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Jovem negro corre 3,7 vezes mais risco de assassinato do que branco, diz Ipea

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por ricardo campos, 17 Out 2013.

  1. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    "Existe um racismo institucional no país, expresso também em ações policiais


    Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado hoje, revela que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco. Segundo o estudo, existe racismo institucional no país, expresso principalmente nas ações da polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros”.

    Intitulado Segurança Pública e Racismo Institucional, o estudo faz parte do Boletim de Análise Político-Institucional do Ipea e foi elaborado por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das Instituições e da Democracia (Diest). “Ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”, afirmam os pesquisadores Almir Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, autores do estudo.

    Na apresentação do trabalho, em entrevista coletiva na sede do Ipea em Brasília, o diretor da Diest, Daniel Cerqueira, que, do Rio, participou do evento por meio de videoconferência, apresentou outros dados que ratificam as conclusões da pesquisa sobre o racismo institucional. Segundo ele, mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”. Por isso, questionou Cerqueira, “como falar em preservação dos direitos fundamentais e democracia” diante desta situação?

    Para comprovar as afirmações, Cerqueira apresentou estatística demonstrando que as maiores vítimas de homicídios no Brasil são homens jovens e negros, “numa proporção 135% maior do que os não negros: enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes. No caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes”.

    A cor negra ou parda faz aumentar em cerca de 8 pontos percentuais a probabilidade de um indivíduo ser vítima de homicídio, indicam os dados apresentados pelo diretor do Diest. Isso tem como consequência, segundo Daniel Cerqueira, uma perda de expectativa de vida devido à violência letal 114% maior para negros, em relação aos homicídios: “Enquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida (20 meses e meio) ao nascer, a perda do branco é de 0,71 ano, o que equivale a oito meses e meio.”

    Para o pesquisador Almir de Oliveira Júnior, como dever constitucional, o Estado deveria fornecer aos cidadãos, independentemente de sexo, idade, classe social ou raça, uma ampla estrutura de proteção contra a possibilidade de virem a se tornar vítimas de violência. “Contudo, a segurança pública é uma das esferas da ação estatal em que a seletividade racial se torna mais patente”, disse Oliveira Júnior.

    De acordo com as estatísticas sobre a violência em que o estudo se baseou, esse é um dos fatores que explicam por que, a cada ano, “uma maior proporção de jovens, cada vez mais jovens, é assassinada”, acrescentou o pesquisador. Segundo ele, enquanto nos anos 80 do século passado, a média de idade das vítimas era 26 anos, hoje não passa de 20. "


    Fonte:
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  2. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Definitivamente não consegui entender as conclusões do estudo. Aliás, acabei de ler o estudo em si (
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    ).

    Observação empírica - Negros sofrem mais homicídios do que brancos.
    Conclusão - “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”

    Ou o estudo é uma porcaria, ou o artigo é uma porcaria ou então eu não consegui interpretar nada. Cade as variáveis de controle? Por exemplo: É possível observar essa diferença nas taxas de homícios entre brancos e negros para a mesma faixa de renda? Ou faixa de escolaridade? Ou idade?
     
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  3. Felagund

    Felagund Well-Known Member

    Mas vc leu o estudo inteiro? Pq tudo isso deve tá imerso no trabalho, se não está oculto da divulgação mas deve ter como ter acesso aos dados coletados.
    Eu nem li, já vi outros estudos sobre isso e esse é mais um para afirmar algo empiricamente óbvio, portanto não é novidade.
     
  4. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Até agora só achei duas referências ao estudo: uma eu já postei e a outra é
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    . O slides 11 e 12 tem alguns resultados estatísticos/econométricos e dá pra ver algumas variáveis de controle. O problema com esse tipo de análise (alô, @Bel) é que você pode colocar um milhão de variáveis num modelo e elas não necessariamente produzirão um resultado melhor do que uma análise com menos variáveis. Será que, por exemplo, numa mesma área carente (tanto em termos de renda quanto de policiamento) a taxa de homicídio de negros é maior do que de branco (poderando obviamente pelas populações relativas)?

    Enfim, se tudo é empiricamente óbvio, pq perder tempo pesquisando, né? Morrem mais negros do que brancos, logo há racismo institucional. Quod erat demonstrandum.
     
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  5. Felagund

    Felagund Well-Known Member

    É óbvio mas as pesquisas ajudam na legitimidade dessa obviedade, simples, ou vc realmente acha que no Brasil brancos e negros sofrem igual em relação com a violência e abuso de autoridades?
     
  6. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Em ambos os casos (abuso de autoridade e violência), acho que não. Só que enquanto para o primeiro caso a cor da pele pode ser a causa, o mesmo não necessariamente se aplica ao segundo caso. Por outro lado, será que não há mais violência nas áreas mais pobres? E que a população de negros é maior do que a de brancos nessas áreas? Esses indivíduos são vítimas da violência necessariamente por causa da cor da pele ou pq vivem em maior número em áreas de risco?

    Enfim, o meu ponto é que o artigo do jornal faz parecer que a cor da pele é a causa da violência. Uma coisa é a observação empírica e outra é a causalidade.
     
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  7. Felagund

    Felagund Well-Known Member

    Ah, mas estamos falando da mesma coisa. Quando fazem esses estudos de cor, normalmente se associa com a condição social do grupo racial. No caso, realmente, a violência é maior para com os negros pq os negros são majoritários nas classes baixas da sociedade brasileira. Até ai acho que não tem muita discussão.

    O problema, ao que parece, é outro: Até que ponto a condição social na qual grande parte da população negra está inserida não acaba por gerar uma desconfiança do próprio negro? Até que ponto não associamos mentalmente o negro com o bandido? Ou o negro com o pedinte? Já cansamos de ver casos de segurança de shopping, gerente de restaurante, clientes e etc confundir negros com funcionários, expulsar eles de lojas, não permitir que alguns entrassem em restaurantes e coisa parecida. No caso dessa pesquisa é: Até que ponto as autoridades não mudam o tom e a abordagem quando o detido é um negro?

    E indo mais além: Se a maioria da população carente é negra,e ela é alvo prioritário da policia, que está a serviço dos grupos dominantes (Estado, propriedade privada, etc), então o conflito que, originalmente, seria entre uma população carente x população dominante em um conflito com caracteristicas étnicas? Nós podemos simplesmente esquecer que a grande maioria da população pobre desse país é negra e tratar o problema apenas como "pobre x polícia" ou devemos tentar enxergar o problema como algo não apenas social, mas um conflito racial histórico no nosso país?

    É complicado, não tem resposta fácil e pronta pra nada disso, acho que o que a pesquisa busca mostrar é exatamente esse carater racial nos conflitos do Brasil, e mesmo se tiver problemas de método (o que, sinceramente, acho improvável, pois o IPEA é um orgão renomado), ajuda ao mostrar indicadores que este conflito pode ser mais complexo do que já é.
     
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  8. Felagund

    Felagund Well-Known Member

    Além, claro, de um genocídio que ocorre entre as próprias classes baixas, com os conflitos entre traficantes, execuções de devedores, morte de usuário de drogas, justiça do tráfico e etc, assumir que todas essas mortes de negros é apenas referente a atuação policial não é justo e nem correto.
     
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  9. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Então, eu ia falar que correlação não é causa, já que o pessoal sempre erra na hora de interpretar isso. Mas ele usa certinho os termos "aumenta a chance" e "aumenta a probabilidade".
    Na apresentação ele mostra que fez um modelo de regressão com a variáveis disponíveis, mas não AJUSTOU o modelo. Tem que pegar aquela coluna P>|z| e ir eliminando um por um os valores altos. Exemplo: elimina Idade (p=0,8850), calcula tudo de novo, vê qual o maior p, elimina a variável, calcula de novo etc etc até ficar com p-valores menores que 0,05. Sem contar que ele nem colocou o R² do modelo...
     
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  10. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    "Enfim, o meu ponto é que o artigo do jornal faz parecer que a cor da pele é a causa da violência. Uma coisa é a observação empírica e outra é a causalidade." @Grimnir


    Entendi cor da pele e condição social . Acho que não há como dissociar a condição econômica do indivíduo (neste caso específico) e a cor da pele. No caso em tela, a cor da pele entraria como uma das causas da violência e não necessariamente: a causa preponderante. Enfim, o artigo do jornal baseado no estudo nos faz refletir um pouco sobre o assunto. Tem que ser debatido mesmo.
     
  11. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    ó só o ricardo confundindo correlação com causa...

    fiquei pensando no modelo que ta na apresentação: provavelmente é regressão linear múltipla, mas pq diabos o cara colocou idade² e não colocou uma constante??
     
  12. Grimnir

    Grimnir Usuário

    Esse não é o ponto da pesquisa, até onde entendi. A pesquisa fala sobre homicídio de modo geral, o que faz toda a diferença.

    É justamente por isso que acho que seria mais razoável pesquisar de existe diferença relevante de perda de expectativa entre brancos e negros pobres. Não nego a existência do racismo, mas acho que com base nos resultados e no foco da pesquisa, os analistas foram precipitados na conclusão.

    Embora o IPEA seja um orgão importante, acho que perdeu muita credibilidade com o presidente anterior, que tinha um viés claramente pró-governo tanto na agenda de pesquisa quanto no tom dos resultados apresentados. Eu não coloco a minha mão no fogo pelos resultados do IPEA.

    Esse é o meu ponto. Se ajustar, talvez (com alta probabilidade), os coeficientes mudem razoavelmente.

    É um truque econométrico para impor não-linearidades num modelo linear. Se o modelo só considerar a idade, isso significa que quanto mais velhor, maior o risco. Os autores quiseram impor uma condição de que até uma idade X o risco é crescente e depois dessa idade o risco é decrescente.
     
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  13. Bel

    Bel Moderador Usuário Premium

    Já vi coeficiente começar negativo e ficar positivo no final, variar bruscamente etc

    Mas pra quem não entendeu o estatistiquês, @Grimnir e eu estamos dizendo que o modelo do cara não é válido.
     
    Última edição: 18 Out 2013
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  14. ricardo campos

    ricardo campos Debochado!

    Encontrei isso aqui é de 2011, mas não mudou muita coisa de 02 anos pra cá. né. Pode ser até mais abrangente e imparcial se for o caso.


    "Violência no Brasil tem endereço, faixa etária e raça, apontam especialistas em seminário no Rio
    13 de dezembro de 2011

    A violência no Brasil tem diferenças geográficas, de faixa etária e de raça. Essa é uma das conclusões do painel “Juventude, Raça/Etnia e Letalidade”, o segundo realizado no Seminário de Desarmamento, Controle de Armas e Prevenção à Violência, em comemoração ao Dia dos Direitos Humanos 2011, no Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ).

    Para exemplificar esse perfil de violência brasileira, Silva Ramos complementou com o exemplo da cidade do Rio de Janeiro. Na zona sul, região carioca cuja população possui um alto poder aquisitivo, as taxas de homicídio variam de 2 a 12 por cada 100 mil habitantes, índices próximos aos da Europa. Já nas regiões pobres, as taxas chegam a 75 para cada 100 mil habitantes. “É como se existissem dois países dentro de uma cidade”, avaliou.

    Adolescentes são mais vulneráveis

    Segundo o novo relatório do UNICEF,
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    , jovens negros têm quatro vezes mais chances de sofrer homicídio que brancos. Para tratar da violência na adolescência, Casimira Benge trouxe outros dados alarmantes. Cerca de 45% das morte entre adolescentes entre 12 e 19 anos são referentes a homicídios, segundo o Ministério da Saúde. A estatística superior à média nacional de 6%.

    Participaram do painel a Coordenadora da Área de Minorias, Movimentos Sociais e Cidadania do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Silvia Ramos, a Chefe de Proteção do Fundo das Nações Unidas para a Infância (
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    ), Casimira Benge, e o Assessor Especial da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Edson Cardoso. A mediação foi do Diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (
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    ), Giancarlo Summa.

    Silvia Ramos abriu as discussões e enfatizou que jovens homens negros são as principais vítimas dos incidentes de violência no Brasil. Eles correspondem a cerca de 90% dos incidentes.

    A Chefe de Proteção do UNICEF também ressaltou os perigos das armas de fogo, principalmente em grandes cidades. Eles representam os principais responsáveis pela morte de jovens em cidades com mais de 100 mil habitantes. Maceió, Recife e Salvador foram consideradas as metrópoles de maiores riscos para jovens.

    A questão dos perfis da violência brasileira, na opinião de Edson Cardoso, não pode ser visto apenas como uma questão de segurança pública. Para o assessor, existem raízes históricas de racismo na sociedade brasileira. “Nossa cultura nos formou para hierarquizar os seres humanos. As distinções sociais estão na base do surgimento do Brasil”.
    Para mudar essa situação, seria necessária uma campanha com participação de pessoas das áreas de comunicação, educação, publicidade e política. “Precisamos rever padrões, não podemos ver negros como vítimas preferenciais. Vivemos numa sociedade que não quer compartilhar.”


    Fonte:
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