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Santo Descanso

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Vinnie, 23 Ago 2012.

  1. Vinnie

    Vinnie Usuário

    *****************************

    Santo Descanso



    Deus criou a zorra toda e descansou
    E, se descansou, é porque tava cansado
    (A coisa toda está na palavra, né?)

    Adão foi dar um rolé, pôr nome na bicharada
    Deus ajeitou um escalda pés

    Eva foi cumprir o papel
    Que julgaram bom os patriarcas

    Deus bocejou - um bocejo longo
    Tipo leão da Metro
    Que nem estudante entediada

    Caim matou Abel
    Virou persona non grata
    Como não tinha vizinha
    Nem tinha prima
    Foi pra bem longe
    Comer mulher que não existia

    Deus também não tinha família
    Nem tia solteirona, nem filha

    Ele espremeu a pasta
    Escovou os dentes
    Mas antes de dormir
    Lavou a pia
     
  2. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    Que visão mais voltada para o realismo, meio que trazendo tudo aquilo como algo cotidiano, e claro, mostrando Deus como um de nós, de imagem e semelhança. Curti!
     
  3. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Vinnie tem um estilo muito mothafocker. É uma coisa meio malandra, mas um malandro até certo modo agressivo com o leitor, que despeja tudo nele pois está acima do mundo (classificando a existência humana como "zorra toda"). Dos poetas que minha memória RAM consegue detectar, isso me lembra até certo ponto o Paulo Henriques Britto, com a diferença de que ele é mais horaciano... É, digamos, mais "sapiencial". Quer que o leitor participe de seu modo de ver as coisas. Com seu eu lírico a coisa não parece ser bem assim; ele diz as coisas como elas são, e isso numa perspectiva além da captação humana. Quando ele pergunta "(A coisa toda está na palavra, né?)", ele não quer saber da opinião do leitor, pois ele já sabe. E a identificação que o leitor tem com o conteúdo expresso não é por meio de sentimentalismo (intersecção de sentimentos, do tipo "eu sinto e você também já sentiu") ou doutrina, mas eu diria imposição dogmática: as coisas são assim. Se você acha que não, é porque seu ouvido entortou.

    E no fundo, nós sabemos que é bem um ou outro.

    (É uma perspectiva que lembra um pouco a primeira fase modernista, mas da qual eu ainda não sei como diferenciar exatamente)
     
  4. Calib

    Calib Visitante

    Esse vai para o Orco sem fazer escala.
     
  5. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    Vinnie

    Com muita sorte e um bom advogado você vai sair do inferno :mad: e ir para o purgatório :hahano:. Posso até estar enganado, mas a poética do Vinnie lembra muito Nicolas Behr, poeta radicado em Brasília.
     
  6. Gilda

    Gilda Usuário

    Um poeta pronto e pronto.
     
  7. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Obrigado pela leitura, gente.

    Calib, o que é Orco?
     
  8. Calib

    Calib Visitante

    orco s.m. (1664 cf. JFBarEneid) frm. 1 o inferno ou o deus do inferno 2 a personificação da morte; o símbolo da morte ou, esp., do além-túmulo ¤ etim lat. órcus,i 'divindade infernal; a morte; os infernos'
     
  9. G.

    G. Ai, que preguiça!

    O "Lavou a pia" seria o dilúvio?

    Edit:

    Acho que, não diz mas, ele deve ter levado alguma prima ou irmã(naquela época podia :P)... até porque não se diz muito sobre tooodos os fios de Adão e Eva
     
  10. Vinnie

    Vinnie Usuário

    Valeu pelas indicações dos poetas... me identifiquei com Britto - pelo estilo... e com Behr - pela blague bíblica... (e pela ideia dos poemas infinitos)
     

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