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Sobre Aman e a Rota Plana

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por hyarmendacil, 10 Fev 2017.

  1. hyarmendacil

    hyarmendacil Usuário

    Olá!

    Depois de seis anos entro aqui novamente!

    Estou lendo pela segunda vez o Silmarillion, depois de quase dez anos, mas mesmo assim continuo com certa dificuldade de compreender a Rota Plana e a ocultação de Aman.

    O que é a Rota Plana? Uma espécie de portal mágico? Como encontrá-lo?

    Sobre Aman, o que é seu ocultamento? O continente, matas, florestas, rios, elfos, maiar e valar se tornaram invisíveis? Como ocultar a matéria física?

    Porque depois da Quarta Era com o domínio dos homens, os edain dominaram o mundo e vagaram para o Oeste de Arda dando a volta ao mundo. Se ele fosse em linha reta, como atravessariam Aman sem bater de frente com o continente?

    Obrigado e desculpe pela "ignorância".
     
  2. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Oi!

    Rota Plana vem de “Straight Road” que é o último remanescente do antigo caminho físico que ligava as terras mortais ao reino abençoado através do oceano Belegaer. Antigamente o mundo tinha um caminho amplo aberto até Aman.

    A rota plana foi mantida pelos Valar após Eru curvar o mundo (tornando-o menor inclusive) em razão da desobediência de Ar Pharazon, quando Manwë entregou temporariamente o poder de decisão a Eru.

    Com relação ao funcionamento, apesar de parecer “magia” ela tende também a se enquadrar como uma distorção ou perturbação geométrica do mundo físico em que a geografia se acomoda ao redor de uma estrada. Para efeito prático os livros dão a entender que é como se os navios penetrassem e sumissem no céu uma vez que diferentemente de uma navegação em um oceano curvo o trecho de água continua em linha reta, afastando-se cada vez mais das águas curvas abaixo e ao redor. (Tipo um "buraco de minhoca" na física.)

    O caminho plano portanto tem qualidades físicas, gravitacionais, atmosféricas e constantes universais muito especiais que o permitem ser também uma maravilha da natureza.

    Normalmente, para coneguir encontrar o caminho o elfo precisava procurar Círdan que era um dos elfos mais antigos e que tinha uma espécie de acordo com os Poderes (vindo do dom de visão do futuro élfico) sob a proteção de Ulmo (o senhor das águas e dos mares) que o mantinham como único autorizado a fazer barcos capazes de acharem e navegarem na rota plana. Possivelmente Círdan, contava com mapas, instruções, calendários e cartas de navegação mas que deviam ser guardadas a “7 chaves” por fazer barcos que apenas atendessem ao desejo dos elfos de irem morar com os Valar.

    Todavia há sugestões de que poderia haver marinheiros perdidos que sem querer, movidos pelo próprio destino independentemente dos Valar, encontrassem a rota plana e vislumbrassem a costa do reino abençoado antes de morrerem.

    A rota plana é tida como o caminho que elfos vivos tomam para chegar até Aman. Mas os livros falam que se o elfo morresse ou deixasse o corpo a alma podia chegar em Amam sem necessariamente precisar passar por Círdan (inclusive aos homens que morriam e precisassem passar por Aman antes de deixar o mundo). Em indicação de que a rota do reino dos espíritos poder ser ainda acessível. Havia então um caminho pela vida e outro pela morte por assim dizer.





    Aman permanece dentro dos círculos do mundo (Ëa) e se torna quase inacessível para quem não tem autorização dos Valar. Os habitantes de lá continuam sendo visíveis entre si, porém o acesso e percepção entre nós e eles foi fechado usando as próprias leis da natureza. O continente dos Poderes e tudo o que ele continha continua existindo em um espaço físico separado do nosso, mas está agora protegida por uma porta secreta (a Rota Plana). Qualquer objeto, ser ou pessoa daquelas terras também passa a ficar cada vez mais separado e estranho em relação ao mundo mortal, não sendo reconhecível em casos de risco de encontro como ocorreu com os elfos que ficaram nas terras de cá.

    E apesar de tudo parecer magia na verdade se trata apenas do poder subcriativo natural dos Valar e de Eru que mudaram o mundo e agora forçam as pessoas das terras mortais (e todos os seus 5 sentidos) a sempre percorrerem curvas antes de chegarem aos resultados num caminho mais longo, mais difícil e muito mais vulnerável aos erros do que um caminho reto. A não ser, é claro que o destino da pessoa seja o de perfurar esse véu como foi o caso de Beren.

    Tolkien vem de um tempo em que havia abundância de lendas de navegações e capitães que encontravam terras com povos mágicos e qualidades incríveis como por exemplo Atlântida. Outros autores de fantasia tipo o George Mc Donald (influenciou Tolkien) também falavam disso como o país nas costas do vento norte (At The Back of The North Wind), um país mágico aonde as pessoas se entendem sem precisar falar (olhando nos olhos), aonde as pessoas são todas jubilosas e saudáveis por onde se chegava também por meio de navegação. Em CS Lewis o país se chama "País de Aslam" de onde se navega desde Narnia, e assim por diante. São países acessíveis pela vida e pela morte. Mas pela morte o caminho é direto.

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    Última edição: 10 Fev 2017
    • Ótimo Ótimo x 1
  3. Elessar Hyarmen

    Elessar Hyarmen Senhor de Bri

    Essa sua explicação Neoghoster, mas faz fazer um paralelo com o espiritismo, sério! No sentido de que como os elfos estão com os Valar e Maiar, numa condição "espiritual elevada". A terra de Aman é como se tornasse uma "colônia espiritual", no sentido amplo, onde os elfos permanecem no mundo, mas não estão no mundo, entende rsrsrs. Estão numa atmosfera mais elevada, numa espaço físico real. Essa atmosfera faz parte da Terra, pois os elfos continuam vinculados ao mundo.
     
  4. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Oi Elessar!

    Pois é, podemos sim comparar (há as diferenças e também as semelhanças) e falar que Aman esteja no mundo sem precisar ser como o nosso mundo mortal uma vez que os poderes e habilidades de Ainur e elfos se obrigavam a permanecer contidos no mundo eles estavam num estado preservado, puro e (em consequência disso) mais livres para agirem num lugar que se guardou da Ira de Melkor. A terra e todas as coisas que lá ficaram de longe eram muito menos aprisionadas ou maculadas do que as das terras mortais conferindo a tudo, inclusive aos habitantes com talentos que os aproximam do mundo espiritual e os tornam seres bem aventurados.

    Possivelmente essa parte sobre Aman ficaria dentro da pesquisa de Tolkien em fontes que detalhavam as arquiteturas espirituais e celestiais de várias culturas na época em que ele esteve trabalhando textos do Silmarillion.

    Autores como Swedenborg (junto do material relacionado que veio depois tipo William Blake), literatura grega (Círdan que cumpre o papel daqueles guardiões da porta nas passagens para um mundo oculto ou dos mortos que para gregos era em Hades, com a diferença que Círdan não seria um maligno cão do inferno havendo guardas para lugares bons e para lugares ruins) e romana (o catolicismo trazia formação a partir do Latim);

    Parte das fontes então parece respirar influência de conhecimento presente nas principais religiões do mundo como os Seven Heavens (Os Sete Céus) que aparece no Hinduismo, Islã, Judaísmo, Gnosticismo e Hermeticismo.

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    Se você se interessa em ler o assunto talvez você conheça o esquema abaixo (uma cópia da cópia da cópia) que explica as moradas espirituais após a morte. Segundo os textos do assunto quando a pessoa morre ela enxerga uma luz num tubo que seria na verdade a boca ou interior de um túnel que conduz em linha reta a outro mundo, com leis físicas um pouco diferentes, e cada vez mais livres em relação as leis físicas materiais. O mundo seguinte também não seria a parada final já que a pessoa tem um caminho longo por vários mundos até estar pronto antes de poder se encontrar finalmente com Deus (que seria Eru em Tolkien) e que chama os mortais desde o lado de fora do mundo.

    A sucessão de mundos lembra a evolução do mundo espírita. De fato, os relatos de Experiência de Quase Morte (EQM) falam que após a morte, a abertura desses portais tende a “puxar” a pessoa para o lado de lá com uma semelhança muito grande do que poderia ser “um convite dos Valar” ou mesmo, no espiritismo de um guia espiritual (tipo a Botan de Yuyu Hakusho) no melhor estilo da série de TV “Dead Like Me” aonde as pessoas são “puxadas para cima”. O “chamado para o oeste” dos casos de EQM também estão presentes nesses relatos. Muitos falam de "figuras de autoridade" com uma mensagem de enorme importância para seguir caminho e não ficar “penando” aqui (as janelas de oportunidade só se abririam de tempos em tempos pois no cosmo cada coisa teria sua hora).

    Se perderem a hora, ficam as almas vagando como o capítulo da Passagem da Companhia Cinzenta. No Japão muita gente morreu no Tsunami porque voltou não para salvar os documentos, mas para salvar o Butsudan, que é tipo uma “placa contrato” com os espíritos antepassados. Mortas as pessoas os espíritos ficaram presos vagando sem os contratantes. Pelo que se conta muito tempo se passa antes que a oportunidade se abra novamente. Talvez tenha a ver mesmo com o que falam na astrologia, que as constelações devem estar na posição certa porque apesar de esses mundos não serem visíveis eles possuem posicionamento em relação ao nosso e o acesso precisa obedecer as leis naturais.


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    Tanto nas fontes de Tolkien quanto em Tolkien o fluxo de pessoas entre os "mundos de Ea" (vivos ou “mortos” sempre é um assunto severo. Então os Valar quase nunca deixam pessoas voltarem do jeito que saíram.

    Nesses textos o material é farto, desde arrebatamentos dos discípulos (levados aos céus igual o barco da rota plana), dos governantes de cada céu (hostes angelicais iguais aos Valar responsáveis por uma área), etc... Tudo falando de controle administrativo dessas rotas entre mundos.

    Acredito que Tolkien teve que procurar numa quantidade enorme de livros. Por exemplo, casos de EQM estão distribuídos por todo tipo de literatura em todo tipo de religião, medicina, filosofia, etc, e só uma parte pequena filtra por cada denominação ou orientação. É muito instrutivo conforme atesta a pesquisa de Tolkien nos livros e os casos que poderiam servir de fonte na época hoje aparecem em livros bons mas pouco conhecidos pelo pessoal tipo esse aqui:

    Sobre "Policiar as Fronteiras do Mundo" - Histórias Verdadeiras de Tiras e o Paranormal:

    Enfim, a rota plana é isso e muito mais. Segundo Ciro O Grande em Xenofante no momento de sua morte, citado por Cícero declara o seguinte trecho sobre os homens:

     
    Última edição: 11 Fev 2017

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