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Neil Gaiman diz que ama Tolkien e queria ter escrito O senhor dos Anéis

Tópico em 'Influências, Seguidores e Recomendações' iniciado por Bilbo Bolseiro, 23 Abr 2015.

  1. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    Neil Gaiman diz que ama Tolkien e queria ter escrito O senhor dos Anéis

    Neil Gaiman é um conhecido escritor de romances e quadrinhos de origem inglesa, que mora atualmente nos E.U.A. Dentre suas obras conhecidas estão Stardust, Deuses Americanos, o livro do cemitério e outras. Nos quadrinhos é conhecido por ser o autor de Sandman e como roteirista participou do filme animado Beowulf lançado em 2007.

    O que chama a atenção é que ele por diversas vezes admitiu sua influência e sua verdadeira admiração pelas obras de J.R.R.Tolkien, se considerando um fã e atribuindo a Tolkien a origem de sua criatividade como profissional e escritor de fantasia.

    Em um discurso, em 2004, realizado na Mythopoeic Society, Neil Gaiman explicou como conheceu Tolkien e como ele se tornou algo importante em sua vida:

    Quando eu tinha nove anos mudei de escola, e eu encontrei na biblioteca uma cópia maltratada e extremamente velha de O Hobbit. Comprei-a da escola em uma venda da biblioteca por um centavo, juntamente com uma cópia antiga dos Plays de WS Gilbert, e eu ainda tenho isso.
    Passou um ano ou mais antes de descobrir os dois primeiros volumes de O Senhor dos Anéis, na biblioteca principal da escola. Eu os li. Eu os li varia se varias vezes: eu terminava As Duas Torres e começava novamente no início de A Sociedade do Anel. Eu nunca cheguei ao fim. Esta não foi tão difícil quanto possa parecer – Eu já tinha entendido com Peter S. Beagle, em um ensaio no Tolkien Reader, que tudo iria ficar mais ou menos bem. Ainda assim, eu realmente queria ler por mim mesmo.

    Continuando seu discurso, Neil Gaiman ressalta sua empolgação ao ler o final do Senhor dos Anéis, e o quanto isso representou na sua juventude:

    Quando eu tinha treze anos eu ganhei o prêmio de Inglês da escola, e fui autorizado a escolher um livro. Eu escolhi O Retorno do Rei. Eu ainda o possuo. Eu só o li uma vez, contudo – emocionado ao descobrir como a história terminou – porque na mesma época eu também comprei a edição em brochura em um volume. Foi a coisa mais cara que eu tinha comprado com meu próprio dinheiro, e foi essa que eu agora leio e releio.
    Cheguei à conclusão de que O Senhor dos Anéis foi, provavelmente, o melhor livro que já se poderia ter escrito, o que me colocou em uma espécie de dilema. Eu queria ser um escritor quando crescesse. (Isso não é verdade: eu queria ser um escritor logo) E eu queria escrever O Senhor dos Anéis. O problema é que ele já havia sido escrito.

    Nesse desejo de escrever uma fantasia como a de Tolkien, Neil Gaiman passou a refletir sobre isso e como conseguiria ser um escritor como Tolkien, ou melhor ser o próprio Tolkien:

    Eu comecei a pensar no assunto de forma muito intensa, e, finalmente, cheguei à conclusão de que a melhor coisa seria se, mantendo uma cópia de O Senhor dos Anéis, eu escorregasse em um universo paralelo em que o professor Tolkien não tivesse existido. E então eu teria alguém para reescrever o livro – eu sabia que se eu mandasse a uma editora um livro que já havia sido publicado, mesmo em um universo paralelo, eles ficariam desconfiados, e eu sabia que a minha própria habilidade de escrita aos treze anos não estariam à altura da tarefa de escrever o mesmo.E uma vez que o livro fosse publicado gostaria, neste universo paralelo, de ser o autor de O Senhor dos Anéis, o que não pode haver coisa melhor.E eu li O Senhor dos Anéis até que já não precisar lê-lo mais por um tempo, porque ele estava dentro de mim.

    O conhecimento de Neil Gaiman sobre Tolkien se tornou tão profundo que ele pode perceber coisas que nem o maior especialista em Tolkien conseguiu notar:

    Anos mais tarde, eu enviei uma carta a Christopher Tolkien, explicando algo que ele se viu incapaz de colocar em nota de rodapé, e fui profundamente gratificado ao encontrar um agradecimento no livro de Tolkien The War of the Ring (por algo que eu tinha aprendido ao ler James Branch Cabell, não menos).

    O livro The War of the Ring é um dos doze volumes da série conhecida The history of middle-earth (coleção ainda não publicada no Brasil). Nesse livro Christopher Tolkien fez o seguinte agradecimento e referência no prefácio do livro a Neil Gaiman: “I am very grateful for communications from Mr Alan Stokes and Mr Neil Gaiman, who have explained my father’s reference in his remarks about the poem Errantry”.

    Enquanto eu adorava Tolkien e ao mesmo tempo eu queria ter escrito seu livro, eu não tinha nenhum desejo em escrever como ele. As Palavras e frases de Tolkien pareciam coisas naturais, como formações rochosas e cachoeiras, e querer escrever como Tolkien teria sido, para mim, como querer florescer como uma árvore de cereja ou subir em uma árvore como um esquilo ou chover como uma tempestade.

    Terminando seu discurso, Gaiman afirma o quanto Tolkien influenciou em sua vida como escritor, juntamente com outros autores de fantasia que tinha lido nessa época:

    Chesterton e Tolkien e Lewis eram, como eu disse, não os únicos escritores que li entre as idades de seis e treze anos, mas eles foram os autores que li várias e várias vezes, cada um deles teve um papel em me construir. Sem eles, eu não posso imaginar que eu teria me tornado um escritor, e certamente não é um escritor de ficção fantástica. Eu não teria entendido que a melhor maneira de mostrar às pessoas as coisas verdadeiras é de uma direção que não tinha imaginado a verdade que vem, nem que a majestade e a magia da crença e dos sonhos podem ser uma parte vital da vida e da escrita.

    Fonte: site
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  2. inácio fantino

    inácio fantino Usuário

    "PelamordeDeus!"... Um cara como Gaiman dizendo tudo isto... E ainda tem gente que acha que "O Senhor dos Anéis" é literatura infantil (se fosse, não seria nenhuma problema... Só que não é).
     
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  3. adrieldantas

    adrieldantas Relax and have some winey

    Ótima entrevista.
     
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  4. Indu

    Indu In sacanagi we trust

    Gaiman criou um universo e uma mitologia tão concreta quanto a de Tolkien.
    Sandman e todo o universo que ele criou em torno disso (ao meu ver), deixa ele no mesmo nivel do professor. Gaiman apenas usou mais abertamente as referências históricas e mitológicas que inspiraram o Tolkien.
     
  5. Taefel

    Taefel Hobbit grande

    Ao meeeeesmo nível eu acho meio muito. Mas sim, ele fez um bom trabalho.
    Mas sei lá... sou team Alan Moore anyway :p
     
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  6. Indu

    Indu In sacanagi we trust

    Eu ADORO MOORE, mas seus trabalhos não se unem como o de Gaiman, são bem independentes um do outro.
     
  7. Ilmarinen

    Ilmarinen Usuário


    Na comparação Tolkien/Gaiman acho que os dois, em termos de mitopoiesis, são bem distintos ao ponto de serem laranjas e maçãs, mas acho que o ponto fulcral da mitologia do Gaiman é NÃO ser "tão concreta " quanto a de Tolkien. O impulso criativo dele lá é mais metatextual e similar a
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    e Branch Cabell do que a Tolkien.

    E Dunsany, por exemplo, é considerado por alguns um "Anti-Tolkien" por causa do registro de paródia e sátira implícitos no uso da metatextualidade e pela importância dada ao sonhos como ferramenta de construção e entrelaçamento destoantes com a Subcriativade de Tolkien, a construção de Realidade Secundária.

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    Não tem uma "história" com começo, meio e fim tão detalhados e esboçados assim até por conta da mídia com que ele lida ser diferente. E, a la Titus Groan e Amber de Mervyn Peake e
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    *, ele está interessado em contar a história de uma família e, especialmente, a de um indivíduo dentro dela e não a de um "mundo".

    * (cujo Nove Príncipes em Amber, o primeiro livro da série é um muito provável modelo pra Prelúdios e Noturnos. É de Amber que vem a idéia da Galeria dos Perpétuos onde estão os "sigils" de cada Perpétuo servindo de monitor Skype e portal Stargate se for o caso)

    Ela é mais parecida com a dos Mitos de Cthulhu do Lovecraft até porque, ao contrário de Tolkien e Dunsany, ele não cria as coisas "from scratch" pq ( como a dele citava coisas como Hastur e o Rei de Amarelo do Chambers) usa amplamente elementos já pré-existentes, como Lyta e Hector Hall, os Sandmen da Golden Age e Silver Age, as 3 Bruxas, Caim e Abel, Brute e Glob e até o Destino, Perpétuo que não é criação de Gaiman mas trabalho do Marv Wolfman. Além de ser entremeada com a continuidade da DC Comics, de onde ele já importou diversos elementos estruturais importantes ( Oa, Green Lanterns, os diversos panteões de deuses, gregos, nórdicos etc). Até o Limiar , a fortaleza da Desejo, era, originalmente, um conceito de um conto do Clive Barker onde ele iria colocar o Gaiman.

    Mas é fato que Gaiman pinça elementos da criação de Tolkien de forma inspirada pra sua própria criação literária, vide a conclusão de Filhos de Anansi e todo o plot no Céu de Mistérios Divinos onde ele homenageia, explicitamente, o Silmarillion ( Ainulindalë).

    O commitment do Gaiman com a leitura dos livros de Tolkien é tão sério que Christopher Tolkien agradeceu o fato dele ter dado uma contribuição rastreando uma referência críptica do pai dele em HoME VIII ou IX.

    Na verdade,
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    ...

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    Os dois são MUITO interconetados por várias razões:
    a)Alan Moore ensinou Gaiman a escrever roteiro em quadrinhos pra vender o seu "peixe" e isso ajudou demais em ele conseguir trabalho na DC Comics.
    b) Coisas como ele pegar o Matthew Cable e transformá-lo no corvo de Sandman são feitas pra homenagear o trabalho do Moore e interligar as mitologias. Até o fato do cabelo da Eurídice de Canção de Orfeus ser uma imagem em negativo do cabelo da Abigail Cable na saga Amor e Morte ( para a qual Gaiman escreveu a introdução) simbolizar a noção dela protagonizar uma história de viagem ao inferno que terminou de maneira diametralmente oposta ao mito de Orfeus é proposital.
    c) Obviamente ambos
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    s. São todos tributários do mesmo grande rio.

    Guardadas as devidas proporções, falar que Gaiman "criou" uma mitologia quando idealizou Sandman ( especialmente no contexto de compará-la com a criação do Legendarium do Tolkien) é o mesmo que falar que
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    . É, em parte, verdade mas, também, é hiperbólico, inexato e injusto com quem veio antes dele na cadeia da evolução.

    d) Então, todo o trabalho que Gaiman e Moore fizeram pra DC não só é conectado ( as histórias do Moore no Superman complementam a mitologia do Monstro do Pântano, assim como as do Batman, do mesmo jeito que histórias do Gaiman em Livros de Magia e Orquídea Negra interagem com personagens e conceitos que aparecem em Sandman ( e com a obra decenauta do Moore ) eles são também MUTUAMENTE interconectados.

    Vale lembrar que, como influências são circulares e trafegam em mão-dupla, também é verdade que, do mesmo jeito que Sandman é tributário de Swamp Thing ( e Swamp Thing tributário de, entre outras coisas, Eternal Champion do Moorcock,
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    e, claro,
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    Promethea do Alan Moore também tem um débito bem pronunciado com Sandman, embora referencie trocentas outras como o trabalho do colega Inkling do Tolkien, Charles Williams (influência marcante em cima do Moore que NINGUÉM comentou até hoje),
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    , Wonder Woman ( George Pérez, Messner Loebs, John Byrne), Sláine do Pat Mills, X-Men de Claremont e Byrne e Xena.

    Como bem disse o J.H.Williams ai

     

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    Última edição: 8 Out 2015
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