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Noites de Alface - Vanessa Barbara

Tópico em 'Literatura Brasileira' iniciado por DiegoMP, 16 Nov 2013.

  1. DiegoMP

    DiegoMP Usuário

    Já que vocês estavam tão na fissura por saber qualé que é a do livro resolvi abrir esse tópico. E aí, alguém mais leu? Qual foi a impressão de vocês sobre a obra?

    Por ora deixo aqui um post que saiu lá blog do 30 por cento, ainda não há tantas impressões do livro por aí, algo estranho para um livro tão curto e tão badalado logo que foi lançado, esperemos.

     
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  2. Cantona

    Cantona Tudo é História

    Eu li o livro.

    Terminei quinta, sexta-feira e, como costumo fazer, fui buscar algumas resenhas e me deparei com a situação descrita pelo Diego: elas são escassas. Ainda assim, li algumas: todas muito generosas com o romance. Então, fiquei em dúvida: ou eu sou muito tapado e não enxerguei toda a filosofia e brilhante construção que os resenhistas encontram, ou - o que eu acho mais provável - os resenhistas quiseram caprichar tanto nas resenhas (e demostrarem sua sensibilidade literária, capacidade de criação e expressão), que delas quase fizeram um outro romance.

    Desconsiderando o que li pela internet, na minha amadora opinião de leitor, achei o livro fraco. Alguns personagens são bons, pela sua comicidade, como Nico e Sr. Taniguchi, mas o enredo é pobre. Toda essa douração de pílula, no qual o romance "trata de perdas", "esmiuça o cotidiano", " e sei-lá-mais-o-quê", no meu entender, é balela.

    Tudo bem, gente. Peço que nas minhas impressões considerem o meu preconceito - bem burro, confesso - com a literatura contemporânea. Os livros recentes já saem perdendo e, para me conquistarem, precisam tocar em temas que me são caros e de maneira na qual eu encontre sentido, faça relações, enfim, me transformem de alguma forma. E não é o que acontece com grande parte do que é produzido.
    É uma falha que tenho, admito. Mas me dou a chance de buscar corrigir. Como prova, depois de "Noites de alface", li "A condição indestrutível de ter sido", da Helena Terra. Dois fatos, melhor, três bons fatos sobre esse livro: primeiro, o título, que é muito bonito; segundo, demora, apesar de ser curto, mas acaba; terceiro, só me custou R$ 12,00. Ou seja, também não foi. Nas resenhas, a lenga lenga de solidão, mundo virtual, entrega amorosa e toda essa psicologia das relações pós-modernas. Na minha experiência de leitura, apenas uma palavra: frescura.

    Eu pensei, depois desses dois romances, no motivo da minha implicância. Tenho que a literatura é fruto de um contexto e os temas abordados serão os mais recorrentes a ele. Daí a solidão, em meio a tantos, numa cidade de 12, 15 milhões de habitantes (falando de São Paulo); do meio virtual, que aproxima separando; da violência oficial e marginal - se mostrarem tanto nos escritos contemporâneos. Porém, mesmo imerso nesse contexto, não me enxergo nos romances de agora. Não vejo empatia. Embora, vá lá, sofra de anonimato no meio da multidão, molde muito das minhas relações via tecnologia, sinta os mandos e desmandos dos poderes, só me encontro no mundo presente e consigo refletir sobre ele através dos escritores dos tempos de antes. O que, de alguma forma, me levou a conclusão - não definitiva -, de que a literatura de agora é tão efêmera como praticamente tudo do nosso tempo, desde as relações até a lâmpada da varanda. E eu, que necessito de base sólida de reflexão, não encontro apoio, balizas, nos escritos de hoje, sobre os quais me seja possível um pensamento que não se desmanche no ar - parodiando Berman, Marx, Shakespeare...
     
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  3. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    tem uma do sergio tavares que saiu no amálgama:
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    eu estou com o livro no kindle para ler, devo engatar com o que estou lendo agora (mas tá foda, gravidez dá sono dos diabos e começo a ler e fico zureta e durmo, minhas leituras não estão mais rendendo >< )
     
  4. DiegoMP

    DiegoMP Usuário

    Agora li tudo, cheguei a passar os olhos nessa resenha antes de abrir o tópico mas peguei birra com a metáfora de 3 parágrafos que não parecia chegar a lugar algum.

    Pois bem, como disse lá no tópico do censo literário, a prosa da Vanessa é boa e flui super bem, tem até alguns personagens bastante interessantes, destaque para o sr. Taniguchi. Mas sei lá, também fico nessa dúvida que o Cantona expressou, às vezes, não sei se falta sensibilidade literária da minha parte ou o problema é mais da nossa literatura contemporânea que não sabe muito bem onde quer chegar.

    Lá no tópico do censo comentei sobre ter sentido que algumas peças não se encaixaram muito bem, o meu problema é mais na parte final, onde o Sergio Tavares comenta que o enredo ganha um "verniz detetivesco". Ali senti que a coisa deu uma quebrada, como se na falta de algo que justificasse tudo o que havia sido contado até então a autora resolvesse apelar para um nó frouxo.

    Enfim, literatura contemporânea brasileira também não é muito minha praia, mas sigo dando chances aqui e acolá, volta e meia aparece alguma coisa que compensa o esforço.
     
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  5. Cantona

    Cantona Tudo é História

    Concordo. Ela começa bem, a prosa flui, mas, lá pela metade do livro, parece não saber que fim dar pra estória, como ajustar as pontas. Então acaba se perdendo, dando um desfecho bem pobre e tosco.

    Vá lá, nem tudo se perde. Alguns personagens são bons, divertem. E o livro, como objeto, ficou bacana. Gostei da capa, da diagramação e tal.

    Achei uma entrevista da Vanessa num site português:

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  6. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    comecei a ler ontem. achei tão simpático. acho que nunca disse isso sobre um livro, mas eu ia lendo e às vezes dava aquele sorrisinho de canto de boca, sabe como? vamos ver como segue a leitura.

    edit: pronto, terminei. falei dele no bró >>
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    Última edição: 23 Nov 2013
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  7. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Bem, li o falei no bró da Anica, vou pra livraria.
     
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  8. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Cantona, penso também como você sobre os escritores brasileiros atuais e busco um que ofereça algo que transcenda. Há em mim uma sede de profundidade, é como descrevo o que sinto. Quando leio algumas obras do passado e me surpreendo, hoje em dia, busco a biografia do autor e em seu tempo, o local de sua vida era o que hoje eu considero surreal. Jorge Amado em Tieta do Agreste, pensei que saiu da imaginação, quando vou buscar vejo que ele descrevia o cotidiano.

    Creio que amo o pessoal que faz resenhas, pois me emprestam sua visão encantadora para que eu olhe através de seu olhar e assim consigo "talvez" ver mais, pois a sintonia com o tempo presente é uma luta para mim. Eu trato o cotidiano como um carcereiro cruel, do qual eu não consigo me livrar e portanto o ignoro, é uma paisagem que de tão vista inexiste e a imaginação ganha força gigantesca. É um absurdo, claro que é. Procuro nos autores que descrevem o cotidiano aqueles que conseguem rir do que estão vendo. Quem sabe conseguimos um que tenha uma boa dose de ironia, sutil é claro.

    Tem um moço que leu "A condição indestrutível de ter sido", da Helena Terra e fez esse vídeo:
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  9. Cantona

    Cantona Tudo é História

    Esse da Helena Terra não me desceu. Já Noites de Alface, vou reler. Assim, dou outra chance pro romance. Li O livro amarelo do terminal, gostei bastante, de modo que a Vanessa Bárbara vai pra minha repescagem.
    O livro amarelo do terminal é muito bom, viu. Tanto pela construção literária-jornalística, quanto pelo acabamento gráfico da Cosac.
    No livro estão os encontros e desencontros, as estórias anônimas de tristezas e alegrias desse povo maravilhoso que é o nosso, "que segue em frente e segura o rojão", como cantava Gonzaguinha. E estão, também, as maracutaias, os superfaturamentos, a promíscua relação entre empresariado e poder público, que teve na construção do Terminal do Tietê mais uma via de enriquecimento ilícito. Pra variar, a mão do senhor Paulo Maluf estava por lá, afanando o tesouro. José Maria Marin, um dos muitos X-9(s) da ditadura e atual presidente da CBF, também. O empresário de sucesso e vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, idem. Além, é claro, daquele monte de vereadores e deputados igualmente desejosos do butim. Calando os protestos, o finado Romeu Tuma, chefão do DOPS. Pelos nomes, a certeza se ratifica: eles sempre se arranjam. Mais de trinta anos depois e, exceto pelo falecimento que a todos santifica, as mesmas figuras permanecem mandando, desmandando e assinando os cheques. .
     
    Última edição: 15 Dez 2013
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  10. Zuleica

    Zuleica Usuário

    Vai pra lista O livro amarelo do terminal, grata pela dica.
     
  11. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

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  12. G.

    G. Ai, que preguiça!

    Falar nada :rolleyes: ...
     
  13. Ana Lovejoy

    Ana Lovejoy Administrador

    acho com o operação impensável ela vai ganhar mais marketing (intrínseca é intrínseca, né) e vai ficar mais conhecida, com sorte mais pessoas retornam para o noites de alface
     

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