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O caráter mais científico da coisa

Tópico em 'Comunicados, Tutoriais e Demais Valinorices' iniciado por Artigos Valinor, 25 Jun 2005.

  1. Artigos Valinor

    Artigos Valinor Usuário

    <P style="MARGIN-RIGHT: 0px">Porque o universo que Tolkien criou sempre representou mais para mim
    do
    que apenas a fantasia. </P>
    <P style="MARGIN-RIGHT: 0px">
    <HR>
    </P>


    Sempre vi em Tolkien regras para fenômenos,
    explicações... tudo faz sentido. Logo, arrisco dizer que o Professor, como
    lingüista, pensou nas formas reais da linguagem, analisou como ela se
    manifesta no mundo real, para depois aplicar todas essas informações na
    criação de seu mundo, seus personagens e suas línguas.

    <HR>
    Claro que não deixo de considerar a fantasia e a invenção, porque,
    afinal de contas, não existem registros das civilizações que Tolkien
    apresentou e fenômenos descritos por ele são impossíveis em nossa esfera
    física. Entretanto, a fantasia dele é bem fundamentada. Mesmo que não no
    caráter científico do mundo em que vivemos. Fundamentada em, além de
    ciências, em mitos e histórias que fazem parte da percepção de mundo da
    espécie humana.

    <HR>
    Quero dizer, o saber mitológico; as ciências que não são tecnológicas
    ou
    naturais, e sim baseadas na compreensão, no entendimento, humanos.
    Por isso, considero que por trás de cada criação tolkieniana, existe
    uma
    referência ao conhecimento já produzido pelo homem; seja ele mitologia
    nórdica, mitologia de povos indígenas, catolicismo, e tudo mais.

    <HR>
    Por isso é que não acredito que eu esteja desafiando a verdade da
    criação das línguas da Terra-média quando repito as concepções da
    Lingüística. [Quem quiser saber mais, procure um livro de um autor chamado
    David Crystal (não tenho certeza, mas acho que o nome é "O que é
    Lingüística); achei essa publicação bastante acessível para quem quer
    entender a história dessa ciência. Também existe um livro bem legal
    chamado
    "O que é Lingüística", da coleção Primeiros Passos. O nome da autora é Eni
    Pulcinelli Orlandi. É um livro bastante acessível também.]

    <HR>
    Tolkien provou, como no caso do Quenya, que suas línguas não são
    simples
    invenções. Seguem as ordens de um trabalho intenso, concepções profundas.
    Logo, no caso da língua Orc, não haveria de ser diferente apenas por eles
    serem um povo "primitivo", comparando-se com os nossos conceitos de
    evolução.


    <HR>
    Os Orcs possuíam uma língua, e não apenas uma linguagem, como no caso
    das abelhas e das formigas. A forma de comunicação deles era bem mais
    elaborada.

    <HR>
    É claro que, dentro de um universo fantástico, Melkor, ou seja lá quem
    for que tenha inventado essa língua, pode ter inserido essa língua na
    mente
    de cada um dos primeiros orcs na forma de frases feitas. Mas, pensem neste
    exemplo: se todos os orcs falassem o mesmo universo (mesmo que grande) de
    sentenças, como eles se organizariam em um exército? Se existe a
    capacidade
    de um general comandar uma tropa orc, esse general deve ser compreendido,
    não apenas como os cães que reconhecem apenas o próprio nome, as palavras
    "comida", "passear", "senta", etc. Se duas ou mais tropas orcs podem
    formular um esquema tático (como acontece no Hobbit - estou enganada?),
    vindo uma parte pelo flanco direito e outra pelo esquerdo, os generais
    orcs
    tiveram a formulação desse pensamento, percebendo o que era melhor fazer.

    <HR>
    Claro, existe o instinto. Mas há algo maior aí. Se os generais dão
    ordens, para que sejam obedecidos, é preciso que os soldados compreendam
    as
    ordens. E tomem decisões rápidas próprias do combate. Aí existe instinto,
    afinal, os cachorros se mordem durante uma briga. Mas eu nunca vi um
    cachorro utilizando-se de táticas como uma isca para chamar a atenção do
    adversário ou subir em um muro e pular lá de cima para pegar o
    "cão-inimigo"
    de surpresa. </P>



    <HR>
    Se todos os orcs tivessem em si mesmos todas as frases, todas as
    ordens,
    todas as idéias, e se tudo isso tivesse sido pré-concebido pelo seu
    criador,
    como é que eles brigariam entre si? Como eles descreveriam situações
    inesperadas? Ou quem colocou as frases feitas neles pôde prever todas as
    possibilidades? Isso é estatisticamente impossível!


    <HR>
    Outras questões surgem para mim:

    <HR>
    Os generais teriam sido criados separadamente para que pudessem
    liderar?

    <HR>
    Apareceu na minha mente a organização das formigas. Elas são diferentes
    fisicamente, separadas em rainha, soldados, operárias, etc. Mas será que
    os
    orcs também se organizavam assim? Existem registros disso?

    <HR>
    Há uma passagem em que, morto o comandante orc, os soldados se
    confundem
    e não sabem o que fazer. Mas logo se reorganizam para voltar a perseguir
    os
    intrusos. Poderíamos dizer que, morto o general (ou morta a formiga
    rainha)
    os outros (soldados e operárias) passam por um período caótico, mas depois
    se reorganizam sob o comando de outro general.

    <HR>
    É aí que a minha análise sobre a inteligência orc não prossegue. Não
    estou conseguindo imaginar algo além disso. Porque, comparando os orcs a
    formigas (que seguem uma sociedade de castas rígidas - inclusive
    fisicamente), os conceitos se confundem. Se existem orcs diferentes para
    comandar e obedecer, então, eles se comportam como as formigas ou abelhas.

    <HR>
    Mas, se os orcs são capazes de se organizar para uma batalha e perceber
    qual
    é a melhor forma de atacar o inimigo, eles não se comportam como formigas.

    <HR>
    Não podemos esquecer que, quando uma formiga está trazendo folhas de
    uma
    planta próxima, ela deixa no chão um rastro de cheiro para que as outras
    sigam. Se você impedir a passagem das formigas por aquele caminho
    (colocando
    o pé na linha que elas seguem, por exemplo), as primeiras formigas vão
    tentar subir pelo obstáculo, vão passar por cima dele, até que uma
    operária
    mais esperta vai dar a volta. Atentem para o fato de que essa formiga que

    a volta é uma operária, não uma formiga de casta superior. E lembrem que as formigas deixam uma espécie de "rastro". Então, há a
    possibilidade que os orcs, mesmo os orcs "operários" ou "soldados",
    percebendo um impedimento para a sua ação planejada no momento anterior,
    cheguem à mesma conclusão que a formiga e "dêem a volta". Só que os orcs
    são
    mais rápidos que isso. E eles raciocinam. Se eles não raciocinassem,
    muitos
    e muitos soldados se perderiam antes que a decisão de "dar a volta" fosse
    concretizada.</P>
     

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