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[L] [Gaerwen Greenleaf] [O Clã Vogelwide]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Gaerwen Greenleaf, 21 Nov 2004.

  1. [Gaerwen Greenleaf] [O Clã Vogelwide]

    Bom, antes de tudo, esse título aí é provisório. Essa história é a primeira que eu mostro p/ alguém, mesmo que eu já tenha escrito outras, então, por favor, comentem aí. Critiquem, se for preciso, digam o que não está bom... E essa história é bem comprida, dividida em capítulos, pq eu nunca consigo escrever histórias curtas, então, p/ não encher o saco de vcs, eu só vow postar o comecinho, e aí vcs vêem se está bem escrito... No começo pode parecer bem confuso, mas as explicações vem mais p/ frente... Tá, já falei demais. Leiam. :wink:


    O silêncio que pairava no ar durante aqueles minutos trêmulos me dava a impressão de que o mundo todo estava em suspensão. Parecia que, pelo menos durante aqueles instantes, o tempo havia congelado também para todos aqueles que viviam do lado de fora das grossas paredes de nosso castelo; como se, por um segundo, eles também houvessem deixado de respirar. É claro que apenas os presentes naquela sala sabiam o que estava para acontecer, mas a sensação que eu tinha era que até mesmo os nossos inúmeros serviçais haviam deixado seus intermináveis afazeres, apenas para ouvir o que em breve estaríamos ouvindo.
    Eu, em pé atrás do sofá de tecido cor de vinho, teria suspirado de impaciência se pudesse. Desviei o olhar da noite negra que se estendia do lado de fora, e que eu estivera observando através de uma das altas janelas da sala, uma vez que, durante a noite, as cortinas negras estavam sempre abertas. Apenas durante a noite, é claro. Não gostava nem de lembrar o que acontecera na primeira e única vez em que uma das serviçais que já trabalhara no castelo havia esquecido de fechar as cortinas antes que o sol nascesse. As cortinas eram as que cobriam uma das janelas do escritório de Norman Vogelwide, filho mais velho de Oswald Vogelwide, fundador de nosso clã. Norman nunca teve tempo de descrever à alguém a sensação de ter o sol queimando e rasgando sua pálida pele. Dizem que seus gritos ecoaram por todo o castelo, e ele estava irreconhecível quando foi tirado do escritório e as cortinas foram fechadas por serviçais que tiveram o mesmo fim que ele. É claro que a imprudente neófita que esquecera de fechar as cortinas foi castigada, sendo presa em uma caixa de prata até secar e se acabar por falta de sangue, e dizem que todo o processo demorou mais de trinta anos dos mortais para ser concluído. Foi um belo exemplo, ao que parece. Nunca mais alguma cortina foi esquecida aberta no castelo, e alguns serviçais chegavam a passar duas ou três vezes por cada cômodo em toda a madrugada, apenas para se certificar de que aquilo não aconteceria de novo.
    Dei alguns passos na direção oposta às janelas, cansada de esperar, e o ruído da barra de meu vestido de veludo vermelho-sangue raspando no chão de pedra pareceu ecoar longamente no silêncio. Sentada no sofá à minha frente, minha mãe olhou rapidamente para trás e me lançou um gélido olhar de censura. Parei instantaneamente. Minha mãe vinha da parte Van Veln do clã. E tinha aquele ar de autoridade que só eles possuíam. Eu sempre temera mais à minha mãe do que ao meu pai, que era um Wallstrom, e, portanto, se preocupava muito mais em juntar riquezas do que em exercer poder. Minha irmã mais velha, Séfora, herdara este ar de autoridade de minha mãe, mas era mesmo difícil encontrar algo nela que não fosse uma cópia exata de Charlotte Van Veln. Sentada no sofá, ao lado de minha mãe, Séfora quase poderia ser confundida com ela, se não fosse alguns anos mais nova. Ambas tinham corpos esguios, rostos tão belos que faziam seu coração doer, e longos e cacheados cabelos vermelhos. Talvez a única característica de Séfora que não fora herdada de minha mãe fossem seus intimidantes olhos verdes, do mesmo tom daqueles que enfeitavam o rosto de John Wallstrom, meu pai. Quem roubara os olhos cinzentos de minha mãe fora eu.
    Meu pai também estava em pé, um pouco afastado de nós e próximo às janelas, onde observava a noite lá fora, tão negra quanto seus cabelos. Estava na mesma posição, com os braços atrás do corpo, há vários minutos, e não dava sinais de que ia sair dali enquanto não acontecesse o que todos estávamos esperando.


    Tá, eu sei, vcs não entenderam nada por enquanto. Esse começo é mais p/ descrever os personagens, a história vem depois... Comentem, por favor.
     
  2. Skylink

    Skylink Squirrle!

    Eu adorei! Ficou muito bem escrita e me deixou extremamente curioso pela continuação. ^^

    Única dica que eu posso dar é a de pular uma linha entre os paragráfos, pra ficar mais fácil de ler e não deixar um bloco massante e intimidante (em internet essa é a melhor forma).
     
  3. Valeu, Skylink! :obiggraz:
    Vou fazer o que vc disse na próxima vez... É que esse texto estava formatado de um jeito diferente no meu computador, e ficou meio estranho quando eu passei p/ cá...
    E, se mais gente comentar, eu coloco a continuação aqui. :mrgreen:
     
  4. §Etuerpe§

    §Etuerpe§ Usuário

    Adorei .....adorei mesmo,ai que vampiros mais charmosos :grinlove: ,adorei os nomes principalmente Séfora,achei lindo .Eseu vestido tbm muito bonito pelo que vc descreve aqui ,
    Só uma sugestão divida-o em parágrafos fica mais fácil de se ler,pq se alguem entra aqui e ve o tamanho dele ,já desiste....mas fora isso esta fantástico quero ver o que vai acontecer ,pq esse silencio nesta sala ai parece agoniante!estou ansiosa 8O
     
  5. Eu já li os dois primeiros capitulos. :obiggraz: Alias, tive o provilégio de ser a primeira.
    Como já disse muito bom. To super curiosa pela próxima parte!
     
  6. Bem, vou postar mais uma parte da história aqui. Pode parecer um pouco confuso, mas vocês vão entender se continuarem lendo. Mais alguns personagens, e eu finalmente começo a explicar o que está acontecendo. :mrgreen:


    Na frente do sofá onde estavam minha mãe e minha irmã havia outro, e, ao lado deste, uma poltrona. No sofá estavam sentados James Bellomont e sua esposa Mileva, da família Somerville. Mileva era prima de meus pais, e era uma mulher magra e bonita, com inteligentes olhos azuis e longos cabelos negros. Às vezes conseguia ser quase tão elegante quanto minha irmã, e só não se igualava à ela porque insistia em ser mais sedutora. James Bellomont era um perfeito Vogelwide, sabendo ser falsamente agradável quando a situação exigia, mas era um tolo por não perceber o que todos nós víamos e não comentávamos. Não era verdade quando alguém dizia que Mileva provocava todos os homens bonitos que cruzavam seu caminho, a verdade era que ela provocava todos os homens que cruzavam seu caminho. Era como um passatempo para ela, um jogo; e se ela ganhasse uma moeda de ouro por cada homem com quem já traíra o marido, com certeza seria mais rica que todo o resto do clã. Mesmo assim, na frente dele, Mileva era sempre muito respeitosa com o marido, e fazia parecer que ele era tão importante para ela quanto a honra do clã era para todos os Vogelwide.

    Quem estava sentado na poltrona ao lado do sofá era meu irmão Santiago, mais velho do que Séfora e eu. Assim como Séfora era quase idêntica à minha mãe, Santiago se parecia muito com meu pai, embora fosse mais magro e seus cabelos fossem mais revoltos. Meu irmão mais velho era muito bonito, mas, apesar disso e de já ter quase trinta anos de idade, o que equivalia à quase seiscentos anos na contagem dos mortais, Santiago era solteiro. Ele estava assim porque dificilmente se contentaria com uma mulher só, uma vez que mudava de companheira à cada mês, e, ao contrário de Mileva, não era hipócrita à ponto de se casar e viver traindo a esposa. Eu sabia, aliás, que Santiago era um dos amantes mais freqüentes da esposa de James Bellomont, apesar de ela ser alguns anos mais velha que ele, e os via agora mesmo trocando olhares cúmplices e maliciosos. E James, como sempre, nada percebia.

    O último membro do clã presente naquela sala era Edwin Wallstrom, meu primo por parte de pai, mas nós raramente notávamos sua presença. Edwin era louco, completamente insano, e freqüentemente passava seus dias falando sozinho, rindo para amigos invisíveis e chorando de medo de seus escuros e confusos pesadelos. Agora mesmo Edwin estava sentado no chão, próximo à parede, encolhido contra a pedra fria; mas, milagrosamente, estava em silêncio, como se também percebesse a solenidade da situação. Seus olhos negros fitavam o nada, arregalados e opacos, e seus cabelos também negros, compridos e sujos, caíam sobre seu rosto, mas ele parecia não notar.

    Quando aquela criança começou a chorar, foi como se alguém houvesse gritado nos ouvidos de todos nós, tão abrupto foi o modo como aquele choro cortou o silêncio. A tensão que pairava na sala desanuviou-se um pouco, e Santiago chegou a sorrir. Raramente eu via meu irmão sorrindo, a não ser quando ele estava fazendo algo como cortejar uma mulher ou zombar de alguém, ou ainda quando via alguma chance de ganhar ainda mais dinheiro, outra característica herdada de meu pai. Saboreamos por alguns momentos o pranto daquele bebê, sabendo que ele estava prestes a morrer. E então ele se tornaria um novo membro da família.

    Para nós, a morte era algo incrivelmente relativo. A morte e o tempo. A tempo, para cada membro de nosso clã, não estava completamente parado, mas passava muito mais devagar do que para o resto da humanidade. Envelhecíamos, mas envelhecíamos muito mais devagar do que aqueles à quem chamávamos de mortais, aqueles que nos haviam nomeado imortais, aqueles que muitas vezes não acreditavam na nossa existência, aqueles que muitas vezes atribuíam nossos feitos à fantasmas e espíritos malignos, espíritos esses que nós sabíamos que não existiam, pois não havia nada após a morte. Sabíamos disso, pois estávamos sempre no limiar entre a vida e o grande vazio que havia depois. Estávamos presos ali, mas éramos abençoados por isso, e o implacável destino era quem nos unia naquele clã. Apenas o destino, talvez o acaso, pois vínhamos todos de famílias diferentes de mortais, ricas ou pobres, importantes ou não, e éramos escolhidos por nossos pais para morrer e se juntar aos outros. Não na grande escuridão que vinha depois que o corpo fechava os olhos, e sim na penumbra que envolvia nossas sombrias existências, que não podíamos chamar de vida por não mais termos corpos que respirassem ou se alimentassem, e por não mais termos um coração que batesse. Nós não vivíamos, apenas existíamos em um tempo quase congelado, como se os ponteiros de todos os relógios de nosso castelo funcionassem mais devagar.

    E nós só deixávamos de existir quando chegávamos ao fim. Nós não morríamos, nós acabávamos. Afinal, se não éramos vivos, como poderíamos morrer algum dia? Nossa morte acontecia quando nossa vida acabava, quando éramos pequenos bebês como aquele que agora chorava, e tínhamos dois vampiros adultos sugando nosso sangue quente e fresco. Mas, se ali se acabavam as nossas vidas, era também ali, quando era nossa vez de beber o sangue de nossos pais, que nossas existências tinham início; existências longas, pontuadas por luxo, dinheiro e tudo o mais que pudéssemos desejar.

    O choro foi morrendo até tornar-se não mais que um lamento baixo e engasgado, mas ainda agudo o suficiente para passar sob a porta de madeira que nos separava da sala onde aquele bebê agonizava. Era lá que Adrian e Ariane Montgomery estavam fazendo seu primeiro filho morrer, um menino que fora escolhido assim que o sol se pôs, quando as sombras protetoras cobriram o mundo e estenderam seus dedos até o nosso castelo.

    Todos nós, um dia, já havíamos sido vivos, crianças mortais nascidas de pais mortais, que nos batizavam com nomes cristãos, na vã esperança de que fôssemos para um paraíso imaginário depois da morte. Então havíamos sido escolhidos e mortos por um casal de vampiros que desejava ter um filho, e em seguida bebíamos seu sangue, o sangue vampírico que, de tão forte, nos fazia continuar existindo e herdar características físicas de nosso pais. E, todos os dias, durante nossa infância e juventude, nossos antepassados nos ensinavam à agradecer a nossa sorte de termos sido resgatados de vidas breves e medíocres para uma existência que podia durar milênios.

    Obrigado pelos comentários, e continuem me dando dicas. :wink:
     
  7. §Etuerpe§

    §Etuerpe§ Usuário

    Nossa ,estou arrepiada!!!!!!!!!!!!!!

    Este clã é incrível ao mesmo tempo une pessoas totalmente diferentes de caráter ,meus parábens!

    Mas tadinho do Bebê........ :osigh:

    Meus personagens preferidos já são Santiago e Edwin Wallstrom.....adorei eles são personagens incríveis !e4 charmosos tbm cada um de seu jeito :grinlove:
     
  8. O Santiago é o meu preferido... Ele e a Séfora... :mrgreen:
    Obrigado pelos comentários, Etuerpe. :wink:
     
  9. Mais uma parte...


    O silêncio voltou à sala. Edwin deu uma risada baixa, sem motivo algum, como se a falta de barulho fosse engraçada; e fez minha irmã balanças a cabeça, exasperada. Minha irmã, como a utopia de perfeição que era, desaprovava qualquer atitude que não fosse adequada à cada situação. Não era de se admirar que ela fosse assim, afinal, Séfora sempre fora a personificação de tudo aquilo o que as mulheres do clã desejavam ser; e tudo aquilo o que os homens queriam que suas esposas e filhas fossem: bonita, elegante, segura, sutil e terrivelmente inteligente. Séfora sempre sabia o que fazer e dizer em cada situação, e, quando caminhava pelos corredores do castelo com suas saias farfalhando e seus espartilhos tão apertados que pareciam prestes a dividir seu corpo em dois, sempre atraía olhares de aprovação de meus pais e de cobiça dos homens. Algumas vezes eu desejava ser igual à ela, e Anastácia, minha irmã mais nova, ria de mim. Acho que eu nuca vira duas irmãs menos parecidas do que Séfora, brilhante e perfeita, e Anastácia, indiferente e selvagem.

    Então a porta de madeira se abriu, e Adrian e Ariane surgiram, sorrisos cruéis e satisfeitos idênticos nos rostos, os lábios de Adrian manchados de sangue. Ariane carregava um embrulho de lençóis brancos nos braços, lençóis machados de vermelho-vivo. Entre os lençóis estava o bebê, pálido e frio. Morto, é claro.

    - Gerhard Mathias Montgomery Vogelwide. – anunciou Adrian simplesmente, parecendo orgulhoso do primeiro filho.

    Sorri lentamente, enquanto meu pai voltava-se para os dois e James e Mileva levantavam-se do sofá, todos obviamente tentando analisar o menino para saber se ele seria digno de carregar o nobre nome Vogelwide. Eu sempre gostara dessas cerimônias em que o nome do clã estava em jogo. Mortes, casamentos, traições... Gostava de ver o quanto o nome do clã era antigo, tão antigo que era difícil saber o nome completo de todos os seus membros, ou sequer o grau de parentesco que existia entre nós. Os nomes escolhidos geralmente eram nomes que estavam no clã há muito tempo, refletindo lembranças de antigos membros de nossas famílias. Meu nome, por exemplo. Alexandrina fora a filha mais nova de Oswald Vogelwide, e Esther era a mãe do avô de meu pai. Alexandrina Esther Wallstrom Vogelwide. Eu achava meu próprio nome bastante bonito, mesmo porque minha mãe fora bastante eficiente em me ensinar a ter orgulho dele.

    - Parece ser um garoto forte. – elogiou meu pai, aproximando-se do casal e do bebê morto.

    - Vai ser um bom Vogelwide. – completou James com um breve sorriso. Todos sabíamos que aqueles elogios eram tão vazios quanto nossas próprias veias secas, e que era impossível saber naquele momento se Gerhard seria ou não um bom Vogelwide. Agora ele já havia bebido o sangue de seus pais, as poucas gotas escuras e frias que sempre restavam em algum espaço de nossas artérias, e, portanto, sobreviveria. Mas dizia-se que algumas crianças eram fracas e acabavam não suportando a passagem da vida para a morte, e desta para a existência, e então cresciam deformadas, magras e frágeis demais, ou então loucos e totalmente inúteis para o clã, como era o caso de Edwin. Provavelmente ele era assim porque não havia suportado quando seus pais o mataram, e isso era motivo de vergonha e desonra para aquela parte da família. Fosse como fosse, elogiar as crianças que chegavam ao nosso castelo era um costume, assim como nós, mulheres, sempre elogiávamos as vestes de baile umas das outras, embora, na verdade, o que desejássemos era ter sempre os vestidos mais bonitos e os sapatos mais brilhantes de todos.

    Minha mãe, Séfora, Mileva e eu não falamos nada, como convinha às boas damas que éramos, e apenas lançamos sorrisos de discreta aprovação para Adrian e Ariane. Os dois eram fisicamente muito parecidos. Ambos tinham cabelos dourados e brilhantes, olhos azuis muito claros e faces belas e aparentemente ingênuas, como dois anjos traiçoeiros. Ele era filho de uma das irmãs de Mileva, e ela era uma Lamounier, cujo grau de parentesco conosco se perdia entre os emaranhados galhos de nossa árvore genealógica. Os dois eram um desses casais raros entre os Vogelwide que haviam chegado a experimentar algum tipo de paixão. Geralmente, os casamentos entre os membros do clã am fundamentados no respeito mútuo, talvez até em uma certa admiração, mas casos de paixão eram realmente raros. A paixão, para os vampiros, era um sentimento confuso e desnecessário, que podia ser resumido em um misto desigual de desejo, cumplicidade e uma angústia desesperada. Além disso, paixão era o sentimento máximo à que um casal de vampiros chegaria, pois o amor, tão venerado pelos mortais, era um sentimento tolo que, segundo a minha mãe, só servia ara os mortais porque eles sempre precisavam de uma ilusão para enfeitar suas vidas vazias. Eu, particularmente, achava que o amor só servia para deixar os homens cegos e fazer as mulheres derramarem lágrimas, e o achava muito fugaz até mesmo para as curtas vidas dos mortais. Diante de nossas perenes existências, então, o amor passaria mais rápido do que os ventos gelados que açoitavam as janelas de nosso castelo em invernos como aquele que estávamos atravessando.

    Edwin levantou-se e caminhou cambaleante até nós, arrastando os pés. Parecia levemente curioso com o que estava acontecendo; mas nós, como sempre, ignoramos completamente a sua presença.

    - Vamos leva-lo até o quarto. – falou Adrian então, dirigindo-se à nós e referindo-se ao seu filho. Agora, Gerhard, como todos os novos membros do clã, seria levado ao quarto dos pais, onde ficaria adormecido até despertar como um novo vampiro. Na noite seguinte, um banquete seria servido para que todos pudessem observar o bebê e fingir estar impressionados com sua graça ou beleza, enquanto Séfora passaria a noite toda tentando fazer Anastácia portar-se bem.

    - Vou dizer aos serviçais para prepararem o banquete para amanhã. – falou minha mãe, confirmando o que eu havia pensado. – Todos precisam conhecer o novo Vogelwide.

    Sem mais sorrisos ou cumprimentos desnecessários, Adrian e Ariane saíram da sala carregando seu filho. Pedindo licença, James e Mileva também se retiraram. A noite havia passado rápido e estava quase chegando ao fim, pois Adrian e Ariane demoraram bastante tempo fora do castelo, até escolher entre os mortais um garoto que lhes agradasse.

    - Séfora, Alexandrina, acho melhor vocês irem para os seus quartos. – falou meu pai. – Vocês não querem ainda estar andando pelos corredores quando o sol nascer.
     
  10. Edu

    Edu Draper Inc.

    Brilhante, Gaerwen.
    Estou começando a gostar de vampiros... =P
     
  11. Hanna Elawnë

    Hanna Elawnë Usuário

    Estou amando! Adorei o modo como vc descreve seus personagens, q por sinal sao todos mto bonitos! Estou curiosa para ver a continuação!
    Parabens pelo texto! :mrgreen:
     
  12. Bom, como essa história é bastante comprida (vou acabar escrevendo algumas dezenas de páginas... :roll: ), eu não vou poder postar tudo aqui, mesmo porque ainda há muita coisa que eu ainda não escrevi, e vou escrever... O que eu queria mesmo saber é se está bem escrita, e se é uma história que prende a atenção de quem está lendo; e, pelos comentários de vcs, já deu para ter uma idéia. Aí vai mais um pedaço, talvez o último que eu posto aqui por enquanto. E muito obrigada pelos comentários. Valeu pelo apioio, gente. :wink:


    - Séfora, Alexandrina, acho melhor vocês irem para os seus quartos. – falou meu pai. – Vocês não querem ainda estar andando pelos corredores quando o sol nascer.

    Para mim, aquilo era, obviamente, uma ordem, pois eu ainda tinha apenas dezessete anos. Para a minha irmã, que já tinha vinte e dois anos e estava noiva, era apenas uma sugestão. Entre os Vogelwide, os homens tornavam-se independentes da autoridade dos pais aos dezoito anos; enquanto as mulheres o faziam apenas ao completar vinte anos, ou tornarem-se noivas de alguém; e minha irmã já fizera ambos. Mas é claro que Séfora aceitaria a sugestão de meu pai, como a filha favorita que era, e também porque não fazia muito sentido continuar vagando pelo castelo sabendo que o sol nasceria dentro de pouco mais de uma hora. Assim sendo, Séfora e eu assentimos.

    - Bom sono, pai. – falei. – Bom sono, mãe. E bom sono, Santiago.

    Meus pais e meu irmão desejaram bom sono à Séfora e à mim, e nós saímos da sala para o corredor gelado.

    - Mais um banquete, então. – comentou Séfora, enquanto dobrávamos à esquerda e seguíamos pelo corredor, os saltos de nossos sapatos ecoando no silêncio. – Acho que vou estrear meu novo vestido.

    - Aquele que Conrad lhe deu? – perguntei, lembrando-me do noivo de minha irmã, que vivia lhe cobrindo de presentes.

    - Não, aquele é bonito demais para um simples banquete. Vou deixar para usa-lo no próximo baile. – Séfora e eu viramos à esquerda mais uma vez. – Acho que vou usar o negro, aquele que encontrei na última caçada. E vou tentar convencer Anastácia a usar o roxo que ela ganhou no mês passado.

    - Anastácia não vai usar nada com espartilhos. – comentei.

    - Não custa tentar. – respondeu minha irmã. E emendou: - E você deveria usar o cinza. Fica muito bem em você.

    Meu vestido cinza também fora conseguido numa caçada. Em dias normais, sempre tínhamos sangue à vontade, pois nossos criados se ocupavam em fazer o trabalho sujo e extinguir a vida de mortais e mais mortais, extrair o sangue de famílias inteiras para depois nos servir em jarros de cristal e prata, saciando nossa sede. De tempos em tempos, porém, quando precisávamos lembrar aos mortais para manterem distância de nosso castelo, ou simplesmente desejávamos nos divertir um pouco, saíamos para caçar mortais e sugar suas vidas diretamente de suas veias. As noites de caçada eram muito divertidas, mas também eram perigosas, pois era preciso saber se proteger de mortais mais corajosos que pudessem nos atacar; ou saber a hora certa de voltar para o castelo, antes que o sol surgisse e nos transformasse em um punhado de cinzas fumegantes. Assim, apenas os vampiros com mais de quinze anos de idade podiam participar das caçadas; matando, ferindo e atormentando as noites com nossos risos diabólicos.

    Os corredores que Séfora e eu percorríamos eram largos e frios, sem janelas; e as chamas dos archotes presos às paredes já estavam quase se extinguindo, fazendo sombras confusas dançarem no ar. Qualquer mortal, eu tenho certeza, ficaria aterrorizado apenas ao pensar em atravessar aqueles corredores sozinho; afinal, o medo é filho da imaginação, e era praticamente impossível não imaginar centenas de coisas horríveis enquanto se atravessava o frio daqueles corredores, com fracas chamas bruxuleando ao seu redor.

    Todo o castelo dos Vogelwide podia passar essa sensação à quem percorria seus infinitos cainhos. Era um castelo enorme, e eu mesmo não estava muito certa de já ter passado por todos os seus cômodos e salas. Eu passava a maior parte do tempo, é claro, na ala dos Wallstrom; mas às vezes freqüentava também algumas áreas que eram compartilhadas por mais de uma família do clã, ou visitava alas pertencentes à outras famílias. Não era incomum passar semanas sem avistar algum membro do clã, graças aos desencontros que ocorriam entre as paredes de nosso escuro lar.

    - Bom sono, Séfora. - Desejei, assim que cheguei à porta de meu quarto.

    - Bom sono, Alexandrina – falou ela, e seguiu pelo corredor, pois seu quarto ficava mais adiante.
     
  13. §Etuerpe§

    §Etuerpe§ Usuário

    nossa que vampiros mais charmosos!adorei...

    Essa parte do bebê me lembra um filme de um vampiro ,o filme chamava "O Destino de Tyler"alguem lembra é um filme antigo de vampiro ,tinha a ver tbm com um bebê que seu pai era uma vampiro e tal e ele,o pai,o alimentava com sangue sem a mãe saber e tal...alguem lembra deste filme .Entao me lembrou muito isso...

    Mas está fantástico viu :grinlove:
     
  14. Não conheço esse filme... Mas valeu pelos elogios. :D Agora eu estou escrevendo mais, quero chegar logo no final do segundo capítulo, pq é no segundo q a "ação" começa... Aí talvez eu poste aqui. Estou demorando p/ escrever pq estou escrevendo duas histórias ao mesmo tempo, mas eu chego lá... :roll:
    E muito obrigada p/ quem comentou! :obiggraz: Valeu, mesmo!
     
  15. Goba

    Goba luszt

    Bom texto. :)

    Eu fiquei apenas com algumas dúvidas: você se refere, no primeiro texto, de trinta anos mortais e então, nos demais textos, discorre sobre idades dos vampiros, como os vinte e dois anos de Séfora, os dezessete de Alexandrina ou os quinze em que se podia sair para as caçadas. Essas idades referem-se à anos solares ou são de uma medida diferente de tempo?

    A cortina preta tinha alguma propriedade de proteção contra os raios solares ou são simplesmente para demonstrar a depreção vampírica?

    Agora, tenho que dizer, a parte sobre o amor é perfeita. A ignorância dum sentimento é algo em demasia melancólico, ao meu ver. Repudiar o amor é quase como repudiar a vida - o que os vampiros não tinham. Lindo! :clap:
     
  16. Bom, imaginei que as idades poderiam deixar algumas dúvidas... :roll:
    Quanto eu falo "anos mortais", são os anos como nós contamos, anos normais, com 365 dias... Quando eu falo só "anos", já que a história está sendo contada do ponto de vista de uma vampira, são os anos como eles contam... Pq eles envelhecem mais devagar do que os mortais, beem mais devagar, então eu imaginei que eles não poderiam contar o tempo da mesma maneira que nós fazemos... Então, um ano para eles equivale à vários anos p/ nós... Ok?

    Sobre as cortinas... Nem pensei mto nisso. Só achei que cortinas coloridas seriam meio... "alegres" demais p/ os vampiros... Então deixei pretas, mesmo. :mrgreen:

    Ahn, bom, e, se isso interessar à alguém, acho que eu vou colocar mais algumas partes da história por aqui em breve. Pq eu já escrevi mais um bom pedaço, e agora cheguei na parte que fica (eu acho que fica) mais interessante... E desculpem se às vezes eu enrolo demais, é que eu me empolgo... :roll:
     
  17. Goba

    Goba luszt

    Tá... mas quantos anos mortais equivalem a um ano vampírico?
     
  18. Hum... Eu não cheguei a calcular com precisão, mas imagino que uns vinte... :roll:
     
  19. Hansi Kürsh

    Hansi Kürsh Usuário

    MUITO BOA A SUA HISTÓRIA.... ACHEI FANTASTIQUE... :amem: :clap: :babar:

    Porém tenhu algumas dúvidas: 1º o dia e a noite são os mesmos dos humanos???

    Caso não, um dia vampírico teria 172.800 horas para cada hora humana... pelo menos foi isso q eu calculei..

    porém, se fosse assim, o dia duraria 2.073.600 hs do nascer até o por do sol... mas isso seria inestimável... contraria a sua tese de "a noite passou depressa" 2.073.600 hrs seriam quase 86 mil dias de humanos... não, o tempo é igual... então os vampiros envelhecem devagar...

    2º caso minha hipótese seja errada, e haja 12 horas de noite e 12 de dia (por a nascer e nascer a por do sol), essa parte está equivocada... vou destacar as palavras:

    o que vc descreveu, Einstein descreveu como paradoxo.. vale uma ou duas linhas... "se um irmão gemeo viaja para o espaço na velocidade da luz, ele volta para a terra mais jovem que seu irmão, pois em altissimas velocidades os relógios ficam preguiçosos..."

    o paradoxo segue mas quero me ater nisso... se o tempo inteiro eh lento, acontece o que lhe falei no 1º item... se não, vc se equivocou colocando tais palavras...

    agora vai o fim do paradoxo... "para a pessoa que ficou na terra, é clara a 'distanciação' do irmão, mas para o viajante, não foi a terra que se deslocou no seu ponto de vista???" existe a explicação, vaga para o meu pensamento sobre o tempo vampírico... mas para os humanos, não são os vampiros que estão lentos??? para os vampiros, os humanos passam rápido... mas então, por que que os humanos não envelhecem mais cedo e os vampiros continuam na velocidade "normal"???

    ou seja, por favor, explique-me e se explique quanto a isso, senão eu não vou dormir remexendo meus livros de física 'quântica'... ehuehuehuehuheuheu :lol: brincadeira... mas sério, eu não entendi como vc misturou o tempo humano, o envelhecimento vampírico e o TEMPO VAMPÍRICO...

    Quero q me desculpe por ser tão enfático e não pense que vai parar de escrever só porque um mísero moleque de 14 anos não entendeu uma coisa, ou não me julgue como crítico... eu fiz esse comentário pq realmente não te entendi perfeiramente e quero que sua maravilhosa história continue...

    para provar que não minto em proferir este parágrafo acima, salvei a sua história no meu computador...

    (essa é só entre nós, Gaerwen Greenleaf: sempre te admirei, assim como os seus posts, em outros tópicos...)
     
  20. Nossa! Calma, vamos por partes! Antes de tudo, obrigada pelos elogios! Valeu mesmo! :obiggraz:

    Agora, sobre as suas dúvidas... Seguinte: quando eu estou escrevendo, e isso é uma coisa que eu realmente não consigo controlar, eu uso muitas figuras de linguagem, entende? Muitas, as vezes eu corto várias delas, justamente p/ não causar confusão... Quando eu disse que era como se "os ponteiros de todos os relógios de nosso castelo funcionassem mais devagar", eu não quis dizer que o tempo dentro do castelo realmente passa mais devagar. O que eu quis destacar foi como os vampiros SENTEM o tempo passando... Eles SENTEM o tempo passando mais devagar, porque eles envelhecem mais devagar, mas eu não quis dizer que o tempo realmente passe mais devagar dentro do castelo... Na verdade, o tempo para eles é igual ao nosso: um minuto dura sessenta segundos, uma hora dura sessenta minutos, um dia dura vinte e quatro horas... Isso pode causar confusão quando eu faço diferença entre os anos mortais e os anos vampíricos, mas a diferença não está no TEMPO em si, e sim nos VAMPIROS... São eles que demoram mais para envelhecer, e não o tempo que passa mais devagar. As comparações que eu fiz com relação à isso não são para serem levadas ao pé da letra, sào só figuras de linguagem... Deu p/ entender o que eu quis dizer? Ou eu só te confundi mais? Ou eu não entendi nada da sua pergunta e respondi tudo errado? o_O

    E não se preocupe, qualquer crítica é bem-vinda, viu? Se tiver outra dúvida, é só perguntar... :wink:
     

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