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    A Sociedade do Anel: Prólogo: Um Anel para a todos governar...







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    "O mundo está mudado: Eu sinto na água, eu sinto na Terra, eu farejo no Ar". </P>







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    Essas palavras, faladas contra uma tela escura primeiro em élfico e depois novamente em Inglês, narradas por Galadriel, nos introduzem à adaptação de Peter Jackson de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. Embora no livro elas sejam ditas por Barbárvore perto do fim de O Retorno do Rei, a frase é o começo perfeito para a releitura de Jackson dos eventos que levaram a terceira era ao fim. De fato, essa alteração é representativa da abordagem de Jackson para adaptar o trabalho de Tolkien: revisar a história original sendo que evoque Tolkien sem ser Tolkien propriamente - ainda assim funcionando magnificamente quando se julga o filme com um trabalho artístico separado.




    Um rascunho anterior do script trazia Frodo introduzindo o filme, usando uma linguagem menos poética e, francamente, menos tolkieniana: "Quando nos viramos da escuridão do nosso passado para nos confortarmos nas nossas vidas pacíficas, as vezes esquecemos o quão caro essa paz custou. Mas há muita importância em relembrar a escuridão..."</P>


     

    Depois de juntar tomadas inicias do filme, Jackson sentiu que Frodo parecia saber muito sobre a história do Anel ainda no começo e levou Elijah Wood e Ian McKellen de volta à Nova Zelândia para refilmar algumas cenas em Bolsão. Talvez uma preocupação similar tenha levado à decisão de Galadriel substituir Frodo na narração do prólogo do filme. </P>




    Galadriel é uma boa escolha para narradora do prólogo. Cate Blanchett é uma contadora de histórias encantadora e sua personagem, Galadriel, viveu os eventos descritos no prólogo; de fato, ela aparece rapidamente neste como um dos portadores dos Anéis élficos. No entanto, Elrond talvez fosse uma escolha melhor para narrador, já que sua vida é ainda mais entrelaçada com os eventos mostrados no prólogo e, nos livros, seu personagem é o maior mestre das tradições da Terra Média e foi ele quem relatou muito do que a audiência ouve no prólogo. </P>




    Em vez de seguir a abordagem do livro e usar apenas Elrond, Gandalf e outros personagens para contar a Frodo (e aos leitores) a história de Sauron e do Um Anel de uma forma espalhada pela primeira metade da Sociedade do Anel, Jackson usa o prólogo para levar a audiência de volta a Segunda Era e mostrar a criação do Anel e a passagem de dono para dono. </P>




    Á medida que o prólogo começa, vemos os "Reis Élficos" - Gil-galad, Galadriel e Círdan (sem barba!!!) - admirando seus Três Anéis, Os Senhores Anões segurando seus Sete Anéis e os Homens Mortais (um dos quais é interpretado pelo ilustrador Alan Lee) com seus Nove Anéis. Essas cenas são recordações do versão mal recebida e nunca terminada de O Senhor dos Anéis feita por Ralph Bakshi. </P>




    Afortunadamente, toda similaridade com o filme de Bakshi termina quando a audiência é ´jogada´ em uma batalha espetacular, com milhares de guerreiros da Última Aliança entre Homens e Elfos lutando contra as forças de Sauron em Mordor. Nessa guerra, os elfos foram liderados pelo rei-élfico Gil-galad, enquanto os Homens foram liderados por Elendil juntamente com seus filhos, Isildur e Anárion. Embora o sítio a Barad-dûr tenha durado uns sete anos, o filme enfoca a batalha final nos pés da Montanha da Perdição. Nesse ponto, Anárion, de quem os Reis de Gondor descendem, já havia sido morto em batalha e não é mostrado - nem mencionado - no filme. Mesmo o Rei-élfico Gil-galad (com Elrond, seu arauto) é visto apenas brevemente liderando uma legião de habilidosos guerreiros élficos que estão derrotando um ataque violento dos Orcs de Sauron. No interesse de manter os eventos suficientemente simples para a audiência do filme absorver em alguns minutos, a batalha enfoca Sauron e Isildur. </P>




    Sauron aparece com foi descrito por Tolkien nas Letters: "um homem de estatura maior que a humana, mas não gigantesco." Sua armadura, que o repórter do E! Online Jonh Ford desmerecidamente descreveu como "cavaleiros medievais ´misturados´ com objetos de cozinha" se parece com um rascunho que Tolkien desenhou de Sauron e muito recorda a ilustração feita pelo ilustrador John Howe de Morgoth, a quem Sauron servia. Igual a Morgoth, a arma de Sauron é uma grande clava e com cada golpe, manda dúzias de guerreiros para a morte - incluindo Elendil. É uma cena visualmente excitante, mas equivocada: Elendil foi morto pelo calor do corpo de Sauron. </P>




    O filme também não mostra Elendil ferindo mortalmente o corpo de Sauron. Ao invés disso, toda atenção está em Isildur. Ele não usa o fragmento quebrado da espada Narsil de Elendil meramente para cortar o Anel da mão de Sauron, como no livro, e seu personagem no filme corta todos os dedos do Senhor do Escuro, levando a ´força vital´ de Sauron a explodir de seu corpo em meio a um trovão azul, o que faz com que todas as criaturas vivas no campo de batalha caiam (o que deixa alguns da audiência pensando que todos os guerreiros foram mortos e imaginando como Isildur conseguiu evitar ferimentos). </P>




    A razão para o filme se concentrar somente em Isildur é que ele freqüentemente será mencionado mais tarde no filme, um símbolo da fraqueza dos Homens e a própria descrença de Aragorn em sua habilidade de evitar ser corrompido pelo poder. A cena de Isildur pegando o fragmento carbonizado do dedo de Sauron e retirando o Um Anel é mostrada mais duas vezes no filme.  É o único caso em que Peter Jackson reflete o estilo narrativo repetitivo de Tolkien ao invés de apressar os eventos para que caibam no tempo limitado de duração do filme. </P>




    Se por um lado o prólogo mostra claramente para a audiência como Isildur obteve o Anel, as próximas cenas referentes à sua perda são uma confusão. O livro nos conta que Isildur caiu em uma cilada armada por Orcs, que o acertaram com flechas quando o Anel escorregou de seu dedo enquanto ele tentava escapar nadando através do Anduin. No entanto, o filme mostra apenas forças não identificadas atacando Isildur enquanto ele cavalga, seguindo-se uma cena dele flutuando na água, sem explicações de como ele chegou ao rio. </P>




    Nós vemos o Anel caindo até o fundo do rio, onde ele ficou por 2.500 anos antes de ser encontrado pela "criatura Gollum", mostrado no filme como uma mão humana alcançando o Anel no fundo do rio. Nos livros, foi Déagol, o amigo de Gollum, quem encontrou o Anel enquanto pescava, e Gollum o assassinou para pegá-lo. Há rumores de que esses acontecimentos serão mostrados como um flashback durante o segundo filme, As Duas Torres. </P>




    Tendo uma tomada das Montanhas Nebulosas como fundo, a narração de Galadriel nos conta como Gollum se escondeu pelos próximos 500 anos, durante os quais a criatura foi transformada pelo Anel. Para a surpresa dos que não esperavam ver Gollum até o segundo filme, Jackson obviamente decidiu que era melhor mostrar-lo agora para que possamos reconhecê-lo quando ele aparecer na história principal. </P>




    As cenas finais do prólogo mostram Bilbo Bolseiro encontrando o Anel na caverna de Gollum, com este lamentando em segundo plano a sua perda. Embora os leitores de O Hobbit possam lamentar que o Jogo de Charadas não tenha sido mostrado, os lamentos fazem uma bela ponte entre Bilbo encontrando o Anel e a fuga da caverna. Essas cenas finais são uma maneira rápida mas efetiva de mostrar como o Anel foi de Gollum para Bilbo (embora o porquê de Gollum ter deixado o seu "precioso" jogado daquele jeito seja tão inexplicável no filme quanto é no livro). </P>




    Apesar das incorreções e omissões na história do Anel, a maioria dos críticos e fãs achou que Jackson fez um excelente trabalho na cobertura da história prévia, de maneira rápida e dramática e sem confundir os não-iniciados.
    Sabedoria comum entre os cineastas é que se um filme não conquista a audiência nos primeiros 10 minutos, ele nunca irá. O prólogo de O Senhor dos Anéis de Peter Jackson, com suas seqüências de batalhas espetaculares e narração graciosa, garante a audiência que ela está prestes a embarcar em uma aventura épica e que todos, independentemente de sua familiaridade com os livros, estão convidados.</P>
     

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