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O carteiro de Chaves existe! Conheça Tangamandapio e o Jaiminho real

Fúria da cidade

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O carteiro de Chaves existe! Conheça Tangamandapio e o Jaiminho real

Abraçado à bicicleta, caminhando lentamente pelas ruas empoeiradas de Tangamandapio, Roberto Escobar Huerta, conhecido como El Tito, conta com orgulho a história do município pobre localizado a 456 km da Cidade do México.

"Hola, Tito. ¿Cómo estás?", pergunta um morador da cidade ao carteiro de 62 anos, hoje aposentado. Ele responde apenas com sorriso tímido e um gesto positivo com a mão.

Tito não é apenas mais um dos 27 mil habitantes do pequeno povoado, fincado entre as imensas plantações de morango no estado mexicano de Michoacán. Ele é reconhecido na região como "verdadeiro Jaiminho", em referência ao personagem icônico criado por Roberto Gómez Bolaños e interpretado pelo ator Raul "Chato" Padilla na série Chaves. Na TV, Jaiminho tinha Tangamandapio como cidade natal.


Imagem: Gilvan Marques/UOL

Coincidentemente, Tito começou a trabalhar nos Correios do México em 1979, mesmo ano em que "Chato" Padilla estreou o personagem na televisão. Até então, Tito era o único carteiro existente em Tangamandapio.

"Eu cheguei a entregar mil cartas em um único dia", recorda ele, destacando que é diferente do personagem, considerado simpático, mas folgado e preguiçoso. É dele o bordão: "Para evitar a fadiga".

Apesar das várias tentativas, Tito e Padilla só se conheceram quatro anos depois. Em 1983, o então presidente municipal (equivalente ao prefeito no Brasil) Francisco Arroyo decidiu convidar o ator para, finalmente, conhecer o povoado de nome pitoresco.

Convite feito, convite aceito. Coube a Tito receber "Chato" Padilla no pequeno escritório dos Correios, perto da única praça da cidade.

"Ele visitou Tangamandapio durante os festejos do Dia da Criança. Nos encontramos, e ele logo me perguntou: 'Onde está a sua bicicleta?'. Foi um encontro muito agradável", recorda o carteiro aposentado, com olhar nostálgico. "'Chato' ficou nesse lugar", completa Tito, apontando para uma casa onde hoje funciona uma funerária.

Prestes a completar 40 anos da criação de Jaiminho, Tito comemora principalmente o fato de o personagem ter tirado Tangamandapio do anonimato, embora muitas pessoas ainda duvidam que a cidade exista.

"Jaiminho tem uma relevância muito grande para a história da nossa cidade, a ponto de ultrapassar as fronteiras. O personagem nos deu fama internacional, nos tirou do anonimato. Nos Estados Unidos, já me pararam para perguntar se o povoado existe. Tive que pegar o meu passaporte no bolso e mostrar que, sim, Tangamandapio existe", lembra ele, aos risos.


Ator chorou ao pisar em Tangamandapio


Jaiminho real e da TV se encontram: o ator Raul "Chato" Padilla (à dir.) posa com Roberto Escobar Huerta
Imagem: Gilvan Marques/UOL

Quando "Chato" Padilla chegou ao município, foi recebido por uma multidão. A presença de Jaiminho virou atração e, mesmo sem internet ou redes sociais, a notícia se espalhou rapidamente por outros povoados.

"Nem eles nem nós esperávamos tanta gente na época. Devia ter umas 5.000 pessoas para ver o ator", calcula Nohemí Arroyo, filha de Francisco Arroyo, responsável por ter conseguido viabilizar a visita do ator à cidade. "Ele chegou, caminhou pela praça e estava tão emocionado que não conseguiu segurar as lágrimas e chorou."

Nohemí é hoje vice-prefeita do povoado e, em seu gabinete, contou ao UOL que houve, sim, o pagamento de um cachê para levá-lo à cidade por dois dias. "Mas meu pai pagou do próprio bolso", adianta-se, sem revelar valores.

O ator que interpretou Jaiminho por mais de uma década morreu nos anos 1990, devido a complicações do diabetes.

Televisa ameaça Tangamandapio?


Distante das grandes metrópoles mexicanas, praticamente ignorada pelo noticiário, Santiago de Tangamandapio deixou o anonimato de lado e ganhou fama --até mesmo internacional-- graças a Jaiminho, responsável pelos bordões "Eu sou um tangamandapiano" e o tradicional "É que eu quero evitar a fadiga".

A ideia de colocar o nome de Tangamandapio na série surgiu por pura sorte: uma lista telefônica foi folheada e a cidade acabou "sorteada", versão confirmada por Bolaños e pelo próprio Padilla --embora ninguém saiba quem fez o tal "sorteio". A única dúvida seria escolher Tingüindín ou Tangamandapio, ambas no Estado de Michoacán. Optou-se pela segunda opção, "por travar a língua".

O personagem, que exaltava a sua cidade natal a ponto de dizer que "era do tamanho de Nova York", entrou no seriado para suprir as saídas de Ramón Valdés (Seu Madruga) e Carlos Villagrán (Quico). Ganhou espaço, popularidade e reconhecimento com o passar do tempo.

Em 2012, o prefeito Juan Campos González decidiu inaugurar uma estátua de bronze em homenagem ao personagem a um custo de 236 mil pesos mexicanos (R$ 48,7 mil na cotação atual). A justificativa para a obra: turbinar o turismo na cidade e dizer ao mundo que "sim, Tangamandapio existe".

Ao UOL, moradores relembraram a história que rapidamente se espalhou pela cidadezinha após a inauguração do monumento.

Segundo eles, a Televisa --detentora dos direitos de exibição do seriado no México-- teria ameaçado cobrar direitos autorais por causa da estátua de Jaiminho. O prefeito, na época, teria batido o pé dizendo que iria processar a emissora por usar o nome da cidade.

O ex-prefeito Campos González não confirma essa versão e diz que tudo não passou de um simples "rumor". "A Televisa nunca ameaçou o município por esta ação, nunca houve uma ação judicial ou queixa formal, foi apenas um boato."

Estátua foi vandalizada


Localizada à beira de uma rodovia, na entrada da cidade, a estátua de pouco mais de dois metros de altura foi vandalizada pela primeira vez após cinco anos de sua inauguração.

O rosto do carteiro foi pichado com uma tinta branca, à véspera do Dia dos Mortos, em novembro de 2017. "Pintaram o rosto como se fosse uma caveira", contou um dos moradores à reportagem.

O monumento foi restaurado, para a alegria da população, mas ninguém foi detido.
Apesar da fama, Tangamandapio (que significa "tronco podre que segue em pé", expressão de origem chichimeca) tem sérios problemas de infraestrutura, como a ausência de hospitais, uma única delegacia e apenas duas pousadas.

Segundo dados recentes do Conselho Nacional de Avaliação da Política de Desenvolvimento Social, divulgados pelo site Milênio, 74,4% da população do povoado estavam em situação de pobreza.

A violência também é questão que assombra a região. No início de setembro, várias cidades do estado de Michoacán registraram enfrentamentos entre grupos de cartéis rivais, inclusive em Tangamandapio.
 

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