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Após trabalho com índios no Amazonas, missionário evangélico vira cientista ateu

Tópico em 'Ciência & Tecnologia' iniciado por Morfindel Werwulf Rúnarmo, 20 Mar 2012.

  1. Morfindel Werwulf Rúnarmo

    Morfindel Werwulf Rúnarmo Geofísico entende de terremoto

    O americano Daniel Everett, 55, negou Deus por duas vezes. Primeiro o Deus literal, cristão, cuja inexistência declarou depois de conviver por décadas com os índios pirahãs, do Amazonas, com o propósito inicial --frustrado-- de traduzir a Bíblia para a sua língua. Depois, o deus dos intelectuais, Noam Chomsky, cuja Gramática Universal, a mais ilustre de todas as teorias linguísticas, passou a ser questionada por Everett justamente por causa de peculiaridades do idioma pirahã.

    Professor da Universidade do Estado de Illinois, Everett tem protagonizado nos últimos anos uma verdadeira guerra com os linguistas da escola de Chomsky, os generativistas.

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    Daniel Everett no rio Maici, Amazonas, com um pescador pirahã; americano conta como tribo o transformou em cientista ateu​

    Ele afirma que seus estudos sobre a língua pirahã --iniciados em 1977 quando ele veio para o Brasil a serviço da organização missionária Summer Institute of Linguistics, ou SIL-- derrubam a Gramática Universal por uma série de fatores.

    O idioma pirahã, diz Everett, não partilha supostos universais linguísticos tidos como essenciais para a Gramática Universal, segundo a qual a biologia humana molda a linguagem e a variação gramatical possível nas diferentes línguas. O principal ponto é a alegada falta de recursividade do pirahã, ou seja, a capacidade de formar frases infinitamente longas encaixando elementos um no outro.

    No fim do ano passado, Everett lançou no Reino Unido o livro "Don't Sleep, There Are Snakes" ("Não Durma, Aqui Tem Cobra"), no qual desenvolve mais amplamente, para o público leigo, sua tese.

    A obra vai muito além da linguística. Ele narra sua trajetória de três décadas entre a tribo, uma verdadeira saga que envolveu mudar-se com a mulher e três filhos pequenos dos EUA para o meio da selva, uma crise de malária que o fez remar por horas e viajar por dias de barco para salvar sua mulher (que insistia para ficar na aldeia, esperando que Deus a curasse) e ameaças de morte. E todo o processo que o fez se transformar de missionário evangélico em cientista ateu.

    É cedo para dizer se as ideias de Everett representam um golpe mortal para a teoria chomskiana. (Não seria de todo impensável: o próprio Chomsky protagonizou um episódio desses, quando pôs abaixo em 1959, com um único artigo, toda a psicologia behaviorista de B. F. Skinner.) "Don't Sleep, There Are Snakes" não avança nesse sentido.

    No entanto, é um livro que precisa ganhar logo uma versão brasileira, por conta do olhar perspicaz de Everett sobre a vida na Amazônia.

    Enquanto militares e ministros do Supremo discutem se as terras indígenas representam perda de soberania sobre a floresta, Everett e outros "gringos" que escrevem bons livros a respeito da região acabam por internacionalizá-la metaforicamente, ao aproximá-la do coração e da mente de seus leitores... em inglês.

    De seu escritório em Illinois, falando um português com sotaque manauara, Everett deu a seguinte entrevista à Folha:

    *​

    Folha - O sr. entrou na Amazônia como um missionário cristão e saiu de lá como um cientista ateu. Como aconteceu essa "desconversão"?

    Daniel Everett - Eu nunca me converti até os 17 anos, quando comecei a namorar uma filha de missionários. Eles me falaram sobre as necessidades dos índios do Amazonas. Eu, como novo cristão, pensei que isso seria melhor que ficar nos EUA. Em 1978 eu fui para a Unicamp fazer mestrado, e obviamente não tem muito fundamentalista lá. E comecei a admirar muito o Aryon [Rodrigues, orientador de mestrado de Everett e principal estudioso de línguas indígenas do Brasil, hoje na UnB].

    Uma vez ele me convidou para uma palestra que o Darcy Ribeiro foi dar na Unicamp quando voltou do exílio. A ideia de chegar para o Darcy Ribeiro e dizer que ele ia para o inferno sem Jesus Cristo parecia tão ridícula que eu comecei a pensar sobre essas crenças. Quando comecei a falar com os pirahãs, fiquei no meio do mato conversando com um grupo de pessoas que nunca manifestaram interesse nesse Deus do qual eu falava.

    Pensei:
    E finalmente eu vi que intelectualmente eu não podia mais sustentar essa crença em mim.

    Folha - Como é a sua relação com os missionários do SIL hoje?

    Everett - Tenho relação próxima apenas com minha filha é missionária lá, e o Steve Sheldon, que trabalhava entre os pirahãs antes de mim. Eles não viraram meus inimigos, mas sou contra o trabalho. Minha filha e eu não falamos sobre isso.

    Folha - O sr. conhece algum caso de evangelização que tenha sido danoso para os índios?

    Everett - Você tem entre os índios banawás e os índios jamamadis os missionários mais conservadores. Os banawás tiveram um casal pentecostal entre eles e um casal do SIL. Você tinha dois casais de missionários num grupo de 79 pessoas.

    É demais. Você tinha índios que achavam que Deus ia curar picada de cobra, malária, essas coisas. Os missionários sempre justificam sua presença nas aldeias pelo trabalho médico.

    Hoje, com a Funasa assumindo um papel importante nas aldeias, eu não vejo nem essa necessidade para os missionários.

    Acho que pregação, traduções, "testemunhos" etc. são superstições e não vejo como superstições podem ajudar os índios.

    É a mesma coisa de dizer que os índios não podem viver bem sem crer em Papai Noel.

    Folha - O sr. publicou suas conclusões sobre a língua pirahã num livro para o público leigo, quando o procedimento padrão é publicar em um periódico científico. O livro vem em vez de uma publicação científica ou além dela?

    Everett - Além. Vai sair em setembro. A revista "Language", a mais importante da linguística dos EUA, terá um artigo de 50 páginas atacando meu trabalho e uma resposta minha do mesmo tamanho. Eu não considero meu livro um livro principalmente linguístico. Ele trata de aspectos da minha vida e da minha interação com os pirahãs.

    Folha - Qual é sua crítica à Gramática Universal de Noam Chomsky?

    Everett - A Gramática Universal tem muitas formas. Se você tomar a ultima versão dela, nas formulações mais recentes do Chomsky, a GU (Gramática Universal) é a "teoria verdadeira da base biológica da gramática". Bom, se aceitarmos isso, a proposta perde todo o interesse, porque ninguém duvida de que os humanos têm uma biologia que é responsável pela linguagem. Mas as versões anteriores atribuíam princípios e parâmetros à Gramática Universal.

    No trabalho com Tecumseh Fitch e Marc Hauser [de 2003], Chomsky fala ainda de outros conceitos, a Faculdade Ampla da Linguagem e a Faculdade Estrita. Eles dizem que "talvez" a única característica específica da faculdade estrita seja a recursividade. Isso faria parte dos genes. Tudo bem. Então, digamos que haja uma língua sem recursividade --candidatos além do pirahã incluem o nunggubuyu, da Austrália, e o hixkaryana, do Brasil. Bom, Chomsky diz que nem todas as línguas são obrigadas a manifestar a recursividade. Mas, se existe uma língua sem ela, poderia haver duas? Três? Se uma língua pode existir sem recursividade, todas poderiam. Então que sentido faz dizer que recursividade é fundamental mas não é obrigatória?

    Folha - Como a academia tem reagido às suas ideias?

    Everett - Você tem quatro tipos de reação. Há pessoas que não gostam de Chomsky e vão aceitar qualquer argumento contra Chomsky; você tem os chomskianos, que não vão aceitar de jeito nenhum um ataque à Gramática Universal; você tem pessoas que têm inveja, ou reagem mal, a toda a publicidade que eu venho recebendo; e tem pessoas que querem saber onde estão os dados. Esta é a reação mais saudável.

    Folha - O sr. diz que o pirahã é uma língua única, que coloca em questão a teoria chomskiana. E, ao mesmo tempo, diz ser o único não-pirahã a dominar a língua. Então a questão permanecerá em aberto até alguém mais aprender a língua e confirmar ou não os seus achados.

    Everett - Ou até um pirahã fazer um doutorado em linguística. Eu já levei pessoas para fazer experiências. Há 20 anos, quando eu publiquei um artigo sobre o sistema de acentuação na língua pirahã, isso criou uma controvérsia na linguística. Então o maior foneticista do mundo, Peter Ladefoged, foi comigo para a aldeia, fez testes e agora isso é aceito entre os linguistas.

    Há maneiras de fazer a experiência sem usar a língua, ou usando a língua muito pouco.

    Minha hipótese é falseável. Você tem de planejar as experiências, ir lá fazer e contar a história. Mas é difícil. Eu já trabalhei com vários grupos indígenas do Brasil e os pirahãs são o único grupo com o qual eu não posso trabalhar usando o português.

    É falseável, mas não vai ser fácil. Eu sei que não vai ter uma aceitação de 100% dos linguistas. Mas eu não acho que os pirahãs sejam um caso único em tudo. Estou dizendo que é um caso primeiro de um contraexemplo da teoria de Chomsky.

    Folha - Chomsky diz que o sr. entendeu tudo errado.

    Everett - Meu primeiro aluno de doutorado foi o professor Ed Gibson, que trabalha no departamento do Chomsky no MIT.

    Ele não conseguiu esse emprego porque teve uma má orientação. Eu passei um ano com o Chomsky e em todos os anos em que eu praticava a teoria generativa o Chomsky me deu cartas de recomendação. Só agora, que eu estou tentando dizer que ele está errado, é que eu não entendo a teoria.

    Folha - O sr. diz que os pirahãs são monoglotas, mas eles estão em contato há 200 anos. Como é possível?

    Everett - Alguns pirahãs falam um pouquinho de português, ainda mais os termos de troca.

    Mas tem outro fenômeno interessante: às vezes, quando os pirahãs falam com um comerciante, eles usam palavras da língua geral, e o comerciante responde em língua geral [mistura de tupi, português e outras línguas amazônicas]. O comerciante acha que está falando pirahã e o pirahã acha que está falando português.

    Folha - O sr. apresenta no livro uma ideia chamada "princípio da experiência imediata", segundo o qual o ambiente torna a gramática pirahã tão peculiar. Mas há várias outras tribos que compartilham esse ambiente e não têm essa mesma limitação gramatical.

    Everett - Essa preocupação com a experiência é comum na Amazônia. Os pirahãs a valorizam mais que outros grupos. A evidência é esse termo que eu menciono no livro, "xibipíío" (pronuncia-se "ibipíu"), algo que entra ou sai da experiência imediata. Esse é um termo que eu nunca vi em nenhuma outra língua amazônica. Digamos que haja um certo número de coisas do ambiente que são comuns a todas as línguas amazônicas. Entre elas, cada língua tem o direito de valorizar ou ordenar as coisas de forma diferente. Uma cultura pode dizer que a experiência imediata é importante, mas é colocada num degrau mais baixo da escala de valores. Os pirahãs colocam esse princípio, que é compartilhado com outros grupos amazônicos, muito alto na escala de valores deles. E isso explica coisas muito particulares da cultura e da língua deles e que são raras em outros grupos, como a ausência de números.

    Folha - No ano passado, um general disse que a política indigenista do Brasil é caótica. Diz-se também que é muita terra para pouco índio. O sr. concorda?

    Everett - Os pirahãs, que são 300 pessoas, junto com os parintintins, que são menos de cem pessoas, têm 330 mil hectares. Eles usam toda essa terra. E para os pirahãs ela deveria ter o dobro do tamanho. Os índios, tanto no Brasil quanto nos EUA, foram conquistados por culturas europeias, e essas culturas devem reconhecer o dever de deixar os índios em suas áreas tradicionais vivendo sem interferência, se quiserem.

    Folha - Nos EUA essa discussão está encerrada, não? Os índios têm terras grandes e o governo dos EUA não acha que elas sejam uma ameaça à soberania nacional.

    Everett - É, mas o governo dos EUA tirou os índios dos melhores lugares há mais de cem anos. Os cherokees tinham terras lindas no Kentucky e no Tennessee e foram removidos para Oklahoma, que não tem nada! Agora, que eles descobriram como ganhar a vida com cassinos, as pessoas questionam seu direito de controlarem as reservas, porque fazem concorrência com Las Vegas.

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  2. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Eu sou da opinião curta e grossa que toda sociedade tribal tem que ter sua crença em algo superior (ou não) devidamente respeitada. Por favor respeitem os índios e não tentem modificar as suas crenças e não-crenças.

    Já imagino que assim que esse tópico for descoberto pra valer teremos mais um UFC filosófico-religioso entre Neithan/Paganus/Vinidmix. Já vou até puxar uma cadeira e reservar minha pipoca pra assisitir.
     
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  3. General Artigas

    General Artigas Não tá morto quem peleia

    Pelo que ele falou, nunca foi um cristão de verdade, mas só se passava por um pra agradar os sogros. Se "desconverter" porque um bando de índios não ligava pro Deus judaico-cristão, mas se importava com seu próprio panteão é atestado de falsa fé.

    De qualquer forma, dizer que a FUNASA tá cuidando bem dos índios não me parece ser a verdade pelo que eu vejo das notícias. Muitos lugares têm índios que viram viciados, outros lugares é um martírio conseguir auxílio médico, etc...

    Bem, não entendo lhufas de linguística, mas o trabalho dele parece ser "legal", na falta de palavra melhor.

    Como fez o Fúria, vou esperar começar o debate teológico...
     
  4. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Ele virou ateu porque uma teoria linguística idealista das mais fajutas foi debelada? Óbvio que foi debelada, pra ver a falácia desse generacionismo basta ler umas cartas de Tolkie que era cristão E linguista. Por que ele discordava dessa ideia? Porque ela era absurda, Não existe um 'substrato linguístico' comum a todos os povos e o pouco que existe de coincidência nas raízes das palavras não diz nada de racional sobre o que isso tem a ver com a fundamentação do mundo. Idealismo linguístico, dos mais patetas.

    Cara cagão e idiota, virar ateu por causa disso? Aff, fosse procurar outros autores, teístas e ateus, pra ter uma fundamentação melhor.

    No geral, concordo com eles com relação aos índios. Eles não devem ser expostos a uma cultura estrangeira.

    Mas é dever da Igreja evangelizar. A salvação não existe pra elites brancas europeias, ela é para toda a humanidade. Que o missionário vá, exponha o Evangelho e veja a aceitação. Batiza-se quem quiser ser batizado, forme-se uma Igreja e nessa igreja, se crie uma hierarquia eclesiástica NATIVA. Assim o cristianismo deixa de ser 'estrangeiro' e se torna parte fundamental daquela cultura.

    A fé cristã era também estrangeira para germânicos, gregos, romanos, celtas. No entanto frutificou ali, cresceu, se desenvolveu e desenvolveu esses povos também.
     
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  5. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    O mais foda é perceber que existem tantos que acham que somente a fé em seu Deus é a única salvação para a vida e o Cristianismo é uma manifestação clara da não aceitação da fé em outras crenças. Se um grupo indígena seguir a cristianismo infelizmente sua história, tradição e vivências morre, é destruído.

    Não existe dois lados, e o modo cristão soterra qualquer fé que uma tradição não cristã leva em um determinado grupo.

    Católicos e protestantes adoram isso. Claro que não são todos.

    Paganus com certeza vai discordar de mim kkkkkkkkkkkkkkk
     
    Última edição: 21 Mar 2012
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  6. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Discordo totalmente.

    Por acaso a cultura céltica, grega, romana foi 'soterrada' pelo cristianismo? Besteirol.

    Óbvio que nessa evangelização houveram abusos, obliterações mas a culpa disso é de um monte de problemas históricos e morais também. Temos bons exemplos atuais de evangelização que não desrespeita a cultura nativa do povo que é batizado.

    E mais: é ÓBVIO que o cristianismo se coloca como única religião verdadeira. É por isso que evangelizamos, que pregamos, pra que todos tenham conhecimento da Verdade.

    E a Verdade é Una para nós. É Cristo. Posso respeitar e amar todas as religiões mas dizer que 'todas salvam'? Isso não tem cabimento. É uma contradição. Creio em um só Deus mas no fim de semana louvo Tupã, Odin e Atena. E a coerência, põe onde? É a mesma coisa que um ateu rezar pra Virgem Maria.

    Aliás, TODA religião soteriológica (baseada na salvação da alma) se coloca como única via de salvação. E por que? Porque se coloca como verdadeira ué. Porque tem um REFERENCIAL. Falam como se isso fosse prerrogativa única do cristianismo.

    Meu referencial é Cristo. Na minha fé foi Ele que morreu pelos meus pecados, não foi Maomé, nem Buda, nem Confúcio, foi Jesus! Como que vou dizer que o sacrifício de Deus na cruz tem o MESMO valor que os ensinamentos (que respeito) dessas outras doutrinas? Isso não é só relativismo, é incoerência, covardia.
     
    Última edição: 21 Mar 2012
  7. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    Isso tudo que vc falou é bonito e acho até bacana sua posição.


    A evolução espiritual da humanidade é reconhecer e respeitar toda e qualquer crença e o não uso da violência, a tolerância e a paz.

    Sua fé te coloca com essa perspectiva, para outras se coloca de forma diferente. Quem somos nós para julgarmos o que salva e o que não.
     
  8. Excluído045

    Excluído045 Banned

    E onde no meu post você leu que que não reconheço ou que desrespeito as outras religiões? Ou que prego a violência e a intolerância.

    Eu apenas não coloco no mesmo nível da minha. Porque sou coerente.

    Posso ter uma cacetada de defeitos mas incoerência não é um deles.
     
    Última edição: 21 Mar 2012
  9. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    Eu não disse isso com relação a vc meu caro. Com relação a violência e intolerância não tem nada a ver contigo. Apenas a última frase direcionei a vc.
     
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  10. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Então beleza. Eu entendi, você fala dos milhares que confundem coerência com fanatismo. certo? Esse é o problema, crer que aquilo que você considera verdade te dá direito de esmagar, verbal e fisicamente, a verdade dos outros. Mesmo que eu tenho certeza que a verdade da minha fé é a verdade absoluta, NADA me dá o direito de me interpor entre o homem e sua liberdade.
     
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  11. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    Há! E a última frase que direcionei a você serve pra mim também.
     
  12. Neithan

    Neithan Ele não sabe brincar. Ele é Mito

    :gotinha:

    Ele não falou que se passava, leia novamente. Ele se converteu "graças" a namorada cristã. Mas nenhuma pessoa no mundo aceitaria ser missionária sem crer naquilo. Ninguém iria até a Amazônia evangelizar índios sem crer no cristianismo.

    Pode não ser o ideal, óbvio. Mas é uma assistência social que diminui a necessidade (se é que existe alguma) de missionários na selva. Antes muitos justificavam que essas missões eram benéficas às aldeias por levarem aos índios remédios, tratamento médico, e etc...hoje, não é mais o único método, eles tem a FUNASA. Que não tenta colocar religiões em suas mentes.

    Não é bem assim. Ele não virou ateu por conta da linguística, ele criticou a tal da teoria da gramática universal (não manjo, pula o assunto), E virou ateu. Mas pelo que EU interpretei, não são fatos interligados. Ele começou não crendo no deus cristão ocidental, como disse no trecho "A ideia de chegar para o Darcy Ribeiro e dizer que ele ia para o inferno sem Jesus Cristo parecia tão ridícula que eu comecei a pensar sobre essas crenças.". Depois, vivendo com os índios foi "percebendo", ou refletindo sobre isso, e o seu ateísmo surgiu.

    E já falei, ninguém VIRA ateu. É um processo longo e pessoal. Nenhum cristão acorda e fala: deus não existe. Existe uma jornada, diversos questionamentos no processo de ateísmo. Pelo menos é assim que eu vejo. Ele viveu entre os índios por anos, e foi sentindo aos poucos que a necessidade da existência de um deus é algo falso, um costume ocidental (leia-se do homem cristão, até porque índios são mais ocidentais que os "nós" :dente: ). Não vejo nos trechos da reportagem algo que mostre que o motivo dele foi um argumento cristão fraco.

    Concordo que é "dever" da igreja evangelizar. Mas isso é o ponto de vista totalmente cristão. Aliás, não só cristão, como você mesmo citou, é um ponto de vista de qualquer religião soteriológica (palavra legal! :lol: ). Isso pode ser visto por outras pessoas como algo extremamente invasivo, ofensivo aos seus costumes.


    Essa ideia de que "meu deus é o certo, o seu é o errado" é cansativa e eterna.

    Foram. Por muitos anos. Se hoje temos acesso a diversos materiais das culturas pré-cristãs, não foi algo que tínhamos durante o domínio da Igreja, onde o cristianismo não era simplesmente pregado, era quase que imposto pela Santa Sé. E hoje, todas essas culturas e religiões são tratadas como mitologias, sendo antes eram religiões. Ok, pessoas pagãs é possível ver, agora a religião grega morreu. "Graças" ao cristianismo e sua cultura de derrubar as demais crenças "concorrentes".

    Hoje temos "bons exemplos atuais de evangelização". Mas nem sempre foi assim, ambos sabemos disso. Ok, o problema não é o deus cristão, e sim os "cristãos nominais" que participaram de abusos durante a expansão do cristianismo. Mas de qualquer forma, o cristianismo soterrou culturas. Aliás, culturas não, ele soterrou religiões.

    Exato. Fazendo isso, tenta fazer com que o resto é errado. Soterrando tal religião.

    Não, sem dúvida que não é. Islamismo inclusive causou mais que o cristianismo, buscando uma conversão em massa as vezes usando a espada para isso. Mas todas tem culpa no cartório.

    Aí sim você está certo. Sob o SEU ponto de vista, foi jesus. Seria muita imbecilidade dizer que outras crenças possuem o mesmo valor. :lol:

    Posso falar os defeitos? (brinks):abraco:
     
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  13. Excluído045

    Excluído045 Banned

    Então entendi errado. E claro que não virou ateu, mas sabemos como existem 'ateus' que não passam por esse processo de questionamento. Só seguem a onda.
    Ocidental não, humano. Religiões existem em todos os cantos do globo. Mas enfim...

    Mas não precisa ser ofensivo aos costumes, pode ser feito sem invasão. Hierarquia eclesiástica nativa. Em vez de brancos ditando a Bíblia pra eles, tenhamos educação religiosa pra esses índios.

    Espero que sim. No dia que deixar de ser eu viro ateu.

    Não 'derrubou' nada. Muita coisa se perdeu por conta de guerras e turbulências históricas diversas, nem sempre relacionadas à Igreja. O que o Império Bizantino, cristão na alma, fez pra 'derrubar' o helenismo? Os templos continuam lá, o que houve foi uma mudança religiosa. Pessoas se converteram.

    E esse material pré-cristão não era proibido em toda a cristandade, basta lembrar a ENORME influência dos filósofos gregos na formação da cultura europeia e bizantina, de suas instituições e pensamento.

    Mas claro que mesmo em Bizâncio, abusos houveram.
    Concordo, exceto a última parte. Soterrar é fazer Inquisição e isso não feito em todos os lugares do cristianismo. Religiões foram absorvida, adaptadas, transformadas.

    Simplismo. Não se desprezava tudo o que o paganismo construiu. Pelo contrário, era costume entre os Padres antigos se dizer 'apenas o essencial, manter o excedente'. Cristianizava-se sem soterrar culturas e todo a religião. E esse abandono do paganismo não foi algo uniformemente violento.
    É óbvio que a conversão implica em mudar de religião e se tal religião não se sustentava mais sem fieis, era batata ela acabar se sincretizando com a fé dominante. Mas isso não implica mesmo em destruir templos, matar sacerdotes pagãos etc. Isso existia em casos isolados, algum papa sanguinolento, um imperador mais bárbaro, reis cristãos mais fanáticos (vide Olaf Tryggvason).

    :yep:

    :gotinha: Não.
     
    Última edição: 21 Mar 2012
  14. Sano

    Sano Porque né

    Gente, cristão virando ateu por motivos idiotas é completamente normal. A recíproca é verdadeira também... Quanto aos missionários sendo mandados a aldeias indígenas e tal, sendo certo ou errado acontece faz alguns séculos já, então nem vou entrar no mérito da questão. A parte mais interessante ao meu ver é a que ele contesta a gramática generativa de Chomsky, que nem sei como ainda tem seguidores hoje em dia.
     
  15. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Poxa, todo mundo discutiu aqui a religião, mas ninguém falou sobre o achado linguístico. :tsc: :lol:
     
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  16. Calib

    Calib Visitante

    Chomsky deus dos intelectuais... Quem é que defeca assim pelos dedos?
     
  17. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Também achei exagero, mas diz aí, você não curte ele pelo posicionamento político ou discorda das teorias linguísticas dele?
     
  18. Fúria da cidade

    Fúria da cidade ㅤㅤ ㅤㅤ ㅤㅤ

    Me penitencio por ter sido o primeiro a comentar e aí o tópico foi analisado de outra forma...

    Eu acho extremamente louvável e admirável alguém de fora vir pra cá, ter convívio, estudar a nossa cultura de raiz, chegando até a aprender um idioma nativo que os próprios brasileiros sequer conhecem. Aí quando se trata de algo assim, que embora tenhamos um pouco presente em várias palavras do português falado e escrito aqui (ex: Anhangabaú, Bertioga, Mogi-Mirim, etc), ainda é muito pouco perto de países vizinhos como Paraguai e Bolívia onde o espanhol é obrigado a dividir espaço com os idiomas nativos que são ensinados nas escolas.

    Aqui infelizmente se quisermos estudar para aprender tupi por exemplo, só fazendo algum curso específico. Nisso só conheço apenas um lugar do Brasil que é uma exceção, onde pelo menos se tem uma sensação que o povo é poliglota em cultura nativa que é São Gabriel da Cachoeira no Amazonas, lugar sensacional que eu pude conhecer alguns anos atrás e por decreto municipal lá de forma oficial o português divide espaço com mais três idiomas genuinamente nativos. Podem falar o que quiser que conhecer um lugar desses é programa de índio, mas do ponto de vista da diversidade cultural é riquíssimo.
     
  19. Calib

    Calib Visitante

    Não tenho nada contra ele, apesar de que politicamente a gente não se bata muito.
    Respeito-o pelo linguista que é, e era isso. Nunca vi ninguém endeusando o Chomsky.
    Talvez os gerativistas, mas felizmente não me misturei muito com nenhuma vertente linguística na faculdade.
     
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