. Prosseguiria com o plano.
    Se aproximou calma e friamente. Ela subitamente abriu os olhos. Os olhava com medo. Não, essa não é a palavra certa, sentia pena, talvez, afeição. Sentimento esse que ele não conhecia e que o incomodava exageradamente. Colocou as mãos em volta de seu pescoço. Esperava que ela lutasse. Mas ela permanecia imóvel, sem nem ao menos tentar sobreviver. Sabia que não tinha chances. Que não sobreviveria, não lhe restavam mais forças pra lutar. Sofria.
    Começou a apertá-la mais. Hesitou. Por mais que tentasse, não conseguia. Sempre dera certo antes, porque agora não dava mais? Ele sabia o porquê, mas não queria admiti-lo. Não podia prosseguir. Não conseguiria terminar o serviço. Suas mãos começavam a afrouxar. Era melhor desistir. Já tomara sua decisão. Soltou-a por fim. Olharam-se nos olhos. Os dele eram inexpressivos. Os dela choravam. A amava. A amava de verdade. Não seria capaz de matá-la. Sempre o soubera. Talvez fosse por isso que adiara esse momento por tanto tempo. Talvez fosse por isso que trazia um revólver consigo. Viver não lhe fazia o menor sentido. A morte era a maior saída para a sua dor. Sacou a arma. Apontava-a para sua cabeça. Agora era só puxar o gatilho e tudo estaria acabado.
    Ela se levantou da cama. Aproximava-se cautelosamente. Achou melhor esperar. Queria ver o que ela faria. Tocou em sua mão. Ele nunca fora tocado por uma garota antes. Ela tirou o revólver dele, que tombou no chão. O abraçou. O beijou. Ele não podia suportar todo aquele afeto. Não condizia com sua personalidade. Não estava acostumado com aquilo. Começava a se desesperar. A empurrou bruscamente. Não podia mais suportar. Correu até a janela. Se atirou. Pronto. Agora tudo acabara.
     
  2. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    suspense, drama psicológico em uma mente psicopata, tragédia. vc conseguiu dosar bem tudo isso em poucas linhas. ficou bem objetivo. excelente. só dá uma olhadinha no trecho "sendo o mais silencioso o possível".
     
  3. imported_Elektra

    imported_Elektra Usuário

    Eu também gostei. Interessante ver como as frases começam a ficar mais curtas à medida que o personagem perde o controle. Aliás o narrador parece uma extensão do personagem, pela intensidade com a qual descreve as ações e as emoções.
     
  4. mandah

    mandah Usuário

    Obrigada pelos elogios.:timido: JML, eu nem tinha notado isso, realmente não soou muito bem. Obrigada.
    Elektra, é isso mesmo, o narrador sente tudo que o personagem sente, ele acompanhou a trajetório dele, o amor obsessivo e talvez até traumático que ele sentia por aquela garota, que o fez achar que todas as outras mulheres eram ruins, que todas elas o odiavam.
     

Compartilhar