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Evento As 5 Melhores (72ª Semana) - Jorge Ben Jor

Quickbeam

Rock & Roll


Jorge Duílio Lima Menezes (Rio de Janeiro, 22 de março de 1942), conhecido como Jorge Ben e Jorge Ben Jor, é um guitarrista, cantor e compositor popular brasileiro. Seu estilo característico possui diversos elementos, entre eles: rock and roll, samba, samba rock (termo que gosta de usar), bossa nova, jazz, maracatu, funk, ska e até mesmo hip hop, com letras que misturam humor e sátira, além de temas esotéricos. A obra de Jorge Ben tem uma importância singular para a música brasileira, por incorporar elementos novos no suingue e na maneira de tocar violão, com características do rock, soul e funk norte-americanos. Além disso, trouxe influências árabes e africanas, oriundas de sua mãe, nascida na Etiópia.

Influenciou o sambalanço e foi regravado e homenageado por inúmeros expoentes das novas gerações da música brasileira, como Mundo Livre S/A, Os Paralamas do Sucesso, Racionais MC's e Belô Velloso. Jorge Ben Jor explodiu com a música '"Mas Que Nada" e logo em seguida ratificou seu talento com outro grande sucesso, "Chove Chuva". Duas canções que nada tinham a ver com a bossa nova, nem com o samba. Os puristas achavam que sua música era moderna demais. Era difícil para os músicos da época acompanhá-lo, tanto assim que seus primeiros discos foram gravados com um conjunto que tocava jazz no Beco das Garrafas, o Meireles e os Copa 5.

História

Filho de Augusto Menezes, pandeirista do bloco Cometa do Bispo, cantor e compositor de músicas de carnaval, e da etíope Sílvia Saint Ben Lima. Na adolescência, integrou um regional, tocando pandeiro, e fez parte do coro da igreja do Colégio Diocesano São José, onde estudava. Gostava muito de jogar futebol e chegou, inclusive, a integrar a equipe infanto-juvenil do Flamengo. Aos 18 anos, ganhou seu primeiro violão e um método para principiantes. Logo em seguida, começou a tocar bossa nova e rock em festas de amigos.

Iniciou sua carreira artística em 1961, como pandeirista, ao lado do Copa Trio, grupo liderado pelo organista Zé Maria, que se apresentava na casa noturna Little Club, no Beco das Garrafas (RJ). Em seguida, apresentou-se no Bottle's, também no Beco das Garrafas, cantando e tocando músicas de sua autoria. Atuou, também nessa época, como cantor de rock, na boate Plaza (RJ).

Em 1963, voltou a apresentar-se no Bottle's, acompanhado pelo Copa Cinco, integrado por Meireles (sax), Pedro Paulo (trompete), Toninho (piano), Dom Um (bateria) e Manoel Gusmão (baixo). Ainda em nesse ano, realizou sua primeira participação em estúdio, atuando como "crooner" nas faixas "Mas Que Nada" e "Por Causa de Você, Menina", ambas de sua autoria, incluídas no LP Tudo Azul, de Zé Maria. Em seguida, foi contratado pela gravadora Philips, e gravou um 78 rpm com essas duas músicas, acompanhado pelo Copa Cinco. O disco obteve muito êxito. Nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, Samba Esquema Novo, contendo essas duas canções, além de "Chove Chuva", que veio consolidar seu sucesso como cantor e compositor. O disco atingiu um total de 100 mil cópias vendidas, marca incomum para a época.

Em 1964, lançou os LPs Sacundin Ben Samba e Ben É Samba Bom.

No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos, a convite do Ministério das Relações Exteriores, apresentando-se em clubes e universidades, durante três meses. Dono de um estilo único, chegou a participar de programas antagônicos como "O Fino da Bossa" e "Jovem Guarda" (TV Record). Nessa época, algumas de suas canções foram gravadas nos Estados Unidos: "Mas Que Nada" e "Chove Chuva", por Sergio Mendes, que chegaram às paradas de sucesso norte-americanas, "Zazoeira", por Herp Albert, e "Nena Naná", por José Feliciano.

Lançou, em seguida, os LPs Big Ben (1965), com destaque para "Agora Ninguém Chora Mais" e O Bidu - Silêncio no Brooklin (1967).

Em 1968, foi convidado para apresentar-se no programa "Divino Maravilhoso", de Caetano Veloso e Gilberto Gil, transmitido pela TV Tupi.

No ano seguinte, participou do IV Festival Internacional da Canção (TV Globo), interpretando "Charles, Anjo 45", música de sua autoria, incluída no LP Jorge Ben (1969), que registrou, também, sucessos como "Crioula", "Domingas", "Cadê Teresa", "País Tropical", "Take It Easy My Brother Charles", "Bebete, Vamos Embora" e "Que Pena", todas de sua autoria.

Em 1970, participou do V Festival Internacional da Canção, como autor de "Eu Também Quero Mocotó", interpretada pelo maestro Erlon Chaves, a Banda Veneno e o Trio Mocotó. Nesse mesmo ano, destacou-se no Midem, em Cannes, com a canção "Domingas", escrita em homenagem à sua esposa. Ainda nesse ano, gravou o LP Força Bruta, com destaque para suas composições "Oba, Lá Vem Ela", "Pulo, Pulo" e "O Telefone Tocou Novamente".

No ano seguinte, lançou o LP Negro É Lindo, produzido por Paulinho Tapajós, contendo suas canções "Rita Jeep", "Porque É Proibido Pisar na Grama", "Que Maravilha" (c/ Toquinho), "Maria Domingas" e "Palomaris", entre outras.

Em 1972, realizou turnê de shows na Itália, Portugal e Japão, onde gravou um disco ao vivo. Ainda nesse ano, venceu o VII Festival Internacional da Canção, com sua composição "Fio Maravilha", defendida por Maria Alcina. Lançou, ainda nesse ano, o LP Ben, produzido por Paulinho Tapajós. O disco registrou a canção premiada no festival, além de "Morre o Burro Fica o Homem", "O Circo Chegou", "Paz e Arroz", "Caramba", "Que Nega É Essa", "As Rosas Eram Todas Amarelas" e "Taj Mahal", entre outras de sua autoria.

Em 1973, regravou sucessos de sua carreira no LP Jorge Ben - 10 Anos Depois, produzido por Paulinho Tapajós.

No ano seguinte, lançou o LP A Tábua de Esmeralda, produzido por Paulinho Tapajós, contendo suas canções "Os Alquimistas Estão Chegando", "O Homem da Gravata Florida", "Errare Humanum Est", "Menina Mulher da Pele Preta", "Magnólia", "Minha Teimosia, uma Arma pra Te Conquistar", "O Namorado da Viúva" e "Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda" (sobre texto de Fulcanelli), entre outras. Em 1975, gravou, com Gilberto Gil, o LP duplo Gil-Jorge, co-produzido por Paulinho Tapajós e Perinho Albuquerque. Também nesse ano, apresentou-se no Teatro Sistina, em Roma, em show gravado pela televisão italiana, e no Olympia, em Paris, em espetáculo gravado ao vivo e lançado no LP Jorge Ben à L'Olympia. Ainda em 1975, lançou o LP Solta o Pavão, contendo suas composições "Zagueiro" e "Jorge de Capadócia", entre outras.

No ano seguinte, gravou o LP África Brasil, com destaque para "Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)", "Hermes Trismegisto Escreveu" e "Xica da Silva", essa última composta para a trilha sonora do filme homônimo, de Cacá Diégues.

Em 1977, lançou o LP Tropical, contendo sucessos de sua carreira.

Gravou, no ano seguinte, o LP A Banda do Zé Pretinho, registrando canções de sua autoria como a faixa-título, "Troca Troca", "Bom-dia, Boa-tarde, Boa-noite, Amor", "Cadê o Penalty", "Menino Jesus de Praga" e "Denise Reis", entre outras.

Em 1979, lançou o LP Salve Simpatia, registrando composições próprias como "Boiadeiro" (c/ Augusto de Agosto), "Ive Brussel" e a faixa-título, entre outras.

No ano seguinte, gravou o LP Alô, Alô, Como Vai?, com músicas de sua autoria, como "A Cegonha Me Deixou em Madureira" (c/ Augusto de Agosto), "Caê, Caê, Caetano", "Lady Benedicta" e a canção-título, entre outras. Nessa época, começou a divulgar suas músicas no exterior, apresentando-se em shows e participando de festivais de jazz e "world music".

Em 1981, lançou o LP Bem-vinda Amizade, com destaque para sua canção "Curumin Chama Cunhãtã Que Eu Vou Contar (Todo Dia Era Dia de Índio)".

Gravou, em 1983, o LP Dádiva, com suas composições "Eu Quero Ver a Rainha" e "Ana Tropicana", entre outras.

Em 1984, lançou o LP Sonsual, registrando suas músicas "Senhora Dona da Casa", "A Rainha Foi Embora" e "Irene, Cara Mia", entre outras.

Gravou, em 1986, o LP Ben Brasil, contendo "Roberto, Corta Essa", "Ladrão Batuta" e "O Amante Vigilante Africano", entre outras.

Em 1989, por questões de direito autoral, alterou seu nome artístico de Jorge Ben para Jorge Benjor. Nesse mesmo ano, lançou o LP Benjor, contendo suas composições "Mama África" e "Cabelo" (c/ Arnaldo Antunes), entre outras.

Em 1992, lançou o CD Jorge Ben Jor ao Vivo no Rio, com destaque para sua canção "W/Brasil (Chama o Síndico)", sucesso nas pistas de dança desde o ano anterior. Voltando às paradas de sucesso, foi "descoberto" por uma nova geração de fãs que vieram engrossar as fileiras de sua legião de admiradores.

No ano seguinte, gravou o CD 23, contendo suas músicas "Alcohol", "Eu Sou Cruel", "Engenho de Dentro" e "Spirogyra Story", entre outras.

Em 1995, lançou os CDs Ben Jor World Dance, contendo versões "radio" e "club dance" para alguns de seus sucessos, e "Homo Sapiens", com destaque para suas composições "Gostosa", "Rabo preso" e "Gertrudes Bonhausen".

Gravou, em 1997, o CD Músicas Para Tocar em Elevador, ao lado de artistas como Carlinhos Brown, Paralamas do Sucesso e Fernanda Abreu, entre outros.

Em 2002, gravou, no estúdio do Polo de Cine e Vídeo, no Rio de Janeiro, o Acústico Jorge Benjor (CD, DVD e musical de televisão), com arranjos de Lincoln Olivetti e produção musical de Paulinho Tapajós, acompanhado de duas bandas. No primeiro set, contou com a Admiral Jorge V, formada por Dadi (baixo), João Vandaluz (piano), Gustavo Schroeter (bateria) e Joãozinho da Percussão. No segundo set, contou com a Banda do Zé Pretinho, formada por J.J. (baixo), Edu (bateria), Lourival (piano) e Nenem da Cuíca. O trabalho contou, ainda, com a participação do grupo vocal Golden Boys e dos músicos Leo Gandelman (sax e flauta), Dirceu Leitte (clarinete e flauta), Bidinho (trompete e flugel), Serginho do Trombone, Zé Carlos (sax e flauta), Marçalzinho (percussão) e Gordinho (surdo), entre outros, e de uma orquestra de cordas. Nesse mesmo ano, também acompanhado da Admiral Jorge V, da Banda do Zé Pretinho e de uma orquestra de cordas sob a regência de Lincoln Olivetti, apresentou-se no Via Funchal (SP) e no ATL Hall (RJ).

Em 2004, participou, ao lado de Gilberto Gil e outros artistas, da gravação do CD Hino do Fome Zero (Roberto Menescal e Abel Silva). Nesse mesmo ano, fez show no Noites Cariocas, no Morro da Urca (RJ).

Em 2005, apresentou-se no espaço Oi Noites Cariocas, no Morro da Urca (RJ). Nesse mesmo ano, lançou o CD Reactivus Amor Est, contendo as composições inéditas "Mexe Mexe", "Gabriel, Rafael, Miguel", "O Rei É Rosa Cruz", "Sãos e Salvos", "Zé Blueman", "História do Homem", "Janaína Argentina", "Eu Bem Que lhe Avisei", "Tupinambás", "O Nome do Rei é Pelé", "Desligado", "Hoje É Dia de Festa", "Maria Helena e Chiquinho", "Funk Astrid", "Turba Philosophorum" e "C 589".

Apresentou-se, em 2005, no Claro Hall (RJ).

No dia 23 de abril de 2007, apresentou-se ao lado de Jorge Vercilo, Jorge Mautner e Jorge Aragão na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em show que reuniu os “Jorges” da música brasileira em homenagem a São Jorge. No repertório, parcerias inéditas, como “Líder dos Templários" (c/ Jorge Vercilo, Jorge Mautner e Jorge Aragão) e "São Jorges" (c/ Jorge Vercilo e Jorge Aragão), e outros sucessos dos quatro artistas. O registro ao vivo do show, com direção musical de Rildo Hora e canja especial de Gilberto Gil, foi lançado, nesse mesmo ano, no CD e DVD Coisa de Jorge.

Em 2009, foi lançada a caixa Salve, Jorge!, com os 13 álbuns gravados para a Philips (hoje Universal), desde Samba Esquema Novo, de 1963, até África Brasil, de 1976, e trazendo ainda um CD duplo com raridades de estúdio, entre as quais “Camisa 12”, “Os Mentes Claras”, “Salve América” e “Silvia Lenheira”.

Em 2011, numa parceria do Instituto Cultural Cravo Albin com o selo Discobertas, foi lançado o box 100 Anos de Música Popular Brasileira, contendo quatro CDs duplos, com áudio restaurado por Marcelo Fróes da coleção de oito LPs da série homônima produzida por Ricardo Cravo Albin, em 1975, com gravações raras dos programas radiofônicos “MPB 100 ao vivo” realizadas no auditório da Rádio MEC, em 1974 e 1975. O compositor participou do volume 6 da caixa, com suas canções “Mas Que Nada”, “País Tropical” e “Fio Maravilha”, as três interpretadas em dueto por Pery Ribeiro e Rosana Toledo, e “Chove Chuva”, na voz de Pery Ribeiro. Nesse mesmo ano, apresentou-se no espaço Estação Leopoldina (RJ), pelo projeto “Back2Black”.

Em 2012, fez show na Praia do Pontal, em Paraty, para gravação em CD e DVD do projeto especial Luau MTV Jorge Benjor, tendo a seu lado Lorival Costa (teclado), Dadi (baixo), Lucas Real Fernandes (bateria), Neném da Cuíca e ainda um naipe de sopros formado por Marlon Sette, Altair Martins e Jean Arnoult. Nesse mesmo ano, e com os mesmos músicos, apresentou-se no Circo Voador (RJ) e nos espaços Fundição Progresso e Citibank Hall (RJ). Também em 2012, entrou na web o documentário Imbatível ao Extremo: Assim É Jorge Ben Jor!, especial em 10 capítulos sobre sua trajetória artística dirigido e roteirizado por Paulo da Costa e Silva para a Rádio Batuta do Instituto Moreira Salles, com produção de Paulo da Costa e Silva, Adriana Maciel e Heloisa Tapajós.

Constam da relação dos intérpretes de suas canções artistas e grupos como Tamba Trio, Pery Ribeiro, Walter Wanderley, Sérgio Mendes, Herb Alpert & Tijuana Brass, José Feliciano, Ella Fitzgerald, Dizzie Gilespie, Júlio Iglesias, Al Jarreau, Trini Lopez, Fred Bongusto, Mina, Nicoletta, Los Hermanos Castro, Elis Regina, Jair Rodrigues, Papa Gira, Elza Soares, Paulinho Nogueira, Maria Creuza, Tânia Maria, Wilson Simonal, Ivan Lins, Os Incríveis, Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Os Mutantes, Gal Costa, Maria Bethânia, Os Diagonais, Cassiano, Fábio, Banda Black Rio, Tim Maia, Claudete Soares, Maria Alcina, Os Originais do Samba, Moraes Moreira, Zé Ramalho, Leila Pinheiro, Oscar D'León, Elba Ramalho, Fernanda Abreu, Sandra de Sá, Leci Brandão, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Os Paralamas do Sucesso, Skank, Lulu Santos, Thaíde & DJ 1, Mano Brown e o grupo Racionais MCs, Marisa Monte, Ana Carolina, Simoninha e Luciana Rodrigues, entre outros.

Discografia

Álbuns de estúdio


Álbuns ao vivo



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1Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas (A Tábua de Esmeralda, 1974)
A Tábua de Esmeralda e África Brasil são meus álbuns preferidos do Babulina. Essa faixa de abertura já é prova mais do que suficiente dos níveis estratosféricos a que Ben levou sua música: melodia, suingue e experimentação andam lado a lado neste disco.

Eis uma resenha bacana do Barcinski sobre A Tábua de Esmeralda:
“Tábua de Esmeralda” é Jorge Ben no auge de sua criatividade e experimentação. Um disco produzido e tocado com perfeccionismo, mas que mantém uma sensação leve, quase de “jam session”, como se tivesse sido gravado de improviso.

O LP tem doze faixas, todas perfeitas. A ordem das músicas favorece a audição do disco como um todo; uma ópera mística/espiritual/religiosa/cósmica/psicodélica criada por um alquimista dos sons.

Tudo é especial: a sofisticação dos arranjos, os corais tabelando com a voz de Jorge, aquele violão de suingue inigualável, que – me perdoe o próprio Jorge – ele nunca igualou na guitarra.

Uma das coisas que mais impressionam no disco é a métrica de Jorge Ben. Como ele consegue encaixar frases onde elas parecem não caber, esticando sílabas, dobrando vogais, mudando a tônica de algumas palavras.

Em “O Homem da Gravata Florida”, ele acelera e desacelera o ritmo das palavras para encaixar na batida do violão. É tão fluido que parece fácil.

Classificar musicalmente o álbum é impossível. Samba? Rock? Soul? Funk? Bossa Nova? É tudo isso, às vezes numa só faixa.

Algumas músicas parecem trilha sonora de filme, como a psicodélica “Errare Humanum Est”, uma jóia tropicalista em que violinos e sintetizadores fazem a cama para uma divagação cósmica de Jorge.

Curioso pensar que esse disco foi gravado na mesma época da série “Racional” de Tim Maia. O que estava rolando com esse dois no meio dos anos 70? Seriam os sonhos da contracultura filtradas pela ótica black brasileira? A versão Babulina de “Hair”? Estranhos tempos, aqueles...

Um dos destaques do disco é “a Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar”. Acho o início dessa música um dos sons mais bonitos já gravados.

Mas os momentos transcendentes são muitos. E o violão nervoso que abre “Menina Mulher da Pele Preta”? O solo de guitarra em “Brother”? A cadência dolente do violão em “Hermes Trismegisto”?

Agora, se eu tivesse de escolher uma música só, ficaria com a faixa que encerra o disco, “Cinco Minutos”.

Sabe quando uma grande banda de jazz ou soul entra numa espécie de transe e atinge um momento tão sublime e arrebatador que o fenômeno só pode ser explicado pela conjunção de inspirações e musas que baixaram ali, naquele instante?

Pois é. “Cinco Minutos” é assim, só que gravada em estúdio, sem a possibilidade de inspirações momentâneas aterrisando no local. É a junção da liberdade criativa com o controle. Coisa de gênio.
2Caramba!... Galileu da Galiléia (Ben, 1972)
Não encontrei um vídeo decente com essa música, portanto não liguem para a foto em movimento do carinha. XD


3Meus Filhos, Meu Tesouro (África Brasil, 1976)

Nunca quis ser jogador de futebol, mas, reouvindo África Brasil, tenho de admitir que essa canção é bem contagiante e a curiosa letra acabou fazendo com que a música não saísse da minha cabeça estes dias. :dente:

Quanto ao álbum, eis um trecho de uma dissertação de Luciana Xavier de Oliveira:
Considerado o álbum mais “funky”, de Jorge Ben Jor, África Brasil foi lançado em 1976, ainda pela Phonogram. Contendo 11 faixas, todas de sua autoria, o disco possui algumas regravações de canções anteriormente lançadas, como "Hermes Trismegisto Escreveu", "O Plebeu", "Taj Mahal" e "África Brasil (Zumbi)". As alterações em títulos e letras destas faixas também acompanhavam os arranjos diferenciados de suas primeiras regravações, seguindo a tônica do álbum de desenvolver uma sonoridade mais pesada, calcada sobre influências do funk e da soul music norte-americanas, e também acionando recursos sonoros específicos da música afro-brasileira, não apenas do samba, como também do candomblé, contando ainda com instrumentos da música cubana.

Assim, no álbum, ao lado de congas e tumbas, instrumentos tipicamente cubanos, pandeiros, cuícas e surdos operavam junto a atabaques e outros instrumentos de percussão, compondo a “cozinha” rítmica do disco, e por vezes atuando como sonoridades principais. Esta configuração percussiva era articulada ao conjunto de bateria, sax, trompete, baixo elétrico e guitarras elétricas (solo, centro e phaser), tocadas por Jorge Ben Jor, que passaria a utilizá-la definitivamente, abandonando o violão acústico (o músico já havia substituído o violão pela guitarra anteriormente, em 67 no disco O Bidú – Silêncio no Brooklin, influenciado pelo rock da jovem guarda). Esta mudança foi fundamental na carreira de Jorge Ben Jor, separando sua trajetória em duas fases. A partir de África Brasil, passa a afastar-se dos procedimentos composicionais que caracterizavam a MPB de então para aproximar-se de vez de uma sonoridade mais pop, fato também que pode ser justificado pela mudança de gravadora, ao integrar o cast da Som Livre em 78. É o momento em que sua carreira volta-se para um mercado mais amplo, buscando também atingir as pistas de dança e um público mais jovem, a partir de estratégias de marketing mais violentas, visando maiores índices de vendas e consolidando seu lugar dentro do mainstream da música pop brasileira.

A escolha definitiva pela guitarra também representou a tentativa de desenvolver uma sonoridade atrelada mais diretamente à música global e, portanto, mais palatável a um público estrangeiro, visto que a conquista do mercado internacional, notadamente o europeu, tornou-se um objetivo cada vez mais presente na trajetória midiática de Jorge Ben Jor. Com o recorrente lançamento de seus discos no exterior, alcançou relativo sucesso e reconhecimento no crescente mercado da world music, por sua música considerada “exótica”, balizada sobre ritmos locais, mas ancorada nas tendências musicais internacionais, o compositor consolidou uma posição de destaque dentro deste novo filão.

Assim, dando contornos a uma sonoridade calcada no samba e em outras manifestações de matrizes musicais afro-derivadas, só que mais eletrificada, Jorge Ben Jor em África Brasil consegue absorver várias tendências musicais do mercado fonográfico internacional da década de 70 que chegavam ao país e influenciavam o cenário musical brasileiro, como o soul e o funk, a disco music e o rock. Esta estratégia voltada para um direcionamento mais pop também pode ser comprovada pela escolha do produtor (e também responsável pela mixagem) Marco Mazzola. Conhecido como “o midas da MPB”, Mazzola passou por praticamente todas as multinacionais da indústria fonográfica no país, produzindo discos de sucesso dos maiores nomes da música brasileira. Apesar de eventuais críticas, ganhou renome por renovar carreiras de músicos consagrados, ao introduzir sonoridades da música pop internacional em trabalhos como Realce (Warner, 1979), de Gilberto Gil, impregnado de sons e efeitos advindos da disco music.

Ao lado de Mazzola, trabalharam nos arranjos do disco, especificamente nas faixas orquestradas, o pianista José Roberto Bertrami, que, desde o começo da década de 70, gravou com vários artistas como Raul Seixas, Rita Lee e Elis Regina. Ainda nos anos 60, fez parte do grupo A Turma da Pilantragem, na esteira do “estilo” criado por Wilson Simonal, que, de certa forma, adiantava, mas em formato diferenciado, o projeto musical do conjunto Azimuth, criado por ele em 73, um dos pioneiros na fusão inventiva entre jazz, samba, rock, bossa e baião, considerado como “MPB-jazz”. Bertrami já vinha trabalhando com sonoridades da black music norte-americana aliadas à MPB, ao escrever arranjos para canções interpretadas por Elis Regina como "Black Is Beautiful" e "Madalena" (ambas do disco Ela, de 71, lançado pela Phonogram). Outros músicos que trabalharam em África Brasil também estavam pesquisando fusões com a black music, como Oberdan Magalhães, saxofonista, que, no mesmo ano criaria a Banda Black Rio, cuja proposta era desenvolver as bases de uma música soul brasileira instrumental. Estes músicos estavam conectados também com o movimento Black Rio e com os bailes blacks que se espalhavam pelo país. Este cenário musical influenciado pelo movimento negro que se desenvolvia em torno dos bailes das periferias nesta década de 70, em um contexto de valorização da cultura negra, mobilizou boa parte das gravadoras, que passaram a colocar no mercado produtos ligados a esta nova tendência, com a qual Jorge Ben Jor já se mostrava conectado e devidamente identificado desde o começo de sua trajetória midiática.

Para formatar as fusões musicais neste novo trabalho, Jorge Ben Jor criou a banda Admiral Jorge V (que o acompanhou até 1977), que contava, além de Oberdan Magalhães nos metais (ao lado de Marcio Montarroyos), com três dos integrantes do conjunto A Cor do Som – João Roberto Vandaluz “Bum” (piano) e Gustavo Schroeter (percussão), Dadi Carvalho (baixo elétrico) – além de Pedrinho e Wilson Das Neves na bateria e timbales, e ritmistas como Luna (surdo), Neném (cuíca), Joãozinho Pereira, Djalma Corrêa, Hermes e Ariovaldo na percussão, entre outros. Também José Roberto Bertrami participou de algumas das faixas, tocando sintetizadores, instrumentos que seriam largamente utilizados nos discos de Jorge Ben Jor a partir da década de 80. A utilização destes instrumentos elétricos (baixo e teclados) e de guitarras, ao lado de instrumentos percussivos como surdo, cuíca, atabaques, tumbas e congas, ofereciam novas soluções rítmicas, mescladas a uma “cozinha” de metais, associados também a um cantar mais agressivo e visceral de Jorge Ben Jor colaborou para o desenvolvimento de um trabalho original, cujas críticas positivas e a circulação em outros contextos midiáticos de suas canções (como "Xica da Silva", composta para o filme homônimo de Cacá Diegues, lançado em 76) contribuíram para bons índices de venda, chegando a 60 mil cópias vendidas.

Mesmo com esta produção cuidada, o resultado final do disco não agradou a Jorge Ben Jor, especialmente por conta da mixagem. Gravado em dezesseis canais, tecnologia considerada precária mesmo para a época, a mixagem de África Brasil não conseguiu registrar com fidelidade todo o mosaico percussivo que compunha o pano de fundo das canções gravadas, achatando os diversos sons em uma massa sonora compactada. Após o lançamento, o compositor deu algumas declarações para a imprensa, questionando o trabalho final sobre o disco (e criticando até mesmo o visual da capa, reclamando da sua fotografia “fora de foco”).

De certa forma, a proposta de África Brasil, apesar da busca por uma sonoridade antenada às últimas tendências do pop e da black music internacional, não apresenta canções tipicamente no formato popular massivo, nem sempre contendo refrões ou repetições temáticas, privilegiando, neste sentido, letras extremamente figurativas, por vezes de difícil assimilação e memorização. Neste sentido, também a proposta não era a dança, mesmo que as canções, em sua totalidade, tenham um formato que provoque o engajamento corporal e uma escuta interativa por parte do ouvinte, por conta da forte presença da percussão na condução rítmica das faixas. Apenas "O Plebeu" pode ser considerada uma canção de amor, onde percebe-se uma compatibilização mais passional entre letra e melodia, cujo ritmo é o mais próximo do samba dentre todas as outras faixas do disco. Mais do que um álbum de grandes letras, é um disco de experimentações sonoras, de fato a proposta inicial do trabalho: “O disco ia ser instrumental, já com tudo ensaiado, com muitos solos, mas, na última hora a gravadora mudou de planos (...). Ia pintar um refrãozinho só de leve, só pra calçar, só pra cantar a música como se fosse um partido [alto]: você canta só um pedaço e o resto é tudo solo, muitos solos” (Jorge Ben Jor, Última Hora – 01/11/77 – Entrevista).

Talvez por isso tantas regravações de canções antigas, onde os novos arranjos por vezes modificavam quase completamente a estrutura melódica original. Adequando letras antigas, com pequenas alterações, às novas bases melódicas e rítmicas, o compositor pôde, assim, não desperdiçar as experimentações já desenvolvidas para o trabalho instrumental não concretizado, apresentando releituras que, além de servirem como revisão de sua obra, foram uma saída para driblar a censura da gravadora, mais interessada em lançar discos em formatos palatáveis para um público médio de música pop mainstream do que projetos experimentais e instrumentais que não despertariam grande interesse no consumidor médio nem trariam grande lucratividade.

É interessante notar, seguindo este raciocínio, a semelhança dos acordes iniciais da faixa "Meus Filhos, Meu Tesouro" com a melodia de "Taj Mahal", enquanto que "O Filósofo" e "Xica da Silva" parecem ser partes de uma mesma canção, com andamentos um pouco diferentes. A idéia de compor canções mais longas com pequenos refrões, como em um partido alto, mencionadas no trecho da entrevista reproduzida acima ficou claramente delineada na faixa "Cavaleiro do Cavalo Imaculado", composta apenas por um refrão pequeno e simples, de seis versos. É a maior canção do disco (com 4 minutos e 46 segundos), baseada em várias repetições do refrão, por vezes aleatórias e desordenadas, e repleta de vocalises. A performance vocal serve mais como recurso para acompanhar a estrutura melódica e rítmica da canção do que para desenvolver possíveis imagens ou narrativas, cedendo espaço a solos instrumentais elaborados e virtuosísticos do baixo elétrico, da guitarra e da bateria.

Em relação aos temas abordados em África Brasil, mesmo que nem todas as faixas falem sobre a questão da identidade afro-brasileira diretamente, esta ligação com a negritude também está representada pela seleção de instrumentos e procedimentos rítmicos típicos da cultura africana, manifestos em diferentes contextos regionais (apesar de ser o eixo temático principal do disco, na verdade, apenas 4 das 11 faixas do disco falam sobre temas relativos à identidade negra, enquanto que outras falam sobre amor, futebol, alquimia e temas do cotidiano). Neste sentido, podemos compreender também como forma de engajamento a esta ideologia a constância na utilização do atabaque, instrumento de percussão típico do candomblé brasileiro, e de congas e tumbas, oriundos da tradição afro-cubana, empregados de forma a conferir uma sonoridade mais acústica em contraposição aos outros instrumentos eletrificados. A proposta de perseguir uma ligação mais direta com outras sonoridades afroderivadas também pode ser notada em uma aproximação a técnicas e estilos de gravação e captação da voz da indústria fonográfica da soul music norte-americana, ora aproximando-se de uma sonoridade mais agressiva e grave influenciada pelo rock, ora privilegiando um ritmo mais suave e sincopado, advindo das transformações da música gospel.
4Santa Clara Clareou (Bem-Vinda Amizade, 1981)
5Chove Chuva (Samba Esquema Novo, 1963)
Clássico do repertório de Ben. :fones:
 

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