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Os objetos obsoletos que ainda estão sendo usados pelo mundo

Fúria da cidade

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Os pouco japoneses que ainda usavam pagers provavelmente se lamentaram na semana passada, quando a última empresa provedora do serviço no país, Tokyo Telemessage, anunciou seu fim. Ao mesmo tempo, muitos devem ter se perguntado: espere, ainda existem pagers por aí?

A Tokyo Telemessage tinha ainda 1,5 mil clientes, a maioria deles profissionais de saúde. O único assinante privado era Ken Fujikura, que mantinha seu pager ativo para se comunicar com sua mãe, de 80 anos. "Como só a minha mãe tinha o número do pager, eu sabia que (a notificação do pager) era da minha mãe", disse ele ao site Nikkan-spa.

E fora do Japão, será que tem gente que ainda usa tecnologias aparentemente tão obsoletas, que jovens hoje em dia talvez fossem sequer capazes de reconhecê-las? Veja a seguir:

1) Pagers


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Pager continua popular entre funcionários britânicos do setor de saúde pública

Como ele funciona?

O pager (que no Brasil também era chamado de bipe) é como um pequeno receptor de rádio portátil, popular entre as décadas de 1980 e 90. Cada usuário tem um código próprio, que as pessoas acionam para mandar-lhe uma mensagem. A mensagem aparece na tela do pager.

Ele continua em uso?

Só o NHS, serviço público de saúde britânico (equivalente ao SUS brasileiro), tem 130 mil pessoas usando pagers, equivalente a 10% do total de pagers remanescentes no mundo. Um estudo de 2017 apontou que 80% dos hospitais britânicos ainda recorrem a esses aparelhinhos.

Mas por quê? Primeiro, porque sua recepção é boa - algo útil em salas que contêm aparelhos de raio-x, os quais bloqueiam sinais de telefone. Além disso, pagers são considerados rápidos em emergências de saúde.

Mas eles não devem durar muito: a NHS promete descontinuar seu uso até 2021 e substituí-los por outro serviço de mensagem.

2) Cheques


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Cheques são mais raros, mas ainda são usados em países como o Brasil

Como ele funciona?

O mundo caminha para pagamentos feitos diretamente pelo celular, mas tem gente que ainda usa os cheques, um pequeno talão fornecido pelo banco em que cada página é preenchida com os dados do valor do pagamento e (se o cheque for nominal) seu receptor. Este, por sua vez, tem que descontar o cheque no banco.

Ele continua em uso?

Pesquisa feita em 2017 pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontava que 8% ainda usavam cheques pré-datados em suas compras, para poder parcelá-las e para poder comprar mesmo sem ter dinheiro.

Nos EUA, em 2015, uma média de 7,1 cheques foram preenchidos por cada domicílio do país. Eles costumam ser usados em pequenas lojas que não aceitam cartões e no pagamento de alguéis imobiliários, por exigência dos próprios senhorios.

No Reino Unido, o plano era ter eliminado os cheques até 2018, mas esse projeto foi abandonado, uma vez que não foram encontradas alternativas viáveis para substituí-los entre usuários idosos (a maioria dos cheques britânicos são preenchidos por pessoas com mais de 65 anos).

Segundo a associação UK Finance, os cheques corresponderam a apenas 0,9% de todos os pagamentos feitos em 2018 no Reino Unido. O número de cheques compensados caiu 75% em dez anos.
Em países como Holanda, Namíbia e Dinamarca, cheques já não são mais aceitos.

3) Fita cassete

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Loja de cassetes em Paris, em 1987; alguns artistas renomados relançaram suas obras nessa mídia

Como ela funciona?

Pessoas com mais de 30 anos devem se lembrar da época em que gravavam em fitas cassete as canções que tocavam na rádio ou em CDs - e também da tristeza quando essas fitas enrolavam e se danificavam permanentemente.

Mas elas tinham sua mágica: imagine um pedaço de plástico pequeno e fino, recheado de fita magnética contendo canções incríveis de Madonna, Prince, George Michael... E cada usuário conseguia gravar sua própria fita!

O cassete tinha lugar cativo nos aparelhos de som caseiros e de carros, bem como em walkmans. Só não adiantava esperar um som de alta qualidade...

Ela continua em uso?

O curioso é que ela não apenas sobreviveu às novas tecnologias, como está vivendo uma espécie de "mini-renascimento".

No Reino Unido, por exemplo, vendas de fitas cassete atingiram seu maior volume em mais de uma década. Mais de 35 mil exemplares foram vendidos nos primeiros sete meses de 2019, diz a associação fonográfica do país. Não é muita coisa, mas trata-se do sétimo ano consecutivo de alta na venda dessa mídia.

Algo parecido acontece nos EUA, onde, segundo a empresa de pesquisas Nielsen, as vendas de fitas cassete aumentaram 23% em 2018, em comparação com o ano anterior.

O motivo? "Acho que é nostalgia", diz Ken Brissenden, dono de uma loja online chamada Mr Cassette. "Ela desacelera o processo de desfrutar da música. Pessoas da minha geração gostam do processo de escolher um cassete e ler as informações sobre a banda na capa. Além disso, é mais simples e portátil do que um vinil."

Brissenden vê não apenas um revival, mas uma "tendência", depois de celebridades da música como Eminem, Billie Eilish e Kylie Minogue terem lançado álbuns em formato cassete.

4) Tamagotchi

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Ilustração de um Tamagotchi, pet virtual que foi popular nos anos 1990

Como ele funciona?

Trata-se de um "animal de estimação eletrônico", no formato ovalado. O objetivo do usuário é manter o bichinho vivo.

O Tamagotchi foi lançado no Japão em 1996 e cresceu em popularidade em todo o mundo no ano seguinte. Chegou a ter mais de 40 milhões de unidades vendidas em seus primeiros anos de existência.

Ele continua em uso?

Ironicamente, Tamagotchis se recusaram a "morrer" com o passar do tempo. Em vez disso, eles evoluíram.

Embora as vendas tenham caído bastante, ainda foram vendidas 6 milhões de unidades entre 2010 e 2017.

No ano passado, uma nova geração de Tamagotchis foi lançada. Nela, a antiga tela pixelada dos anos 1990 foi substituída por uma colorida. Os novos Tamagochis podem trocar dados entre si e até mesmo se casar ou procriar. Além disso, eles se reúnem em um fórum online, que discute, por exemplo, quem vai casar com quem e como fazer tributos a "Tamas" que não sobreviveram.

5) Aparelhos de fax

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Fila para usar aparelho de fax em aeroporto americano, no ano 2000; tomara que ninguém estivesse com muita pressa

Como ele funciona?

Se você é jovem o bastante para nunca ter usado - ou mesmo visto - uma máquina de fax, então imagine uma impressora grande que produzia som muito peculiar, semelhante ao de um motor a vapor. Alguns modelos tinham um telefone acoplado.

O aparelho de fax scaneia documentos e os transporta por um sinal, enviado por linha telefônica, a outro aparelho de fax, o qual reproduz o documento enviado e o imprime.

Ele continua em uso?

Sim, principalmente porque a indústria da saúde e alguns departamentos estatais fracassaram em atualizar sua tecnologia.

De novo, o serviço de saúde britânico NHS é um bom exemplo: acredita-se que seja o maior comprador mundial de aparelhos de fax. O governo agora quer que essas máquinas sejam substituídas (possivelmente por e-mails) até o ano que vem.

Além disso, milhões de páginas de fax ainda são enviadas diariamente em países como EUA, Alemanha, Israel e Japão.

"Para muitas pessoas mais velhas que se sentem desconfortáveis com computadores, é mais fácil mandar um fax, além de mais barato e mais familiar", diz o acadêmico Jonathan Coopersmith, autor de obra sobre a história do aparelho. "Acredito que ele vai continuar em circulação, mesmo que com uma parcela menor da comunicação diária."

No Japão, inclusive, o fax persiste em grande parte porque a escrita à mão e as cópias impressas são ainda bastante valorizadas. No ano passado, curiosamente, o ministro de ciber-segurança do país admitiu que nunca havia usado um computador até então.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-49940482
 

Neithan

Ele não sabe brincar. Ele é joselito
Pager me surpreendeu, principalmente por ser em país de primeiro mundo.

Cheque é coisa de velho. Ele morre assim que a velharada morrer.

Tamagochi e fita é nostalgia, igual vinil.

Agora fax é triste. Eu conheço uma empresa que é referência na área de costura de roupa para academias e ballet, que tem seu sistema de produção baseado em FAX. Fiquei em choque. Culpa também de gente velha que não se adapta a novos tempos, onde um ERP online não custa nem R$100,00 pra ser usado.
 

Fúria da cidade

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Engraçado essas notícias virem de países de primeiro mundo e não de africanos como muitos poderiam mais esperar
 

Erendis

Master Pretender
Usuário Premium
As fitas estão tendo um ressurgimento inclusive no Brasil, pessoal que eu conheço que é do vinil está entrando na onda das fitas também.

Cheque é coisa de velho. Ele morre assim que a velharada morrer.
Você que acha, aqui no meu fim de mundo é só galera andando com cheque por aí.
 

Neoghoster Akira

Brandebuque
Japão é um dos lugares famosos por preservar coisas antigas. Alguns especulam se pelo fator de ser numa ilha isso favoreça a perspectiva do povo de ir no seu próprio ritmo com relação a modas que sempre aparecem do lado de fora. Mesmo que essa característica tenha se enfraquecido nos últimos anos pela globalização é ainda conhecida como a terra aonde o antigo e o novo, a tradição e a tecnologia convivem. Nos anos 90 por exemplo ainda eram muito populares gangues de motociclistas estilo anos 50 dos Estados Unidos, algo que já estavam saindo de cena na maioria dos lugares.

O pessoal que trabalha com música inclusive fala muito disso, que o Japão é um dos lugares aonde ainda é possível garimpar produtos de cultura pop da música que já sumiram da prateleira há muito tempo em outras partes do mundo. E se for olhar nos outros nichos como o de video-games e eletrônicos é um verdadeiro mercado-museu aonde se encontra muita coisa desaparecida do mercado que ainda mantêm funcionando para vender em lojinhas.

Particularmante vejo que uma parte da pressão pra deixar objetos obsoletos tem a ver com interesses da indústria de manter altos lucros então não se deve culpar algo que ainda funciona de retrógrado pois que a perspectiva pode ser até mesmo ecológica de reaproveitamento de estoques de produtos se for ver por esse prisma.
 

Fúria da cidade

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Particularmante vejo que uma parte da pressão pra deixar objetos obsoletos tem a ver com interesses da indústria de manter altos lucros então não se deve culpar algo que ainda funciona de retrógrado pois que a perspectiva pode ser até mesmo ecológica de reaproveitamento de estoques de produtos se for ver por esse prisma.

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Vale lembrar que algumas coisas antigas também estão aos poucos dando a volta por cima aqui no Brasil, como o caso dos rádio-relógios com mostrador mecânico de palhetas que foram sucesso na década de 70 e início dos 80 e que foram facilmente descartados como sucata de baixíssimo valor na década seguinte, mas pelo seu visual retrô, quem tem um muito bem preservado funcionando tenta lucrar como é possível ver no Mercado Livre

É um tipo de mostrador que já foi bastante comum, acabou sendo suplantado pelo digital eletrônico de 7 segmentos, mas que as gerações mais novas estão redescobrindo. De minha parte, não vejo nada de obsoleto nessa forma de exibir as horas. É apenas uma forma diferente.
 
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