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Todos os fogos o fogo (Julio Cortázar)

Tópico em 'Literatura Estrangeira' iniciado por Meia Palavra, 27 Abr 2011.

  1. Meia Palavra

    Meia Palavra Usuário

    Para se escrever uma narrativa que tenha traços, ou esteja completamente infestado pelo realismo fantástico, é necessário apegar-se em pequenos detalhes do cotidiano, aqueles detalhes que de tão ordinários e corriqueiros passam desapercebido pelas pessoas. Julio Cortázar é um maestro no quesito das exaltações do dia a dia mesmo quando não o está transformando em algo mágico, mas apenas fantástico por soar tão familiar ao leitor. Todos os fogos o fogo, livro de contos lançado aqui no Brasil pela Civilização Brasileira, exemplifica bem esse caso nos oito contos que o compõe.

    A compilação abre com A autoestrada do sul (conto que inspirou o filme - principalmente a abertura num longo travelling com 100 carros enfileirados - Weekend à Francesa de Jean-Luc Godard) que narra os acontecimentos durante um garrafamento numa estrada da França logo após um feriado. Todavia, esse trafégo dura dias e meses obrigando cada motorista a criar e estreitar laços com seus novos vizinhos. Com essa intensificação na convivência existe a criação de um micro-estado onde há comércio e relações de poder ilustrando uma hipérbole de uma nova sociedade.

    Em A Saúde dos Doentes outra hipérbole é apresentada, dessa vez uma mãe doente não sabe do trágico destino de seu filho predileto. Capazes de forjarem cartas para que a matriarca se sinta confortável, os membros da família começam uma crescente dentro desse universo de palavras falsárias. Quando estão acostumados às cartas criam uma mentira dentro de uma mentira alcançando um clima taciturno e um destino duvidoso: quem responderia ao remetente? A enfermidade continua nas páginas de Senhorita Cora, enquanto um garoto está na sala de operações para a retirada do apêndice e diversas vozes vem para provocar o leitor. Cada narrativa traz um ponto de vista sobre outro personagem e todas participam dos mesmos parágrafos.

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  2. .Penny Lane.

    .Penny Lane. Usuário

    Comecei e já fiquei encantada. Como é que o Cortázar me parte de uma idéia dessas, de um engarrafamento que dura dias e dias, e me faz uma história tão interessante? Organizações, sistemas de "governo", os baderneiros que perceberam que, para ficar no grupo, teriam de cooperar, o Porsche que contrabandeava mantimentos, as relações e laços que se criam enquanto todos fazem de seus carros as suas novas casas... enquanto lia nem reparava no absurdo da situação.
    Depois toda aquela comédia familiar, a Reunião, e agora Senhorita Cora, onde o ponto de vista muda de um personagem a outro na mesma frase... sensacional, sério. E faltam alguns contos pra eu acabar o livro ainda.

    Melhor coisa que fiz foi comprar esse livro naquela edição dupla da Saraiva, porque depois ainda tenho As Armas Secretas. E eu nunca tinha lido Cortázar antes.
     
  3. Izze.

    Izze. What? o.O

    Mesma reação aqui, Penny xD
    Comprei o livro na semana retrasada, comecei a ler no sábado e terminei ontem. Nossa, maravilhoso >.< (não falo mais nada, sai resenha amanhã haahhah)
     
  4. Izze.

    Izze. What? o.O

    Familiarizar o leitor com histórias baseadas principalmente no cotidiano é fácil quando o que se tem em mãos é um enredo simples, uma trama interessante e bem fechada, realista e próxima ao que se vê na realidade. Quando essa realidade é cortada por rompantes de fantasia, tornar essa história ainda natural aos olhos de quem lê é um pouco mais complicado. E quando isso é feito, o efeito de surpresa é ainda maior, assim como a satisfação da leitura. Em Todos os fogos o fogo, de Julio Cortázar, a união do real com a fantasia não distancia o leitor daquilo que ele mesmo vê em seu dia-a-dia, mas o aproxima dele mesmo, com seus desejos e fantasias que ele alimenta poderem ser reais.

    Esses momentos estão bem marcados em A auto-estrada do sul e A saúde dos doentes. No primeiro, que abre o livro, Cortázar narra os dias e meses de um engarrafamento iniciado na volta de um feriado para Paris, que obriga os motoristas a montarem acampamento e se organizarem socialmente enquanto lentamente seguem pela rodovia rumo à capital. A situação vivida pelas personagens é contada de forma tão natural que, assim como elas se habituam a essa nova vida passada dentro de carros e limitada aos espaços entre um veículo e outro, o leitor também enxerga esse engarrafamento surreal como algo normal, como se não fosse surpresa passar tanto tempo parado na estrada. E quando a situação volta ao seu normal e os carros seguem rapidamente até seu destino, o estranhamento toma conta e a saudade se instala naqueles que já estavam acostumados à nova organização.

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