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[L] [DarkRider][Fantasia Infantil]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por DarkRider, 8 Ago 2004.

  1. DarkRider

    DarkRider Só uma torturazinha.

    [DarkRider][Fantasia Infantil]

    Autor: DarkRider
    Título: Fantasia Infantil






    Bob estava tendo um dia feliz em sua escola, empoeirada, onde todo o dia a merendeira servia o lanche - uma gosma que ela dizia ser uma iguaria -, e todos os professores passavam deveres de casa enfadonhos e que prendiam as crianças a eles, impedindo-as de brincar com seus bonecos de soldadinhos - no caso dos meninos - ou com suas bonecas e casinhas - no caso das meninas -.
    E nesse dia, Bob estava sentado em uma mesinha, que por acaso era bem menor que ele (o garoto tinha por volta de nove anos), comendo o seu lanche, trazido de sua casa e feito com amor e carinho por sua mãe, que o espera voltar sorridente e feliz para casa, como sempre fazia. Mas nesse dia Bob iria sofrer muito e muito, mas ele não fazia idéia disso.

    Naquele momento, a boca excepcionalmente vermelha que habita no rosto gorducho de Bob mastiga o sanduíche dietético que sua mãe preparara para ele, visando diminuir suas taxas de colesterol, resultante da ingestão das verdadeiras iguarias infantis: biscoitos recheados, refrigerantes, cachorros quentes e salgadinhos. A tentativa da mãe seria em vão, é claro, pois as crianças não se contém, e Bob não era uma exceção a - pelo menos essa - regra. Ele pedia a meninos tão gordinhos quanto ele doces e batata frita, além de pedaços crocantes de pastel de queijo - o seu favorito.

    O recreio termina e as crianças vão voltando cabisbaixas para a sala de aula, e Bob também vai. Os professores estão esperando sorridentes, com dentes brancos e amarelados a mostra, sardas iminentes e cabelhos penteados de maneira quase padrão. O Prof. Rubens começava a falar sobre a matemática chata, mas de repente é interrompido, no meio da aula, pela diretora da escola, dona Sandra, que dá uma notícia aparentemente boa a turma de Bob.

    - Uma nova fábrica de salgadinhos se mudou para cá! E eles querem vir para essa escola saber do que as crianças gostam! - dizia ela, falsamente animada. - Não é legal, turminha?

    Vários "Ééé"'s e "Sim"'s ecoam pela sala, e todos os alunos, outrora desanimados, começam a conversar animadamente entre si, e Bob, mais do que todos, fica animado. Salgadinhos de graça, e sua mãe não precisaria saber que ele andava comendo.

    E o fim da aula chega, e as crianças da terceira série saem da sala, animadas, como é natural para essa idade, com a iguaria que seria oferecida a eles. E estão lá, vários adultos, vestindo roupas multicoloridas com desenhos de palhaços, e um até maquiado de palhaço. Todos abrem um enorme sorriso, e as crianças (todas da escola) o retribuem.

    - Crianças, estes são o Sr. Bumba, o Sr. Guilherminho e a Sra. Felícita - fala a diretora Sandra, novamente naquele tom adoçado forçadamente. - Eles não vão ficar por aqui, mas vão dar pra vocês sacos de salgadinhos pra irem comendo, ou comerem mais tarde! - as crianças faziam cara de que iriam devorar tudo assim que recebessem o pacote.

    E elas vão saindo a media que recebem os pacotes de "Pinta e Borda", e barulho de sacos sendo rasgados são ouvidos do lado de fora. Quando chega a vez de Bob, o Sr. Bumba, que era o maquiado de palhaço, abre um sorriso meio simpático, meio aterrorizante.

    - Tome aqui criança - diz ele. - É gostoso, é legal!

    Bumba tinha um ar infantil com o qual as crianças se identificavam, o que tornou muito difícil Bob recusar o pacote. Ele nem agradeceu e saiu correndo, como é típico das crianças.
    Do lado de fora do colégio, ele abriu o pacote, e encontrou nele vários flocos coloridos artificialmente. Bobo era alérgico a corantes, mas ignora a alergia e coloca logo uns cinco na boca. Ele vai prossegue e devora mais salgadinhos. A barriga dele começa a pesar, e ele se sente tonto. Mas continua comendo. Termina o pacote e joga o saco fora. A barriga dele pesa assustadoramente, ele enjoa e cai de joelhos. Desmaia. Alguns homens vestidos de roupas coloridas aparecem das ruas, como se estivessem de tocaia. Pegam Bob pelos braços.

    - Ugh! - geme um. - Esse pesa.

    Levam o corpo inconsciente de Bob e o colocam num furgão, onde estão os corpos de várias crianças, todos esverdeados. Bob é deitado de qualquer jeito. A porta do furgão se fecha, e ele vai embora. Um outro furgão espera por mais crianças.

    O interior do furgão onde está Bob cheira a éter, mas o menino não acorda. Ele chega num prédio de aspecto velho, de janelas opacas, e é, junto com as outras crianças, colocado numa maca. Eles o levam para o terceiro e último andar, cujos aposentos também cheiram a éter. Bob é deitado numa cama de ferro e preso. Tem vários plugs anexados ao seu corpo. São ligados.

    Um palhaço aparece, e liga para a escola.

    - Alô, diretora Sandra? - diz. - Pegamos mais alguns. Logo daremos o seu dinheiro pela ajuda. Silencie os pais deles.

    A escola de Bob estava envolvida com uma organização de propósitos obscuros. A medida que o tratamento no garoto vai avançando, ele vai envelhecendo, e seu corpo começa a se putrefazer. Apodrece. Bob está morto. Retiraram sua essência de ser. Mas sua mente ainda existe. Mas não vai se reconhecer como Bob. Está aprisionada num paraíso cor-de-rosa, esquecendo-se do viver, esquecendo-se da infância. E a infância real de Bob foi perdida para sempre. E será usada em experiências mais assustadoras. A infância era a vida. E os humanos querem vida eterna. Então os humanos desejam a infância eterna. E apenas as crianças possuem a infância.

    E o suborno havia levado a megera Sandra a cometer o que cometeu. O dinheiro. A mais mortal arma. E Sandra provou que não era criança, como até os adultos são. Ela provou apenas que era humana, se deixando levar por coisas futeis.

    E a mãe seria assassinada. Por uma organização cujo objetivo era desafiar a morte. Por um bando de covardes desleais. De tal maneira que eu não me atrevo a descrever.


    ___________________________________________________________


    Bem, isso aqui (desnecessário dizer) se passa numa cidadezinha longe de tudo, tudo mesmo, onde as pessoas fazem de tudo por dinheiro, as crianças estudam até a quarta série num único colégio (e depois vão para outra cidades), e sem uma legislação muito severa, sucetível a subornos.
     
  2. Smaug

    Smaug Cacho

    Gostei de ler este texto Dark. É um texto diferente do que há por aí, só mesmo aqui no CdE para encontrar este texto, num doas mais variados assuntos.

    Que bom que vc criou uma história em torno de salgadinhos e tal, isso é realmente um problema na infância. Principalmente quando vem com brindes acompanhados dos salgadinhos, o que aumenta ainda mais a venda destes.

    Gostei deste texto por mais uma vez tratar de um assunto que me deixa interessado: a ganância, junto com ambição e dinheiro. O texto juntou isso com um toque de humor por parte de sandra com seu sorriso forçado, tudo pelo dinheiro.

    :D
     

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