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Crônicas de Exódia

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Odin281, 14 Jan 2008.

  1. Odin281

    Odin281 Usuário

    [align=center]Prenuncios de uma nova guerra abalam os reinos livres de Exódia.Boatos que dizem que a forataleza negra,nas terras amaldiçoadas de Asgaroth,esta sendo reconstruída e refortificada,e de que suas torres pulsam novamente com magia arcana.Boatos que falam de uma maligna aliança entre orcs e elfos negros.
    A paz em exódia está ameaçada.Um poderoso e imponente inimigo levanta-se nas sombras profundas de Asgaroth,porém ninguém sabe quem ele realmente é,ou quais suas pretenções.[/
    align]




    CAPÍTULO I

    Os dois mensageiros[/align]

    Alcântara era um pequeno e rústico vilarejo , lembrando o estilo bárbaro , com casas simples feitas de madeira e cobertas de palha , erguidas de um chão escuro e úmido , praticamente amontoadas uma sobre as outras . Localizava-se ao extremo norte das terras do reino de Dillan , tendo ao oeste a pequena cadeia de montanhas chamada de Montes Quebrados e ao norte , além das plantações , a Floresta de Eduars . Ao sul e leste erguia-se um imenso bosque com árvores de troncos finos e extremamente altas , porém caprichosamente dispersas entre si , o que tornava possível se enxergar até uma certa distância por entre seus troncos . A simplicidade do vilarejo refletia-se em seus moradores , trajavam roupas de pano grosseiro : os homens calça e camisa ; as mulheres , vestidos longos e descoloridos geralmente cobertos por algum avental . Tinham rostos largos e rudes , corpos - na grande maioria - atarracados , com musculatura forte e ossos largos e comumente andavam descalços , mesmo sobre solo o acidentado . Viviam das suas plantações e da criação de galinhas e porcos , que ora ou outra caminhavam livremente entre o vilarejo , já que os chiqueiros ficavam entre as casas e sempre um ou dois escapavam e só eram recolocados em seu lugar quando invadiam alguma casa . Fora alguns desentendimentos entre os moradores , a paz reinava em Alcântara . Pelo menos até um fato que marcaria para sempre a sua história ...
    Outra tarde se passava tranquila no vilarejo , e os moradores colhiam nas plantações algumas cenouras para o jantar , sem saber do estava para acontecer . Esgueirando-se por entre as sombras das árvores da Floreta de Eduars um bando de orcs atacou os camponeses , que fugiram para suas casas . Logo um grande tumulto se instalou no vilarejo e as pessoas escondidas em suas casas podiam ver pela janela a invasão dos orcs . Praticamente todos os porcos e galinhas foram levados . Não invadiram as casas , porém os olhares de alguns moradores cruzaram-se com os dos orcs , um olhar cruel e sanguinário acompanhado de um sorriso ameaçador por entre suas mandíbulas , como um aviso : não haviam invadido as casas , mas isso não demoraria à acontecer .
    No dia seguinte Alcântara amanheceu coberta por cinzas e fumaça : os orcs tinham saqueado as plantações e depois as incendiado . O caos instalou-se por completo entre todos “ o que iremos fazer ? ” todos se perguntavam . Logo essa pergunta foi feita a Érick , filho de Beren , que fora um grande líder em Alcântara e morrera a cerca de um ano deixando-o no comando . Érick saíra-se bem até então , mas agora não sabia como agir , nem mesmo seu pai enfrentara uma situação daquela . Uma espécie de conselho foi feito no centro do vilarejo , do qual todos participaram .
    -Devemos deixar a cidade . - sugeriam alguns
    Érick permanecia apreensivo , em todos os seus trinta e cinco anos jamais pensara em estar diante de uma ocasião destas . Permanecia sentado em uma cadeira apertando a cabeça com ambas as mãos como se quisesse esmagá-la . Ele tinha um porte diferente do restante dos aldeões , assemelhava-se a seu pai , era alto e magro e tinha um rosto mais alongado e suave , embora agora , devido a preocupação , não se diferenciasse tanto dos demais .
    -Sim , sim . Devemos partir . - apoiavam outros
    -Para onde ? - finalmente manisfestou-se Érick – Não a outra cidade próxima a nós , e não temos comida o suficiente para fazermos uma viagem longa .
    Todos refletiram e concordaram ser verdade .
    -Mas se ficarmos aqui , vai ser pior . - disse outro e novamente foi apoiado
    Érick refletiu por mais um tempo .
    -Há boatos de um exército de Dillan que está em uma campanha contra os orcs . - disse por fim – Não estão distantes daqui .
    -Dillan ? - repetiu ironicamente um dos anciões de Alcântara – Não nos comunicamos com Dillan há muito tempo , não pagamos mais tributos ao rei . Porque viriam nos ajudar ?
    Com essas palavras novamente a dúvida instalou-se na mente de todos . Érick olhou severamente para o ancião que proferira aquelas palavras e este retribuiu-lhe um sorriso sarcástico . Era um homem alto e meio corcunda com uma espessa barba branca caída sobre o peito , chamava-se Dautenor , e era o mais velho ancião de Alcântara , o que lhe dava prestígio e respeito . Ele questionava Érick desde que este assumira o comando da vila , e Érick sabia bem o motivo .
    -Queria estar em meu lugar – disse ele - , não é Dautenor ? - terminou dando enfase a frase
    O velho respondeu com um meio sorriso completo de malignidade .
    -Então o que faria ? - perguntou Érick fitando seriamente seu oponente
    -Essa é primeira lição da liderança – falou Dautenor sem tirar o sorriso irônico dos lábios - , deve tomar as decisões sozinho , ou então dar a lugar a quem saiba fazê-lo sem pedir opiniões a terceiros .
    Érick sentiu uma imensa ira tomando conta de si , uma vontade incomensurável de se atirar contra Dautenor e sufocá-lo , porém recobrou a calma , sabia que era isso que seu adversário queria .
    -Já tomei minha decisão . – afirmou Érick - Enviarei dois mensageiros até a Planície de Roven , onde , segundo informações , o exército se encontra . Pedirei por ajuda .
    -Espero que a receba . - disse por fim Dautenor antes de se virar e sair da reunião com um sorriso triunfante entre os lábios , não via porque discutir , acreditava que mesmo se encontrassem o exército , este não viria ao socorro de Alcântara , e tinha realmente razões para acreditar nisso . Alcântara ficava no território de Dillan , porém há muito tempo rompera relações com esta , ou melhor , simplesmente se esquecera desta e se permitiu com isso também cair no esquecimento . Agora poderia ser tarde para reatar velhas alianças . Por isso o velho ancião acreditava fielmente no fracasso do plano de Érick e se preocupava mais em como usaria esse erro contra ele .

    Após escrever a carta na qual pedia ajuda às tropas de Dillan , Érick escolheu dois dos mais rápidos jovens do vilarejo para entregar a mensagem .
    -Diga que temos urgência . - pediu Érick
    E assim os dois jovens deixaram Alcântara em disparada rumo ao sul e logo sumiram entre as enormes árvores do bosque .
    -Desejo-lhes sorte . - disse Erick como se a si mesmo . Ao se virar topou com Dautenor ,
    com aquelo velho sorriso irônico de sempre ele disse .
    -Foi um belo plano , sem dúvida nenhuma . - Érick apenas fitou seriamente depois retirou-se

    Os dias passavam-se e a aflição de Érick aumentava à cada um deles , assim como o constante medo de ver seu plano fracassar , e Dautenor colaborava em muito para isso : andava para lá e para cá espalhando o caos entre os moradores .
    -Ainda realmente esperam pela ajuda de Dillan . - dizia ironicamente – Dillan nos esqueceu há muito tempo . Para as montanhas , é para onde devemos ir .
    -Fazer o que nas montanhas ? - retrucou Iasdam , um jovem camponês que seguia fiel à Érick – Morrer de fome ? Ou esperar que os orcs nos ataquem lá também ? Me diga !
    -Érick têm corrompido suas mentes – persuadia Dautenor - , está lhes fazendo esperar sentados por vossa destruição . Está lhes tirando a chance de lutar .
    -Besteira ! - interveio Iasdam – Você e suas mentiras é o que está condenando esse povo e já faz algum tempo . - terminou com um olhar resoluto e desafiador á Dautenor , este continuou a olhar-lhe com um ar de superioridade , quase inabalável . - Vamos embora daqui Noran – disse Iasdam a outro jovem camponês ao seu lado – me cansei dessas mentiras . - entretanto Noran baixou a cabeça e não se moveu
    -Talvez ele tenha razão Iasdam . - interpelou este ainda que incerto sobre suas palavras
    -Não diga que acredita no que ele diz – falou Iasdam inconformado , e algo como uma nuvem de lágrimas inundou seus olhos – Não você . - completou desapontado , quase como se traído .
    Iasdam e Noran haviam sido criados juntos , como irmãos , e eram grandes amigos de Érick , por isso uma dor indescritível tomara conta de Iasdam ao ver seu amigo deixando-se corromper pelas palavras enganosas de Dautenor . Por mais uma vez ele lançou um olhar triste para seu amigo antes de partir , e este apenas baixou a cabeça como se envergonhado . Nem mesmo Noran sabia porque acreditava nas mentiras de Dautenor , porém a razão era eminente : medo ; e esse era o mesmo sentimento que se apoderava de todos , e muitos outros também deixaram-se enganar . Érick percebia isso , porém sabia que era inútil bater de frente com Dautenor , portanto tudo que lhe restava era rezar aos deuses para que os seus dois mensageiros retornassem logo . E com boas notícias .

    [align=center]***[/align]


    A planície de Roven ficava na parte leste de Dillan , era um vasto campo onde o verde estendia-se até onde a vista alcançava . Ao longe , ainda mais ao leste , era possível se ver os cumes dos Montes Verdejantes erguendo-se imponentes contra o céu ; ao oeste , o rio Callas corria suavemente em direção ao norte , como uma serpente prateada sobre o campo verde . Era por volta de meio dia e o sol de outono queimava forte , como se fosse o mais quente verão . Sentado sob a tênue sombra de árvore William relia , sob os olhares ansiosos dos dois mensageiros , a carta que haviam lhe entregue . Seus olhos castanhos percorriam o papel lentamente , fazendo uma leitura minuciosa , e seus cabelos , também castanhos e caídos à altura dos ombros , esvoaçavam com o vento . Por fim levantou sua cabeça e encarou os dois jovens mensageiros , seu semblante era sério e disfarçava sua jovialidade ; tinha vinte e três anos , e à dois estava naquela campanha contra os orcs , a qual , até então , acreditava ter terminado . Passou vagarosamente a mão pela curta barba que começava a crescer novamente em sua face e finalmente falou .
    -Quais são seus nomes ? - perguntou
    Os dois jovens se encararam , depois um deles respondeu .
    -Sou Jonas , filho de Brunm e este – apontou para o outro – é Nicolai , filho de Guhlai .
    William levantou-se , aprumou o corpo e enrolou a carta nas mãos . Seus perderam-se ao longe , em direção ao noroeste , em direção à Dillan , porém seus olhos não podiam ver nada além da imensa planície verde .
    -Pensei que finalmente havia acabado . - disse como se para si mesmo
    -Corremos muito para chegar até aqui – revelou Nicolai
    -E quase não nos pegaram há tempo . - admitiu William – Estávamos de partida .
    Os mensageiros olharam-se confusos .
    -Para onde ? - perguntaram
    -Para casa . - respondeu William – Se é que ainda sabemos onde é . - tentou brincar esboçando um sorriso que logo se apagou , pois o cansaço e as lembranças dos difíceis dias passados o impediam de sorrir verdadeiramente .
    Os dois mensageiros não podiam esconder sua preocupação . Um outro guerreiro aproximou-se deles , era um homem extremamente alto e forte , com longos cabelos amarelados assim como sua barba , ornada de finas tranças , dando-lhe um ar selvagem , ainda mais asseverado pelo brilho frio de seus olhos azuis . Chamava-se Barhrack .
    -Já estão prontos para partir . - disse o guerreiro com uma voz gutural
    William baixou a cabeça pensativo , olhou para longe e viu os soldados conversando e se abraçando descontraidamente , motivados por poderem finalmente voltar para casa , depois olhou para a apreensão dos dois jovens mensageiros e por fim para Barhrack .
    -Talvez haja algo mais que devamos fazer antes de ir para casa . - disse com um certo tom lúgubre , Barhrack olhou-lhe confuso , William entregou-lhe a carta .
    Barhrack pegou a carta com um olhar desconfiado , depois leu seu conteúdo rapidamente e seus olhos apertavam-se conforme seguia a leitura como se não acreditasse no que lia .
    -Onde diabos fica Alcântara ? - perguntou desconcertado
    Os mensageiros olharam-se e hesitaram na resposta , como se um esperasse que outro a desse .
    -Fica ao norte daqui senhor . - respondeu por fim um deles , ainda que temeroso , e não era para menos , de fato a figura de Barhrack intimidava a qualquer um que o olhasse .
    -No território de Dillan ? - perguntou-lhe novamente o enorme guerreiro , o jovem pareceu se encolher de medo antes de dar a resposta .
    -Sim . - sussurrou entre os lábios
    Barhrack olhou para William .
    -Podemos conversar ? - William apenas assentiu com a cabeça e ambos caminharam para um lugar mais distante , deixando uma grande tensão entre os dois mensageiros .

    -Nunca ouvi falar desse vilarejo . - disse Barhrack
    -Nem mesmo eu . - admitiu William
    -Ficará realmente nas terras de Dillan ?
    -Não vejo porque mentirem . Existem muitos povos desconhecidos vivendo em Dillan , sem que sequer saibamos .
    -E qual é o nosso compromisso com esses povos ? - indagou Barhrack
    William refletiu por algum tempo , depois respondeu .
    -Deixei Dillan com um único objetivo – olhou profundamente nos olhos de Barhrack - : livrar Dillan e o seu povo dos orcs . Eles são o povo de Dillan , mesmo não tendo levado isso em conta até então . Não descansarei até ter conseguido . - terminou resoluto em suas palavras
    Barhrack baixou a cabeça tentando encontrar motivos para contestar palavras de William , após um tempo falou .
    -Voltamos para Dillan – disse por fim - , em uma semana estaremos lá . Enviaremos então ajuda a este vilarejo . Se mandarmos cavaleiros chegaram lá em menos de quatro dias .
    William abriu um meio sorriso .
    -Eles não dispõem de tanto tempo . Nem mesmo sei como resistirão até nós mesmos chegarmos até eles .
    -Agora levantou bem a questão capitão . Poderemos estar nos arriscando em vão . - Barhrack fez uma breve pausa , depois prosseguiu – Já perdemos muitas vidas , e cada perda é um amigo , um pai , um irmão , um marido ... Muitos que esperam em Dillan podem não ver a pessoa esperada retornar , porém terão a certeza de que morreram para salvá-los . Os que morrerem nessa batalha , morrerão por pessoas que nem ao menos conhecem , que nem mesmo sabem que existem .
    William permanecia perplexo , cabisbaixo e com o olhar perdido .
    -Nosso estoque de comida está findando - prosseguiu Barhrack - , mal dará para fazermos a viagem de volta . Segundo as informações da carta toda a comida deles foi também roubada e o que têm lá , mal dá para eles mesmos . Não poderemos nos abastecer lá . Se não condená-los à morte em batalha , poderá condená-los à morrer de fome . É uma decisão difícil William , mas deve ser tomada com todo cuidado . Não sei se valerá à pena perder a vida de mais um desses homens que aqui estão .
    William reconhecia a verdade nas palavras de Barhrack , este era um homem misterioso e que pouco falava de si , porém era também justo e preciso em suas decisões ; sua opinião tinha de ser levada em conta .
    -Pense bem . - disse Barhrack – Sabe que seus homens acatarão suas ordens , independentes de qual sejam . - terminou , depois virou-se e saiu com passos firmes
    William havia deixado Dillan à frente de dois mil homens , os quais enfrentaram as mais terríveis provações em busca de um ideal : libertar Dillan dos orcs . Porém agora , daqueles mais de dois mil bravos guerreiros , restavam pouco mais de trezentos , exaustos ... sedentos de voltar para aqueles que os esperavam . William também já começava a pensar se já não estava realmente na hora de levar aqueles heróis para casa .
     
  2. Odin281

    Odin281 Usuário

    Bem, ai vai o segundo capítulo,para quem se interessou pelo primeiro posso afirmar que ficou bem melhor


    [align=center] CAPÍTULO II

    Delmon[/align]
    A estrutura original de Delmon fora construída no auge da Era Dourada , quando homens , elfos e anões viviam em paz . Fora erguida por Belgor – o primeiro e mais poderoso dos magos - , juntamente com a habilidade dos anões , e realmente somente tais criaturas para criar algo tão belo . O castelo de Delmon havia sido construído sobre uma montanha , ou melhor , como se fizesse parte dela : o paredão de pedra da montanha erguia-se por mais de vinte metros , era íngreme e formado por pedras negras e escorregadias ; depois sobre esse paredão erguiam-se as paredes e as altas torres do castelo . Porém o que mais fascinava era a estrutura interna : os salões e escadarias haviam sido escavados na própria montanha – estilo típico dos anões – e com isso as paredes além de super sólidas , ganhavam a beleza estonteante de pequenos brilhantes incrustados naturalmente nas rochas que as formavam . Com as pedras retiradas da escavação foram erguidas as paredes e as torres , por isso tinha-se a real impressão de faziam parte integral da montana . Três torres erguiam-se do castelo , duas menores localizadas uma à leste e outra à oeste , e uma mais alta voltada para o norte . Delmon era cercada por três lados pela Cordilheira de Man'suir , ficando apenas o lado norte desguarnecido das montanhas , entretanto ali os anões também ergueram uma alta e imponente muralha , com vinte e cinco metros de altura e mais de um de largura . O mais incrível é que não havia , pelo menos visivelmente , portão na muralha , assim como não existia uma porta na parede principal do castelo – e sim apenas um grande arco que indicava uma ; e também não possuía uma escada de acesso no paredão da montanha . Resumindo , Delmon parecia inacessível ; entretanto essa obra não fora feita pelas mãos dos anões , e sim , pela mágica de Belgor . Somente com palavras mágicas o portão surgia e se abria na muralha , assim como era preciso fazer para aparecer a escadaria que levava ao castelo e abrir a porta deste .
    Na verdade Delmon fora construída por Belgor com um seguinte objetivo : era onde ele ensinaria os jovens e buscaria entre eles aqueles que poderiam se tornar controladores de magia . Belgor sempre acreditava e dizia a mesma frase “A magia está escondida dentro de todos , porém alguns estão destinados a encontrá-la , e outros , não ” Os testes finais de magia eram duríssimos e poucos passavam por eles , entretanto os que passavam, tornavam-se grandes magos . Assim , graças à Belgor , o poder dos magos cresceu em Exódia . Entretanto , nem mesmo a fortaleza construída com pedra e magia , e defendida pelos mais poderosos magos , resistiu ao ataque dos elfos negros no final da Era das Trevas . Belgor e todos os grandes magos caíram perante os inimigos . Entretanto a sabedoria do mago fez com que ele escondesse os aprendizes no Salão de Fogo – onde os testes finais eram realizados ; era um imenso salão abaixo do castelo , nas entranhas da montanha , no melhor estilo dos anões e sua porta também era oculta por magia . Belgor sabia que não seriam encontrados ali . Uma única , porém árdua tarefa ele lhes deixou : reconstruir Delmon e seguir com o trabalho iniciado por ele “O poder dos magos não pode deixar Exódia . Não ainda . ” disse .
    Quando o ataque dos elfos negros acabou , a muralha externa do castelo estava completamente destruída , assim como grande parte das paredes e das torres . Logo que tudo se aquietou , os aprendizes saíram do Salão de Fogo e contemplaram absortos a destruição à sua volta . Os corpos dos magos caídos sobre os destroços , inertes , sem vida , contorcidos como se houvessem sofrido a mais profunda angústia e agonia antes da morte . Após enterrar e honrar os mortos eles deram inicio ao difícil trabalho de reerguer Delmon . Longos anos se passaram até a obra estar completa , porém os aprendizes haviam feito um grande trabalho , praticamente perfeito . Mas lógicamente não se comparava a maestria com que os anões haviam feito primeiramente , entretanto a nobre raça dos anões havia encontrado a extinção durante a Grande Guerra , e agora , nada mais podia ser-lhes pedido . Porém Delmon estava novamente em pé , e suas torres erguiam-se soberanas contra o céu . O poder dos magos , resistira .

    [align=center]***[/align]

    O sol apenas começava a deitar-se sobre o oeste , quando na cozinha do castelo de Delmon , o jantar já era servido . O salão de jantar era enorme , havia duas extensas mesas cercadas por largos bancos destinados aos aprendizes - eram mais de cinquenta . A comida como sempre era variada , pouco saborosa , mas muito nutritiva , ideal para mantê-los em pé e com disposição . Entretanto , poucos comiam , uma grande tensão era visível entre eles ; o dias dos testes estava chegando e eles sabiam que quando entrassem no Salão de Fogo só sairiam de lá de duas maneiras : como um poderoso e obstinado mago – esses seriam poucos - ; ou como mais um simples e mero derrotado – esses seriam muitos . Agora faltavam apenas dois dias para o momento mais importante de suas vidas , e estes dois dias seriam como décadas para aqueles que tanto o esperavam , e passariam incrivelmente rápido para os que o temiam .
    Havia poucas janelas no castelo de Delmon , suficientes apenas para deixar o ar circular , pois os magos achavam melhor que os aprendizes não tivessem contato com o mundo fora de Delmon , para terem a mente reservada ao seu aprendizado . Entretanto o salão de jantar ficava no quarto nível do castelo , o penúltimo antes das escadarias das torres , e por pequena janela que dava para o norte era possível se ver além da muralha . Um jovem aprendiz , sentado à beira desta , não poder se conter ao desejo de espiar lá fora , ainda mais quando viu que nenhum de seus mestres parecia estar presente . Com um gesto oportunista ele esticou ligeiramente o pescoço e deu uma espiada lá fora , depois , como se nada houvesse acontecido , voltar à comer . Novamente , tomado pela curiosidade , esticou o pescoço novamente fingindo esticar as costas e observou a paisagem , já voltava-se para a comida quando se deu conta de uma sombra esbranquiçada passando entre as árvores da Floresta de Denum , que estendia-se diante seus olhos . Apurou a vista e viu o vulto branco sair da floresta , notou ser uma pessoa , um homem .... um homem alto com barbas e cabelos brancos , assim como o seu robe , e que se apoiava em um cajado . Só então ligou o nome , ou melhor , os atributos à pessoa . Pareceu levar um grande susto e , ainda mastigando , tentou dizer algo , os que estavam ao seu lado logo o olharam , porém não puderam decifrar o que ele havia dito . Novamente tentou falar mas acabou se engasgando com a comida e com isso chamou a atenção de todos , que não demoraram a começar a rir .
    -Mel'kanis está voltando ! - conseguiu dizer enfim
    De imediato o sorriso que irradiava na face de todos despareceu , como se jamais tivesse existido . Mel'kanis era o grão mestre dos magos , e aquele que comandava os testes finais de magia , havia deixado Delmon há duas semanas e agora o seu retorno firmava ainda mais a certeza na consciência de todos os aprendizes : o dia estava chegando . Passado o susto todos olharam ao redor para ver se nenhum dos mestres estava presente , ao confirmar que não , todos correram para janela tentando ver alguma coisa , o tumulto era tanto que eles nem mesmo viram a figura que logo postou-se à entrada do salão de jantar . Era um mago , alto e com longos cabelos , já esbranquiçados pela idade mas que ainda conservavam um pouco do brilho dourado de outrora , assim como sua longa e lisa barba . Trajava um robe marrom escuro , preso na cintura por um largo cordão e trazia um cajado simples de madeira em sua mão , com o qual deu algumas leves batidas no chão para chamar a atenção dos jovens , porém o tumulto era tamanho que eles nem ao menos ouviram . O mago se viu obrigado a aumentar a intensidade das batidas contra o solo : três batidas firmes e secas . Todos voltaram seus olhares para a entrada .
    -Aurin ! - bradou surpreso um deles
    -Algum problema senhores ? - indagou o mago
    O apavoramento para retomar os seus lugares foi tanto que acabaram se derrubando e caindo uns sobre os outros . Aurin caminhou até a janela enquanto alguns dos aprendizes ainda se ajeitavam nos bancos e outros , para fazer de conta que nada tinha acontecido , voltavam à comida , nesta hora , já bastante fria . Quando Aurin se aproximou da janela , o jovem que havia iniciado a confusão abaixou abruptamente a cabeça e começou a comer o mais depressa possível , como se não existisse melhor comida no mundo ; vendo esta atitude e a proximidade da janela , o mago não precisou pensar muito para descobrir quem havia iniciado aquela desordem . Porém , ao contrário do que o jovem esperava , o mago nada lhe disse , apenas lançou-lhe um olhar repreensivo . Aurin tinha os olhos em uma tonalidade rara de azul , claríssimo , meio acizentado ; seu rosto era fino e , mesmo para sua idade como mago , não possuía tantas rugas , apenas algumas na testa e envolta dos olhos , se bem que essas eram praticamente as únicas partes que sua farta barba deixava visível em seu rosto . Apoiando as mãos na encosta da janela , o mago se pôs a olhar para fora e pode ver Mel'kanis aproximando-se da muralha , e sem este parar nem mesmo um instante diante desta , viu-o proferir as palavras magicas e parte da muralha simplesmente desvaneceu-se perante ele .
    -Está de volta , meu amigo . - disse Aurin em voz baixa , a si mesmo
    Aurin ainda pode ver Mel'kanis aproximar-se do paredão da montanha e novamente proferir as palavras mágicas , e assim uma grande escadaria surgiu à sua frente dando acesso a porta do castelo . Quando o mago passou por esta , Aurin já não pode acompanhá-lo , e após respirar profundamente virou-se bruscamente , em um salto , propositalmente lógico , e como esperava se deparou com todos observando-o . Alguns com as colheres a meio caminho da boca erraram o resto do percurso e acabaram sujando o queixo e o próprio nariz com a comida , outros só faltaram derrubar os pratos da mesa . O mago não pode deixar de rir com aquilo .
    Aurin era o segundo mais importante mago da ordem após Mel'kanis , e com isso sempre ficava responsável pelos aprendizes quando este saía . Muitos alunos , para não dizer todos , preferiam Aurin à Mel'kanis , pois o primeiro , como acabara de demonstrar , sabia brincar e pregar peças de vez em quando , já Mel'kanis era frio e sério , como a mais sólida pedra .

    Alguns jovens não haviam subido para jantar e estavam sentados nos grandes e almofadados bancos do salão de entrada do castelo , conversando distraidamente , com isso não sabiam da chegada do mago e é impossível descrever o susto que levaram quando viram a grande porta se abrir e ninguém menos que Mel'kanis entrar por ela . O mago lançou-lhes um olhar condenador , ele sabia que naquela hora eles deveriam estar no salão de jantar . O rosto de Mel'kanis era completamente enrugado , como a enorme casca de uma árvore velha ; seus cabelos brancos e reluzentes , não menos que sua barba , que possuía proporções inacreditáveis . Era extremamente alto e magro , suas mãos e a parte que a manga do robe deixava visível se seu braço , assemelhavam-se também a galhos de árvores , finos e ressequidos . Seu cajado , ao contrário do de Aurin que era simples , impressionava por sua beleza : fora feito de uma nobre madeira e havia sido pintado de branco , era fino na base , na parte que tocava o solo , e encorpava-se perto da ponta , nesta havia como se uma mão , com dedos ainda mais finos do que os de Mel'kanis , que seguravam em suas pontas um brilhante cristal . Seu robe era branco , preso na cintura por um largo cinto ornado de ouro e prata . Como fora dito , ele era o grão-mestre dos magos e sua aparência deixava claro isso . Ele lançou um olhar severo sobre os jovens , seus olhos eram azuis escuros , como as profundas águas do oceano ; depois seguiu até a escada no canto direito do salão e com passos firmes e resolutos subiu os degraus . A escada levava ao segundo nível do castelo , onde um longo e estreito corredor passava por várias portas , doze de cada lado : os dormitórios dos aprendizes . Eram quartos apertados , com quatro camas dispostas em duas beliches e com pouquíssimo espaço entre estas . Enquanto o mago cruzava rapidamente o corredor que levava a outra escada no lado oposto , dois jovens saíram de um dos dormitórios conversando em alto tom e rindo estrondosamente . Por um momento não notaram a presença do mago . Somente quando este passava ao lado deles um dos jovens viu-o e calou-se imediatamente , entretanto o outro prosseguia a tagarelar e só parou quando o primeiro puxou-o ao seu lado e o colocou de frente com Mel'kanis . O susto do jovem foi imenso e ele engoliu repentinamente as palavras juntamente com o seu riso .
    -Olá . - disse , sem mesmo saber porque o fizera , como era de se esperar , Mel'kanis passou por eles sem nada dizer , apenas olhou-lhes com desaprovação . Logo o mago ganhou as escadas e sua silhueta desapareceu rapidamente por entre os degraus .
    -Olá ? - indagou o outro , balançando a cabeça negativamente não acreditando que seu colega havia dito aquilo
    -Poxa , fiquei apavorado - justificou-se o outro

    O terceiro nível era praticamente idêntico ao segundo : outro longo e estreito corredor estendia-se até outra escadaria em seu final . Porém este passava por menas portas , apenas seis de cada lado , eram os quartos dos magos , ou mestres , como eram chamados pelos aprendizes . Visivelmente eram mais amplos e aconchegantes , uma regalia que os jovens aprendizes só precisavam fazer uma coisa para poder desfrutar : passar nos testes finais . Mel'kanis subiu outro lance de escada e chegou ao quarto nível do castelo , este levava a um corredor mais amplo que passava por duas portas : à esquerda ficava uma pequena porta que levava a cozinha e a dispensa , era ali que a comida era preparada e os pratos lavados , tudo feito pelos aprendizes é claro . À direita havia uma grande entrada em forma de um largo arco , não podia bem ser chamada de porta pois não se fechava : era o salão de jantar , onde a maioria dos aprendizes ainda se encontravam . Eles ouviram de longe os passos do mago pelo corredor e os que ainda comiam pararam de fazê-lo e voltaram-se para porta , ainda assim , quando o mago passou pela entrada do salão – como um simples vulto branco - , não puderam deixar de se assustar . Mel'kanis nem mesmo olhou para o interior do salão e por isso não notou Aurin próximo a entrada , seguiu com passos apressados e subiu outra escada , porém no fim desta havia uma porta selada por magia . Neste nível ficava a biblioteca , que era fechada aos aprendizes , o conhecimento contido naqueles livros segundo os magos , era somente para aqueles que faziam por merecer . Mel'kanis atravessou a biblioteca , passando pelas enormes estantes onde os livros eram guardados e por inúmeras mesas , também cobertas por livros e folhas de anotações , até chegar a outra escadaria . Essa levava a um salão praticamente vazio , com exceção de alguns livros velhos que já não podiam nem mesmo serem lidos devido a corrosão do tempo . Esse salão servia de acesso às escadarias que levavam as torres . O mago tomou a escadaria que conduzia a torre norte , como esta era a maior das três , suas escadas não podiam ficar por menos . Subiam seguindo as paredes da torre , estas tinham o formato arredondado , não quadrado como a maioria das torres ; e o mais impressionante e assustador era que não possuía corrimão ou qualquer outro tipo de proteção , qualquer deslize podia ser fatal . Isso era lógico levando em conta que as escadas haviam sido planejadas e construídas primeiramente pelos anões , e estes detestavam corrimões , pois acreditavam que qualquer um tinha de ser capaz de manter-se em pé mesmo na mais extensa e estreita ponte , ou a mais alta e perigosa escadaria . Vale a pena lembrar que as escadas também ruíram , assim como aconteceu com as torres diante o ataque dos elfos negros , porém na reconstrução os aprendizes haviam tentado seguir nos mínimos detalhes o estilo dos anões , por isso as escadas permaneceram sem corrimão .
    Mel'kanis subiu as escadas apoiando-se em seu cajado , tantos degraus seriam uma provação mesmo para os músculos de um jovem de vinte anos , entretanto o mago subiu-os sem parar ou mesmo diminuir o ritmo . A escada levava a uma espécie de alçapão que dava para uma pequena sala no topo da torre , nesta havia duas sacadas – uma que dava para o norte e outra para o sul - nas quais era possível se ter uma ótima visão . Mel'kanis dirigiu-se a sacada ao norte , e encostando-se no parapeito seus olhos perderam-se ao longe . A noite já precipitava suas sombras sobre Delmon e o brilho de algumas estrelas já podia ser visto no horizonte distante . Passos subindo as escadas passaram despercebidos por seus ouvidos , logo Aurin entrou pelo alçapão e caminhou lentamente em sua direção , só então Mel'kanis percebeu-o , porém limitou-se a virar levemente a cabeça e olhar o outro mago pelo canto dos olhos .
    -Nuvens de tempestade formam-se ao norte . - disse Aurin em voz solene – A lua nasce mais escura a cada noite e , até mesmo o vento que sopra do norte , é frio . Quais são as notícias do mundo meu amigo ? - indagou postando-se ao lado de Mel'kanis e olhando na mesma direção que este olhava
    -Não deveria se importar tanto com as notícias do mundo . - falou Mel'kanis , sua voz era rouca e ecoante , como se vinda das profundezas de um poço – Ainda mais agora que os testes finais estão chegando .
    Por um momento um silêncio mortal instalou-se entre os dois magos , porém logo foi quebrado por Aurin
    -Tenho tido sonhos . - revelou
    -Todos temos . - respondeu Mel'kanis com um sorriso um tanto irônico nos finos lábios
    -Tenho tido sempre o mesmo sonho . - acrescentou Aurin – Em meu sonho estou no alto desta torre , e posso ver as sombras de Asgaroth cobrindo o mundo , cada reino de Exódia ... queimando ... destruído ... um mundo em guerra ... Vejo um forte e poderoso inimigo na fortaleza negra , mas não posso identificar quem é , ou que realmente deseja . - conforme falava parecia viajar fora do pensamento como se revivesse o sonho naquele exato momento – Por fim ouço uma voz , uma voz feminina , suave , melódica , soando como as águas de um doce riacho correndo caprichosamente entre as pedras . E essa voz me chama , me diz que o mundo precisa de mim , de minha ajuda ... E nessa parte eu acordo , e toda vez que isso acontece eu venho para essa torre e olho na mesma direção que você está olhando agora , e sinto a ameaça vinda do norte .
    -É apenas um sonho . - interveio Mel'kanis
    -Sabe que não . Tenho ouvido os boatos que correm por Exódia .
    -Ainda encantando pássaros e enviando-os para espionar o mundo lá fora ? - essa pergunta de Mel'kanis parecia mergulhada no ódio
    Aurin olhou para seu amigo , já fazia algum tempo que ele estava mudado , parecia cada dia mais sombrio . Aurin sabia que Mel'kanis também sentia a mudança no mundo e que isso estava afetando-o de alguma maneira .
    -Boatos dizem que a fortaleza negra está sendo reconstruída – prosseguiu Aurin - , assim como as torres de magia .
    -Apenas boatos . - afirmou o outro
    -Não. Eu sinto a presença da magia arcana , ainda que fraca .
    -O que você realmente quer Aurin ? - indagou Mel'kanis encarando-o seriamente
    -Peço sua permissão para deixar Delmon .
    -Está louco ! - bradou Mel'kanis – Os testes finais já vão começar ! Não pode deixar Delmon.
    -Fiquei aqui por muito tempo , chegou a hora de partir .
    -E o que pretende fazer ?!
    -Seguir o que me diz o sonho . Buscar a verdade . Saber quem realmente é o nosso inimigo e suas ambições .
    -Por que se importa com o que acontece no mundo lá fora ? Eles buscam as guerras , deixem que arquem também com suas consequências .
    Aurin não reconhecia aquelas palavras , sempre lembrava-se de um Mel'kanis que falava-lhe sobre as histórias do mundo e que acreditava nele , não dessas palavras de quem entrega-se no fim de uma batalha
    -Acredito que seja meu destino . - disse Aurin
    Mel'kanis olhou-lhe com aquele brilho de raiva nos olhos , mas depois baixou a cabeça , como se derrotado .
    -Sinto-me tão fraco Aurin . - confessou , suave voz agora era mais suave – Tenho andado por esse mundo atrás de respostas e não as tenho encontrado . As mesmas respostas que quer você ir buscar . Sinto o poder de Asgaroth crescendo a cada dia e minha fé definhando a cada um deles . Já não tenho forças pra lutar essa batalha . Sinto como se o meu tempo estivesse se esvaindo .
    -Não diga isso .
    -Mas é a verdade . - continuou Mel'kanis , sua voz parecia vacilar – Desculpe a minha arrogância , mas é que não posso aceitar que esse destino tenha se revelado à você . Não à você que vejo como meu filho .
    Os olhos de Mel'kanis estavam mergulhado em lágrimas . Agora Aurin se penalizava com a cena .
    -Eu te amo e te respeito como a um pai . - confessou
    -Eu , sei . E tenho certeza de que se lhe pedisse para ficar , você ficaria . Mas você também tem razão , já te prendi aqui por muito tempo e se os próprios deuses revelaram esse destino à você , não posso ir contra ele ,embora eu queira muito isso . Mas devo lhe perguntar : é isso mesmo que deseja fazer ?
    Aurin pareceu vacilar em sua resposta por um tempo , mas depois disse resoluto
    -Sim . Embora nem mesmo saiba por onde começar minha busca .
    -Creio que a resposta para essa guerra esteja no passado , é lá que deve buscá-las . Lembra-se do antigo Templo de Daruht ? - Aurin fez que sim com a cabeça – Ele foi esquecido pelos povos antes mesmo do começo da Era das Trevas , porém a história diz que no final da Grande Guerra , sete estátuas apareceram no seu interior : cada uma representando um deus , e nos braços de cada uma foi confiado um livro , estes livros contam a história de Exódia desde sua criação até o fim da Grande Guerra . Lembra-se ?
    -Sim . - respondeu Aurin – A história também diz que um encantamento sela os livros , e que cada estátua permanece com ele fechado em seus braços e só abrem quando as palavras-chave são ditas .
    -Sim . Essas palavras estão escritas na antiga língua dos Genaih . Você ainda se lembra dela ? Eu lhe ensinei há muito tempo .
    -Sim , me lembro . - respondeu Aurin sem poder evitar um sorriso , pois sua mente o levara para tempos atrás , quando era um simples e jovem aprendiz e desfrutava das belas histórias contadas por Mel'kanis nas frias noites de inverno .
    -Acredito que pode encontrar as respostas naqueles livros . Por muito tempo tenho pensado em fazer essa jornada , mas sempre temi em fazê-lo . Não queria passar esse fardo à você , porém se você não puder fazê-lo , ninguém mais poderá , os deuses mesmo mostraram-lhe isso . - os olhos do mago ainda estavam umedecidos de lágrimas – Tem certeza que quer se reclinar a esse destino , meu filho ?
    -Sim . - desta vez a resposta de Aurin foi rápida
    -Então peço para que parta sem mais perder tempo . - disse , e voltou a olhar para o norte , já era noite em Delmon – Muito tempo já foi desperdiçado . - acrescentou
    -Partirei amanhã mesmo meu mestre , com a sua benção .
    -Você a terá . - afirmou Mel'kanis , depois este colocou as mãos nos ombros de Aurin e encarou-o profundamente , e um brilho como se de orgulho faiscava em seus olhos – Sempre soube que se tornaria um grande mago , e que suas decisões afetariam não só você , mas também o mundo à sua volta . - Mel'kanis encarou Aurin por mais algum tempo , antes de partir rumo ao alçapão e sua figura desaparecer conforme descia os degraus .
    Aurin ficou ali na torre por mais algum tempo , sensibilizado com as palavras de Mel'kanis , mas também preocupado com a jornada que estava prestes a começar . Voltou seu olhar para as estrelas , para a constelação em forma de dragão - a constelação de Rakhiir - e sentiu uma suave brisa roçar seu rosto .
     
  3. Liv

    Liv Visitante

    Olha, bem legal! Parabéns! xD~~
     

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