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Where did you sleep last night

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por imported_Wilson, 4 Fev 2009.

  1. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    Um conto que eu fiz inspirado em uma nostálgica do Nirvana (não sou mto fã deles, mas dessa música eu gosto), "Where did you sleep last night". É um conto pequeno, eu fiz pra mandar pro
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    [align=justify]Toda garota devia ter o nome de uma flor, era o pouco que Daisy lembrava da vó. Do asilo em que a visitava lembrava-se do cheiro. Cheiro de gente velha: urina e desinfetante barato. Vidas abandonadas e enrugadas desgastando-se com o tempo. Lembranças que ninguém tinha coragem ou disposição para tratar de outra maneira.

    A vó as recebia sempre com um sorriso largo e infantil no rosto. Com o mesmo vestido de sempre. Derrames se passaram e a velha senhora resistia. No lugar da memória varrida, vagas lembranças de tempos antigos.

    Abraçavam-se, elogiavam as roupas, sentavam e bebiam da limonada com água de torneira. A vó perguntava quem era a garota. Sua neta. Daisy.

    - Todas deviam ter o nome de uma flor - a velha sorria.

    E então vinham as mesmas conversas, de novo e de novo. As filhas e filhos que nunca mais vira, o esposo perdido. Daisy a seguir moscas com as pontas dos olhos.

    - E minha caçula?

    A mãe mentia. Daisy assustava-se, mas nada dizia por vergonha, fitava os próprios pés e ouvia a mãe contar sobre uma vida que não tinha. O casamento de mentira, o emprego de mentira, a casa de mentira.

    Quando iam embora, davam as costas e não olhavam para trás. A vó de novo na poltrona, as mãos nos joelhos, a indagar onde estava.

    Daisy nunca perguntou à mãe por que mentia. Talvez não quisesse decepcionar a vó, não àquela altura, não tão perto do final. Ou talvez não fosse pela mãe senil, talvez mentisse por si mesma.

    No carro, voltavam em silêncio, ao som de propagandas e canções baratas. A mãe com cigarros de menta, os olhos inchados e vermelhos. Daisy olhando para fora, o vento gelado nos cabelos, o começo de chuva na janela. Postos de gasolina e parquinhos abandonados, bosques frios e escuros. Uma sequência de fotos descartáveis que não significavam nada, nem queriam ser nada mais que uma paisagem triste e deserta.

    Desde cedo, ela pôs na cabeça, o mundo não podia ser só aquilo. Um dia deixaria tudo para trás.

    Dormiria ao relento.

    Os anos se passaram e Daisy jamais foi encontrada.
    [/align]
     
    Última edição por um moderador: 6 Out 2013
  2. JLM

    JLM mata o branquelo detta walker

    good

    achei uma releitura da chapeuzinho vermelho, só q mais dramática e menos fantasiosa. quem seria o lobo mau ae?

    mto bom o conto wilson, ainda mais com a trilha sonora deu um tchan especial.

    só sugeriria acrescentar no começo, em
    algo como "A vó recebia filha e neta sempre...", pois só fui perceber que era um encontro a 3 bem depois, neste trecho

    daí tive de recomeçar a leitura para entender de onde a mãe surgira na história. percebi q foi no "A vó AS recebia", mas por ser uma indicação bem sutil, e como ocorreu comigo, a leitura de um artigo costuma passar batida, e prejudicar na fluidez da leitura.

    mas é só uma sugestão, fora isso, achei os cenários q vc descreveu bem vívidos.
     
  3. Devotchka

    Devotchka Usuário

    Conseguiu ser sutil e intenso ao mesmo tempo. Gostei.
     
  4. imported_Wilson

    imported_Wilson Please understand...

    vixe!! tinha nem me tocado disso cara. valeu!
    o problema foi o seguinte: eu tive a idéia pra história, daí comecei a escrever e ela tinha ficado com uns 3k caracteres, mas pro Mojo o limite é de 2k, então picotei o texto todo (o que é mto bom aliás, pra descobrir o que funciona ou não na história). Só que acabei deixando passar isso aí ¬¬

    Valeu N!

    Se alguém souber, por favor diga.
     

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